Nicho Cult

NichoCultImagine um clube onde você possa se reunir regularmente com (e somente com) outras pessoas cultas, inteligentes e sofisticadas como você. Em 1963, o inglês Mark Birley fundou, no distinto bairro de Mayfair em Londres, o clube Annabel’s, batizado em homenagem à sua esposa. Era o primeiro clube noturno com acesso somente para membros, inclusive o príncipe de Gales. O sucesso do clube foi tão grande que propulsionou a carreira de Birley no segmento de restaurantes e hotéis. Em 1996, Frédéric Malle foi chamado para produzir uma fragrância para o clube. O perfumista escolhido foi Pierre Bourdon, que trabalhou juntamente a Birley para compor o perfume. Dezoito meses e 180 provas depois, o perfume foi lançado e ganhou status do mais exclusivo do mundo. Nasceu aí a ideia do nicho cult – aquele que transcende o seu conteúdo e coloca você dentro de uma tribo seleta. Na perfumaria de nicho, diversas casas baseiam suas criações em hobbies refinados como livros, vinhos, música e teatro.

Nota: Para perfumes lançados de 2015 em diante, consulte Lançamentos de Nicho.

(ordem cronológica por ano de lançamento)

MarkBirley1. Mark Birley for Men (Mark Birley, 1996). Um dos maiores precursores das fragrâncias de luxo, Mark Birley for Men foi inicialmente restrito aos membros do Annabel’s Club, um famoso clube exclusivo de Londres somente para homens. Criado por Pierre Bourdon, o perfume representa a sofisticação masculina clássica com um aroma suave e seco composto por notas de cítricos, violeta, incenso, vetiver e couro. Sutil e ao mesmo tempo marcante, Mark Birley for Men é pura classe.

17402. 1740 (Histoires de Parfums, 2000). 1740 é o ano de nascimento do escritor francês Donatien-Alphonse-François, também conhecido como Marquês de Sade. A escrita libertina de Sade inspirou uma inusitada composição com notas principais de couro, tabaco, patchouli, especiarias e immortelle – uma flor que tem aroma de açúcar queimado. Sensual e ousado, 1740 transita de uma saída quente e boozy para uma base resinosa e defumada. Um irresistível convite ao prazer, especialmente numa noite fria.

17253. 1725 (Histoires de Parfums, 2001). Este fougère aromático agrega notas de anis, alcaçuz e cítricos para reforçar o lado brilhante da lavanda, e notas de amêndoas, sândalo e baunilha para acentuar sua cremosidade. A saída é cítrica e anísica, logo dominada por uma exuberante lavanda. Na evolução, o acorde lavanda-anis se funde com uma base doce e polvorosa. Apesar de uma boa dose de baunilha, 1725 é um fougère aromático bem arredondado que não passa perto do gênero gourmand. Uma excelente interpretação do poder de sedução de Casanova, que foi a inspiração para esta fragrância.

18044. 1804 (Histoires de Parfums, 2001). Este controverso oriental floral é marcado por sua nota ácida e suculenta de abacaxi. A fruta é acompanhada de pêssego, no papel de coadjuvante, servindo de abertura para um buquê floral picante formado por notas de gardênia, lírio-do-vale, jasmim, rosa, cravo-da-índia e noz moscada. Um par de horas na evolução, 1804 ativa sua base de patchouli, sândalo, benjoim, baunilha e musk. Lindo, mas para poucos.

18285. 1828 (Histoires de Parfums, 2001). Uma homenagem a Julio Verne, 1828 é um cítrico aromático à moda antiga, com notas herbáceas bem verdes como agulhas de pinho e eucalipto. Notas picantes de pimenta, noz moscada e incenso trazem personalidade, enquanto cedro e vetiver na base mantém a composição seca e esfumaçada. O resultado é um perfume com vivacidade e sofisticação, criando uma atmosfera oceânica e natural característica dos contos de Julio Verne.

