O que esperar dos próximos anos?

Tendências

Se eu estivesse escrevendo este texto por volta de 2005, deveria ter previsto o seguinte: os perfumes de agora seriam menos criativos, mais seguros e muito prolíficos (flankers eau/intense/temáticos, edições limitadas, múltiplas concentrações, extensões de linha); os masculinos mais vendidos seriam aromáticos musky ou amadeirados boozy, ricos em sintéticos (ambroxan, Iso E Super, cashmeran, Safraleine, etil maltol); e os femininos se dividiriam entre os florais musky, os chipres modernos (rosa/frutas/patchouli) e os gourmands ultradoces, igualmente sintéticos.

Finalmente, nos últimos anos, vimos indícios mais claros de uma outra fase, com novas tendências. Os designers estão priorizando as fragrâncias femininas, agora mais inovadoras, já que o público masculino está, cada vez mais, entrando no mercado de nicho, pesquisando e comprando via internet em sites especializados, ou até mesmo na Sephora (que cada vez mais expande seu portfólio). O estereótipo de que o homem é mais objetivo e pragmático se prova verdadeiro.

Na perfumaria feminina, o aspecto salino vem sendo crescentemente abordado desde Lovely (Sarah Jessica Parker) de 2005, como em Narciso (Narciso Rodriguez), Mon Exclusif (Guerlain) e Reveal (CK), bem como o aquoso em Dolce (D&G), Gucci Bamboo e Miu Miu (Prada), ou ambos ao mesmo tempo, como em Mod Noir (Marc Jacobs), Aqva Divina (Bvlgari) e Olympéa (Paco Rabanne). Isso mostra um interesse maior das mulheres pela delicadeza e textura da fragrância. No lado masculino, nota-se uma maior receptividade ao floral, aberta por Dior Homme em 2005, como em Eau de Nuit (Armani), Tom Ford Noir, Équipage Géranium (Hermès), Valentino Uomo e Icon (Dunhill). Aliás, perfumes à base de rosa são a nova tendência unissex (depois dos cítricos tradicionais e dos gourmands a partir dos anos 90). Em geral, as versões devem continuar, especialmente linhas exclusivas, flankers oud e EDPs/Parfums masculinos. Fragrâncias de celebridades vêm ganhando qualidade e originalidade como em Truth or Dare Naked (Madonna), Eau de Gaga (Lady Gaga) e Girl (Pharrell Williams).

O mercado de nicho, não mais tão claramente definido, deve explorar dois extremos: o natural/rural/herbáceo/orgânico e o abstrato/urbano/defumado/plástico. O destaque dos próximos anos, contudo, deve ser a consolidação do mercado indie – pequenas casas comandadas por artesãos que interagem diretamente com o público via redes sociais – que bombou a partir de 2010.

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