Anos 80: Opulência

Anos80O mundo inteiro viveu uma época muito particular entre 1969 e 1989. Esse período passou por eventos de grande intensidade, sejam eles positivos ou negativos, com forte impacto em todos os setores, inclusive na perfumaria. O homem pousou na lua, inventou novos eletrônicos (videocassete, calculadora, walkman, videogame e computador pessoal), gerou o primeiro bebê de proveta, passou a música para a televisão e criou a world wide web. Em meio a tudo isso o mundo vivia fome na África, proliferação da aids, múltiplos conflitos no Oriente Médio, a Guerra Fria e, finalmente, a Queda do Muro de Berlim. As novas possibilidades propiciadas pela tecnologia vieram ao encontro da necessidade de escapismo, criando assim uma cultura de excesso e alienação. Os anos 80 foram caracterizados pelo homem querendo ser super-humano, com cabelos, ombros e peitos maiores do que o normal. No cinema, os grandes filmes foram “Guerra nas Estrelas”, “ET” e “De Volta para o Futuro”. E como foi que a perfumaria respondeu a esses estímulos? Compondo fragrâncias potentes, de construções complexas e grande silagem. É claro que tudo isso foi possível por terem sido anteriores às rígidas normas sanitárias atuais (todos perfumes oitentistas foram reformulados, se não descontinuados).

Nota: Alguns perfumes lançados entre 1990 e 1992 constam nesta lista por terem mantido o estilo oitentista. Marcas de cosméticos e nacionais têm sua página dedicada: Cosméticos e Nacionais.

(ordem cronológica por ano de lançamento)

PatouPH1. Patou pour Homme (Patou, 1980). Devido à raridade de sua versão original (foi reintroduzido em 2013), este perfume se tornou um mito da perfumaria. Patou pour Homme tinha uma arrebatadora saída de lavanda, sálvia, estragão e pimenta, evoluindo para um coração amadeirado de vetiver, patchouli e cedro – notas incomuns para o centro de uma composição. Musgo de carvalho, sândalo e fava tonka concluíam este fascinante perfume amadeirado picante. A versão atualmente à venda é obviamente diferente por ter couro no lugar de musgo de carvalho e por trocar as notas especiadas por cítricas.

Macassar2. Macassar (Rochas, 1980). Do começo ao fim, é fácil notar que estamos lidando com um perfume incrível, feito à moda antiga. Na saída, Macassar exalava um aroma herbáceo de absinto, gengibre e artemísia. Este chipre amadeirado tem um coração floral e canforado composto por notas de agulhas de pinho, gerânio, cravo e jasmim. A base de couro, âmbar, tabaco, patchouli, gaiaco e musgo de carvalho conferia um dry-down seco, quente e terroso, bem masculino e sofisticado. Macassar infelizmente segue um estilo hoje considerado datado e que deixa saudades. Descontinuado.

Jules3. Jules (Dior, 1980). Este é um espécimen das antigas. O nome Jules foi criado para representar o macho-alfa – o homem que pode tudo. Jules é bem-sucedido no trabalho, no lazer e com a família. Você já deve imaginar que não se trata de uma fragrância aromática leve. Jules é um perfume herbáceo (musgo de carvalho, artemísia e abeto) com notas de lavanda, couro, âmbar e cravo. Infelizmente é hoje vendido somente na França. Talvez nunca tenha havido um homem como Jules.

oscarlui4. Oscar pour Lui (Oscar de la Renta, 1980). Esta é uma fragrância clássica de construção chipre nos moldes de Givenchy Gentlemen e Chanel pour Monsieur. Oscar pour Lui tinha uma saída cítrica e herbácea, progredindo para um coração chipre rico em vetiver. A base ficava por conta da nota de couro e labdanum, conferindo uma aura masculina e sofisticada, com nuances animálicas. Apesar de ser de 1980, este perfume não era uma bomba, mas sim bastante confortável. Descontinuado.

Portos5. Portos (Balenciaga, 1980). Na entrada da década de 80, a casa espanhola seguiu com o estilo masculino predominante nos anos 70: o chipre amadeirado. A partir de um topo herbáceo de bergamota, gálbano, artemísia, coentro e alcarávia, Portos seguia com um coração floral de gerânio, cravo, rosa e jasmim. Na secagem, a base chipre clássica ganhava toques orientais de couro, incenso, mirra e castoreum. Um perfume que equilibrava bem o viril e o sofisticado, hoje infelizmente retirado do mercado.

UnHomme6. Un Homme (Charles Jourdan, 1980). Famoso pelo design de sapatos femininos, o estilista Charles Jourdan, falecido em 1976, deixou como legado este excelente perfume masculino. Tratava-se de um típico fougère aromático, composto por Françoise Caron com um topo de cítricos, lavanda, ervas finas e anis, centro de gerânio, rosa, cravo, jasmim, cedro e patchouli, e fundo de musgo de carvalho, sândalo, fava tonka, couro, âmbar e musk. Extensamente comparado a Azzaro pour Homme na época, Un Homme de Charles Jourdan era, no entanto, mais selvagem e menos sofisticado. Descontinuado.

Gauloise7. Gauloise (Molyneux, 1980). Este raro floral aldeídico de Molyneux conseguia ser ao mesmo tempo brilhante e polvoroso. Com notas principais de aldeídos, folhas verdes, jacinto, rosa, tuberosa, jasmim, íris, violeta, musgo de carvalho e madeiras nobres, Gauloise criava uma atmosfera arejada e elegante, num misto de campo e maquiagem. Ainda permanece a controvérsia sobre o nome da fragrância – seria uma referência à famosa marca de cigarros ou simplesmente à mulher gaulesa. Descontinuado.

VersaillesPH8. Versailles pour Homme (Jean Desprez, 1980). Sem chegar perto da fama alcançada pela versão feminina, Versailles pour Homme não seguia o mesmo estilo intensamente animálico. Abrindo com um potente acorde aromático de cítricos e ervas finas permeado de musgo de carvalho, o perfume seguia com um centro multifacetado de gerânio, cravo, jasmim, agulhas de pinho e patchouli, além de nuances frutadas e picantes. O aspecto floral e herbáceo aos poucos cedia espaço para um fundo marcadamente balsâmico (e datado) de incenso, estoraque, labdanum, baunilha, couro e almíscar. Descontinuado.

SandSable9. Sand & Sable (Coty, 1981). Um grande buquê de flores brancas em formato perfume, Sand & Sable foi bastante popular nos anos 80 e hoje sem encontra à venda nos Estados Unidos por dez dólares. Apesar de ser centrado num acorde potente de tuberosa, gardênia e jasmim com um toque de rosa, o perfume não é tão potente nem tão datado. Seu topo de notas verdes e frutadas dá um ar jovial, enquanto sua base de almíscares sintéticos preserva a aura limpa e suave da composição. Uma pechincha imperdível para quem tem acesso a sites estrangeiros.

Turbulences10. Turbulences (Revillon, 1981). Turbulences foi um floral especiado ao estilo de L’Air du Temps de Nina Ricci. Com uma saída de bergamota, gálbano, menta e cominho, a composição passava a exalar um centro intensamente floral de cravo, rosa, íris, tuberosa, lírio-do-vale e ylang-ylang, temperado com pimenta preta. No dry-down, Turbulences fazia emergia sua base amadeirada e cremosa de sândalo, cedro, vetiver, âmbar, baunilha e almíscar. Uma fragrância feita para uso noturno. Descontinuado.

