O poder das cores

Polo-CologneEstá claro que não há press release que substituta um frasco e uma embalagem. Agora, você já pensou sobre como as cores são escolhidas? Se não conscientemente, certamente instintivamente. Mesmo com a diversidade de culturas, o ser humano tende a partilhar do significado das cores.

Nos 100 primeiros anos da perfumaria moderna (1889-1989), a cor predominante era o amarelo em todas as suas nuances. O AMARELO denota aspecto natural e a maior parte dos óleos essenciais têm essa tonalidade – além de oportunamente remeter à riqueza por alusão ao ouro. Se dois dos três presentes que o menino Jesus recebeu no seu nascimento foram perfumes, o terceiro foi o metal precioso… No máximo um cítrico seria BEGE e um oriental MARROM; um VERDE poderia às vezes aparecer, mas ainda assim invocando plantas ou musgos. Os anos 90 trouxeram consigo uma grande necessidade de tecnologia e abstração na vida cotidiana, e a perfumaria cumpriu com o seu papel ao introduzir novos sintéticos e com eles novas possibilidades (algo como o pós-modernismo). O AZUL – que representa o frescor (ou frieza) e virilidade – foi eleita a cor dos aquáticos e aromáticos. O ROSA PASTEL – que representa a beleza e delicadeza – virou tema dos florais e chipres. Já o ROXO e o ROSA PINK remetem ao lúdico e à meninice e evocam perfumes doces (tipicamente frutados ou gourmands). O PRETO, o MARROM, o PRATA e o DOURADO estão associados à sofisticação e à seriedade – âmbar, couro e madeiras nobres são a bola da vez. Mais raramente, aparecem o VERMELHO e o LARANJA, que podem simbolizar a pungência das especiarias ou a acidez das frutas cítricas. Finalmente, o frasco/líquido BRANCO ou TRANSPARENTE denotam sensação de limpeza e maciez.

Lembra dos perfumes de líquido amarelo? A nova geração os encara como perfume de vovó. Se na década de 90 a moda era aplicar químicos colorizantes para alterar a cor do líquido, tal técnica se provou instável e perigosa. Anos depois, usuários começaram a reclamar de partículas que precipitaram em seus frascos, a exemplo do clássico moderno Gucci Envy, feito na cor verde para melhor ilustrar a ideia da inveja. Hoje o costume é limitar a coloração artificial apenas para os frascos, pois aí as possibilidades são praticamente infinitas e o líquido transparente ou amarelo permanece puro e cristalino, sem corantes e, portanto, com menos chance de precipitação.

Se as cores têm o seu significado próprio, o de sedimentos flutuando no perfume é basicamente um só – parece coisa mal-feita.

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