Nicho Conceitual

ConceitualDurante todo o século XX, a perfumaria esteve sempre associada ao nome de um perfumista ou estilista, à uma casa como Guerlain ou grife como Dior. Na virada do milênio, um novo tipo de nicho surge: o conceitual. Mais do que oferecer ingredientes da melhor qualidade ou acesso à uma grife famosa, este nicho oferecia o perfume como uma forma de arte. Assim como uma pintura ou um filme, o perfume também poderia passar uma mensagem, estabelecendo uma identidade com seus usuários. A primeira década do século XXI foi marcada pelo boom das casas conceituais, seja retratando a cidade de Nova York, renovando o conceito de farmácia, ou fazendo a apologia de ervas hipnóticas. Bond No. 9 e Dueto trouxeram o tema das grandes cidades metropolitanas, Nasomatto e Orto Parisi revisitaram os frascos pequenos com concentração de extrato, e Heeley e Nest se dedicaram a uma proposta natural e aromática. Outras casas de nicho também podem ser consideradas conceituais, mas, por seguirem um estilo mais específico, aparecem em capítulos independentes em Nicho Retrô, Nicho Cult e Nicho Excêntrico.

Nota: Para perfumes lançados de 2015 em diante, consulte Lançamentos de Nicho.

(ordem cronológica por ano de lançamento)

NewHaarlem1. New Haarlem (Bond No. 9, 2003). A mais querida dentre as fragrâncias da casa Bond No. 9, New Haarlem é um oriental amadeirado quase gourmand. Baseado no cheiro de café que caracteriza o bairro nova-iorquino, o perfume tem uma saída fougère com uma marcante lavanda. Na evolução, a nota de café domina, produzindo com fava tonka, patchouli e baunilha um aroma que está mais para sobremesa do que para expresso. New Haarlem é doce, mas ainda assim equilibrado e sofisticado.

chezbond2. Chez Bond (Bond No. 9, 2003). Apesar de New Haarlem ser o perfume mais conhecido da casa, lançado no mesmo ano, Chez Bond é o que poderia ser considerado sua “fragrância assinatura”. Estamos falando de um aromático fougère que vai totalmente na contramão de um gourmand. Chez Bond abre com cítricos, folha de violeta e chá, anunciando um coração de cedro e vetiver. Sua base fica por conta de um acorde seco e macio de sândalo e musk.

nuitnoho3. Nuits de Noho (Bond No. 9, 2003). Feito para seu público feminino, Bond No. 9 bolou um floral amadeirado musky de traços frutados e vanílicos – o que hoje alguém poderia facilmente chamar de chipre moderno. Nuits de Noho abre efervescente e suculento com bergamota, laranja e abacaxi como notas de cabeça. Em seguida, a fragrância adentra um delicado coração de jasmim e pau-rosa apoiado sobre um fundo de acolhedor de patchouli, baunilha e musk.

hotalways4. H.O.T. Always (Bond No. 9, 2003). H.O.T. Always revisita os anos 80 e traz um chipre amadeirado de nuances animálicas e picantes. Depois de uma saída amena de bergamota, o perfume rapidamente faz emergir seu acorde central de patchouli e canela, finalizando com um fundo potente de couro, sândalo e civet. H.O.T. Always ganha pontos por sua ousadia e é, provavelmente, um dos perfumes que menos têm cara da marca.

EauNY5. Eau de New York (Bond No. 9, 2004). Eau de New York é uma das melhores fragrâncias de Bond No. 9. Cítrica e verde ao extremo, a fragrância abre com limão, mandarina, toranja, verbena, néroli e manjericão, além de notas aquáticas. Para trazer personalidade, o acorde central é formado por um buquê de flores frescas como cíclame, jasmim, gardênia e lírio-do-vale. Uma base limpa e seca de vetiver, musgo de carvalho e musk assegura uma atmosfera energizante por um bom tempo.

WallStreet6. Wall Street (Bond No. 9, 2004). O executivo autoconfiante de terno bem cortado e cabelo impecável é a inspiração desta fragrância aquática da casa americana. Wall Street abre ozônico e herbáceo com notas de cítricos, lavanda, algas marinhas e pistache. Em seguida, a composição apresenta um acorde de vetiver e especiarias quentes, antes de concluir com uma base de resinas, couro, âmbar e musk. Embora tenha um início mais limpo e translúcido, Wall Street tende a evoluir para uma atmosfera mais escura e marinha.

BleeckerSt7. Bleecker Street (Bond No. 9, 2005). Este oriental gourmand mescla notas frutadas de cassis e mirtilo com notas verdes de folha de violeta e ervas finas, além de baunilha e caramelo para amalgamar a composição. A saída é folhosa com tons de groselha e sálvia. Mais adiante, Bleecker Street segue um caminho mais quente e picante, doce e amanteigado, com um fundo floral (jasmim) e aveludado (camurça). Patchouli e musgo de carvalho concluem a fragrância com um aspecto escuro e terroso.

Chinatown8. Chinatown (Bond No. 9, 2005). Chinatown é um chipre frutado com um frasco inspirado na dinastia Ming. Com uma combinação de cardamomo, tuberosa e flor de pêssego, o perfume abre com um intoxicante aroma doce e picante. O coração é formado por flores brancas (tuberosa, gardênia, peônia e flor de laranjeira), conferindo feminilidade e sensualidade. Uma base de patchouli, cedro, sândalo, gaiaco e baunilha faz a fragrância beirar o gênero oriental com grande opulência.

Cardinal9. Cardinal (Heeley, 2006). Incenso e mirra – só que desta vez com uma interpretação mais arejada e moderna de James Heeley. O perfumista inglês propõe uma combinação de resinas com aldeídos e Iso E Super, que propiciam um aspecto mais limpo e tridimensional ao incenso. As notas de pimenta rosa e pimenta preta abrem a fragrância com tons picantes e frutados, enquanto uma base de patchouli e âmbar conclui a composição com refinamento e personalidade.

EspritDuTigre10. Esprit du Tigre (Heeley, 2006). Também vendido como “Spirit of the Tiger”, este é um perfume que divide opiniões por ser tão canforado quanto um Vick Vaporub. A composição recorre a notas de cardamomo, pimenta, canela e cravo-da-índia para conferir uma aura picante e quente. A base é formada por vetiver, que praticamente tem como papel a sustentação da fragrância. Esprit du Tigre é, portanto, exótico e com forte aspecto medicinal. Feito para atletas ou mulheres radiantes.