GianniVersace11. Gianni Versace (Versace, 1981). Tomando como base a estrutura chipre clássica, esta fragrância precoce de Versace incorporava aldeídos, frutas, especiarias, flores e resinas. Abrindo com um acorde luminoso, picante e adocicado, Gianni Versace apresentava um centro de flores brancas com traços de íris e cravo. Horas depois, a base se ativava e mostrava um acorde envolvente de couro, patchouli, vetiver, sândalo, benjoim, âmbar, mirra, incenso e musk. Descontinuado.

3365440003866_kouros-eau-de-toilette-spray_0112. Kouros (Yves Saint Laurent, 1981). Um dos perfumes mais polarizantes da história, Kouros é a própria encarnação do homem selvagem. O perfumista Pierre Bourdon criou em 1981 esta composição complexa de ervas finas, especiarias, musgo de carvalho, patchouli, mel, couro e notas animálicas. Uma injeção de aldeídos trouxe a ele um efeito polvoroso de limpeza, um tanto sintético. Kouros pode causar repulsa em muitas pessoas por ser tão autêntico, tão orgânico, a ponto de parecer ser um homem de verdade, respirando e liberando secreções. Já para outras pessoas, o perfume pode causar grande excitação e remeter a sexo. Evidentemente, Kouros toca naquele botão da memória olfativa que significa tudo ou nada.

Santos13. Santos (Cartier, 1981). Recomendado aos nostálgicos, Santos é uma fragrância que lembra o Natal. Abre com uma brisa verde e cítrica (lavanda, gerânio, verbena, manjericão, alecrim e bergamota) e gradualmente evolui para uma base cremosa e especiada (coco, sândalo, patchouli, âmbar, baunilha, pimenta e noz moscada). Por mais que possa soar enjoativo, Santos não entrega tudo de uma vez – mantém sempre o mistério, revelando sua elegância e sensualidade masculina aos poucos, sem dar dor de cabeça.

Antaeus14. Antaeus (Chanel, 1981). Forte como um deus grego, gentil como um homem. Assim foi lançado o mais animálico dos perfumes da casa Chanel. Totalmente fora de moda poucos anos depois de seu lançamento, esta obra-prima sagrou-se como referência de perfume que tem cheiro de bicho. Para quem não está acostumado, cheirar Antaeus é um soco na cara. A nota de castoreum ofusca todas as demais (musgo de carvalho, rosa, patchouli, labdanum), dando impressão de que o perfume vai aquecendo com o tempo.

Must15. Must (Cartier, 1981). Este fabuloso e esquecido perfume da Cartier foi feito para mulheres sofisticadas, poderosas e sensuais. Must abre com notas aldeídicas, verdes (gálbano e néroli) e frutadas (abacaxi e pêssego) e caminha para um coração floral dominado por cravo e almíscar. Logo em seguida, notas de rosa e jasmim se revelam aveludadas enquanto a composição se prepara para uma secagem quente e doce de sândalo, fava tonka, baunilha, couro e civet. Must tem um aspecto datado no início, mas é definitivamente um clássico atemporal.

CacharelPH16. Cacharel pour Homme (Cacharel, 1981). Construído em volta da nota picante e agridoce de noz moscada, esta é uma rara composição da Cacharel para homens. O perfume é essencialmente seco e amadeirado, abrindo com um instigante aroma de bergamota, lavanda e noz moscada. No seu centro, notas florais de muguê e cravo interagem com notas geladas de gerânio e agulhas de pinho. Praticamente extinto, Cacharel pour Homme é um perfume masculino único, nunca imitado.

OmbreRose17. Ombre Rose l’Original (Jean-Charles Brosseau, 1981)Numa época em que ninguém sonhava em criar um perfume com uma rosa atalcada e doce, eis que surge Ombre Rose l’Original. O perfume é praticamente um sabonete de rosa e íris, sem notas de saída (exceto aldeídos) mas com um fundo de mel, sândalo, baunilha, fava tonka e musk. É uma fragrância confortável e aconchegante, feminina e nostálgica. Ombre Rose l’Original é old school, mas não necessariamente para uso de senhoras.

Nocturnes18. Nocturnes (Caron, 1981). Quando lançado em 1981, Nocturnes de Caron foi promovido como um floral aldeído modernizado, tendo em vista o público feminino jovem com toda sua espontaneidade e vitalidade. A composição conta com um topo de aldeídos, bergamota, mandarina, laranja e folhas verdes, um centro de cíclame, rosa, íris, jasmim, ylang-ylang, tuberosa e muguê, e uma base de vetiver, sândalo, benjoim, âmbar, baunilha e musk. De uma atmosfera primaveril, Nocturnes termina com um aspecto sensual e envolvente.

Stetson19. Stetson (Coty, 1981). Stetson de Coty é um perfume andrógino que mescla os gêneros fougère e chipre. Se por um lado a composição ganha o típico contraste gelado-quente do fougère com ervas finas, lavanda, gerânio e fava tonka, por outro ela traz uma estrutura chipre com cítricos, jasmim, cravo, íris e labdanum. Para arredondar tudo, notas de mel e musk permeiam toda a fragrância. O resultado é saponáceo e picante, bem old school.

JHL20. JHL (Aramis, 1982). Sinônimo de sofisticação masculina, a marca do grupo Estée Lauder recentemente trouxe de volta ao mercado um de seus maiores clássicos. JHL é um multifacetado chipre masculino feito com notas de todas as famílias olfativas. Focado na nota de cravo, o perfume conta com um topo luminoso e refrescante de aldeídos, cítricos e frutas diversas, um centro floral e picante de rosa, ylang-ylang, jasmim, cravo, canela e agulhas de pinho, e uma base balsâmica e amadeirada de couro, âmbar e musk. Só o fato de tanta coisa junta funcionar já é um feito.

Armani21. Armani (Armani, 1982). Este extinto chipre floral de Armani é hoje uma raridade a ser garimpada nos mercados eletrônicos. Armani abria retrô com um acorde fresco, herbáceo e cintilante de bergamota, aldeídos, gálbano, calêndula, menta e abacaxi. Na sequência, um enorme buquê de cravo, rosa, íris, narciso, orquídea, muguê, jasmim e tuberosa se desabrochava em uníssono. A base ficava por conta de um acorde chipre clássico enriquecido com sândalo, fava tonka, benjoim e musk. Descontinuado.

Prélude22. Prélude (Balenciaga, 1982). Na época muito comparado a Opium de Yves Saint Laurent, Prélude foi um floral oriental de traços polvorosos e animálicos. Com uma saída de aldeídos e cítricos, a composição incorporava um centro de cravo, rosa, orquídea, jasmim e ylang-ylang temperado com canela. No dry-down, um poderoso acorde de patchouli, bálsamo tolu, âmbar, benjoim, baunilha e civet trazia uma aura mais confortável, diferenciando-se do narcótico Opium. Descontinuado.

Raffinée23. Raffinée (Houbigant, 1982). Como sugere seu próprio nome, Raffinée foi um refinado oriental floral. Sensual e exuberante, o perfume tinha uma saída densa e adocicada com notas marcantes de cravo e ameixa. Seu centro consistia de um acorde polvoroso de mimosa, orquídea, tuberosa, ylang-ylang, íris e fava tonka, sustentado por um fundo de cipreste, vetiver, sândalo, baunilha, incenso, especiarias quentes e almíscar. Puro luxo. Descontinuado.

CourrègesInBlue24. Courrèges in Blue (Courrèges, 1983). Apesar do nome, este perfume não é um aquático. Na verdade, trata-se de um floral verde rico em aldeídos, gálbano e ervas finas. Em sua evolução, Courrèges in Blue exala um acorde floral frutado de cassis, pêssego, rosa, peônia, violeta, jasmim e tuberosa, apoiado sobre uma base de cravo-da-índia, musgo de carvalho, vetiver, patchouli, sândalo, cedro, âmbar e musk. Courrèges in Blue foi relançado em 2011 com uma fórmula bem mais suave e genérica.