18766. 1876 (Histoires de Parfums, 2001). Desta vez o personagem é uma mulher: a dançarina e espiã Margaretha Geertruida Zelle, ou simplesmente Mata Hari. A fragrância foi baseada num acorde de rosa picante (cravo e alcarávia), cercado de notas atalcadas de íris e violeta. Uma base densa e esfumaçada consiste de gaiaco, sândalo, vetiver, baunilha e musk. O perfume da femme fatale se traduz num floral oriental com predominância de rosa e traços frutados, polvorosos e animálicos.

19697. 1969 (Histoires de Parfums, 2001). O perfume da revolução sexual é um suculento oriental especiado. 1969 abre com uma exuberante nota de pêssego aveludado, em seguida abrindo caminho para um coração floral (rosa e flores brancas) com cravo-da-índia e cardamomo. Uma base de patchouli e musk produzem um aroma de chocolate amargo com nuances de café. A combinação de rosa com esse acorde semigourmand é uma grata surpresa. Sem a “vulgaridade” de Angel, 1969 consegue ser excitante e ao mesmo tempo refinado.

Ambre1148. Ambre 114 (Histoires de Parfums, 2001). Com uma complexa fórmula de 114 ingredientes, Ambre 114 é uma das grandes referências de fragrâncias à base de âmbar. Histoires de Parfums imaginou um âmbar oriental e exótico com uma mistura de notas resinosas, incensadas e picantes, em contraste ao âmbar doce mais popular nos dias de hoje. O perfume abre herbáceo e picante com tomilho e noz moscada, evoluindo para um coração de madeiras nobres com um fundo de rosa e gerânio. Uma base de fava tonka, benjoim, baunilha e labdanum traz corpo à composição, mantendo-a firme e seca.

NoirPatchouli9. Noir Patchouli (Histoires de Parfums, 2001). Histoires de Parfums oferece um patchouli denso, escuro e intenso cercado de especiarias, couro e musk. Com uma saída picante de cardamomo e coentro, Noir Patchouli desenvolve mais profundidade por meio de um acorde de zimbro e notas florais. Atingindo o ápice de sua forma aromática, o ingrediente se recolhe na companhia de vetiver e couro, com um toque quente de baunilha e uma boa dose esfumaçada de musk.

Coze10. Cozé (Parfumerie Générale, 2002). O primeiro perfume de Pierre Guillaume foi inspirado e dedicado ao seu pai. Cozé toma como base o patchouli e reforça seu lado herbáceo com notas de cannabis, tabaco e pimenta, enquanto seu lado gourmand é acentuado com café, baunilha e chocolate. Guillaume adicionou uma nota de ébano na base para garantir um efeito escuro e sofisticado. O resultado é uma fragrância encorpada e robusta bem apropriada para os mais tradicionais.

AmbreRusse11. Ambre Russe (Parfum d’Empire, 2003)Ousado e expansivo, Ambre Russe é um dos melhores perfumes à base de âmbar da história. Abre licoroso com tons especiados de canela e coentro e vai se assentando antes de chegar a um coração herbáceo e levemente doce de chá e zimbro. Na base, uma baunilha esfumaçada com tons de incenso, bétula e tabaco toma conta da fragrância. Ambre Russe deixa um rastro seco e polvoroso de âmbar e, por ser quente e opulento, é mais indicado para o inverno ou noites amenas.

Costes12. Costes (Costes, 2004). O famoso hotel boutique parisiense encomendou sua fragrância assinatura a Olivia Giacobetti. Para criar uma atmosfera de madeira suntuosa e tecido sedoso ou aveludado, a perfumista recorreu a notas de coentro, pimenta branca, zimbro, lavanda, rosa, agulhas de pinho, madeiras escuras, incenso e musk. O resultado é um sabonete de rosas luxuoso com traços picantes e esfumaçados. A marca registrada de leveza e conforto de Giacobetti é claramente percebida.