IrisNuit11. Iris de Nuit (Heeley, 2006). Nem artificial como suco de uva em pó, nem natural como cera vegetal. Iris de Nuit é uma interpretação contemporânea da nota de íris, sem remeter à colônia da vovó ou à maquiagem da mamãe. A nota de íris aqui é construída com violeta, cenoura, feno, angélica e musk para criar o efeito suave e transparente de talco. Assim como todas as fragrâncias de Heeley, esta também segue um caminho mais natural e coloca o bem-estar acima da vaidade.

MentheFraiche12. Menthe Fraîche (Heeley, 2006). Menta e bergamota na cabeça, chá e mate no coração e cedro na base resume a construção deste perfume minimalista. É claro que tudo está nos detalhes e Heeley não divulga a relação completa de seus ingredientes. Menthe Fraîche conquista por ser uma composição à base de menta (sempre correndo o risco de resultar num aroma funcional de pasta de dente ou chiclete) rica e original, intensamente fresca e limpa, perfeita para as férias de verão.

13. VerveineVerveine d’Eugène (Heeley, 2006). Talvez seja um pouco difícil de competir com o Verveine de L’Occitane (mais em conta, porém mais fraco), esta fragrância explora com elegância uma nota que geralmente é usada apenas para conforto. O perfume conta com um topo adstringente de bergamota, ruibarbo e cardamomo, um centro floral fresco de verbena, jasmim e cassis, e uma base leve e transparente de musk. Cheiro de spa chique.

EspritDuTigre14. Esprit du Tigre (Heeley, 2006). Esta inusitada composição com cheiro de Gelol é um perfume bem polarizante. A saída canforada e mentolada pode para alguns ser o aroma que há anos buscavam na perfumaria e não encontravam; para outros, pode ser um verdadeiro pesadelo engarrafado. Na evolução, Esprit du Tigre traz à tona um acorde picante de cardamomo, canela, pimenta preta e cravo-da-índia, suportado por uma base de vetiver e musk. Excelente, porém para poucos.

Iris3915. Iris 39 (Le Labo, 2006). Le Labo escolheu as notas de patchouli e musgo de carvalho para fazer uma interpretação quente e terrosa da íris. Para tornar o perfume mais interessante, notas de limão, gengibre e cardamomo foram acrescentadas, conferindo um toque mais fresco e descontraído. Seu aspecto atalcado é ressaltado com rosa e violeta, enquanto seu lado selvagem é enriquecido com almíscar e civet. Iris 39 não mostra uma íris comercial, mas sim aquela da raiz, bem natural.

Patchouli2416. Patchouli 24 (Le Labo, 2006). Complexa e polêmica, esta fragrância retrata um patchouli defumado e oleoso, como uma mistura de cheiro de churrasco com oficina mecânica. Patchouli 24 abre repugnante devido à nota de bétula e seu odor de curto-circuito. Na evolução, um patchouli queimado aparece acompanhado de estoraque e baunilha. Esta última nota ameniza a composição com seu efeito cremoso, mas ainda assim o perfume segue controverso, sem fazer concessões.

Rose3117. Rose 31 (Le Labo, 2006). Este perfume construído ao redor da nota de rosa emprega notas amadeiradas e especiadas para tornar a nota principal mais masculina e diferente do comum. Madeiras nobres como vetiver, gaiaco e cedro trazem um efeito seco e austero, ao passo que alcarávia, olíbano, labdanum e oud conferem um aspecto denso e quente. Uma dose de almíscar animálico conclui a composição com um tom ousado e misterioso. Rose 31 certamente não é a fragrância de rosa popular.

Vetiver4618. Vetiver 46 (Le Labo, 2006). Quente e esfumaçado – assim é a composição à base de vetiver da Le Labo. Na verdade, vetiver é uma de suas notas menos marcantes. A fragrância é dominada por olíbano, pimenta e cedro, produzindo um potente aroma de incenso. O vetiver entra mais como pano de fundo, para manter o perfume seco e masculino. Durante a evolução, uma base levemente doce de âmbar e baunilha traz conforto, mas perde força para a atmosfera de igreja dominante.

Bergamote22 19. Bergamote 22 (Le Labo, 2006). A casa Le Labo coloca sempre à frente dos nomes de suas composições o número de ingredientes utilizados. Neste caso, é impressionante saber que um tema tão minimalista como o da bergamota tenha envolvido 22 diferentes matérias-primas. Naturalmente carregado nas notas de topo, Bergamote 22 incorpora um buquê de cítricos, além de notas herbáceas, florais e amadeiradas como petitgrain, néroli, flor de laranjeira, vetiver e cedro – todas usadas para produzir uma interpretação rica e sofisticada da bergamota.

fleurdoranger20. Fleur d’Oranger 27 (Le Labo, 2006). Vinte e sete matérias-primas sintéticas e naturais foram utilizadas para emular um dos aromas mais complexos da perfumaria – a flor de laranjeira. Para ilustrar olfativamente suas facetas cítrica, verde e floral branca, Le Labo fez uso de notas de bergamota, limão siciliano, petitgrain, néroli e flor de laranjeira. O resultado é um floral cítrico de nuances soapy e amadeiradas.

jasmin1721. Jasmin 17 (Le Labo, 2006). Classificado como floral amadeirado musky, Jasmim 17 é um tributo a uma das flores mais utilizadas na perfumaria. Para fazer sua interpretação, Le Labo reuniu um topo efervescente de laranja amarga, litsea cubeba e néroli, um coração soapy de jasmim e flor de laranjeira, e um fundo balsâmico de sândalo, âmbar e baunilha. Tudo isso é envelopado por uma névoa de almíscares sintéticos.

labdanum1822. Labdanum 18 (Le Labo, 2006). Composto por Maurice Roucel, Labdanum 18 é um tributo a um dos componentes mais importantes da perfumaria, sem o qual não existiriam o gênero chipre e o acorde âmbar – o labdanum. O perfumista escolheu uma rendição animálica da nota com o uso de notas como patchouli, canela, baunilha, âmbar, bétula, gurjam e fava tonka, além de castoreum e civet. O resultado é um oriental doce, balsâmico e esfumado.

westside23. West Side (Bond No. 9, 2006). Michel Almairac compôs este perfume inspirado na musicalidade deste bairro de Nova York. Na forma de um floral amadeirado musky, West Side abre com um buquê inebriante de rosa, ylang-ylang e peônia. Aos poucos, o perfume vai ficando seco e quente graças a um acorde de sândalo e âmbar. O dry-down é macio e adocicado com baunilha e almíscar sintético.

scentofpeace24. The Scent of Peace (Bond No. 9, 2006). Como uma homenagem aos ataques contra a cidade de Nova York em 2001, Bond No. 9 apresenta este floral almiscarado feito para mulheres idealistas. Depois de uma saída otimista de toranja e cassis, The Scent of Peace segue para um coração úmido e translúcido de lírio-do-vale. Na secagem, a composição traz a maciez e secura de um acorde base de cedro e musk.

