Coleções

ColeçõesColeções são conjuntos de fragrâncias criadas sob um tema único, variando de notas e acordes a destinos turísticos e fantasias românticas. Também é comum que designers relancem seus clássicos em forma de coleção, com uma apresentação padronizada de frascos. Do ponto de vista do consumidor, as coleções são uma excelente oportunidade para se aprofundar em algum tema olfativo, e também para ir à falência – afinal, um dos maiores inconvenientes de comprar um perfume de coleção é a eterna sensação de necessidade. Do ponto de vista do fabricante, as coleções podem funcionar como uma segunda marca, com identidade própria, assegurando o poder da marca principal e aumentando as vendas. Um exemplo disso é Donna Karan, que divide seu portfólio entre a linha mais popular, DKNY, e a linha de alta costura, Donna Karan (os preços variam proporcionalmente). Dos frescos e aromáticos, como os Eaux Parfumées de Bvlgari e os Jardins d’Hermès, aos potentes e orientais, como os Essences de Ferrari e os Malakis de Chopard, as coleções podem trabalhar qualquer tema, com uma infinidade de possibilidades.

Nota: Coleções de colônias como Cruise de Dior e Aqua Allegoria de Guerlain estão em Eaux. Coleções de nicho estão em Linhas Exclusivas.

(ordem cronológica por ano de lançamento)

Hot1. Hot (Bill Blass, 1991). O designer americano apresentou em 1991 este chipre floral de personalidade oriental. Abrindo com um topo oitentista de bergamota, gálbano e aldeídos, Hot logo revela seu centro opulento de flores (rosa, cravo, íris, tuberosa, jasmim) e especiarias (canela, mel, louro). Nesse ponto a composição fica bem powdery, evoluindo para uma base quente e sofisticada com notas de cedro, patchouli, musgo de carvalho, vetiver, sândalo, incenso, âmbar, baunilha e almíscar. Indicado para quem curte Opium, Coco e L’Air du Temps.

Nude2. Nude (Bill Blass, 1991). Se Hot adota um caminho mais sensual e envolvente, Nude enfatiza a feminilidade da mulher. Concebida por Sophia Grojsman, a fragrância abre cintilante com notas de bergamota, aldeídos, gálbano e alecrim, anunciando um glamouroso buquê de rosa, íris, narciso, ylang-ylang e jasmim. Para manter-se floral, Nude incorpora um fundo seco e robusto de musgo de carvalho, sândalo, vetiver e musk. Depois de sua saída fortemente datada, Nude se harmoniza e desenvolve uma aura verde e atalcada.

Black3. Basic (Bill Blass, 1991). Basic de Bill Blass é um elegante chipre clássico de nuances melífluas e picantes. O perfume tem uma saída tropical e suculenta com notas de bergamota, mandarina, coco, ameixa, pêssego e cardamomo. Na evolução, Basic desabrocha um inebriante buquê de rosa, violeta, jasmim, tuberosa e ylang-ylang com toques de mel e coentro. Para finalizar, a composição adota um fundo de musgo de carvalho, vetiver, patchouli, sândalo, resinas, civet e musk. Um perfume para a mulher poderosa.

TheVert4. Eau Parfumée au Thé Vert (Bvlgari, 1992). Dentro da série de perfumes da Bvlgari especificamente focados na nota de chá, destaca-se o de chá verde. Também apropriada para homens, esta é uma fragrância unissex quase sempre posicionada na seção feminina da loja. As notas de bergamota e cardamomo interagem com a nota de chá na maior parte de sua evolução na pele. Ironicamente concebido para quem não gosta de perfume, Eau Parfumée au Thé Vert ganhou seguidores ao longo dos anos e acabou se tornando referência de cítrico chique.

Chaos5. Chaos (Donna Karan, 1996). Este perfume da linha premium de Donna Karan (não da popular DKNY) mostra muita personalidade. A saída é herbácea com notas de camomila, lavanda e sálvia. Na pele, Chaos muda rapidamente para um especiado incomum e interessante com coentro, cravo, canela e um toque de açafrão para dar sofisticação. Na secagem, o perfume se faz quente e cremoso com notas de sândalo, âmbar e musk. Chaos é bem balanceado e original, confortável e sensual. Recomendado também para homens.

BlackCashmere6. Black Cashmere (Donna Karan, 2002). O objetivo da estilista americana Donna Karan foi criar um perfume que evocasse a textura e sensualidade de uma caxemira preta. Para tanto, a fórmula de Black Cashmere recebeu notas de açafrão, cravo, pimenta e noz-moscada. Este coquetel de especiarias é lindamente balanceado com uma base de âmbar, patchouli e baunilha. O perfume produz uma aura incensada e misteriosa que remete a igrejas antigas, porém de forma elegante e sofisticada.

Mediterranee7. Un Jardin en Méditerranée (Hermès, 2003). A série Un Jardin da casa Hermès mostrou a que veio com seu primeiro perfume. É uma fragrância aromática bem harmônica com notas de folha de figo, zimbro, cipreste, flor de laranjeira e frutas cítricas. Essa combinação confere uma aura de férias de verão num lugar paradisíaco como uma das praias do Mediterrâneo. O resultado é fresco, confortável e relaxante, embora há quem se sinta enjoado com a exuberante e suculenta nota de folha de figo mesclada à leve oleosidade da nota de pistache.

TheBlanc8. Eau Parfumée au Thé Blanc (Bvlgari, 2003). Enquanto a versão de chá verde é cítrico-herbácea e a de chá vermelho contém notas de figo e nozes, a ideia aqui foi adicionar ao chá componentes sintéticos que transmitem transparência e limpeza – aldeídos, floralozone (sintético floral aquático) e almíscar branco. O centro da fragrância se constitui de coentro, pimenta e cardamomo e a base de madeiras nobres com um toque de rosa e jasmim. Eau Parfumée au Thé Blanc é praticamente um sabonete luxuoso feito à base de chá, perfeito para você se curtir.

JardinNil9. Un Jardin sur le Nil (Hermès, 2005). Un Jardin sur le Nil foi o segundo da série “Un Jardin” criada pelo mestre Jean-Claude Ellena. A sacada de Ellena, depois de uma temporada no Egito, foi ter escolhido a manga verde – uma nota fantasia – como protagonista de sua composição e, em seguida, toranja. Um acorde cítrico foi embalado com flor de Lótus, tomate, junco, entre outras. O resultado é fenomenal. Compartilhável.

TheRouge10. Eau Parfumée au Thé Rouge (Bvlgari, 2006). Diferente das versões de chá branco e chá verde, esta é mais doce e marcante. A nota principal escolhida foi o figo, que tem uma excelente interação com limão e chá nesta fragrância. Assim como toda colônia, o objetivo aqui é trazer conforto e tranquilidade, portanto Eau Parfumée au Thé Rouge não se torna um perfume doce ou gourmand, mesmo com as notas de nozes e resinas na base. Uma boa dose de musk é injetada para conferir maciez à composição.