KL25. KL (Lagerfeld, 1983). Criado para ser uma bomba sensual, KL de Lagerfeld foi um explosivo oriental especiado feminino. O perfume abria com um acorde adstringente de bergamota, laranja e especiarias quentes, anunciando um centro intoxicante de rosa, jasmim e ylang-ylang temperado com canela e cravo-da-índia. À medida em que evoluía, KL revelava seu fundo balsâmico e selvagem de patchouli, âmbar, benjoim, estoraque, baunilha, mirra e civet. Um perfume intoxicante, infelizmente descontinuado.

4.-paris-yves-saint-laurent_galzoom26. Paris (Yves Saint Laurent, 1983). Um clássico de Yves Saint Laurent, Paris interpreta a rosa não de forma delicada e leve como nas fragrâncias mais modernas – afinal, trata-se de um perfume “oitentista”. A rosa aqui é cheia de maquiagem e agressiva e, apesar de ser apoiada num imenso buquê floral (muguê, ylang-ylang, flor de laranjeira, íris, violeta, jacinto, heliotrópio, gerânio e acácia), é ela quem rouba a cena. Com a ajuda de sintéticos, a nota de rosa se torna um monstro com diversas garras. O aroma é complexo, com nuances de flores diversas e até frutas suculentas. Um clássico.

Diva27. Diva (Ungaro, 1983). Com um frasco que simboliza as curvas de uma bela mulher, Diva foi feito para escandalizar. Potente e ultrafeminino, quente e sensual, este é um chipre floral à moda antiga – muito musgo de carvalho, aldeído e civet. A saída de mandarina, bergamota, coentro, cardamomo e aldeídos já chama atenção e abre alas para um coração de múltiplas flores interagindo harmoniosamente entre si. Na base, madeiras nobres, resinas, mel, musk e civet potencializam o rastro e duração do perfume.

JardinsBagatelle28. Jardins de Bagatelle (Guerlain, 1983). Um dos perfumes da Guerlain menos comentados, Jardins de Bagatelle é um floral feminino apoiado sobre um acorde gardênia-tuberosa com uma saída cítrica aldeídica e uma base amadeirada musky. O coração alegre e otimista de rosa, muguê, jasmim, gardênia e tuberosa produz um aroma cremoso e irradiante. Na secagem, Jardins de Bagatelle segue um caminho mais duro e seco com notas de vetiver e patchouli. Esse contraste se prova interessante na evolução da fragrância.

Rouge29. Rouge (Hermès, 1984). Originalmente criado em 1984 pela perfumista Akiko Kamei e reformulado em 2000, Rouge é um oriental floral conhecido por sua feminilidade e sofisticação. Opulento e sensual, o perfume abre com um topo atalcado e inebriante de rosa, ylang-ylang e íris. Aos poucos, a composição vai esquentando e se tornando cremosa com um acorde ambarado. A combinação de sândalo, especiarias, mirra e baunilha traz profundidade e mistério. Rouge é uma excelente referência de rosa apimentada.

Ysatis30. Ysatis (Givenchy, 1984). Ysatis é um chipre floral típico dos anos 80, com uma alta injeção de aldeídos e musgo de carvalho (aqui replicado pelo sintético Evernyl). O perfume abre com um intenso aroma floral polvoroso com nuances cítricas e lactônicas. O centro da composição é formado por um exuberante buquê floral com uma nota licorosa de rum e mel. Na base, especiarias, resinas, madeiras nobres, almíscar e civet completam a fragrância. Feito para mulheres que apreciam uma bomba olfativa, Ysatis deixa um rastro atalcado e marcante por onde passa.

Trussardi31. Trussardi (Trussardi, 1984)Chipre de couro elegante e pragmático, Trussardi abre agressivo com notas verdes e aldeídicas, criando uma sensação de sabonete feito de ervas. Seu coração é formado por um buquê floral de íris, rosa, gerânio, tuberosa, jasmim, muguê e ylang-ylang que não chega a dominar a fragrância. Âmbar, estoraque, cedro, sândalo, patchouli, musgo de carvalho, baunilha e musk formam uma potente base que ressalta a nota de couro do começo ao fim da performance.

ArmaniPH32. Armani pour Homme (Armani, 1984). Esta fragrância lembra Eau Sauvage de Dior. É um clássico cítrico com especiarias e madeiras, repleto de notas tipicamente masculinas como manjericão, noz moscada, patchouli, cravo-da-índia e musgo de carvalho. Apesar de não ter uma composição pesada, Armani pour Homme transmite uma vibe de senhor de terno de corte clássico e gravata larga. Infelizmente este perfume peca um pouco na longevidade e precisa ser reaplicado de quatro em quatro horas.

PalomaPicasso33. Paloma Picasso (Paloma Picasso, 1984). O último dos chipres clássicos foi criado pela filha de Pablo Picasso, que também era neta de perfumista e, portanto, conhecia a arte desde criança. A fragrância abre com uma explosão de coentro, cravo e angélica, parte para notas aldeídicas e florais (jasmim, ylang-ylang, jacinto e acácia) e termina com uma base amadeirada com um diferencial animálico (civet, castoreum e almíscar). Paloma Picasso é tão complexo e atrevido que foi difícil de ser vendido no começo, mas depois foi aceito e virou ícone.

Coco34. Coco (Chanel, 1984). Depois do bem-sucedido lançamento de Opium em 1977, várias casas começaram a pensar no tema oriental especiado. A resposta de Chanel foi uma fragrância mais usável graças à recém sintetização das damascenonas – moléculas com aroma de frutas secas que ajudam a suavizar uma composição. Coco tem uma saída cítrica e frutada que evolui para um aspecto floral especiado. Sua base é formada por notas de âmbar, sândalo, fava tonka, baunilha, opoponax e civet. Datado, mas chique.

Lacoste35. Lacoste (Lacoste, 1984). A grife francesa Lacoste conta com uma extensa linha de fragrâncias, porém, ironicamente, a melhor é a assinatura da casa, lançada em 1984. Trata-se de um fougère com saída de cítricos, gálbano, lavanda e ervas finas, coração de jasmim, cravo e gerânio, e base de musgo de carvalho, madeiras nobres, fava tonka, âmbar e musk. O equilíbrio entre notas cítricas, verdes e florais produz um efeito vibrante e marcante como não se faz mais.

TuscanyPerUomo36. Tuscany per Uomo (Aramis, 1984). Tuscany per Uomo é um fougère com um pé no aromático e gelado e outro no oriental e quente. Sua abertura de bergamota, limão, manjericão e lavanda conduz a um centro picante de canela, anis, cominho, estragão e flor de laranjeira. Na evolução, o perfume desenvolve um acorde robusto e sofisticado de couro, patchouli, musgo de carvalho, fava tonka e sândalo. A harmonia entre o aspecto florestal e gourmand faz de Tuscany per Uomo um perfume complexo e único. Mmenosprezado.

Davidoff37. Davidoff (Davidoff, 1984). A fragrância assinatura da tradicional casa inglesa consistia de um chipre amadeirado ao mesmo tempo minimalista e complexo. A partir de um topo de limão tahiti e siciliano, manjericão e artemísia, Davidoff seguia um caminho floral picante de rosa, cravo, íris e cominho. Horas depois, sua base se ativava na forma de uma nuvem polvorosa de couro, musgo de carvalho, patchouli e castoreum. Descontinuado.