FireIsland25. Fire Island (Bond No. 9, 2006). Para representar olfativamente um dos destinos de verão mais populares dos nova-iorquinos, o perfumista Michel Almairac fez uso principalmente das notas de tuberosa e musk. Tal combinação é capaz de produzir um efeito cremoso como o de um protetor solar. Para evitar que a fragrância se torne funcional, Fire Island leva também cardamomo, néroli, mel, patchouli e couro. Algumas pessoas podem achar o resultado um tanto enjoativo se não curtirem o aroma de creme hidratante.

ConeyIsland26. Coney Island (Bond No. 9, 2007). Aquático e gourmand, Coney Island ousa misturar acordes antagônicos como limão-melão-goiaba e caramelo-baunilha-chocolate. A fragrância abre com um intenso aroma de tequila e água marinha, remetendo ao ambiente de praia. Na evolução, o choque entre o acorde ácido e o acorde gourmand pode causar náuseas a algumas pessoas. Na secagem, Coney Island deixa um rastro de protetor solar, com traços de sal e almíscar, sem perder o frescor característico.

SilverFactory27. Silver Factory (Bond No. 9, 2007). Feito em homenagem à fábrica metalizada aberta por Andy Warhol em 1963, Silver Factory é um perfume complexo de notas florais, amadeiradas e orientais. Com uma saída fresca de toranja e lavanda, a fragrância adentra uma combinação floral-polvorosa com predominância de íris e incenso. A nota de cedro ajuda a enriquecer a aura esfumaçada, enquanto a nota de âmbar potencializa a polvorosidade. Silver Factory é leve, agradável e sensual.

Absinth28. Absinth (Nasomatto, 2007). Para criar um perfume que invocasse o estado de histeria e comportamento irresponsável, Nasomatto elegeu o absinto. A nota é enriquecida com plantas diversas e vetiver, acentuando seu aspecto natural e aromático. Absinth abre verde e anísico, evoluindo para um coração de vetiver e tabaco e uma base de sândalo e âmbar. O resultado é uma fragrância herbácea e amadeirada com traços de anis e cânfora (agulhas de pinhos), além de um suave musk.

HinduGrass29. Hindu Grass (Nasomatto, 2007). Inspirado no lema “paz e amor”, Hindu Grass é uma composição que gira em torno do patchouli. A nota tem seu lado terroso ressaltado com vetiver e tabaco, enquanto seu lado herbáceo ganha força com notas de ervas finas e grama. Hindu Grass é a fragrância mais realista e natural de Nasomatto, mostrando toda uma atmosfera de floresta verde e arejada. Não se deve, portanto, esperar um patchouli à moda atual, pois este não é doce.

silvermusk30. Silver Musk (Nasomatto, 2007). Talvez o menos falado dos incríveis perfumes da linha Nasomatto seja Silver Musk por ser algo mais transparente que os demais, mesmo que siga o mesmo DNA esfumaçado e misterioso. A única nota listada pela marca é justamente o almíscar sintético que, segundo eles, “tem como objetivo invocar um magnetismo de super-herói; é o resultado de uma busca pela sensação de amor líquido mercuriano”.

duro31. Duro (Nasomatto, 2007). O nariz italiano Alessandro Gualtieri se inspirou na essência do homem (o nome da fragrância não é aleatório) para compor um chipre couro robusto à base de madeiras nobres e especiarias quentes. Como resultado final, Duro é uma composição monolítica que forma uma aura amadeirada esfumaçada e picante com leves tons animálicos de um couro realístico.

brooklyn32. Brooklyn (Bond No. 9, 2008). Brooklyn é o subúrbio mais famoso de Nova York com sua cultura e atmosfera artística de músicos, grafiteiros, entre outros. Para ilustrá-lo olfativamente, Bond No. 9 escolheu o gênero amadeirado especiado com nuances aromáticas e soapy. Brooklyn abre efervescente com toranja e cardamomo, anunciando um centro de gerânio, zimbro (componente do gin) e cipreste. A finalização fica a cargo de um acorde base de gaiaco, couro e cedro.

serendipitous33. Serendipitous (Serendipity 3, 2008). Praticamente desconhecido no Brasil, este foi um dos deleites para fãs de perfumes gourmands, mas Serendipitious sofreu severa reformulação. O perfume era como uma mistura de chocolate e baunilha, biscoito e marshmallow, com uma saída de laranja. Hoje ele está mais para uma composição monolítica de coco e cacau com desempenho mediano na pele.

CuirPleineFleur34. Cuir Pleine Fleur (Heeley, 2008). James Heeley reúne notas difíceis de se trabalhar como acácia, folha de violeta, bétula, mel e castoreum para compor a nota fantasia de couro. A base é composta de cedro e vetiver para manter a atmosfera seca. Cuir Pleine Fleur é ao mesmo tempo bruto e delicado – por um lado exala um aroma fenólico de estábulo, por outro remete a uma brisa de floresta. Com isso, Heeley conseguiu criar uma fragrância de couro natural e realística, sem cair no lugar comum.

SelMarin35. Sel Marin (Heeley, 2008). O odor aquático a que estamos acostumados normalmente é oriundo do sintético calone. Neste perfume, Heeley vai a fundo no realismo e trabalha com notas de algas marinhas e sal. O resultado é um aroma mais natural da água do mar, com todas as suas facetas. Para torná-lo mais interessante, o perfumista adicionou à composição notas cítricas e verdes, além de couro e musgo de carvalho. Uma boa dose de musk e Iso E Super conferem textura e volume a Sel Marin.

ChinaWhite36. China White (Nasomatto, 2008). Alessandro Gualtieri oferece um talco luxuoso à base de rosa, íris, violeta e muito musk. China White é uma das fragrâncias menos conhecidas da linha de Nasomatto, provavelmente por ser tão feminina e delicada se comparada ao padrão da casa. Durante a evolução, o perfume ganha um aspecto mais esfumaçado devido à base de madeiras secas e incenso (almíscares sintéticos).

NarcoticVenus37. Narcotic Venus (Nasomatto, 2008). Centrado na nota de tuberosa, Narcotic Venus foi feito para ilustrar olfativamente a “viciante intensidade do poder sexual feminino”. Lírio e jasmim entram na composição para enriquecer o tema central, que ganha também toques de especiarias quentes. Abrindo com um aspecto mais aquoso e translúcido, o perfume vai ganhando corpo na evolução, terminando com um dry-down animálico e envolvente. Fortíssimo, Narcotic Venus deve ser aplicado com moderação.