IntrigantPatchouli13. Intrigant Patchouli (Parfumerie Générale, 2005). O patchouli é uma das matérias-primas mais versáteis da perfumaria, podendo ser trabalhadas de inúmeras formas. Pierre Guillaume optou por um patchouli escuro, polvoroso e animálico. A composição agrega notas de gengibre, sândalo, âmbar, benjoim e âmbar gris para, no final, produzir um aroma atalcado de pot-pourri. A nota de âmbar gris confere um aspecto quente, macio e salgado neste inusitado chipre amadeirado.

MuscMaori14. Musc Maori (Parfumerie Générale, 2005). Pierre Guillaume corre um certo risco ao compor um perfume com forte aroma oleoso de coco, ainda que essa nota não esteja listada. Musc Maori é um oriental vanilla que abre com um efêmero acorde de folhas verdes. Instantes depois, a composição mergulha num centro de café e flores atalcadas, para concluir com uma base encorpada e gourmand de amêndoas, cacau, âmbar, baunilha e musk. Musc Maori é certamente uma fragrância que divide opiniões.

Maroc15. Le Maroc pour Elle (Tauer, 2005). A primeira criação de Andy Tauer foi este grandioso oriental floral construído em torno do acorde jasmim-rosa. A partir de um topo aromático de mandarina e lavanda, a composição revela seu buquê floral apoiado sobre uma base de patchouli, resinas e madeiras nobres. O jasmim, com seu poder narcótico de indol, domina a fragrância, amparado por um dry-down escuro e defumado. Um pouco retrô, mas nada animálico.

LDDM16. L’Air du Desert Marocain (Tauer, 2005). Inspirado nas noites do deserto marroquino, este é um brilhante e original oriental especiado. L’Air du Desert Marocain abre com um inebriante acorde de resinas e especiarias, seguido de incenso, musgo de carvalho e baunilha. Para ampliar ainda mais sua textura, a fragrância leva notas sintéticas de Iso E Super e ambroxan. Notas delicadas de jasmim, rosa, lavanda e petitgrain são quase imperceptíveis, mas de alguma forma arredondam a composição. No dry-down, o perfume se expande, transmitindo uma sensação de bem-estar difícil de descrever.

LonestarMemories17. Lonestar Memories (Tauer, 2006). Esquisito e intrigante, Lonestar Memories é um chipre à base de couro. Sua saída é mentolada e picante com notas de gerânio, pimenta e bétula, evoluindo para um acorde defumado e animálico de couro, mirra, castoreum, tabaco, sândalo, fava tonka e labdanum. Uma nota de jasmim é bem posicionada no centro da composição para atenuar seu aspecto salgado e queimado de churrasco com borracha. Somente para quem curte orientais soturnos.

PromesseAube18. Promesse de l’Aube (MDCI, 2006). Promesse de l’Aube é um oriental floral que abre fresco e doce com pêssego, limão e mandarina, adentrando depois de alguns minutos um coração de jasmim e ylang-ylang com um fundo doce de fava tonka. A base é feita de sândalo e baunilha, proporcionando uma sensação aveludada e refinada. Com um quê nostálgico e bem feminino, Promesse de l’Aube é mais indicado para mulheres maduras. Mais uma vez MDCI prova sua competência em seguir a qualidade e estilo da antiga perfumaria francesa, usando sempre os melhores ingredientes.

InvasionBarbare19. Invasion Barbare (MDCI, 2006). Invasion Barbare é um moderno e elegante fougère oriental. Com uma saída cítrica e atalcada de toranja e folha de violeta, a composição passa a focar na nota de lavanda e especiarias (cardamomo, tomilho e gengibre). Até aí o perfume é fresco e transparente, com muita personalidade. Durante o dry-down, a base contribui com uma aura mais tradicional de patchouli, baunilha e almíscar. Invasion Barbare é discreto mas marca presença, é casual mas remete a sofisticação. Uma verdadeira obra-prima de MDCI.