DKSignature11. Donna Karan Signature (Donna Karan, 2008). Embora seja mais conhecida por suas criações populares, Donna Karan resolveu relançar sua linha de fragrâncias exclusivas com frascos menos elaborados (e caros) do que os originais, que eram verdadeiras obras de arte. Donna Karan Signature é um floral amadeirado bem unissex com uma harmonia perfeita entre notas masculinas e femininas. A saída é leve e saponácea, evoluindo para um centro quente de flores exóticas, patchouli picante e resinas esfumaçadas. Donna Karan Signature não é para garotas (ou os garotos).

FuelForMen12. Fuel for Men (Donna Karan, 2008). Um dos mais originais perfumes para homens já feitos, Fuel for Men reúne notas tão diversas quanto couro, abacaxi, musk, incenso, rosa, tabaco, amêndoas, patchouli e âmbar. A fragrância não segue a pirâmide olfativa, pois basicamente pega fogo no momento que entra em contato com a pele. Fuel for Men é uma mistura de aromas: borracha, talco, gasolina, salada de frutas, camurça… E no final tudo funciona maravilhosamente bem. Fuel for Men é para homens modernos e bem-resolvidos.

 EssenceLabdanum13. Essence Labdanum (Donna Karan, 2008). O labdanum é um ingrediente fundamental na perfumaria por dois motivos principais: ser essencial ao acorde fantasia do âmbar e formar a base de um chipre clássico. Nesta criação, Donna Karan resolve fazer um tributo ao labdanum, colocando-o em evidência. Folhas verdes, couro e almíscares sintéticos são empregados como coadjuvantes para produzir um efeito florestal, terroso e incensado.

EssenceWenge14. Essence Wenge (Donna Karan, 2008). Wenge é uma madeira escura originária do Congo, Camarões e Guiné Equatorial. Assim, esta composição tem um caráter predominantemente seco e árido, enriquecida com notas de especiarias quentes (noz moscada, cravo-da-índia, pimenta preta), âmbar e baunilha. Devido à ausência de notas de cabeça, Essence Wenge acaba ficando rente à pele, agradando sobretudo os amantes dos amadeirados.

EssenceJasmine15. Essence Jasmine (Donna Karan, 2008). Donna Karan aposta suas fichas num soliflor com o tema de jasmim, tentando ser ao máximo realístico, com sua personalidade carnal e narcótica. Um pouco demais para ser usado sozinho, Essence Jasmine funciona melhor se for combinado com os outros perfumes da linha Essence (Labdanum e Wenge) – mas prepare-se para estourar o limite do cartão de crédito.

Mousson16. Un Jardin après la Mousson (Hermès, 2008). Esta é a melhor fragrância da série Un Jardin de Hermès, talvez por conseguir o improvável: exalar frescor através de especiarias. Inspirado num jardim indiano (depois das monções), Un Jardin après la Mousson parece um caleidoscópio olfativo. As notas especiadas vão se apresentando uma a uma, fazendo questão que você as aprecie em sua integralidade. Gengibre, cardamomo e pimenta formam uma simbiose com a nota aquática de melão resultando num aroma ao mesmo tempo refrescante e picante.

MiroirDesires17. Miroir des Envies (Thierry Mugler, 2008). Dentre as oito fragrâncias da série Miroir Miroir de Thierry Mugler, uma das que mais se destacam é este oriental floral com notas de jasmim, rosa, mel, amêndoas, cacau e baunilha. Miroir des Envies basicamente toma como base a estrutura de Alien, atenuando seu impacto floral indólico e semianimálico. O resultado é um aroma de biscoitos, porém não gourmand, ficando entre o doce e o salgado, definitivamente seco e delicado. Também conhecido como Mirror of Desires.

Vanities18. Miroir des Vanités (Thierry Mugler, 2008). Desta vez com uma proposta mais masculina, a série Miroir Miroir explora uma aura cítrica, verde e anisada, acima de tudo única. De um topo de limão siciliano e alcaçuz, a composição vai aos poucos assumindo um caráter mais seco e terroso de vetiver. Horas depois, o dry-down mostra uma base levemente oriental com notas de fava tonka e baunilha. Miroir des Vanités é um inusitado fougère que equilibra o fresco e doce, apropriado para dias quentes. Também conhecido como Mirror of Vanities.

Bali19. 7:15 AM in Bali (Kenzo, 2008)Esta é uma fragrância oficialmente unissex, perfeitamente compartilhável e que faz parte da linha de viagens concebida por Kenzo. 7:15 AM in Bali foi dedicado à famosa ilha da Indonésia com o frescor da natureza que invade seu amanhecer. A fragrância abre com a sensualidade do dueto das notas de maracujá e toranja, seguida das notas de jasmim – presente na ilha – e de orquídeas. Uma boa dose de baunilha costura a composição, mostrando o ângulo exótico e selvagem de Bali.

Madagascar20. 5:40 PM in Madagascar (Kenzo, 2009). Um tributo ao famoso ingrediente nativo da ilha de Madagascar, a baunilha, este perfume representa o pôr do sol e o final da luz do dia. Para dar brilho e graça à nota principal, 5:40 PM in Madagascar incorpora delicadas notas florais de lótus e frésia, que também remetem a um aspecto aquoso. Um fundo amadeirado arredonda a composição, criando uma atmosfera lânguida como sugere o nome. Excelente opção para quem curte baunilha, mas não muito doce e enjoativa.

LImperatrice21. L’Impératrice (Dolce & Gabbana, 2009). Em 2009, Dolce & Gabbana iniciou uma coleção baseada nas cartas de tarô. Dentre as nove opções, L’Impératrice se destaca com sua aura tropical aquática. A fragrância inicialmente remete a xampu com suas notas de ruibarbo, melancia e kiwi, mas aos poucos cresce e revela um delicado acorde de jasmim e cíclame. Na secagem, L’Impératrice se torna ácido e remete a suor, apoiado sobre uma base de sândalo e musk.

LeBateleur22. Le Bateleur (Dolce & Gabbana, 2009). O bateleur é um tipo de águia nativa do Zimbábue. Na coleção Anthology de Dolce & Gabbana, Le Bateleur é um amadeirado aquático com nuances picantes. Na saída, a composição exala um acorde aromático de zimbro e notas aquáticas, em seguida se aquecendo com cardamomo e coentro. O ápice do perfume se dá quando, durante a evolução, uma base de couro, incenso, cedro e vetiver imprime aspecto seco e esfumaçado.