BlackAfgano38. Black Afgano (Nasomatto, 2009). Nasomatto homenageia aqui a pausa para curtir um “barato” e foca esta composição na nota de haxixe. Para ampliar seu aspecto escuro e defumado, o perfume agrega notas de oud, incenso, café e tabaco. Esta poção resulta num aroma narcótico e viciante, mostrando todo lado obscuro e misterioso da natureza. Nasomatto demorou para conseguir aprovação para o uso de haxixe, atrasando o lançamento desta fragrância que é hoje seu maior best-seller.

Oud2739. Oud 27 (Le Labo, 2009). Mais um exemplo de perfume polêmico de Le Labo, Oud 27 mergulha no universo árabe, lá encontrando notas balsâmicas e animálicas. A fragrância abre seca e balsâmica com incenso, cedro e açafrão, aos poucos revelando um coração amadeirado de gaiaco e patchouli. A base fica por conta de oud, civet e âmbar gris, levando a composição para um caminho narcótico e feroz. Oud 27 apresenta uma opulência sem restrições, ao melhor estilo oriental.

Infidels40. The Infidels (Agonist, 2009). A casa sueca Agonist se inspirou na atmosfera melancólica da Escandinávia para compor este perfume intenso e profundo. The Infidels consegue a proeza de ser tanto rico e denso quanto delicado e agradável. Por um lado, existe um romântico acorde chipre com notas de íris, rosa, ylang-ylang e jasmim; por outro, um opulento acorde oriental com notas de resinas, bálsamos e especiarias quentes. The Infidels é bonito e cheio de classe, feito à moda antiga. Disponível também no frasco de cristal feito pela Kosta Boda por 1500 dólares.

ophelia41. Ophelia (Heeley, 2009). Segundo seu criador, Ophelia é dedicado ao personagem homônimo de Shakespeare, portanto um perfume floral feminino, romântico e suave. Fugindo um pouco das composições aromáticas da casa, e talvez por isso não tendo a mesma fama das demais, Ophelia gira em torno de um enorme buquê de flores brancas: magnólia, lírio aquático, jasmim, tuberosa e ylang-ylang. Tudo isso é “amarrado” por um fundo sofisticado de musgo de carvalho e âmbar gris.

Fareb42. Fareb (Huitième Art, 2010). Huitième Art é uma marca de Pierre Guillaume (Parfumerie Générale) dedicada à técnica da fitoperfumaria, que consegue mapear a complexidade de um odor para depois reproduzi-lo com óleos essenciais e sintéticos. Fareb é construído em torno da nota de immortelle, agregando gengibre e couro para conferir um aspecto especiado e defumado à flor herbácea e açucarada. Em uma única fase, Fareb produz um aroma doce, especiado e fibroso.

D60043. D600 (Carner Barcelona, 2010). Inspirada no ar fresco da cidade de Barcelona, esta fragrância é composta basicamente de notas de íris, especiarias e madeiras nobres. Na saída, D600 exala um aroma polvoroso de pimenta e, em seguida, evolui para um aspecto cremoso e atalcado de cedro, baunilha e íris. Mais agressivo que a maioria dos perfumes à base de íris e mais carismático do que um típico amadeirado especiado, D600 busca o meio termo para satisfazer o homem elegante mas tímido.

washingtonsquare44. Washington Square (Bond No. 9, 2010). Segundo o site da marca, “Washington Square é um perfume para a época de festas com toda positividade em torno de sua praça verde cheia de mesas de jogos, sem nos esquecermos de seu arco triunfal”. A partir de uma saída de bergamota e grama, a composição segue um caminho floral com rosa e gerânio. No dry-down, notas de couro, âmbar, mel e almíscar sintético emergem para suavizar esta fragrância unissex.

iloveny45. I Love New York For All (Bond No. 9, 2011). No estilo de New Haarlem, I Love New Yor For All adota o gênero oriental gourmand. Aqui encontram-se notas doces como marron glacé, cacau e café, primordialmente. A composição incorpora também um topo de bergamota, lírio-do-vale e pimenta e uma base de patchouli, sândalo, couro e baunilha. O cheiro é delicioso – a questão é querer espalhá-lo ou não pelo corpo.

madisonsquare46. Madison Square Park (Bond No. 9, 2011). Com uma “pegada” mais feminina, Madison Square Park é um floral verde construído em torno da rosa. Na abertura, o perfume exala um acorde aromático de grama, jacinto e mirtilo. Minutos depois, um buquê de rosas e tulipas (fantasia) é envolvido por uma base de vetiver e madeira teca. O resultado é um aroma floral maduro e sofisticado para executivas de Nova York.

hippierose47. Hippie Rose (Heeley, 2011). Outro floral pouco conhecido de Heeley é Hippie Rose, um tributo à rosa búlgara. O perfume gira em torno do acorde clássico de patchouli e rosa envolvido por uma nuvem de incenso indiano e apoiado sobre um terreno de raízes de vetiver e musgo de carvalho. Hippie Rose é finalizado por um fundo de âmbar e musk para tentar emular o aroma do deserto suave e quente da Califórnia.

purotalco48. Puro Talco (Officina Delle Essenze, 2011). Este perfume é exatamente o que seu nome sugere: um talco luxuoso feito à base de notas florais como íris e rosa, e polvorosas como baunilha e almíscar sintético. Puro Talco ganha ainda um toque tropical de laranja e ylang-ylang. O resultado é um perfume que consegue a proeza de ser confortável e potente ao mesmo tempo, um deleite para fãs dos atalcados.

cuirtabac49. Cuir Tabac (David Jourquin, 2011). O pouco conhecido designer David Jourquin ficou famoso por sua primeira criação, Cuir Tabac, a qual descreve como “um patchouli intenso envolvido por notas profundas de tabaco, charutos e musk, misturados a acordes aromáticos de lavanda”. Cuir Tabac foi lançado no mesmo ano que Cuir Mandarin – sua versão diurna, mais cítrica e refrescante.

miriam50. Miriam (Tableau de Parfums, 2011). A primeira fragrância da casa americana “Mesa de Perfumes” é um floral aldeídico de nuances amadeiradas e balsâmicas. O criador e ninguém menos que o suíço Andy Tauer. Depois de uma saída de aldeídos, cítricos, lavanda e folha de violeta, Miriam desabrocha um buquê ultrafeminino de rosa, íris, jasmim, gerânio e ylang-ylang. Tudo isso é apoiado sobre uma base oriental de fava tonka, âmbar, sândalo e baunilha.