Edition38. Edition (Dunhill, 1984). Edition de Dunhill foi um fougère aromático potente que evidenciava bem a contraposição do quente e o gelado. Com uma saída efervescente de bergamota, limão siciliano, lavanda, sálvia e noz moscada, o perfume desabrochava um buquê masculino de cravo, gerânio, cíclame, lírio-do-vale e jasmim. A finalização ficava por conta de uma base florestal de agulhas de pinho, musgo de carvalho, vetiver, cedro, fava tonka e âmbar. Descontinuado.

Azzaro939. Azzaro 9 (Azzaro, 1984). Azzaro 9 foi um gigante buquê floral que explorava todas as facetas possíveis do gênero: indólico, polvoroso, melífluo, amargo e picante. Para tanto, o perfume abria com aldeídos, cítricos e abacaxi, anunciando um centro de acácia, tulipa, cravo, tuberosa, muguê, glicínia, jasmim, ylang-ylang, muguê, rosa, flor de laranjeira, jacinto, íris e violeta. Para segurar tudo isso, a composição recebeu uma base poderosa de sândalo, musgo de carvalho, cedro, vetiver, incenso, baunilha e musk. Descontinuado.

GianfrancoFerré40. Gianfranco Ferré (Gianfranco Ferré, 1984). A fragrância assinatura de Gianfranco Ferré tratava-se de um majestoso oriental floral de traços herbáceos, especiados e balsâmicos. Abrindo com um acorde de flores frescas e luminosas (jacinto, madressilva, flor de laranjeira, muguê), a composição logo revelava um intoxicante buquê de tuberosa, ylang-ylang, narciso, rosa e cravo. No dry-down, a base de sândalo, cedro, âmbar, benjoim, civet e almíscar deixava para trás um rastro opulento e feminino. Descontinuado.

Bambou41. Bambou (Weil, 1984). Este é um floral verde que equilibra dois acordes principais: um seco e aromático composto de mandarina, chá, musgo de carvalho e vetiver; outro floral e denso composto de rosa, jasmim, tuberosa, ylang-ylang e sândalo. Assim, Bambou abre refrescante e arejado, logo desenvolvendo um coração belo e feminino. Sua base amadeirada preserva a delicadeza da fragrância durante toda sua evolução.

Phileas42. Phileas (Nina Ricci, 1984). O extinto Phileas de Nina Ricci foi um sofisticado oriental especiado feito para homens. A partir de um topo aromático de aldeídos, cítricos, folhas verdes e zimbro, a composição adentrava um acorde quente e soapy de cravo, jasmim, patchouli, agulhas de pinho, cedro, vetiver, alcarávia e canela. No seu dry-down, Phileas mostrava sua faceta seca e defumada devido a notas de fundo como musgo de carvalho, tabaco, labdanum, couro, âmbar e musk. Descontinuado.

Sinan43. Sinan (Jean-Marc Sinan, 1984). Hoje praticamente esquecido, Sinan foi um chipre clássico de traços incensados e picantes. O perfume abria fresco e luminoso com aldeídos, bergamota, folhas verdes e coentro, antes de revelar seu centro floral de cravo, rosa, gerânio, jasmim, lírio-do-vale, ylang-ylang e íris. Tudo isso era suportado por uma base encorpada de musgo de carvalho, vetiver, patchouli, incenso, âmbar e musk. Elegante apesar de ser bombástico. Descontinuado.

Lumière44. Lumière (Rochas, 1984). Com a cara dos anos 80, este potente oriental floral de Rochas causava impacto de imediato graças ao seu intenso topo aldeídico, polvoroso e frutado. A partir daí a composição evoluía para um inebriante corpo floral de jacinto, narciso, íris, rosa, jasmim, ylang-ylang, madressilva e tuberosa. Lumière mantinha sua imponência com uma base seca e encorpada de musgo de carvalho, cedro, sândalo, vetiver e musk. Descontinuado.

TeatroAllaScala45. Teatro Alla Scala (Krizia, 1985). Teatro Alla Scala é um opulento oriental especiado, seguindo a linha de Coco e Opium. Abrindo com aldeídos, cítricos, frutas e especiarias, a composição apresenta um buquê de cravo, rosa, gerânio e flores brancas. Na evolução, seu aspecto se torna mais denso e animálico graças a uma base de cera de abelha, musgo de carvalho, vetiver, patchouli, incenso, benjoim, civet e almíscar. Infelizmente foi descontinuado.

PerryEllisOriginal46. Perry Ellis for Men (Perry Ellis, 1985). A fragrância assinatura original da famosa grife americana foi este chipre couro feito para homens elegantes. Perry Ellis for Men abria cítrico e amargo com notas de bergamota e gálbano, anunciando um centro minimalista de cravo e rosa. O sofisticado fundo de musgo de carvalho, tabaco, couro e baunilha emergia rapidamente, balanceando a composição como um todo. Um perfeito espécimen retrô da perfumaria oitentista masculina. Descontinuado.

Design47. Design (Paul Sebastian, 1985). Centrado na tuberosa, este floral oriental conta com um topo de pêssego, cassis, madressilva, flor de laranjeira, gardênia e jasmim. Minutos depois, tornam-se evidentes as notas centrais de cravo, rosa, lilás e ylang-ylang, conferindo mais cor e substância à fragrância. Na secagem, o perfume esquenta com seu acorde base de sândalo, civet e almíscar. Design é ao mesmo tempo limpo e obscuro, confortável e sexy.

Obsession48. Obsession (Calvin Klein, 1985). Sem a mesma atemporalidade da versão masculina, lançada um ano depois, Obsession caiu no clichê datado devido ao seu aspecto soapy, balsâmico e animálico. Com uma saída herbácea (gálbano e manjericão) e frutada (pêssego e mandarina), o perfume logo adentra um centro floral picante à base de jasmim, rosa, madeiras nobres e especiarias quentes. Obsession finaliza com um acorde oriental de incenso, âmbar, baunilha, civet e musk. Uma borrifada a mais da versão original poderia ser fatal, mas a atual, reformulada, é mais equilibrada.

RdeCapucci49. R de Capucci (Roberto Capucci, 1985). Um belo exemplar de chipre couro feito para o público masculino, R de Capucci remete a clássicos como Aramis, Yatagan e Antaeus, porém menos oleoso e soapy. A partir de um topo aromático de aldeídos, cítricos e ervas finas, R de Capucci apresenta um coração floral de rosa, jasmim e cravo, finalizando com uma base de musgo de carvalho, vetiver, patchouli, couro, âmbar e musk. R de Capucci deixa para trás um distinto rastro seco e amargo.

_636365250. Poison (Dior, 1985). Poison é um dos perfumes mais revolucionários já criados e acabou servindo de ícone para a década de 80 e seus excessos. A tuberosa é a prima-dona da composição, aparecendo licorosa e intoxicante por conta da infusão de opoponax, mel, baunilha e ameixa. A fragrância tem também um marcante aspecto esfumaçado e pungente de incenso, almíscar, canela e coentro. Poison é tão potente que, à época de sua popularização, restaurantes exibiam placas proibindo seu uso. Este perfume pode ser comparado àquelas criações de alta-costura surreais e construídas apenas para mostrar um conceito, maiores que a vida real.

BossNumberOne51. Boss Number One (Hugo Boss, 1985). Masculino, chique e marcante. Este é um fougère atípico ideal para ser combinado com trajes mais formais e usado para marcar presença em eventos elegantes. Boss Number One é o perfume do homem executivo e maduro. A fragrância abre com aspecto cítrico e herbáceo (zimbro, artemísia e manjericão) e depois evolui para floral refrescante com notas de lavanda, rosa, íris, jasmim, lírio-do-vale e gotas de mel. Finalmente, sua base viril mostra-se amadeirada e especiada com notas de tabaco, almíscar, canela, musgo de carvalho e madeiras nobres.