BoisDOmbrie20. Bois d’Ombrie (Eau d’Italie, 2006). Inspirado nos bosques da região italiana de Úmbria em um de seus dias chuvosos, Bois d’Ombrie representa o aroma da floresta úmida. A primeira fragrância de Eau d’Italie abre denso e licoroso de calamus, cenoura, uísque e conhaque. Em seguida, o perfume mostra um coração polvoroso e balsâmico de copaíba, orris e couro. Bois d’Ombrie torna-se ainda mais escuro e quase gourmand com uma base de tabaco, patchouli, incenso, mirra e opoponax.

PaestumRose21. Paestum Rose (Eau d’Italie, 2006). Em homenagem à antiga civilização de Paestum e sua receita de fragrâncias à base de rosa, Eau d’Italie juntou à nota principal um buquê de especiarias, bálsamos e incenso. Naturalmente, sua saída é picante com notas de pimenta, coentro e artemísia, evoluindo para um coração de rosa e incenso. A nota tema é enriquecida com osmanthus e pimenta rosa, ressaltando seu lado de chá e de fruta. Paestum Rose conta com uma base seca de bálsamos, papyrus e madeiras nobres para preservar sua essência rosácea.

Aomassai22. Aomassaï (Parfumerie Générale, 2006). Um dos melhores gourmands disponíveis no mercado, Aomassaï é uma interessante composição de resinas, especiarias e ervas cobertas de caramelo e avelãs. Na saída, o perfume mostra todo seu potencial com um aroma toffee escuro e polvoroso. Um coração de alcaçuz e especiarias traz complexidade, enquanto notas de feno e vetiver equilibram a construção. Resinas e bálsamos formam uma base quente e densa, garantindo a performance.

Querelle23. Querelle (Parfumerie Générale, 2006). Inspirado no filme homônimo de Reiner Werner, Querelle é um oriental especiado com notas de incenso, mirra, vetiver, musgo de carvalho e especiarias. O perfume tem uma saída exótica de tons cítricos e picantes, rapidamente evoluindo para um acorde em desacordo. De um lado, cítricos e musgo de carvalho trazem umidade e frescor; de outro, incenso e especiarias agregam calor e fumaça. É justamente essa polaridade que torna Querelle interessante – aromático e balsâmico, confuso e intrigante.

IrisOriental24. Iris Oriental (Parfumerie Générale, 2006). A nota de íris aparece tipicamente em composições aromáticas ou florais verdes devido à sua leveza e maciez. O perfumista Pierre Guillaume, no entanto, oferece uma interpretação balsâmica e pungente da flor com notas de cardamomo, incenso, mel, madeiras nobres, baunilha e musk. Fãs de íris que buscam sua flor favorita com nova roupagem precisam provar Iris Oriental.

OmbreFauve25. L’Ombre Fauve (Parfumerie Générale, 2007). L’Ombre Fauve (ou A Sombra Escura) apresenta uma real viagem olfativa em torno do âmbar. Acompanhado de patchouli, almíscar e incenso, o ingrediente principal vai se transformando à medida em que a fragrância evolui. Começando seco como pó de giz, a composição vai incorporando a umidade e terrosidade do patchouli. Na secagem, notas de resina e musk conferem um aspecto macio e polvoroso. Apesar de exalar um quê de incenso, o âmbar é praticamente dominado por um delicioso manto de almíscar.