Cuirs51. Cuirs (Carner Barcelona, 2011). A nota de couro é aqui trabalhada com um acorde oud-sândalo, dentro do gênero oriental especiado. O perfume abre com um aroma quente e especiado de açafrão e alcarávia, com um pano de fundo defumado devido à nota de oud. Aos poucos Cuirs vai se mostrando mais denso e potente com patchouli, gaiaco e sândalo sobre uma base de couro, fava tonka, oud e labdanum. Traços de amyris e violeta conferem uma aura atalcada e romântica.

Myrrhiad52. Myrrhiad (Huitième Art, 2011). Para Myrrhiad, o perfumista Pierre Guillaume escolheu a mirra, que aqui é enriquecida com notas de alcaçuz, chá, âmbar e baunilha. Por um lado, o tema central ganha tons herbáceos de chá, sálvia e alcaçuz; por outro, notas de baunilha, fava tonka e âmbar trazem corpo e doçura. Myrrhiad tem, no geral, um aspecto sedoso, provavelmente devido a cashmeran. O dry-down é polvoroso e esfumaçado, transmitindo uma vibe de talco luxuoso.

Santal3353. Santal 33 (Le Labo, 2011). Le Labo faz uma interpretação aromática da nota de sândalo, agregando notas de cardamomo, violeta, íris, papyrus, cedro e âmbar. Na saída, Santal 33 exala um aroma suave e delicado com o acorde íris-violeta sob um fundo de cedro. Na evolução, o sândalo emerge e, juntamente ao cedro, vai compondo uma atmosfera amadeirada seca, ligeiramente doce e cremosa por conta do âmbar. O resultado é um perfume polvoroso que se mantém limpo e macio por muitas horas.

Pardon54. Pardon (Nasomatto, 2011). Pardon usa o poder do chocolate amargo para simbolizar a persuasão do charme e elegância do homem. Para enriquecer o lado escuro da nota principal, a fragrância agrega notas de oud e canela, ao passo que sândalo e fava tonka reforçam sua doçura e cremosidade. Notas florais discretas imprimem um tom romântico, enquanto uma base densa e resinosa preserva a sofisticação. Pardon segue um caminho gourmand sem parecer perfume de balada ou de adolescente.

BlackAmber55. Black Amber (Agonist, 2011). Black Amber convida você a uma viagem pelo interior de uma floresta escura, onde prevalece o aroma de madeiras defumadas. O tema fantasia do âmbar negro é aqui formado essencialmente pela combinação de incenso, estoraque e âmbar gris, com uma pitada de baunilha. Para conferir um aspecto herbáceo escuro, a fragrância leva notas de artemísia, cipreste e algas marinhas; a aura amadeirada é formada por patchouli, sândalo, cedro e vetiver. Recomendado a quem gosta dos orientais bem escuros.

GoldenBoy56. Golden Boy (Dueto, 2011). A casa francesa Dueto foi fundada em 2010 com a missão de retratar olfativamente cidades cosmopolitas e movimentadas ao redor do mundo, de São Paulo a Sydney. Sua fragrância mais conhecida é Golden Boy, um moderno chipre couro especiado. Com notas de folha de violeta, açafrão, lavanda, tomilho, cedro, incenso, baunilha, camurça e musk, o perfume resulta num aroma macio e emborrachado, menos escuro e defumado que o esperado. Definitivamente um couro contemporâneo.

CityLove57. City Love (Dueto, 2011). Para criar uma atmosfera simultaneamente romântica e sensual, Dueto preparou uma criação floral musk com nuances de oud e patchouli. Com uma saída fresca e picante de capim-limão e canela, City love parte para um acorde mentolado e soapy de gerânio, rosa e violeta. A base de patchouli e oud forma uma aura terrosa, esfumaçada e ligeiramente frutada, com um leve aspecto sintético de plástico. Bom para quem não está acostumado com oud natural.

NYAmber58. New York Amber (Bond No. 9, 2011). A casa novaiorquina surpreende com este tributo ao acorde fantasia de âmbar. Na saída, New York Amber apresenta um acorde delicado de bergamota, osmanthus e açafrão, antes de revelar seu centro de rosa, jasmim, noz moscada e pimenta preta. Para arredondar a composição, New York Amber incorpora uma base de sândalo, mirra, âmbar, benjoim, oud e musk. O resultado é macio e confortável, o que mostra um bom uso de sintéticos frente a ingredientes tão potentes.

NewYorkOud59. New York Oud (Bond No. 9, 2011). Com a pretensão de oferecer uma fragrância à base de oud moderna e inovadora, unindo o melhor da perfumaria ocidental e oriental, Bond No. 9 escolheu para sua criação uma textura macia, adocicada e cremosa, decorada com um buquê de rosas. Com um topo de laranja, ameixa e açafrão, New York Oud segue com seu centro de patchouli, orris, rosa e oud. No dry-down, uma combinação de mel, vetiver e musk traz complexidade, contrapondo o doce-viscoso e o seco-terroso.

loretta60. Loretta (Tableau de Parfums, 2012). Esta criação de Andy Tauer é inspirada num personagem feminino – uma moça que trabalha como camareira num hotel; ela é tímida e reservada, mas criada sua própria vida num mundo de fantasia onde ela dança e se apaixona por um homem. O perfume conta com um topo de aldeídos e frutas (especialmente ameixa), um coração de íris, rosa, cravo, flor de laranjeira, jasmim e tuberosa temperados com canela, e um fundo de couro, madeiras, resinas e âmbar gris.

MidnightFleur61. Midnight Fleur (Nest, 2012). A casa de nicho americana de temática botânica oferece este oriental floral construído com notas de melão, coco, jasmim, orquídea, patchouli, madeiras nobres, âmbar gris e musk. Muito bem balanceado, Midnight Fleur abre com um intoxicante aroma doce e suculento, aos poucos revelando um coração floral musky, ao mesmo tempo macio e carnal. Durante a evolução, o perfume se aquece, porém mantendo um aspecto de xampu.

WhiteSandalwood62. White Sandalwood (Nest, 2013). White Sandalwood é um amadeirado especiado que interpreta a nota de sândalo com traços polvorosos e esfumaçados. Utilizando a variedade australiana do ingrediente principal, ou seja, mais limpa e macia que a indiana, o perfume incorpora notas de amêndoas, especiarias e musk. Assim, White Sandalwood exala um cheiro de armário de cozinha recém-lixado onde se guardam farinhas e temperos. Um perfume seco, picante e atalcado.