ThirdMan52. The Third Man (Caron, 1985). Batizado com este nome em homenagem ao filme de Orson Welles de mesmo título, este é um fougère único por ter acrescentado frutas tropicais e flores frescas ao acorde clássico. The Third Man é aveludado e delicado, talvez um pouco feminino se comparado a seus parentes olfativos, mas é ainda assim uma fragrância masculina. Abre com um aroma de champanhe e vai se transformando elegantemente em doce e brilhante. É ótima pedida para um perfume assinatura, pois é único e instantaneamente reconhecível.

Derby53. Derby (Guerlain, 1985). Relançado em 2011, Derby é um moderno chipre couro. A explosão de cravo (flor, não botão) e musgo de carvalho do original foi minimizada, enquanto que a dominância da nota couro foi diluída pela nota de patchouli. Não espere dele o mesmo frescor e suavidade dos demais chipres da lista – esse foi feito para marcar presença. Prepare-se para um preço salgado. A boa notícia é que três borrifadas de Derby são suficientes para passar doze horas exalando maturidade e autoconfiança. Guarde-o para os dias mais frios.

DaliWoman54. Salvador Dalí (Salvador Dalí, 1985). A fragrância assinatura da marca Salvador Dalí é um oriental floral majestoso com notas frutadas, picantes e incensadas. Se por um lado a composição é elegante e delicada com um enorme buquê floral (acácia, rosa, íris, narciso e flores brancas), por outro ela é quente e sensual com ervas finas, especiarias, resinas e bálsamos (incenso e mirra). Tudo isso é amalgamado com aldeídos e notas frutadas. Salvador Dalí é um clássico original e com excelente performance.

DaliMan55. Salvador Dalí pour Homme (Salvador Dalí, 1985). Como boa parte dos fougères orientais, Salvador Dalí pour Homme é um perfume polarizante. Como se fosse uma mistura de Joop Homme, Kouros e Polo, a composição abre com um aroma adstringente que remete a banheiro de clube. O odor de desinfetante de pinho, sabonete branco e suor humano vai aos poucos se amenizando para se tornar, então, defumado e terpênico. Salvador Dalí pour Homme é indicado apenas para quem curte perfumes old school com esta vibe doce, queimada, verdulenta e picante.

LaNuit56. La Nuit (Paco Rabanne, 1985). Excelente exemplo dos anos 80, La Nuit foi uma densa composição chipre floralaldeídica. Com cítricos e ervas finas (artemísia e manjericão) na saída, o perfume seguia um caminho floral gótico com notas de rosa, jasmim, pêssego e pimenta no coração. A base ficava por conta de patchouli, mel, couro e civet. O resultado era uma bomba de rosa com mel e couro, deixando um leve rastro de suor e urina no ar. La Nuit foi um perfume carregado de energia sexual, feito para mulheres adultas e decididas. Descontinuado.

Fendi57. Fendi (Fendi, 1985). O Fendi original, lançado em 1985, é um perfume como não se encontra mais. Tratava-se de uma composição chipre floral clássica com nuances especiadas. Fendi abria com um acorde cintilante e efervescente de aldeídos, cítricos, cardamomo e coentro, antes de evoluir para um enorme buquê de cravo, rosa, jasmim, muguê, ylang-ylang e íris. Uma base defumada, terrosa e picante de vetiver, patchouli, sândalo, musgo de carvalho, fava tonka, âmbar, couro e especiarias concluía a fragrância. Fendi articulava a melancolia das flores, a decadência das resinas e especiarias, e a sofisticação do acorde chipre com maestria. Descontinuado.

Gucci358. Gucci No. 3 (Gucci, 1985). Este chipre floral clássico de Gucci tinha uma saída retrô de aldeídos, bergamota, narciso e coentro. Poucos minutos depois, Gucci No. 3 trazia um centro de rosa, jasmim, lírio-do-vale, tuberosa e íris, apoiado sobre uma base de mel, âmbar, couro, patchouli, vetiver, musgo de carvalho e almíscar. A combinação de flores amarelas era o que dava o toque especial a esta potente fragrância. Descontinuado.

AnneKleinII59. Anne Klein 2 (Anne Klein, 1985). Seguindo o gênero oriental floral, Anne Klein 2 foi lançado no meio da histeria dos anos 80. Com um topo de cítricos, folhas verdes e pêssego, o perfume evoluía para um buquê seco e atalcado de cravo, rosa, jasmim e íris. No dry-down, Anne Klein 2 exalava um aroma quente e animálico graças à sua base de patchouli, sândalo, benjoim, âmbar, baunilha, civet e almíscar. Opulento e envolvente. Descontinuado.

ObsessionForMen60. Obsession for Men (Calvin Klein, 1986). O designer americano Calvin Klein uma vez declarou que o nome de suas fragrâncias refletia os estágios de seus relacionamentos amorosos no momento em que foram lançadas. Obsession for Men é um perfume oriental escuro e sensual feito para homens que sabem o que querem. Não é uma composição especialmente complexa, mas sua mistura de cítricos, ervas, resinas e especiarias (especialmente cravo) é bastante competente em termos de aroma, projeção e fixação. Depois de Obsession for Men, Calvin Klein tomou um rumo totalmente distinto: o dos perfumes (e relacionamentos?) puritanos.

Montana61. Parfum de Peau (Montana, 1986). Com pouca promoção no Brasil e no exterior, a marca Montana praticamente sumiu do mapa – porém suas fragrâncias ainda são vendidas. Parfum de Peau remete aos anos 80 com seu aroma aldeídico, esfumaçado e especiado. A saída frutada de amora é balanceada com gengibre, pimenta, flor de laranjeira e calêndula. No centro, um acorde soapy de rosa e jasmim se associa a um acorde de couro defumado e ligeiramente doce. Parfum de Peau veste como uma jaqueta de couro que acabou de sair da tinturaria.

BelAmi62. Bel Ami (Hermès, 1986). Bel Ami tem como nota principal um couro que se tornou referência na perfumaria pelo seu grau de refinamento. Um pouco cítrico e especiado, o resultado final de Bel Ami é bem sofisticado, com um pé no sensual. Inspirada no livro de Maupassant, esta fragrância resistiu ao teste do tempo e é por muitos considerada a melhor da casa Hermès. Caro e difícil de achar, Bel Ami merece o esforço e sacrifício por fazer cumprir a promessa a que se propõe: fazer de você um galã.

FerréHomme63. Gianfranco Ferré Homme (Gianfranco Ferré, 1986). Maduro e aristocrático, este perfume seguia o gênero floral amadeirado ou chipre masculino hoje ignorado por ser considerado muito datado ou old school. A fragrância abria refrescante com notas verdes e cítricas, anunciando um rico acorde aromático de lavanda, jasmim, zimbro, cardamomo, gerânio, cravo, íris, petitgrain e sálvia. Uma base sólida e terrosa ficava a cargo de notas de musgo de carvalho, tabaco, cedro, patchouli, sândalo, vetiver e almíscar. Pura classe e virilidade. Descontinuado.