Cadjmere26. Cadjméré (Parfumerie Générale, 2007). Construída em torno de madeiras nobres como sândalo e pau-rosa, Cadjméré é um delicado amadeirado polvoroso. Notas de mandarina, cipreste e mirto abrem a fragrância com um aroma cítrico e herbáceo, seguido de um acorde doce e cremoso de coco, pau-rosa e sândalo. Uma base de âmbar e baunilha ressalta a substância e textura do perfume, que permanece macio e adocicado por várias horas. Cadjméré é o tipo de perfume que literalmente veste.

theunicornspell27. The Unicorn Spell (LesNez, 2006). Composto por Isabelle Doyen, The Unicorn Spell é um floral verde construído em torno da nota de violeta, com uma base de madeiras nobres. O perfume sai do clichê de perfumes atalcados que utilizam a flor de violeta em conjunto com íris, apresentando uma interpretação seca e crispy bastante incomum. Como diz o site da marca, “The Unicorn Spell é como correr atrás de um unicórnio por uma flora densa ao amanhecer”.

lantimatiere28. L’Antimatière (LesNez, 2006). Segundo a própria marca, “L’Antimatière é uma fragrância animalesca única e misteriosa que não possui notas de cabeça e sim apenas âmbar gris e musks, representando uma tinta perfumada invisível que deixa um leve rastro.” O problema é que a composição parece mesmo ser inacabada, talvez melhor aproveitada em layering com outro perfume.

LetMePlayLion29. Let Me Play the Lion (LesNez, 2006). Incenso é o foco desta composição. Let Me Play the Lion abre metálico e translúcido com uma leve dose de aldeídos, antes de adentrar um coração quente e esfumaçado de olíbano e especiarias. A combinação desse acorde com sintéticos produz um interessante efeito polarizante de fogo e gelo. Na secagem, notas de cedro e sândalo emergem e se fundem com o resto da composição. Let Me Play the Lion permanece seco e balsâmico após horas de uso.

uncrimeexotique30. Un Crime Exotique (Parfumerie Générale, 2006). Este é um aromático especiado de nuances doces e powdery. A criação de Pierre Guillaume abre com um acorde de masala chai, anis estrelado e canela. Na evolução, um centro semigourmand de chá, osmanthus, biscoito de gengibre e azevinho emerge. Un Crime Exotique deixa para trás um rastro cremoso de sândalo e baunilha.

CuirOttoman31. Cuir Ottoman (Parfum d’Empire, 2006). Uma das maiores referências de couro da perfumaria, Cuir Ottoman é uma homenagem ao erotismo e misticismo do Oriente. Com uma interpretação balsâmica e atalcada, a nota de couro perfaz uma fragrância elegante e sensual de grande impacto. O ingrediente central tem seu aspecto macio valorizado com a nota de orris e fava tonka, enquanto seu lado bruto ganha força com bálsamo tolu, olíbano, labdanum e estoraque. Cuir Ottoman equilibra eficientemente o lado sujo e bruto com o lado chique e sensual do couro.

eausuave32. Eau Suave (Parfum d’Empire, 2006). Apesar do nome que remete a colônia, Eau Suave é, na verdade, um chipre frutado feito para o público feminino. O perfume tem uma saída elegante e sensual de rosa, açafrão e coentro, anunciando um centro suculento de pêssego, framboesa e frutas vermelhas temperadas com pimenta. O dry-down fica por conta de um acorde base de patchouli, musgo de carvalho, baunilha e musk.

equistrius33. Equistrius (Parfum d’Empire, 2007). Parfum d’Empire lançou uma trilogia de perfumes inspiradas em três grandes impérios: China, Roma e Índia. Segundo a própria marca, “Equistrius é o nome de um cavalo de corrida que pertenceu ao fundador da casa, Marc-Antoine Corticchiato, simbolizando a glória do Império Romano”. O perfume conta com um topo de íris e violeta, centro de arroz e chocolate, e fundo de vetiver, sândalo, âmbar e camurça.

FougereBengale34. Fougère Bengale (Parfum d’Empire, 2007). Como o próprio nome diz, Fougère Bengale é um fougère aromático inspirado nos tigres de Bengala, que vivem numa selva permeada pelo odor de feno. A ambição aqui foi reinterpretar o gênero, adicionando ao acorde fougère clássico um acorde tabaco-mel com traços de gengibre. O perfume abre fresco e aromático com notas de lavanda, menta, chá e gengibre, para depois revelar um coração herbáceo e picante de feno, tabaco e pimenta. Fougère Bengale completa sua composição com uma base oriental de patchouli, baunilha e fava tonka.