Citiver63. Citiver (Dueto, 2013). Esta fragrância se dedica a interpretar o tema de vetiver com notas aromáticas, terrosas e balsâmicas. A partir de um topo cítrico de bergamota, toranja e limão siciliano, Citiver vai explorando um centro vegetal e picante de folha de violeta, pimentão, noz moscada e elemi. A base forma um clima florestal graças ao uso de vetiver, cedro, patchouli, gaiaco, labdanum, fava tonka, bálsamo peru e musk. Citiver resulta num perfume agradável e otimista, mostrando um vetiver casual e moderno.

Monsieur64. Monsieur (Huitième Art, 2013). O perfumista Pierre Guillaume se inspirou na floresta de Auvergne com suas montanhas e córregos que carregam um aroma mineral, herbáceo, esfumaçado e terroso. Assim, Monsieur dedica-se a notas essencialmente amadeiradas como patchouli, cedro, sândalo, carvalho, vetiver, papyrus e madeira de incenso. Apesar de seu potencial monótono, Monsieur consegue ressaltar as diferentes qualidades de seus ingredientes, às vezes mais seco e arejado, às vezes mais escuro e sério.

TabacRouge65. Tabac Rouge (Phaedon, 2013). Tabac Rouge é um oriental melífluo e picante que mostra uma nota de tabaco “anabolizada”. O perfume exala praticamente o mesmo aroma do começo ao fim, talvez com um gengibre mais nítido na saída e um benjoim mais encorpado na secagem. Notas de cera de abelha e canela com nuances frutadas tornam o tabaco denso e vívido, quase tangível. Bastante similar a Tobacco Vanille de Tom Ford, Tabac Rouge é mais seco, picante e melado.

RougeAvignon66. Rouge Avignon (Phaedon, 2013). A casa de nicho francesa oferece um oriental floral ancorado num acorde rosa-framboesa. Para acentuar seu lado suculento, Rouve Avignon adota ylang-ylang e notas frutadas, enquanto a faceta mais natural da rosa é ressaltada com notas intensas de madeira hinoki, patchouli, sândalo, cogumelo, âmbar, cacau e musk. Rouge Avignon é uma fragrância doce e quente, mostrando uma rosa feminina e moderna.

Antigua67. Antigua (Phaedon, 2013). Antigua é um moderno chipre frutado com roupagem tropical e lúdica. Abrindo fresco e suculento, a composição exala notas de cítricos, goiaba, folha de figo e pêssego. Mais à frente, o perfume exibe uma rosa encorpada e aveludada. O dry-down mostra tons florestais com uma combinação herbácea e terrosa de vetiver, patchouli, musgo de carvalho, baunilha e musk. Antigua é, acima de tudo, uma fragrância alegre e divertida, limpa e refrescante.

SableMarocain68. Sable Marocain (Phaedon, 2013). Seguindo o gênero oriental fougère, Sable Marocain faz um tributo ao país do norte africano com uma mistura de cítricos e bálsamos. A saída adstringente de bergamota, limão, toranja e gengibre anuncia uma evolução quente e seca com notas de vetiver, labdanum, copaíba, gaiaco, cacau e baunilha. Sable Marocain vai agradar aqueles que gostam de um perfume seco e confortável, mas que não abrem mão do erotismo do âmbar.

CuirX69. Cuir X (La Parfumerie Moderne, 2013). A pequena casa de nicho francesa apresenta um moderno couro macio e cremoso. Com um topo de suave e picante de laranja, ameixa, íris e açafrão, Cuir X incorpora um acorde central de couro, labdanum e fava tonka. A base fica a cargo de uma pequena dose de âmbar e baunilha. O resultado é tão suave e contemporâneo que o couro mais parece uma elegante camurça, sem qualquer traço de odor queimado.

Desarmant70. Désarmant (La Parfumerie Moderne, 2013). Literalmente “desarmamento” em francês, este perfume é um floral musky construído em torno do lilás. O perfume abre floral e luminoso com aldeídos, laranja, osmanthus, cravo, rosa e ylang-ylang, além do ingrediente principal. Désarmant aos poucos evolui para uma aura mais seca, doce e escura de especiarias, fava tonka, benjoim, couro e baunilha. Assim, do cintilante ao soturno, a fragrância finaliza elegantemente soapy e esfumaçada.

Whiskey71. Whiskey (Commodity, 2013). A nova casa de nicho americana propõe um oriental amadeirado com um toque boozy e aromático. Whiskey abre fortemente aromático com notas de bergamota, limão siciliano, eucalipto, hera, sálvia e lavanda. Minutos depois, um acorde de carvalho, âmbar e canela emerge com um aspecto frutado, alcoólico e semi-gourmand. Para amplificar o poder sedutor do perfume, Whiskey assume uma nota de musk animálico como base.

Book72. Book (Commodity, 2013). Empregando sintéticos antigos e novíssimos, Commodity tenta aqui reproduzir o aroma macio e crispy de um livro. Book tem uma saída gelada e aquosa de bergamota, pepino e eucalipto, antes de mostrar um acorde herbáceo de lavanda, hera e vetiver no centro da composição. Durante a evolução, o perfume se aquece graças a uma sofisticada base de gaiaco, sândalo, âmbar e bálsamo tolu. Book cumpre com sua missão, equilibrando o vegetal ao químico, como um livro de verdade.

EveningRose73. Evening Rose (Aerin Lauder, 2013). A neta de Estée Lauder fundou sua própria companhia em 2011. Sua fragrância mais conhecida é Evening Rose, uma rosa boêmia. Para ampliar a faceta suculenta e inebriante da flor, aqui com as variantes búlgara e centifólia, a composição agrega notas de amora, conhaque e incenso. Evening Rose mostra um estilo de rosa retrô, doce e viscosa como geleia, com um fundo esfumaçado. O toque frutado, no entanto, traz um aspecto mais contemporâneo.

GardeniaRattan74. Gardenia Rattan (Aerin Lauder, 2013). Tomando como centro a nota fantasia de gardênia, Aerin Lauder oferece uma interpretação marinha e tropical da flor. Descrita como a fragrância perfeita para o verão, Gardenia Rattan combina notas aquáticas salinas com notas florais brilhantes de gardênia, tuberosa e tiaré. Na base, um âmbar quente e cremoso ressalta a qualidade carnal e sensual do buquê de flores brancas. Gardenia Rattan é um perfume fresco e elegante.