Xeryus64. Xeryus (Givenchy, 1986). Assim como poucos sabem que Drakkar veio antes de Drakkar Noir, poucos sabem que Xeryus veio antes de Xeryus Rouge. Este fougère old school não sobreviveu ao teste do tempo e acabou sendo descontinuado para só depois de muitos anos voltar dentro da coleção Les Mythiques de Givenchy. Xeryus tem uma saída herbácea e soapy, aos poucos esquentando com notas de noz moscada e canela. A composição encerra com um fundo musgoso e incensado com traços de couro, âmbar e musk.

Clandestine65. Clandestine (Guy Laroche, 1986). Pouco conhecido, Clandestine foi um complexo e potente floral oriental. Com um topo de aldeídos, bergamota, ameixa, cassis e abacaxi, a composição evoluía para um enorme buquê de cravo, rosa, íris, heliotrópio, jasmim, tuberosa e ylang-ylang recortado por gotas de mel. Doce e indólico, Clandestine incorporava ainda um fundo balsâmico e animálico de cedro, patchouli, âmbar, baunilha, civet e musk. A combinação de ameixa, tuberosa e cravo era motivo de comparação com Poison de Dior. Descontinuado.

BowlingGreen66. Bowling Green (Geoffrey Beene, 1986). Bowling Green leva seu nome ao pé da letra e abre verde e florestal com um acorde de zimbro, menta, artemísia, agulhas de pinho, verbena, manjericão e zimbro, enriquecidas com notas cítricas e frutadas. Aos poucos o perfume se torna picante (canela, noz moscada, cardamomo) e saponáceo (gerânio, jasmim, lavanda). Bowling Green conclui com um fundo amadeirado de musgo de carvalho, cedro, pau rosa, sândalo, patchouli e âmbar. Incrível evolução em três fases distintas.

KLHomme67. KL Homme (Lagerfeld, 1986). Este extinto oriental especiado de Karl Lagerfeld apostava na contraposição entre o brilhante-gelado e o obscuro-quente. De um lado, aldeídos, cítricos, gerânio, lavanda, rosa e patchouli compunham uma faceta limpa e sofisticada; de outro, cravo, canela, sândalo, benjoim, incenso, baunilha, civet e musk formavam um acorde picante e envolvente. O resultado era um perfume encorpado, elegante e harmonioso (ainda que fosse conhecido por sua dominante nota de canela). Descontinuado.

VersaceLHomme68. Versace l’Homme (Versace, 1986). Mais um incrível chipre de couro tirado do mercado. Versace l’Homme abria com um sopro aromático de cítricos, néroli e ervas finas, antes de adentrar um coração floral picante de cravo, rosa e jasmim recortados de canela e cravo-da-índia. Na secagem, a composição desenvolvia um aspecto denso e esfumaçado com notas de fava tonka, âmbar, tabaco, couro, musgo de carvalho e madeiras nobres. Versace l’Homme conseguia brilhantemente ser ao mesmo tempo refinado e despretensioso, moderno e tradicional. Descontinuado.

Panthere69. Panthère (Cartier, 1986). A pergunta que não quer calar: o que o novo La Panthère (2014) tem a ver com o antigo Panthère? Quase nada. Enquanto a versão de 2014 é um floral musky, o original foi um oriental floral carregado de notas frutadas. Como um típico oitentista, Panthère tinha em seu coração um buquê floral com notas dominantes de cravo e tuberosa temperadas com noz moscada e pimenta. O perfume possuía uma vibe melíflua e animálica, um tanto quanto densa e licorosa. Panthère era uma daquelas fragrâncias tenazes que só saem com bucha. Descontinuado.

MaLiberté70. Ma Liberté (Patou, 1987). Representando a liberdade feminina, Ma Liberté apostou no choque entre o aromático (limão siciliano, lavanda) e o especiado (canela, cravo-da-índia, baunilha) para realçar o seu elegante corpo floral (jasmim, rosa, heliotrópio) e amadeirado (patchouli, sândalo, vetiver). A diversidade de acordes se provou bem-sucedida graças à interessante transição e integração das diferentes fases da evolução do perfume. Descontinuado.

FrancescoSmalto71. Francesco Smalto pour Homme (Francesco Smalto, 1987). Pouquíssimo conhecido no Brasil, o designer italiano lançou em 1987 sua fragrância assinatura sem poupar na opulência. Na forma de um fougère aromático, Francesco Smalto pour Homme abria intensamente herbáceo com notas de bergamota, lavanda, néroli, estragão, zimbro e anis. Na evolução, um acorde central de gerânio, rosa e cravo interagia com o fundo seco, quente e terroso de musgo de carvalho, feno, cedro, patchouli, fava tonka, couro e musk. Grande projeção e longa duração na pele. Descontinuado.

LouLou72. LouLou (Cacharel, 1987). Controverso e polarizante, este perfume tem um aroma facilmente reconhecível por ter sido tão popular nos anos 90 (quem não teve uma tia que o usava?). LouLou tem um aspecto licoroso e esfumaçado que remete ao Oriente ou a qualquer outro lugar misterioso e desconhecido. Esse efeito é produzido pelas notas de tuberosa, incenso, baunilha, ameixa e canela. Um acorde de benjoim e heliotrópio deixa um rastro delicioso de amêndoas. O frasco azul com base hexagonal e tampa comprida vermelha foi inspirado na lâmpada de Aladim.

Moschino73. Moschino (Moschino, 1987). Este é um daqueles perfumes que com apenas uma borrifada já impressiona. Forte, quente e picante são adjetivos que descrevem esta fragrância com cara de anos 80. Depois de uma saída narcótica, Moschino fica mais feminino com notas florais e especiadas aquecendo a pele. Após algumas horas o perfume mostra seu lado macio e cremoso de sândalo, patchouli, baunilha, âmbar e musk. Não é muito conhecido porque a marca tem apostado mais em seus perfumes modernos.

LaPerla74. La Perla (La Perla, 1987). A fragrância assinatura da marca bolonhesa de lingerie La Perla é um chipre floral clássico com traços de mel e incenso. Redundantemente sensual, o perfume foca num coração floral (rosa, cravo, íris e flores brancas) e especiarias (coentro, pimenta, cardamomo e mel). Uma base oriental de âmbar, benjoim, incenso, madeiras nobres e musk conclui a composição, que deixa um rastro esfumaçado e sexy no ar.

Capucci75. Capucci de Capucci (Robert Capucci, 1987). Sucesso do passado, Capucci de Capucci ainda se encontra à venda nos Estados Unidos, em lojas selecionadas. Trata-se de um grande chipre clássico lactônico construído sobre uma base oriental. Marcado por sua opulência, Capucci de Capucci abre com um potente acorde de aldeídos, notas verdes e cítricas, coentro e pêssego, antes de evoluir para um coração soapy e feminino de cravo, rosa, jasmim, ylang-ylang, lírio-do-vale e tuberosa. A base chipre é complementada com notas de coco, âmbar, couro e civet. Capucci de Capucci deixa um rastro quente e cremoso.

Byzance76. Byzance (Rochas, 1987). Este foi um chipre floral com um dramático aroma soapy e picante, bem particular da época em que foi lançado. Byzance era um perfume elaborado, com um acorde rosa-cravo-tuberosa no centro da composição. A base tinha uma característica mais oriental, produzindo um aroma quente e cremoso de sândalo, âmbar e musk. Toda essa mistura era realçada com aldeídos e especiarias diversas. Byzance foi uma fragrância sofisticada de aspecto datado, mais apropriada para a noite. Descontinuado.

Nina198777. Nina (Nina Ricci, 1987). Bem diferente da nova versão, este foi um potente floral aldeídico verde. Com uma saída de aldeídos, cítricos, flor de laranjeira, calêndula e cassis, Nina produzia em seguida um exuberante aroma floral com notas de acácia, íris, violeta, jasmim, rosa, violeta e ylang-ylang. O resultado era um aspecto belo e carnal, suportado por uma base de vetiver, sândalo, musgo de carvalho e civet. Nina foi um perfume verde e estonteante, feito para mulheres bem-nascidas e seguras de si. Descontinuado.