OsmanthusInterdite35. Osmanthus Interdite (Parfum d’Empire, 2007). A pouco trabalhada nota de osmanthus – uma flor de aroma levemente aquoso e frutado que remete a damasco – é o tema deste perfume. Marc-Antoine Corticchiato coloca o ingrediente na companhia de chá e damasco para montar o topo, enquanto um suculento acorde rosa-jasmim faz o papel de coração. O aspecto alegre e bonito da fragrância é sustentado por uma base delicada de camurça e musk. Em resumo, uma composição leve e delicada para pessoas sensíveis.

CaravelleEpicee36. Caravelle Epicée (Frapin, 2007). Este multifacetado chipre especiado busca calor e picância num buquê de especiarias com tabaco, patchouli, sândalo e âmbar. Caravalle Epicée tem uma saída potente de noz moscada, coentro, pimenta e alcarávia, seguindo um caminho defumado com gaiaco, patchouli e tabaco. Na evolução, o perfume revela a assinatura da casa, um acorde boozy, com nuances amadeiradas e incensadas. Imagino que deva ter o aroma das antigas caravelas de especiarias que faziam a rota Oriente-Ocidente.

terresarment37. Terre de Sarment (Frapin, 2007). Mantendo o DNA de vinho, a famosa casa de conhaque Frapin investe num amadeirado aromático de traços balsâmicos e doces. Terre de Sarment abre com um acorde efervescente de toranja, néroli, uva e alcarávia, anunciando um centro de flor de laranjeira, amyris, noz moscada e canela. Para encerrar, a composição leva um fundo oriental de incenso, mirra e benjoim.

passionboisee38. Passion Boisée (Frapin, 2007). Adotando o gênero chipre amadeirado, Passion Boisée (“Paixão Amadeirada”) é construído em torno do acorde de musgo e madeira de carvalho, um aroma tão presente nos conhaques fabricados pela casa. A composição leva também um topo de tangerina e cravo-da-índia, e um fundo de cedro, patchouli e couro. Tudo isso é envolvido por uma marcante nota boozy de conhaque.

Botrytis39. Botrytis (Ginestet, 2008). Com mais de um século de tradição na fabricação de vinhos na região de Bordeaux, Ginestet decidiu criar sua linha de fragrâncias baseadas nos aromas de seus vinhos. Botrytis reúne notas de frutas secas, mel, uva, marmelo, biscoito de gengibre, flores brancas, carvalho e âmbar. O resultado é um floral frutado melífluo com uma atmosfera acolhedora e nostálgica. Botrytis usa ingredientes que imediatamente remetem a ocasiões especiais com pessoas queridas.

Felanilla40. Felanilla (Parfumerie Générale, 2008). O nome do perfume simboliza a junção de “felina” com “vanilla” – uma baunilha felina. Felanilla contrapõe um acorde seco e herbáceo (íris, feno, açafrão e folha de banana) a um acorde doce e cremoso (âmbar e baunilha). O contraste coloca a nota de íris em alta definição, com um efeito ao mesmo tempo seco, doce, cremoso, atalcado e picante, bem diferente do convencional. Felanilla é uma fragrância mais intimista, daquelas de fazer cheirar o pulso o tempo todo.

boisblond41. Bois Blond (Parfumerie Générale, 2008). Uma das especialidades do perfumista Pierre Guillaume são as madeiras. Para fazer uma interpretação de uma “madeira loira”, o perfumista compôs um chipre verde. A saída verde é feita de grama, trigo e gálbano, conduzindo para um coração seco de feno e cedro. Para o dry-down, a composição conta com um acorde base de tabaco branco, âmbar gris e musk.