LAmoureux23. L’Amoureux (Dolce & Gabbana, 2009). L’Amoureux (“O Apaixonado”) é um amadeirado aromático com fortes nuances almiscaradas. Abrindo com um topo refrescante de bergamota, zimbro e pimenta rosa, o perfume segue com um centro polvoroso e especiado de íris e cardamomo. L’Amoureux conclui com uma injeção de musk, que transmite a sensação de uma cama com lençóis macios.

LaTempérance24. La Tempérance (Dolce & Gabbana, 2009). Esta fragrância busca o equilíbrio e a harmonia por meio da interação entre acordes elegantes e sensuais. Abrindo com um topo intoxicante de pimenta rosa e ambrette, La Tempérance evolui para um romântico coração atalcado de íris, rosa e hibisco. Tudo isso é envolvido por um fundo quente e seco de patchouli, resinas e musk. Sedutor e confortável.

LaLune25. La Lune (Dolce & Gabbana, 2009). La Lune busca incorporar o contraste entre os lados luminoso e sombrio da lua. Para tanto, a composição traz de um lado notas de flores brancas como lírio-do-vale e tuberosa e, de outro, notas amadeiradas de sândalo e couro, além de musk. Um acorde de bergamota, maçã, rosa e íris dá uma amenizada no perfume. O resultado é um floral sexy e brilhante.

LaRoueDeLaFortune26. La Roue de la Fortune (Dolce & Gabbana, 2009). Seguindo um caminho mais oriental e adocicado, La Roue de la Fortune (“A Roda da Fortuna”) é um oriental floral de nuances frutadas. Depois de uma saída borbulhante de folhas verdes, pimenta rosa e abacaxi, o perfume desabrocha um inebriante buquê de gardênia, jasmim e tuberosa. O dry-down fica a cargo de um fundo balsâmico de orris, patchouli, benjoim e baunilha. Um talco doce e terroso.

InfusionOranger27. Infusion de Fleur d’Oranger (Prada, 2009). Pegando carona no sucesso de Infusion d’Iris, este flanker toma a nota de flor de laranjeira como tema central. Essa nota, que tem um lado cítrico e outro indólico, é ressaltada com mandarina, néroli, jasmim e tuberosa. O resultado final é uma aura soapy, bem limpa e confortável. Infusion de Fleur d’Oranger de Prada é uma fragrância intimista e suave, assim como o original no qual é inspirado.

Sicilia28. 10:10 AM in Sicilia (Kenzo, 2010). Para retratar olfativamente a ilha de Sicília, nada melhor do que focar em cítricos (bergamota, mandarina, toranja) com um toque verde de folha de figo. Mas 10:10 AM in Sicilia vai além, incorporando um dueto floral de frésia e peônia, apenas para dar certa graça à composição, sem tirar o foco no frescor herbáceo. Um acorde base de vetiver e cedro é usado para dar textura e longevidade. Um agradável cítrico de verão.

Iris29. Iris (Donna Karan, 2010). Finalmente a coleção de Donna Karan recebe uma fragrância com o tema de íris, a matéria-prima mais cara da perfumaria. A nota principal é combinada com rosa e violeta para compor o coração powdery da fragrância, que também recebe um topo cintilante de magnólia e um fundo macio de vetiver e ambrette. Mesmo contendo apenas uma pequena dose de manteiga de íris (orris), o perfume ganha um aspecto luxuoso e diferenciado.

Voluptes30. Miroir des Voluptes (Thierry Mugler, 2010). Construído ao redor do acorde rosa-oud, Miroir des Voluptes é um oriental amadeirado com notas marcantes de patchouli e tabaco. Entre a tradição da perfumaria francesa e a opulência da perfumaria árabe, este perfume abre com uma delicada nota de flor de laranjeira, anunciando seu acorde central romântico e sensual de rosa e oud. Na evolução, a fragrância se torna mais quente e polvorosa com patchouli, sândalo, fava tonka e âmbar. Feito para ser compartilhável.

AzzaroBoisPrécieux31. Azzaro pour Homme Bois Précieux (Azzaro, 2010). Símbolo olfativo da masculinidade, Azzaro ganha uma interpretação mais amadeirada e elegante. A estrutura se mantém: topo de cítricos, ervas finas, lavanda, anis; centro de cardamomo, vetiver, patchouli e sândalo; e base de musgo de carvalho, couro, âmbar e musk. A diferença está na ausência de fava tonka e maior ênfase nas madeiras nobres, portanto menos sensual e mais refinado que o tradicional.

ElixirBoisPrécieux32. Elixir Bois Précieux (Azzaro, 2010). Este fougère oriental se baseia no original com seus acordes quente e gelado. De um lado, cítricos, pera, cassis, gerânio e lavanda; de outro, especiarias quentes, musgo de carvalho, fava tonka, benjoim, labdanum e baunilha. Para valorizar o caráter amadeirado da composição, as notas doces e balsâmicas são atenuadas, enquanto o gerânio e o buquê de especiarias são reforçados para conferir uma atmosfera mais seca e crispy.

ChromeBoisPrécieux33. Chrome Bois Précieux (Azzaro, 2010). Total sucesso de vendas no Brasil, ganha uma versão mais madura e sofisticada, sem sacrificar o seu DNA limpo, fresco e energizante. Na saída, Chrome Bois Précieux é mais seco e brilhante com bergamota, toranja, jasmim e gengibre (sem as frutas), rapidamente mostrando um acorde aquático com chá verde e cíclame. Diferente do Chrome tradicional, este flanker vai direto para a poderosa base de madeiras nobres, âmbar e musk.

NobleVetiver34. Noble Vetiver (Chopard, 2010). Marcando 150 anos de existência da casa Chopard, Noble Vetiver é introduzido como um perfume masculino e original (não é flanker). A composição abre com bergamota, cardamomo e pimenta malagueta, logo anunciando o centro de vetiver. Na base, uma combinação herbácea e amadeirada de sálvia, mogno, couro e tabaco propicia um efeito viril e refinado. O resultado é bem-balanceado, com uma aura fresca, limpa e seca.

NobleCedar35. Noble Cedar (Chopard, 2010). Seco e esfumaçado – assim é a interpretação de Chopard para essa madeira nobre. A composição tem uma saída pungente de folha de bétula, que confere um aspecto sintético de borracha queimada. Em seguida, Noble Cedar desenvolve a nota de cedro na companhia de um vetiver limpo e salino. No dry-down, a base de labdanum passa uma impressão elegante de couro. Bom perfume, mas não deveria se chamar Noble Cedar, já que o cedro desaparece no meio do caminho.

BigPony136. Big Pony 1 (Ralph Lauren, 2010). A primeira fragrância da linha Big Pony, concebida para adolescentes americanos, é um minimalista amadeirado aromático de aspecto bastante sintético. Simples, fresca e limpa, a composição se baseia em apenas três notas: toranja, limão tahiti e carvalho. Um perfume feito para a moçada curtir o verão sem grandes pretensões.