Gem78. Gem (Van Cleef & Arpels, 1987). Hoje completamente esquecido, Gem foi um chipre frutado sensual e multifacetado. O perfume tinha um topo herbáceo e picante de cipreste, mirto, coentro, ameixa, pêssego, coentro e cardamomo. Em seguida, a composição revelava um enorme buquê de cravo, rosa, íris, jasmim, tuberosa e ylang-ylang. A secagem trazia um aspecto florestal e animálico com traços doces de âmbar e baunilha. Descontinuado.

Exclamation79. Exclamation (Coty, 1988). A perfumista Sophia Grojsman aplica mais uma vez sua conhecida assinatura floral atalcada neste perfume de Coty. Com um topo fresco e suculento de cítricos, folhas verdes e pêssego, Exclamation aos poucos vai desabrochando um buquê polvoroso de rosa, jasmim, heliotrópio e íris. Na secagem, o perfume ganha uma aura envolvente com notas de canela, sândalo, âmbar, baunilha e musk. Um tanto datado.

Nobile80. Gucci Nobile (Gucci, 1988). Como o próprio nome insinua, Gucci Nobile buscava ser uma fragrância elegante e clássica, fazendo uso de notas tradicionais como tabaco, musgo de carvalho e agulhas de pinho. Este chipre amadeirado tinha uma saída de cítricos, aldeídos, lavanda, estragão, alecrim e noz moscada, logo revelando um acorde floral refrescante de cíclame, rosa, gerânio e jasmim. A base amadeirada, herbácea e esfumaçada conferia uma aura de masculinidade e autoconfiança. Descontinuado.

Tenere81. Ténéré (Paco Rabanne, 1988). Ténéré foi um chipre masculino de nuances especiadas e polvorosas. Depois de uma saída cítrico-herbácea de bergamota, cassis, lavanda e alecrim, o perfume desabrochava um delicioso buquê floral com predominância de rosa. A flor era acompanhada de anis, canela e mel, além de aldeídos, produzindo um aroma romântico e intoxicante. Notas herbáceas e picantes participavam do dry-down, que era dominado por couro, madeiras nobres e musk. Ténéré convencia como fragrância aristocrática e criativa. Descontinuado.

Jazz82. Jazz (Yves Saint Laurent, 1988)Este excelente perfume da casa Yves Saint Laurent com notas bem pronunciadas de lavanda, tabaco, couro e musgo de carvalho, e também um festival de especiarias (coentro, canela, noz moscada e cardamomo). Não é nem de longe um perfume simples. Como o próprio nome sugere, Jazz é uma fragrância bastante masculina, porém para homens refinados. Apesar de passar a ser vendido tão barato, não se popularizou.

Carolina83. Carolina Herrera (Carolina Herrera, 1988). Este é um perfeito exemplo de fragrância “oitentista” que deixa um rastro inconveniente em lugares públicos. A tuberosa é aqui trabalhada para que seu lado frutado e animálico seja ressaltado – função que cabe às notas de damasco e civet, respectivamente. Este é um perfume denso e opulento, mais apropriado para uso noturno – a não ser que você seja uma mulher ousada e que não leva desaforo pra casa. Duas borrifadas de Carolina Herrera duram uma eternidade.

Fahrenheit84. Fahrenheit (Dior, 1988)Fahrenheit é tão complexo que não dá para classificar – alguns dizem que é floral amadeirado, outros oriental e outros couro. A personalidade marcante e única de Fahrenheit é construída ao redor do acorde couro-folha de violeta, cercado de notas florais (jasmim e lírio-do-vale), cítricas (mandarina, bergamota e limão), especiadas (noz moscada e cravo), amadeiradas (cedro, sândalo, vetiver e patchouli), além de lavanda, almíscar e camomila. Fãs incondicionais de Fahrenheit reclamam de sua reformulação feita nos anos 90 e guardam frascos vintage na geladeira.

Roma85. Roma (Laura Biagiotti, 1988). Mais um incrível perfume “oitentista” deixado de lado, Roma é pura sensualidade. Sua nota central é mirra – uma resina que tem cheiro de panetone e que remete à atmosfera italiana. Notas de menta, cassis e bergamota suavizam a saída e abrem caminho para notas florais de jasmim, rosa e tuberosa. Roma rapidamente evolui para uma fragrância quente e esfumaçada devido à sua base de mirra, patchouli, baunilha e âmbar, porém sem prejudicar o conforto e a elegância exalados.

Tsar86. Tsar (Van Cleef & Arpels, 1988). Quando sinto este perfume me vem à cabeça um homem maduro de camisa e gravata, porém com as mangas arregaçadas e o nó relaxado. Muitos o consideram parecido com Jazz de Yves Saint Laurent por ter um caráter herbáceo, só que Tsar é muito mais verde. É marcante, ousado e feito para impressionar no momento em que você adentra um lugar. A secagem caminha lentamente para o lado mais ambarado e musgoso, intoxicando você e todos à sua volta. Puro luxo e masculinidade.

Zino87. Zino (Davidoff, 1988). Davidoff em si é uma marca que sempre trabalhou com o público masculino e exaltou a virilidade. Com seu coração floral (rosa, jasmim, lírio-do-vale e gerânio), este perfume é cercado de notas bastante masculinas. Ele abre com notas de lavanda, pau-rosa, sálvia e bergamota e exala cedro, sândalo, patchouli e baunilha na secagem. É um clássico que lembra muito as fragrâncias marcantes dos anos 80, com muita personalidade e masculinidade sem restrições. 

Boucheron88. Boucheron (Boucheron, 1989). Esta fragrância reúne o melhor do floral e do oriental para produzir uma exuberante aura feminina e elegante sem economia. A começar por seu frasco em formato de anel, Boucheron é ostentador e desabrocha num buquê floral temperado com notas frutadas e civet. A saída é fortemente cítrica com tons de manjericão e cassis. A base é ambarada, revelando notas de sândalo, musgo de carvalho, âmbar, benjoim, fava tonka, baunilha e almíscar. Um ícone.

Acteur89. Acteur (Azzaro, 1989). Não se fazem mais chipres masculinos, muito menos com uma nota central de rosa. Acteur tinha frutas, bergamota, cardamomo e noz moscada como notas de cabeça, revelando em seguida um coração único de rosa, jasmim e cravo. O aroma predominantemente floral picante desembocava numa base de âmbar, couro, madeiras nobres e musgo de carvalho. Horas depois a fragrância exalava um aroma quente, macio e doce com traços de almíscar. Acteur foi um nostálgico exemplo de perfume masculino que conseguia combinar notas florais com acordes mais rígidos. Descontinuado.

Samsara90. Samsara (Guerlain, 1989). Batizado com o nome do ciclo hindu de morte e renascimento, Samsara é ancorado no jasmim e no sândalo, que originalmente era natural da Índia e hoje aparece sintético na fórmula. O perfume é um oriental amadeirado com uma saída verde e cítrica, que evolui rapidamente para um coração floral de jasmim, íris, narciso e rosa. A base de fava tonka, baunilha, sândalo e musk garante a personalidade quente e opulenta de um oriental autêntico. Samsara tem projeção extraordinária.

montana_parfum_d_homme91. Montana Parfum d’Homme (Montana, 1989). Assim como sua contraparte feminina, Montana Parfum d’Homme buscava classe e elegância através da contraposição do brilhante (aldeídos e cítricos) e escuro (couro e bálsamos). A saída de cítricos, estragão, lavanda e especiarias conferia um forte clima herbáceo, aos poucos diluído com um acorde central de notas geladas (agulhas de pinho e gerânio) e quentes (cravo e sálvia). O dry-down partia para uma aura defumada de couro, musgo de carvalho, tabaco e madeiras escuras, deixando para trás um rastro exótico e sofisticado. Descontinuado.