LilacPath75. Lilac Path (Aerin Lauder, 2013). Desta vez com inspiração no lilás que cresce na casa de verão de sua avó, Estée Lauder, Aerin apresenta um delicado floral musky. Para valorizar o aspecto macio e feminino do tema central, Lilac Path utiliza dois acordes: um amargo e vegetal de gálbano e angélica e outro luminoso e inebriante jasmim e flor de laranjeira. Para se manter fresca e limpa, a fragrância recebe na base uma boa dose de almíscares vegetais.

23jan198476. 23 Janvier 1984 (Pozzo di Borgo, 2013). Fundada por Valentine Pozzo di Borgo, a nova casa de nicho é inspirada em personagens de sua própria família, representadas em suas criações por suas respectivas datas de nascimento. 23 Janvier 1984 é um cítrico aromático e especiado com topo de bergamota, limão siciliano, petitgrain e cardamomo, centro de figo, íris e coentro, e base de vetiver, benjoim e musk. O resultado é uma colônia leve e confortável, bem unissex.

8mar176477. 8 Mars 1764 (Pozzo di Borgo, 2013). Assumindo o estilo oriental balsâmico, 8 Mars 1764 é um perfume masculino de aspecto esfumaçado e alcoólico. A composição tem uma saída refrescante e amarga de bergamota, mandarina e elemi, anunciando um intoxicante acorde central de conhaque, vetiver e coentro. Na secagem, o perfume esquenta e escurece com notas de labdanum, benjoim e estoraque, deixando para trás um rastro defumado e elegante.

19mai195778. 19 Mai 1957 (Pozzo di Borgo, 2013). Este é um fougère aquático com traços balsâmicos. Abrindo com um acorde aromático e gelado de lavanda, samambaia e eucalipto, 19 Mai 1957 vai aos poucos adquirindo um efeito vegetal e polvoroso com notas de heliotrópio e immortelle, além de um fundo marinho. Durante o dry-down, uma base de labdanum, bálsamo peru e baunilha emerge, formando uma aura de barbearia de luxo.

lys4179. Lys 41 (Le Labo, 2013). O lírio-do-vale (diferente do lírio-do-brejo) é uma das notas mais abstratas e também mais apreciadas da perfumaria, tendo levado décadas para poder ser concretizada na perfumaria. A composição de Le Labo leva 41 ingredientes naturais e sintéticos para compor a sua interpretação. Em termos de notas, a Lys 41 reúne muguê, jasmim, tuberosa, madeiras nobres, baunilha e musk.

ylang4980. Ylang 49 (Le Labo, 2013). Para o retrato olfativo desta flor carnal e densa, Le Labo escolheu o caminho chipre floral. Abrindo com um topo luminoso de gardênia, Ylang 49 logo desabrocha seu buquê homônimo. Na sustentação, aparece um acorde base formado por musgo de carvalho, vetiver, patchouli, sândalo e benjoim (ao invés do tradicional labdanum). Ylang 49 resulta num perfume floral terroso e balsâmico com uma linda interpretação do que se propõe.

sicilianlimes81. Sicilian Limes (Shay & Blue, 2013). A casa inglesa se arrisca num gênero pouco popular na perfumaria de nicho (talvez por ser considerado simples demais) – o cítrico aromático. Os limões sicilianos são enriquecidos com especiarias como o zimbro e madeiras como o cedro, além de um toque elegante de musgo de carvalho para dar mais projeção e fixação, além de um aspecto mais realístico.

OudAlif82. Oud Alif (Shay & Blue, 2013). Oud Alif é basicamente um acorde bem balanceado de oud, cacau e couro. Uma nota de açafrão contribui com uma textura de camurça e leve pungência, enquanto o patchouli ressalta o efeito escuro e defumado do oud. Em meio a tantas fragrâncias à base de oud no mercado, principalmente carregadas de mel, rosa, incenso e couro, Oud Alif acaba sendo um agradável ponto fora da curva.

SaltCaramel83. Salt Caramel (Shay & Blue, 2014). Com Salt Caramel, a casa apresenta uma fragrância que une doce e salgado com notas de amêndoas, baunilha, doce de leite, manteiga e, é claro, sal. Para fugir do funcional, uma base de sândalo e fava tonka dá suporte à composição. O aspecto salino separa Salt Caramel dos demais gourmands por fazer uma melhor transição com o suor do corpo.

BlackClubLeather84. Blacks Club Leather (Shay & Blue, 2014). Densa e escura, esta fragrância combina notas de couro, incenso, cera de abelha, mogno e conhaque. A abertura se mostra agradavelmente herbácea e frutada, mas também com uma faceta amarga e medicinal devido às notas sintéticas de Iso E Super (incenso) e isobutilquinoleína (couro). Na evolução, nuances florais e especiadas emergem, anunciando a conclusão boozy e amadeirada. Blacks Club Leather é a própria encarnação da elegância masculina.

ElBorn85. El Born (Carner Barcelona, 2014). A casa catalã apresenta uma interessante composição floral oriental que mistura notas vegetais e gourmands. El Born abre com um aroma vegetal esfumaçado resultante da combinação de angélica e heliotrópio. Notas de limão e mel contribuem com certa graça. À medida em que evolui, a composição faz emergir um suculento acorde jasmim-figo, apoiado sobre uma base toffee de benjoim, sândalo e baunilha. Doce e polvoroso.

PaloSanto86. Palo Santo (Carner Barcelona, 2014). Esta fragrância feita à base de vetiver foi batizada em homenagem à madeira indígena homônima das tribos indígenas da América do Sul, usadas como incenso. Com uma proposta meditativa, Palo Santo tem um topo boozy de artemísia e rum, seguindo uma rota ao mesmo tempo cremosa (leite, fava tonka, baunilha) e esfumaçada (vetiver, sândalo, gaiaco). A confusão do doce e queimado pode deixar alguns enjoados, porém jamais indiferentes.

Blamage87. Blamage (Nasomatto, 2014). Nasomatto lança mais uma controversa criação na linha de Black Afgano. Apresentada na concentração de extrato, a fragrância tem uma saída frutada e picante (pêssego e açafrão), evoluindo para um atalcado e escuro coração de flores (rosa e violeta). Mais à frente, uma base de patchouli, sândalo e âmbar aquece a composição, sem torná-la adocicada. Com uma atmosfera de climas diversos, Blamage não é um perfume fácil de se gostar de imediato.