BigPony237. Big Pony 2 (Ralph Lauren, 2010). Seguindo um estilo gourmand, a segunda fragrância da linha adolescente de Ralph Lauren incorpora notas de especiarias quentes, chocolate, amêndoas e musk. Apesar dos ingredientes escolhidos, Big Pony 2 se mantém leve e macio, sem ser enjoativo. Por outro lado, o perfume tem desempenho curto e rente à pele.

BigPony338. Big Pony 3 (Ralph Lauren, 2010). Big Pony 3 mantém o estilo sintético e genérico da coleção jovial de Ralph Lauren, focando nas notas de menta e gengibre. O resultado é uma fragrância refrescante e agradável, verde e soapy. Entre as quatro composições oferecidas na mesma linha, Big Pony 3 é a que ganha em termos de projeção e longevidade.

BigPony439. Big Pony 4 (Ralph Lauren, 2010). Construído com notas de cítricos, pimenta rosa, madeiras nobres e baunilha, Big Pony 4 equilibra conforto e energização. Bem balanceado para não se tornar enjoativamente doce, o perfume é fácil de agradar e dificilmente pode ofender alguém. Assim como as demais criações da coleção, Big Pony 4 peca por ser muito sintético.

InfusionTubéreuse40. Infusion de Tubéreuse (Prada, 2010). Para fazer a interpretação da tuberosa, Prada adotou notas de laranja-de-sangue, petitgrain e labdanum. O nome pode gerar mal-entendidos considerando que a tuberosa é uma flor de odor potente e animálico. Todavia, Infusion de Tubéreuse segue a assinatura da casa, apresentando o lado mais puro, limpo e translúcido da flor, praticamente como uma flor de laranjeira. Feminino e refrescante, indicado para quem curte perfumes discretos.

InfusionRose41. Infusion de Rose (Prada, 2011). Com um estilo moderno e fresco, Infusion de Rose se distancia dos perfumes rosáceos mais austeros ou românticos. A proposta aqui é trazer um aspecto verde e gelado com o acorde de chá e menta, enquanto a dupla de mandarina e cera de abelha traz uma doçura natural e sofisticada. Infusion de Rose evolui para um aroma soapy e energizante, tornando-se uma excelente opção para altas temperaturas.

WoodMystique42. Wood Mystique (Estée Lauder, 2011). A Estée Lauder lançou em 2011 uma linha exclusiva feita especialmente para clientes do Oriente Médio. Como esperado de uma fragrância à base de oud, Wood Mystique abre com um aroma medicinal e adstringente, porém logo se acalmando. O coração da composição revela um buquê floral com notas de pimenta rosa e framboesa, produzindo um efeito doce cremoso. Wood Mystique conclui com uma base de benjoim, patchouli, oud e couro.

JardinToit43. Un Jardin sur le Toit (Hermès, 2011). Depois de ter criado as versões lindas e compartilháveis En Mediteranée, Sur Le Nil e Après La Mousson, o perfumista Jean-Claude Ellena inspirou-se no jardim localizado na cobertura da sede da Hermès, sediada na Faubourg Saint-Honoré em Paris. Pera, maçã, rosa, magnólia, manjericão e grama verde são suas notas principais. Pelo resultado, imagino ser um lugar repleto de frutas, flores e ervas aromáticas, projetado para mostrar sua elegância em qualquer estação do ano.

VelvetAmber44. Velvet Amber (Hugo Boss, 2011). Em 2011, a grife alemã lançou sua coleção exclusiva com criações dedicadas a uma nota olfativa em particular. Apesar de ser um oriental, Velvet Amber é construído de forma tão macia e limpa que é quase um amadeirado ou um fougère sem a parte aromática. As notas de baunilha, labdanum e benjoim se equilibram em perfeita harmonia para compor uma aura de elegância e sensualidade. Infelizmente só é vendido em pontos da Hugo Boss ou lojas de departamentos selecionadas.

SilkJasmine45. Silk Jasmine (Hugo Boss, 2011). Surpreendentemente, uma das fragrâncias da coleção exclusiva de Hugo Boss é dedicada à nota de jasmim, normalmente considerada feminina. Eleito para simbolizar a delicadeza e maciez da seda, o jasmim é trabalhado com mel, cravo-da-índia, baunilha e musk. A harmonia da composição propicia um aroma bonito e carismático, adequado tanto para homens quanto mulheres. Durante o dry-down, Silk Jasmine fica mais doce e espesso, altamente afrodisíaco.

CashmerePatchouli46. Cashmere Patchouli (Hugo Boss, 2011). Com uma rendição natural e realística da nota de patchouli, esta fragrância deixa de lado a faceta achocolatada para explorar seu aspecto mais herbáceo e canforado. Como uma versão domesticada de Givenchy Gentleman, Cashmere Patchouli recebe notas sintéticas (cashmeran e musks diversos) para tornar o ingrediente mais macio e aveludado. Notas florais discretas dão um certo brilho, mas são omitidas para não assustar os homens mais inseguros.

CottonVerbena47. Cotton Verbena (Hugo Boss, 2011). Aparentemente um perfume simples, constituído de apenas três notas listadas (verbena, musgo de carvalho, vetiver) Cotton Verbena de Hugo Boss é um elegante chipre amadeirado. A verbena é acompanhada de cítricos e ervas finas para realçar seu caráter verde e refrescante, além de leves nuances florais para trazer graça. Seu fundo também ganha sintéticos de madeiras e musks para criar uma textura macia de algodão.

LacosteWhite48. Eau de Lacoste White (Lacoste, 2011). Em 2011, a Lacoste decidiu lançar uma coleção de frascos coloridos, cada um com seu tema. O melhor deles é White, um suave amadeirado aromático de nuances florais. Aqui o branco simboliza a elegância, simplicidade e frescor, para tanto incorporando notas como toranja, cardamomo, alecrim, cedro, camurça e couro. A surpresa fica por conta da inclusão de toques de tuberosa e ylang-ylang, tão incomuns em criações masculinas.

LacosteBlue49. Eau de Lacoste Blue (Lacoste, 2011). Tentando reproduzir a sensação de um céu azul e arejado, Eau de Lacoste Blue usa sintéticos frescos, aquosos e luminosos. A composição abre efervescente com um topo de toranja e hortelã, aos poucos revelando um centro de flor de laranjeira e sálvia. Na secagem, Eau de Lacoste Blue ganha uma aura florestal graças ao dueto de musgo de carvalho e patchouli no fundo. Ideal para quem curte os ácidos e mentolados.

