Luxo e indie – as duas faces da perfumaria de nicho

NichoXIndieNicho é tudo que foge do mainstream, ou seja, é o que atende a grupos de consumidores que não se enquadram no marketing de massa. É um conceito amplo, muitas vezes definido de forma simplista. Há quem diga que nicho é tudo o que não é designer (estilista) ou celebridade, mas nem isso é verdade, pois uma marca como Guerlain não se enquadra em qualquer dessas opções. Na verdade, Guerlain tem dentro de si portfólios diferentes, que vão desde as criações vendidas em duty frees até o serviço bespoke (sob medida), passando pelas linhas exclusivas, que de fato atendem a um nicho. E o que dizer de designers exclusivos como Comme des Garçons, Helmut Lang e Costume National?

Mesmo dentro do nicho existem muitas propostas diferentes, que incluem até mesmo a perfumaria religiosa, a vegana e a erótica. De toda forma, o grosso do nicho consiste basicamente de dois grandes mercados: luxo e indie. O primeiro é dedicado a perfumes feitos com matérias-primas mais preciosas, por perfumistas de renome e com apresentações bem elaboradas. O segundo é formado por perfumistas independentes que operam mais como artesãos, sendo responsáveis por todo o fluxo da confecção de uma fragrância, muito mais engajados na arte do que na monetização do produto. Se seguirmos a regra estabelecida pelo Oscar da perfumaria, o FiFi Awards, faríamos uma avaliação equivocada do indie, já que o prêmio reconhece as grandes marcas de luxo Kilian, Roja e Xerjoff como tal. Contudo, quem conhece bem a indústria, embora saiba que essas marcas operem fora do mercado de massa, não as classifica como indie.

A linha que separa o luxo do craft muitas vezes é bastante tênue, mas há um critério do qual não se pode fugir: o acesso do comprador a quem cria a fragrância. Marcas de luxo têm uma estrutura mais compartimentalizada, onde o perfumista é coordenado por um diretor artístico, que traduz a demanda de mercado. Casas indie são enxutas e coesas, normalmente com um único encarregado que responde por tudo. O indie se diferencia fundamentalmente do luxo por estar em direto contato com o seu público. Ele compõe suas fragrâncias de forma interativa, e também lida com o feedback de forma mais rápida e espontânea. Nada disso acontece no nicho de luxo, onde a interação com o perfumista ou diretor artístico tem pouca ou nenhuma relevância.

Em outras palavras: se você conseguir falar com o perfumista, provavelmente trata-se de um indie. Usuários que vão atrás de luxo buscam, acima de tudo, exclusividade, status e panache. Quem gosta da perfumaria indie está mais atrás de ousadia, criatividade e – com o perdão do trocadilho – essência.

E qual é o melhor em qualidade? Impossível dizer – tem muita coisa boa e muita coisa ruim em ambos os lados da perfumaria de nicho. (fotos: Sarah McCartney / Kilian Hennessy)

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