FendiUomo92. Fendi Uomo (Fendi, 1989). Já no final dos anos 80, a casa italiana propôs um amadeirado especiado, deixando de lado o estilo chipre amadeirado. Fendi Uomo tinha uma saída refrescante e polvorosa de bergamota, limão, coentro, angélica, lavanda e manjerona, antes de adentrar um centro floral especiado de cravo, rosa, cíclame, íris, jasmim e canela. Uma base de cipreste, patchouli, couro, vetiver, cedro, âmbar, coco, baunilha e musk dava um acabamento masculino, ao mesmo tempo sensual e elegante. Descontinuado.

MoschinoPH93. Moschino pour Homme (Moschino, 1990). Praticamente desconhecido, Moschino pour Homme foi uma proposta oriental amadeirada com nuances florais e polvorosas para homens sofisticados. Abrindo cítrico e herbáceo (alecrim, sálvia, lavanda), o perfume passava a exalar um acorde floral especiado de cravo, rosa, íris, jasmim e cominho. Para trazer corpo e potência, Moschino pour Homme trazia uma base de coco, musgo de carvalho, madeiras nobres, resinas doces, estoraque, couro e almíscar. Descontinuado.

Aspen94. Aspen for Men (Coty, 1990). Este fougère aromático de Coty pode causar repugnância a muitos por exalar hoje o que chamamos de “cheiro de desodorante”. Bem ao estilo de Cool Water, Aspen abusa das moléculas de calone e dihidromircenol para criar um efeito verde, marinho e gelado com uma nota marcante de agulhas de pinho. Ainda em produção, Aspen vale pelo seu preço reduzido, especialmente para quem curte esse tipo de fragrância.

Navy95. Navy (Dana, 1990). Bom, bonito e barato, Navy de Dana é um oriental floral bem ao estilo oitentista. Com um topo de folhas verdes e pêssego, a composição revelava um buquê de rosa, flor de laranjeira, jasmim e ylang-ylang. Na evolução, uma base quente e cremosa de canela, sândalo, coentro, âmbar, baunilha e musk deixa para trás um rastro polvoroso e imponente, digno de uma lady. Ainda é bastante vendido nos Estados Unidos, embora pouco conhecido no Brasil.

Amarige96. Amarige (Givenchy, 1991). Impossível de passar despercebida, esta fragrância de Givenchy tem como tema central a tuberosa – a flor com odor mais forte do planeta. Em volta da tuberosa, múltiplas notas de flores brancas (gardênia, jasmim, muguê, ylang-ylang e flor de laranjeira) realçam ainda mais seu poder de projeção. Notas de acácia, pêssego e ameixa trazem um aroma frutado e melífluo com tons de tabaco. Amarige é um anagrama de mariage (casamento em francês).

ParfumSacre97. Parfum Sacré (Caron, 1991). De sagrado só mesmo o incenso e a mirra. Parfum Sacré é um perfume quente e sedutor, com uma harmonia perfeita entre notas florais e especiadas. Cardamomo, cravo-da-índia, canela e pimenta abrem a fragrância sem timidez, trazendo consigo uma dupla suculenta de rosa e laranja. Na base, as notas de mirra, incenso, baunilha e musk produzem um efeito quente e polvoroso, sem ser muito doce e enjoativo. Parfum Sacré é opulento e ultrafeminino, de um sagrado talvez diferente e mais ancestral que as igrejas.

Heritage98. Héritage (Guerlain, 1992). Héritage é um clássico de Guerlain que nasceu deslocado no tempo. É uma daquelas fragrâncias com dezenas de notas que desabrocha pétala por pétala. Primeiro você sente uma onda de acordes verdes, cítricos e aldeídicos. Depois a composição revela notas florais (íris, rosa, jasmim, cravo, gerânio e lírio-do-vale) e especiadas (noz moscada, pimenta, coentro e pimenta rosa). Finalmente, aparecem as notas amadeiradas (cedro, âmbar, musgo de carvalho, sândalo, vetiver e fava tonka) e a baunilha que lhe garantem uma secagem espetacular.

Sublime99. Sublime (Patou, 1992). Feito para mulheres poderosas, Sublime é um exuberante chipre floral que mescla um acorde fresco e picante de bergamota, tangerina, coentro e musgo de carvalho com um buquê de cravo, rosa, íris e flores brancas. O aroma floral narcótico predomina, fundindo-se harmoniosamente com uma base oriental de sândalo, fava tonka, estoraque, baunilha, almíscar e civet durante o dry-down. Sublime é o perfeito equilíbrio entre refinamento e sensualidade.

Pasha100. Pasha (Cartier, 1992). Pasha de Cartier é um aromático fougère bem ao estilo old school. Se você curte um perfume datado como Jazz, Tsar ou Safari, há uma grande probabilidade de que você também curta esta composição com notas marcantes de menta, lavanda, cravo, rosa, coentro, musgo de carvalho, sândalo e patchouli. A combinação remete à geração de nossos pais e avós, com uma aura de barbearia de luxo, ou seja, limpa e gelada mas com uma base robusta e imponente.

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33 pensamentos sobre “Anos 80: Opulência

  1. Pingback: 50 Perfumes Oitentistas, por Ego in Vitro |

  2. Pena que não falou do Poison que é um clássico da Dior e foi lançado em 1984. Vc até mencionou na lista da década de 80 perfumes que são dos anos 90. 😦

  3. Nossa amigo, vou a falência com seus posts. Tenho muitos e quero todos que não tenho. Perfumes que fizeram parte de minha história de vida. Cada um uma lembrança. Agradeço muito ter conhecido vc, Daniel,ter o prazer de conviver com uma pessoa tão especial e competente. Um grande abraço.

  4. Curto muito os seus artigos… Dos perfumes oitentinhas tenho o Roma, Amarige, Eternity, e já usei o Lou Lou (quem não usou né?), e olha que nem cheguei ainda aos 35… Perfumes remetem à momentos, pessoas, até comidas… Viajo em seus posts…

  5. Daniel eu ganhei um perfume calvin klein obsession mas nunca mais vi com esse vidro que era baixo tampa marron como se tivesse só um pouquinho dentro vidro grosso. Voce chegou a conhecer ele? acho que antes do ano 90. Assim como o lou lou baixinho.

  6. Daniel ainda existe algum lugar que venda o Safari com a Fragrância original, como a do inicio das vendas desse perfume ? Eu já comprei dois no EUA, e não é mais a mesma coisa. Se souber de algum lugar que ainda venda com a fragrância original vou ficar muito agradecido !
    Grande Abraço !

  7. Olá Daniel, que maravilha amei este post parabéns, você me fez viajar no tempo por alguns minutos que delícia!

  8. Olá Daniel, nunca mais encontrei o tsar dos anos 90, fique sabendo que foi reformulado, gostaria de saber se é possivel encontra~lo. fico no aguardo, obrigado.

  9. Oii Daniel meu nome Rosilda na adolescência ganhei um perfume do meu irmão chamado Almisca Madeira , fragrância amarela e com um galhinho dentro tenho muita saudades , mas não sei se existe ? sera que você pode me ajudar ? abraço e obrigada

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