LacosteRed50. Eau de Lacoste Red (Lacoste, 2012). Para ilustrar olfativamente a energia, paixão e dinamismo dos esportes, esta fragrância se dedica a frutas tropicais e especiarias quentes. Depois de uma saída aromática de laranja, manga e chá, Eau de Lacoste Red faz emergir um mix de cardamomo, gengibre e pimenta preta. No dry-down, a composição ganha corpo e doçura devido à base composta de madeira de acácia e benjoim. Ainda assim, trata-se de um perfume suave e inofensivo.

SilverEssence51. Silver Essence (Ferrari, 2012). A linha Essence de Ferrari é evidência de que é possível para marcas de carros comercializar fragrâncias melhores. Oferecido como EDP, Silver Essence se concentra no coco e notas esfumaçadas. O perfume abre com uma explosão de especiarias (sálvia, pimenta, noz moscada, canela e tomilho), antes de partir para um coração encorpado de lavanda, coco, patchouli e bétula. Nesse ponto, Silver Essence já ganhou a forma de uma agradável fumaça, que se firma ainda mais com a base de incenso, gaiaco e musk.

EssenceOud52. Essence Oud (Ferrari, 2012). A Ferrari escolheu sua cor oficial Rosso Maranello para revestir o frasco de sua mais inovadora fragrância. Ferrari Essence Oud inspira força, poder e ousadia. O centro da composição é um apaixonante acorde de oud, couro e rosa realçado por resinas (elemi e olíbano) e especiarias (cominho e açafrão). O resultado é um perfume potente, intrigante e carismático como uma Ferrari. Oud ostentação.

OudMalaki53. Oud Malaki (Chopard, 2012). Assinada por Dominique Ropion, Oud Malaki é uma suntuosa combinação de especiarias, couro e oud. A saída luminosa de toranja, artemísia e glicínia dissipa-se rapidamente e dá caminho ao coração de especiarias, couro e tabaco. A base fica por conta de oud, equilibrando toda a fragrância e resultando num aroma cheio de classe. Devido à riqueza de tabaco na composição, Oud Malaki inevitavelmente é um oud mais masculino.

GlamorousMagnolia54. Glamorous Magnolia (Gucci, 2012). Uma das flores brancas mais luminosas e sofisticadas, a magnólia é conhecida por suas facetas hesperídica e verde. Assim, Glamorous Magnolia agrega notas de folhas verdes e cítricos, além de uma peônia em seu centro para dar mais corpo ao aroma. A base é composta de um acorde semigourmand de sândalo, cacau e musk. O resultado é um delicioso cheiro de chiclete de melancia.

GorgeousGardenia55. Gorgeous Gardenia (Gucci, 2012). Para o tema da “linda” flor de gardênia, Gucci escolheu acordes frutados e aquosos. Gorgeous Gardenia abre fresco e adocicado com pera e frutas vermelhas, anunciando um coração de gardênia e jasmim-manga. Tudo isso é apoiado sobre um fundo de patchouli, completando a atmosfera tropical e relaxante como um passeio pela orla da praia.

GraciousTuberose56. Gracious Tuberose (Gucci, 2012). A mais potente das flores brancas é retratada com delicadeza por esta criação de Gucci. Amenizando a faceta carnal e animálica do ingrediente principal, a composição traz um topo ozônico e suculento de folha de violeta e pêssego. Na evolução, notas de flor de laranjeira e rosa enriquecem o tema central, que é sustentado por um acorde amadeirado de cedro e labdanum. Gracious Tuberose tem pouco a ver com as bombas dos anos 80.

GenerousViolet57. Generous Violet (Gucci, 2012). A violeta é uma flor com odor caracteristicamente aquoso, metálico e polvoroso. Por essa razão, Generous Violet trabalha sua nota principal com notas de folhas verdes, íris e camurça que a realçam com leveza e elegância. Um perfume limpo e confortável que irá agradar aos fãs dos atalcados, em especial de perfumes dominados por violetas.

GloriousMandarin58. Glorious Mandarin (Gucci, 2012). Apesar do nome, este não é um cítrico aromático. Glorious Mandarin trabalha a nota de mandarina num contexto floral frutado. O perfume ganha um acorde central de jasmim e peônia, além de nuances de piña colada (coco, abacaxi, baunilha). O dry-down fica a cargo de uma base de ambroxan e musks. O resultado é um floral suave e cremoso com cara de verão.

 OrientalLace59. Oriental Lace (Oscar de la Renta, 2012). Adotando o gênero oriental vanilla, Oriental Lace é um semigourmand cheio de sensualidade. O perfume abre potente com um aroma medicinal de patchouli, que será depois necessário para harmonia e textura. Em instantes, um acorde de mel, amêndoas e cacau domina a composição com um aspecto doce e polvoroso. Toques de vetiver e incenso acrescentam uma aura esfumaçada. Oriental Lace é um perfume intoxicante porém equilibrado.

SantoDomingo60. Santo Domingo (Oscar de la Renta, 2012). Feito para ser usado por homens e mulheres, Santo Domingo é um amadeirado especiado focado na nota de tabaco. Abrindo com um topo cítrico de bergamota, mandarina e limão siciliano, a composição adentra um luminoso gerânio coberto por uma nuvem quente de especiarias, especialmente coentro. O acorde base de vetiver, patchouli e tabaco propicia uma atmosfera sofisticada e imponente.

MiCorazón61. Mi Corazón (Oscar de la Renta, 2012). Mi Corazón é um floral bomba que gira em torno do opulento dueto de tuberosa e ylang-ylang. O perfume abre explosivo como insinua o nome, porém aos poucos é suavizado por um acorde de narciso e pêssego. Tudo isso é sustentado por um fundo seco e amadeirado de cedro, que traz textura e provê longevidade sem interferir no caráter intensamente floral da fragrância.

Coralina62. Coralina (Oscar de la Renta, 2012). Feminino, doce e atalcado, Coralina foca na nota de mimosa (acácia). A flor de facetas verde, polvorosa e melíflua ganha um topo refrescante de bergamota, mandarina, néroli e gálbano, além de ter a companhia de íris e violeta no centro da composição. A secagem fica por conta de uma base de madeiras nobres. Apesar de abrir forte e enjoativo, Coralina acaba evoluindo para um aroma suave e agradável.

Calligraphy63. Calligraphy (Aramis, 2012). Aramis lançou este oriental floral mirado nos homens e mulheres do Oriente Médio. O centro da composição é a nota de oud, aqui trabalhada de uma forma ocidentalizada, sem o seu habitual aspecto fenólico e medicinal. Calligraphy ganha um adstringente topo de limão siciliano, cardamomo e canela, além de um esfumaçado centro de rosa, açafrão e mirra. Na base, o oud “domesticado” atua na companhia de patchouli, âmbar e musk. Apesar das intenções da marca, Calligraphy tem mais apelo para quem não está acostumado ao estilo árabe.

