Como você “enxerga” um perfume?

ComoVocêVê O perfume é como qualquer artigo à venda no mercado, podendo ser enxergado de diversas formas. Para simplificar, basicamente, um produto pode ser visto como um fim em si (uma utilidade), um meio (uma ferramenta) ou um símbolo (um fetiche).

Pense num carro. Você pode adquiri-lo usando como critério o quão eficiente ele seja desempenhando uma tarefa específica, como levar os filhos à escola com o menor consumo possível de combustível. Você pode escolher um modelo pensando na engenharia do carro ou em como você se sente o operando – ou seja, enxergando-o como uma ferramenta entre você e o objetivo final. Finalmente, você pode comprar um carro como objeto de poder e status para aumentar a autoestima ou fomentar a admiração dos outros por você.

Claramente o produto sendo visto como um meio é mais bem aproveitado, no sentido de que suas características intrínsecas são mais apreciadas e compreendidas – “o que importa é a viagem em si e não o destino”. O mesmo vale para o perfume. Há quem o compre como uma utilidade (para disfarçar cheiro de suor ou cigarro), como uma ferramenta (para ter bem-estar ou se conhecer melhor), ou como um fetiche (para se sentir valorizado por si mesmo e pelos outros). O primeiro grupo de consumidores está mais ligado ao “gosto” ou “não gosto”, mais pragmáticos, dando pouco atenção ao marketing e mais ao resultado e objetivo alcançado. O segundo está mais ligado ao “tem a ver comigo”, com consumidores mais sofisticados, assimilando a experiência olfativa como um todo. O terceiro está mais ligado ao “preciso comprar”, “preciso ter” ou “preciso mostrar”, aspirando incorporar em si a imagem que a grife, o frasco, a embalagem e o anúncio transmitem.

A perfumaria é marcadamente dividida nessas três formas de enxergar o produto. Às vezes elas não são tão claras e se confundem – pode ser que eu enxergue o meu Dior Homme (o melhor perfume do mundo, na minha opinião) apenas como uma ferramenta, mas ele acaba representando uma grande fantasia para mim, sem que eu me dê conta disso. Ele também pode ter a utilidade de seduzir alguém na balada. Não há nada de errado em ver o perfume como utilitário ou fetiche, contanto que o usuário tenha consciência disso.

Consciência é algo difícil quando o assunto em pauta é tão etéreo como a perfumaria, deixando muito espaço para as manipulações dos gurus da publicidade. Quanto menos se domina um assunto, mais propensos estamos à autossugestão. Mas a questão chave é: o perfume contribui para você da forma que melhor pode ser aproveitada no seu contexto pessoal? Se sim, vá em frente. O perfume está a seu serviço e não o contrário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s