ShelterIsland88. Shelter Island (Bond No. 9, 2014). Em homenagem à pouco conhecida ilha Shelter em Nova York, Bond No. 9 lança este amadeirado aquático à base de oud e algas marinhas. Shelter Island abre cítrico e picante, antes de evoluir para um coração luminoso e salgado de lírio-do-vale e algas marinhas. A sensação de brisa marinha é, então, acompanhada de uma base oriental de oud, mirra, âmbar, sândalo e almíscar. Apesar disso, a aura floral-ozônica permanece intacta.

Queens89. Queens (Bond No. 9, 2014). Construído ao redor da tuberosa, Queens é um oriental floral com traços frutados. Imediatamente, a fragrância exala um adstringente acorde de frutas do bosque e cardamomo, atenuando-se em seguida com um centro delicado e feminino de osmanthus, tuberosa e champaca. Dentro da base oriental, destaca-se a nota de sândalo, que propicia uma deliciosa cremosidade ao perfume. Queens tem tudo para ser em breve um best-seller de Bond No. 9.

Stercus90. Stercus (Orto Parisi, 2014). Com um nome não muito atraente para quem fala português, Alessandro Gualtieri introduz esta fragrância como parte da sua nova marca Orto Parisi, que corre em paralelo a Nasomatto. Com o mesmo conceito de pequenos frascos em concentração de extrato, Stercus se apoia no almíscar para imitar o odor natural de pele adulta com todo seu calor, textura e suor. Desta forma, trata-se de um perfume nada convencional, mas que merece atenção.

Bergamask91. Bergamask (Orto Parisi, 2014). Talvez um usuário normal não se interesse por esta fragrância, mas ela pode ser uma boa opção para os fãs de perfumes cítricos e musky, daqueles que parecem suco concentrado de laranja. Basicamente feito com óleos essenciais de bergamota e almíscar vegetal, Bergamask apresenta leves traços indólicos (semi-animálicos) de flores brancas, mas apenas o suficiente para evitar que o perfume se torne funcional.

boccanera92. Boccanera (Orto Parisi, 2014). Esta criação da segunda marca de Alessandro Gualtieri é um oriental vanilla, semigourmand, que gira em torno da nota de chocolate. Mas não é um cheiro de bombom ao leite cremoso, e sim um tipo amargo com pimenta malagueta e preta. Boccanera recebe também notas de gengibre, sândalo e musk.

cuiraltesse93. Cuir Altesse (David Jourquin, 2014). Três anos depois de sua primeira criação, David Jourquin propõe um chipre couro com intensa base balsâmica. Com um topo moderno de laranja, pimenta rosa e cardamomo, Cuir Altesse segue com um inebriante centro de jasmim, rosa, patchouli, cravo-da-índia e cominho. A fragrância ganha mesmo um aspecto oriental no dry-down, graças a um acorde base de couro, musgo de carvalho, benjoim, fava tonka e baunilha.

Indigo94. Indigo (Nest, 2014). Com mais um perfume verde, Nest agora explora a nota de figo com toques de bergamota, chá, cardamomo e cashmeran. Mais denso e viscoso que o esperado, Indigo tem um ligeiro aspecto de xampu provavelmente devido à nota suculenta de figo. Mas isso pode ser uma vantagem para quem curte perfumes com esse estilo e que tenha boa longevidade na pele. Assim como as outras criações de Nest, Indigo é vendido apenas nas lojas da Sephora.

ACapella95. A Capella (Dear Rose, 2014). A Capella é uma rendição verde e aquosa do tema de rosa. A rainha das flores é acompanhada de uma nota aromática de hera e outra sofisticada de madeiras leves. Este acaba sendo o mais inusitado dos perfumes da casa, talvez por abordar um estilo verde e estridente hoje em dia deixado de lado. A Capella abre com um efeito de refrescante de orvalho, revelando aos poucos uma nota delicada e transparente de rosa.

BloodyRose96. Bloody Rose (Dear Rose, 2014). Seguindo o gênero chipre floral, Bloody Rose utiliza notas de flor de laranjeira, ylang-ylang, incenso e patchouli para criar uma fantasia quente e misteriosa da rainha das flores, sem utilizar uma nota de rosa. Este é um perfume mais maduro e refinado ao estilo de Le Parfum de Elie Saab e L’Instant de Guerlain, ou seja, corpulento e inebriante, com nuances melífluas e indólicas. Bloody Rose, contudo, termina mais escuro e terroso.

ILoveMyMan97. I Love My Man (Dear Rose, 2014). A mais escura e picante das criações de Dear Rose é um oriental floral que reúne rosa (variantes búlgara e centifólia), flores atalcadas, especiarias quentes, fava tonka e sândalo. O perfume de cara exala um aroma polvoroso e amendoado como talco de bebê, transmitindo uma sensação de maciez e limpeza. Devido à sua faceta picante, I Love My Man acaba fazendo uma boa transição com o odor natural da pele.

46N08E98. 04°N 74°W (Richard Lüscher Britos, 2014). A novíssima casa de nicho suíça extrai as matérias-primas para suas criações de seu próprio plantio, usando como nome a localização específica de sua inspiração. 04°N 74°W é um tributo ao café colombiano com notas de folhas verdes, mel, jacinto, gardênia, lírio-do-vale, rosa, orquídea, baunilha e, é claro, café. Abrindo fresco como o orvalho sobre flores e plantas, 04°N 74°W aos poucos evolui para um delicioso aroma de cappuccino.

04N47W99. 46°N 08°E (Richard Lüscher Britos, 2014). Este é um amadeirado aromático inspirado numa floresta italiana na divisa com a Suíca. O perfume captura o odor amadeirado e terpênico das árvores coníferas da região, enriquecendo a composição com notas de musgo de carvalho, madeiras nobres, carvão e resinas. 46°N 08°E resulta num aroma florestal, limpo e macio, mesclando natureza, virilidade e sofisticação.

RoseDeGrasse100. Rose de Grasse (Aerin Lauder, 2014). Aerin Lauder busca interpretar, em sua opinião, a mais bela variante da rosa, a centifólia, nativa de Grasse. Este perfume é o primeiro da Premier Collection, uma seleção focada em criações artesanais feitas com os ingredientes mais preciosos. A rosa centifólia é mais limpa e suave, aqui trabalhada com notas aquáticas e musky. Âmbar, madeiras nobres e almíscar vegetal compõem uma base que ressalta as qualidades dessa variante de rosa.

Veja também: Nicho Cult e Nicho Excêntrico

6 pensamentos sobre “Nicho Conceitual

  1. Mais um excelente post, Daniel! Parabéns! A maioria deles atiçou a minha curiosidade, principalmente o Anima Dulcis, o de couro da Heeley e o Comme 2. O Patchouli 24 me deu até medo. Rs… O Kinski deve ter bastante personalidade!

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