Majesté64. Miroir des Majestés (Thierry Mugler, 2012). Inspirado na opulência do mundo árabe, este é um oriental à base de oud, com nuances florais, especiadas e balsâmicas. Miroir des Majestés abre seco e pungente com notas de cardamomo e coentro, anunciando um sedoso buquê de jasmim e flor de laranjeira revestido de camurça (cashmeran). Na secagem, uma base de oud e âmbar esquenta a composição, deixando para trás um delicioso rastro atalcado e picante.

DamaskOud65. Damask Oud (Hugo Boss, 2013). Para o tributo ao oud em sua coleção exclusiva, Hugo Boss preparou uma composição com açafrão, rosa, incenso, pimenta preta, cedro, papyrus e gaiaco, além, é claro, do ingrediente principal. Usando um oud mais natural, de aspecto viscoso, queimado e semianimálico, Damask Oud vai do químico e emborrachado ao puro luxo de um sultão árabe.

AmberMystique66. Amber Mystique (Estée Lauder, 2013). Com o sucesso de Wood Mystique, Estée Lauder prosseguiu com esta fragrância concebida para simbolizar a riqueza cultural do Oriente Médio. Amber Mystique é um oriental carregado de notas amadeiradas, balsâmicas e florais. O perfume abre com frutas vermelhas e pimenta rosa, antes de seguir um caminho floral e ambarado. A base de incenso, sândalo, patchouli e couro dá o acabamento final a esta complexa e profunda composição.

SupremeBouquet67. Supreme Bouquet (Yves Saint Laurent, 2013). Complexo e opulento, este floral oriental concentra-se nas notas de tuberosa, ylang-ylang e jasmim. Supreme Bouquet abre doce e potente com notas de pimenta rosa e frutas, que se mesclam com o marcante aroma da tuberosa. Na evolução, as flores brancas tomam conta da composição, interagindo com uma base quente e sensual de patchouli, âmbar e almíscar. Denso e cremoso, Supreme Bouquet é bem feminino e sedutor.

NobleLeather68. Noble Leather (Yves Saint Laurent, 2013). Um cruzamento entre Tobacco Vanille e Tuscan Leather, Noble Leather é uma fragrância à base de couro que busca no acorde resinoso a sensualidade e no acorde terroso o refinamento. Maduro e compartilhável, o perfume abre com notas doces e picantes de frutas secas e açafrão. O acorde escuro e seco couro-patchouli se revela, interagindo com o acorde doce âmbar-baunilha. Cremoso e gostoso, Noble Leather tem tudo na medida certa.

MajesticRose69. Majestic Rose (Yves Saint Laurent, 2013). Quem curte rosas encorpadas e opulentas não podem deixar de provar esta fragrância. Majestic Rose abre pinicando o nariz com uma acorde de framboesa e açafrão, antes de mostrar uma rosa doce e esfumaçada em seu centro. Na base, notas de oud e gaiaco promovem um clima sensual e místico, além de aumentar a projeção do aroma. Majestic Rose cai bem tanto para mulheres femininas como homens autoconfiantes.

CalligraphyRose70. Calligraphy Rose (Aramis, 2013). A marca masculina de Estée Lauder segue a nova estratégia da casa e lança três fragrâncias exclusivas. A de maior destaque é Calligraphy Rose, um oriental balsâmico à base de rosa. O perfume abre herbáceo e picante com notas de açafrão, orégano e madressilva, antes de fazer emergir um acorde de rosa, lavanda, estoraque e mirra no centro. Em seguida, Calligraphy Rose torna-se ainda mais esfumaçado com labdanum, incenso, âmbar e musk. Compartilhável.

CalligraphySaffron71. Calligraphy Saffron (Aramis, 2013). Com o seu oriental anterior focado na nota de rosa, a grife Aramis resolve explorar o lado especiado do gênero. Calligraphy Saffron abre herbáceo com um acorde de bergamota e calêndula, anunciando o intenso acorde central de açafrão, rosa e lavanda. A base fornece um aroma quente e sofisticado de fava tonka, vetiver e estoraque. Calligraphy Saffron é um oriental macio e confortável, lindamente equilibrando um lado translúcido e outro esfumaçado.

LumièreRose72. Lumière Rose (Grès, 2013). A antiga e tradicional casa de Madame Grès lançou em 2013 uma nova coleção com o tema de rosa. Lumière Rose é a versão mais limpa e brilhante, com um topo de flor de laranjeira, centro de pimenta rosa e alcaçuz, e base de musk. Discreta e elegante, a composição desenvolve um aroma doce e atalcado de traços cítricos e picantes. Indicado para as moças que curtem fragrâncias florais à base de rosa ao estilo de Chloé EDT e Stella de Stella McCartney.

LumièreNoire73. Lumière Noire (Grès, 2013). Apresentando uma rosa mais escura e gótica, Lumière Noire é um chipre floral moderno com traços ambarados. Comparado a uma versão menos arredondada e mais econômica de Coco Mademoiselle de Chanel, o perfume abre cítrico, evolui para um acorde central rosa-patchouli. Notas de âmbar e musk na base contribuem com tons mais adocicados e escuros, respectivamente. Lumière Noire é obviamente uma fragrância mais noturna e envolvente do que Lumière Rose.

LacosteBlack74. Eau de Lacoste Black (Lacoste, 2013). Lacoste teve com esta fragrância o desafio de mostrar um lado obscuro ao mesmo tempo preservando o DNA fresco e aromático da coleção. A solução encontrada foi construir a fragrância a partir de uma base encorpada de patchouli, fava tonka e cacau. O contraponto é feito com um acorde gelado de melancia, lavanda, verbena e manjericão. Uma dose de cashmeran ajuda a arredondar a composição. O resultado é um fougère oriental mediano.

LeatherEssence75. Leather Essence (Ferrari, 2013). Com notas marcantes de baunilha e canela, a fragrância à base de couro de Ferrari é um elegante oriental amadeirado. Leather Essence tem uma saída adstringente de bergamota, laranja amarga e cravo-da-índia, evoluindo para um coração viril e sexy de canela, fava tonka e couro. Na base, notas de cedro, gaiaco, patchouli e baunilha conferem corpo e leve doçura à composição. Leather Essence cai melhor à noite como arma de sedução.

VetiverEssence76. Vetiver Essence (Ferrari, 2013). Vetiver Essence é um amadeirado especiado com tendência gourmand – café e avelãs dão um toque especial à fragrância. Com uma saída pungente de bergamota, cardamomo e pimenta rosa e preta, a composição exibe um centro de vetiver, com suas nuances terrosa e aromática reforçadas por notas de íris e café. A base fica por conta de um acorde denso e amendoado de patchouli, fava tonka e avelãs. O resultado é um vetiver escuro e adocicado.

EssenceMusk77. Essence Musk (Ferrari, 2013). A série Essence de Ferrari mostrou um notável incremento na qualidade, e Essence Musk não é exceção. Depois de uma breve saída cítrica e herbácea, a composição vai formando uma aura ozônica e polvorosa com a molécula SymFresh (desenvolvida pela Symrise para produzir o frescor marinho) e musk. Um acorde úmido e gelado de menta, lavanda e melancia interage com um acorde seco e quente de âmbar, noz moscada e vetiver, propiciando um efeito interessante. O musk é limpo e macio, sem aspecto de giz.

CedarEssence78. Cedar Essence (Ferrari, 2014). Para sua fragrância de cedro, Ferrari elegeu um clima gelado e marinho. Cedar Essence abre bem refrescante com bergamota, laranja e menta, logo exalando um aroma aquático e amadeirado (cedro). Na base, notas de café, patchouli e âmbar finalizam a composição mantendo a sensação seca e aromática. A única desvantagem de Cedar Essence é ter um aspecto sintético devido ao estilo escolhido.

Que Sais-Je79. Que Sais-Je? (Patou, 2014). Quase um século depois do lançamento do original, a maison Patou decide reintroduzir suas fragrâncias mais icônicas e esquecidas. Entre elas está Que Sais-Je?, uma composição chipre amendoada e melíflua com uma roupagem contemporânea graças a um topo de maçã verde, flor de laranjeira e pêssego, um centro de cravo, rosa e jasmim, e uma base de mel e patchouli. Obviamente a personalidade forte e “ardida” do original se perdeu na reformulação, assim como sua projeção e longevidade são mais modestas.

Colony80. Colony (Patou, 2014). Dentre as fragrâncias da Collection Héritage de Patou, Colony é uma das que mais se distancia do original. Enquanto a versão de 1938 era um chipre frutado e suculento com nota marcante de abacaxi e base realística de musgo de carvalho, a reformulação é menos amarga e potente, mais sintética e polvorosa (aldeídos, jasmim, íris, musks). O novo Colony é, portanto, mais amadeirado e sedoso, de boa qualidade mesmo tendo perdido sua personalidade original.

Vacances81. Vacances (Patou, 2014). Uma reedição do original de 1936, o novo Vacances é um floral verde focado nas notas de gálbano e acácia. A partir de um topo fresco e amargo de gálbano e jacinto, a composição segue com um inebriante buquê de acácia, acompanhada de um delicado acorde atalcado de lilás e rosa. A base é formada por macios almíscares sintéticos. O resultado é um aroma quente e cremoso, com traços de mel e amêndoas, felizmente pouco prejudicado com a reformulação.

LHeureAttendue82. L’Heure Attendue (Patou, 2014). L’Heure Attendue é uma versão fiel, porém mais leve e amadeirada que o original lançado em 1946. Com uma saída de aldeídos e flores frescas como jacinto, flor de laranjeira e violeta, L’Heure Attendue evolui para um acorde inebriante e suculento de pêssego, rosa, jasmim e ylang-ylang. No dry-down, o aspecto cremoso e indólico é diluído graças a um corpo de madeiras nobres, âmbar e musk.

Chaldée83. Chaldée (Patou, 2014). Introduzido pela primeira vez em 1927, Chaldée foi um sucesso instantâneo, principalmente por ter sido o primeiro a ser acompanhado de um óleo bronzeador, privilégio restrito às mulheres mais ricas e emancipadas. O perfume gira em torno de dois acordes principais: floral (narciso, jasmim, rosa) e balsâmico (opoponax, fava tonka, baunilha). Chaldée harmoniza bem flores e resinas para compor uma aura feminina opulenta e sofisticada.

SplendidWood84. Splendid Wood (Yves Saint Laurent, 2014). Como um festival de madeiras, Splendid Wood é um perfume de ar florestal feito para homens sofisticados. Notas de cedro, sândalo, gaiaco, oud e papyrus são envelopadas por um acorde picante e esfumaçado de cardamomo e incenso. Para amenizar a composição, uma discreta nota de jasmim é acrescentada, propiciando um toque romântico ao perfume, sem se tornar feminina. Excelente opção também para mulheres.

RoseMalaki85. Rose Malaki (Chopard, 2014). Na forma de um oriental floral de nuances especiadas, a joalheira apresenta o segundo membro de sua coleção Malaki (que significa “real”). Rose Malaki é um opulento buquê de rosas damasconas acentuado com um topo macio e picante de cardamomo e açafrão e sustentado por um fundo sofisticado de cedro, patchouli e couro com um toque de baunilha. Cheiro de riqueza.

LeatherBlend 86. Leather Blend (Davidoff, 2014). A primeira fragrância da coleção Blend de Davidoff é um tributo ao acorde de couro, aqui trabalhado com nuances florais, balsâmicas e especiadas. Leather Blend tem uma saída adstringente de pimenta preta e açafrão, anunciando um centro opulento de rosa e âmbar. A base fica a cargo de um luxuoso couro enriquecido com toques animálicos de musk. Excelente harmonia entre o clássico e o moderno.

AmberMalaki87. Amber Malaki (Chopard, 2015). A terceira fragrância da coleção Malaki é um tributo ao acorde âmbar clássico. Amber Malaki evolui de forma linear, incorporando outras notas para realçar as facetas do tema principal: papyrus seco, labdanum encorpado, incenso esfumaçado e baunilha cremosa. O perfume acrescenta também flor de laranjeira para trazer brilho e graça à composição. Por ser homogêneo, deve ficar bom se combinado em layering.

AgarBlend88. Agar Blend (Davidoff, 2015). Depois de Leather Blend, é a vez do oud brilhar. Para criar uma fragrância que agradasse tanto o mundo árabe quanto o mundo ocidental, Davidoff escolheu ingredientes que trouxessem harmonia à composição. Assim, Agar Blend ameniza o aspecto medicinal do oud com notas de gaiaco e labdanum, além da adição de âmbar e benjoim para compor um fundo cremoso e boozy. Cravo, canela e pimenta preta dão um toque quente na medida certa.

MagnificentBlossom89. Magnificent Blossom (Yves Saint Laurent, 2015). Segundo a grife, Magnificent Blossom é um buquê de flores brancas iluminado por cítricos e realçado com charme e elegância por um fundo chipre. O centro da fragrância é formado por notas de flor de laranjeira, jasmim e ylang-ylang, com toques especiados de açafrão. Como coadjuvantes, os duetos bergamota-mandarina e patchouli-amyris garantem frescor e conforto.

LumièreBlanche90. Lumière Blanche (Grès, 2015). Centrado no dueto indólico e feminino de flor de laranjeira e tuberosa, Lumière Blanche traz um topo refrescante e suculento de mandarina e pêssego, além de ser sustentado por uma base macia e transparente de musk. O perfume rapidamente evolui para um equilibrado aroma de aspecto fresco e soapy, nem muito leve nem muito forte – não espere por uma bomba de tuberosa. Ideal para mulheres de 30 e poucos anos.

TheBleu91. Eau Parfumée au Thé Bleu (Bvlgari, 2015). A quarta colônia da série temática de chá de Bvlgari se inspira no chá de oolong (Camellia sinensi). A fragrância abre muito parecida com Eau Parfumée au Thé Vert, porém é logo dominada por um acorde azul de lavanda, íris e violeta (daí o nome). O aspecto aromático e revitalizante é mantido, com um fundo de feno, grama e musk. Eau Parfumée au Thé Bleu é suave e polvoroso, limpo e refrescante.

LacosteYellow92. Eau de Lacoste Yellow (Lacoste, 2015). Na forma de um aromático frutado, Eau de Lacoste Yellow investe na nota de toranja para transmitir otimismo, alegria e energia positiva. Assim, o tema central ganha o apoio picante e adocicado de notas de coentro, pimenta rosa e maçã. Uma base sintética de cipreste, vetiver e âmbar consegue sustentar o aspecto cítrico e efervescente da composição, mas não por muito tempo.

PerwinkleIris93. Periwinkle & Iris (Vera Wang, 2015). A proeminente estilista americana lançou em 2015 sua coleção Embrace, inicialmente consistindo de três fragrâncias. Dentre elas está Periwinkle & Iris, um floral gourmand e polvoroso. Com uma saída de bergamota e mandarina, o perfume rapidamente desenvolve um centro de mirta, íris, violeta e jasmim. No dry-down, a composição surpreende com um acorde fantasia de merengue.

RoseBudsVanilla94. Rose Buds & Vanilla (Vera Wang, 2015). Rose Buds & Vanilla é um delicado buquê de flores com notas marcantes de mandarina e baunilha. A partir de um topo alaranjado, a composição desabrocha seu acorde central de rosa, cíclame, magnólia e íris. Na secagem, uma base de sândalo, baunilha e musk compõe uma aura doce e atalcada. Rose Buds & Vanilla é um floral discreto e elegante à la Allure de Chanel, feito para mulheres dinâmicas.

GreenTeaPearBlossom95. Green Tea & Pear Blossom (Vera Wang, 2015). Talvez você não queira gastar muito dinheiro numa fragrância à base de chá verde. Mas esta fragrância é mais do que uma simples colônia – ela traz um interessante acorde central de pera, frésia, peônia e flor de laranjeira. Seu fundo de cedro, sândalo e musk confere textura e volume, mantendo a delicadeza e o brilho do tema principal. Um perfume fresco, limpo e discreto.

PureLavender96. Pure Lavender (Ferrari, 2015). Com o sucesso de sua linha Essence, Ferrari decide lançar uma nova coleção de fragrâncias refrescantes. Apesar do nome, Pure Lavender não é um soliflor e sim um moderno fougère que trabalha a faceta gelada e herbácea da lavanda com cítricos, sálvia e cardamomo, ao mesmo tempo em que trabalha a faceta cremosa e quente com patchouli, cashmeran e baunilha. Um tanto sintético.

BrightNeroli 97. Bright Neroli (Ferrari, 2015). A efervescente nota de néroli ganha aqui a companhia de cítricos, ervas finas e madeiras. Para acentuar o lado luminoso do tema principal, Bright Neroli traz uma combinação de laranja amarga, cidra, limão siciliano, alecrim, pimenta e flor de laranjeira. Para produzir corpo e textura, o perfume ganha um fundo de vetiver, patchouli e labdanum. Minimalista e chic.

NobleFig98. Noble Fig (Ferrari, 2015). Feita em torno da nota herbácea e lactônica de figo, esta fragrância abre com um topo refrescante de mandarina, sálvia e pimenta rosa, além, é claro, do ingrediente principal. Em seguida, Noble Fig evolui para um coração polvoroso de íris e musk sustentado por uma base de patchouli. O resultado é um refrescante perfume verde, ao mesmo tempo elegante e confortável.

InfusionOeillet99. Infusion d’Oeillet (Prada, 2015). Com este flanker, a marca italiana se arrisca ao se dedicar a uma nota um pouco fora de nota: a flor de cravo. As facetas floral, herbácea e picante do ingrediente principal são ressaltadas com notas de mandarina, estoraque, sândalo e patchouli. O objetivo de Infusion d’Oeillet parece ser oferecer uma interpretação moderna de uma flor tão tradicional e ao mesmo tempo andrógina, dando-lhe uma roupagem florestal e realística.

InfusionAmande100. Infusion d’Amande (Prada, 2015). Para a versão amendoada de Infusion, foram escolhidas notas que valorizassem seu aspecto doce e polvoroso, como heliotrópio, fava tonka, orris e musk. Uma importante dose de anis é adicionada no topo para trazer frescor e leveza. Infusion d’Amande consegue equilibrar com competência o potencial gourmand da fragrância com a necessidade de manter a assinatura sofisticada de Prada. Macio, cremoso e agradável.

LeJardinMonsieurLi101. Le Jardin de Monsieur Li (Hermès, 2015). Dando continuidade à coleção Un Jardin de Hermès, o perfumista Jean-Claude Ellena desta vez vai à China e oferece uma composição feita à base de kumquat (cítrico típico do país), menta e jasmim. Le Jardin de Monsieur Li abre refrescante e luminoso com uma saída cítrica e anísica, evoluindo para um aspecto mais verde e musgoso até finalizar com uma base de cedro e musk. Dentre todas as fragrâncias da coleção, esta é a mais escura e sóbria.

TheNoir102. Eau Parfumée au Thé Noir (Bvlgari, 2015). A versão escura da série é dedicada ao chá preto tradicional chinês. O perfumista Jacques Cavallier fez uma escolha ousada de notas de oud, rosa, tabaco, couro e patchouli. Contrastando com as demais fragrâncias da série, Eau Parfumée au Thé Noir é mais encorpado, profundo e sofisticado, distanciando-se do conceito de colônia, ainda que mantenha a nota de chá evidente. O resultado é seco, atalcado e defumado.

infusionmimosa103. Infusion de Mimosa (Prada, 2016). Mais um integrante da coleção Infusion de Prada, esta fragrância gira em torno da nota floral indólica, polvorosa e melíflua da mimosa (acácia). O perfume abre com um acorde de mandarina e anis, anunciando um coração ultrafeminino de mimosa e rosa. A composição é sustentada por um fundo feito inteiramente de madeiras nobres.

Veja também: Eaux (Colônias) e Linhas Exclusivas

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