baumedoge42. Baume du Doge (Eau d’Italie, 2008). Eau d’Italie apresenta um oriental especiado de nuances aromáticas e esfumaçadas. A partir de um acorde de cítricos (bergamota, laranja) e especiarias (cardamomo, pimenta, canela), Baume du Doge adentra uma nuvem defumada de açafrão, cedro, vetiver, mirra e elemi. Tudo isso é sustentado por uma base doce e cremosa de benjoim e baunilha.

preludiodoriente 43. Preludio d’Oriente (Cale Fragrance d’Autore, 2008). Esta pouco conhecida casa italiana conta com dois perfumes que se destacam: Preludio d’Oriente e Dolce Riso. O primeiro deles é um oriental fougère com toques de especiarias e couro. Segundo o seu próprio site, o perfume “é intrigante como os contos de As Mil e Uma Noites; místico e sedutor”. Bergamota, limão e mandarina formam o topo, artemísia, incenso e couro o coração, e patchouli, sândalo e oud a base.

dolceriso44. Dolce Riso (Cale Fragrance d’Autore, 2008). A segunda fragrância mais conhecida de Cale Fragrance d’Autore é um perfume doce e otimista, adotando o gênero aromático especiado. Dolce Riso abre energizante com limão tahiti, maçã e artemísia, Minutos depois, seu centro emerge com notas inusitadas de arroz, cereais e pimenta branca apoiado sobre uma base oriental de fava tonka, baunilha e musk.

PecheCardinal45. Péché Cardinal (MDCI, 2008). Literalmente “pecado capital” em francês, este perfume abusa de notas doces e voluptuosas para compor um aroma floral frutado. Um suculento acorde de pêssego, ameixa, coco e frutas do bosque abre a fragrância, antes de se unir a notas de tuberosa e lírio-do-vale. As notas frutadas acentuam o aspecto suculento das flores brancas, proporcionando uma imensa silagem. Péché Cardinal remete aos saudosos florais bombásticos dos anos 80.

Aziyade46. Aziyadé (Parfum d’Empire, 2008). O perfume foi inspirado no livro homônimo que conta a história do oficial francês Pierre Loti e seu envolvimento com Azyiadé, uma menina de 18 anos de um harém em Istambul. Para interpretar amor, paixão e erotismo sob uma atmosfera exótica, foram escolhidos ingredientes como romã, tâmaras, amêndoas, laranja, ameixa seca, ylang-ylang, especiarias, tabaco, incenso, patchouli, âmbar e musk. Aziyadé é um oriental especiado elegante e intoxicante.

Pulp47. Pulp (Byredo, 2008). Esta é a fragrância mais conhecida da casa e também a queridinha. O nome diz tudo – Pulp é a representação não da fruta mas da própria polpa. Com uma combinação de sintéticos, Byredo conseguiu reproduzir o caráter espesso e maduro da manga, pera, maçã, figo, maracujá e pêssego. Pulp é como se fosse a pura carne da fruta, limpa de tudo que não é doce e suculento. É um perfume controverso que para alguns pode ser enjoativo devido à sua potência e ousadia.

gypsywater48. Gypsy Water (Byredo, 2008). Este amadeirado aromático tem uma atmosfera de acampamento com sua combinação de notas amadeiradas e esfumaçadas. A estrela são as agulhas de pinho acompanhadas de cítricos, zimbro, pimenta, incenso e orris. No dry-down, Gypsy Water revela um fundo cremoso de âmbar, sândalo e baunilha, trazendo o contrapeso de acolhimento a uma fragrância que abre tão revigorante.

IncenseRose49. Incense Rosé (Tauer, 2008). Um incenso feminino e romântico é produzido por uma combinação de bálsamos e rosa. Incense Rosé abre com um aroma luminoso de rosa acompanhado de um acorde cítrico e picante (cardamomo). No coração, orris e castoreum conferem uma aura obscura e imponente. A base traz notas secas e balsâmicas de cedro, patchouli, vetiver, olíbano, ladbanum, mirra e âmbar gris. Tudo é equilibrado em perfeita harmonia, propiciando um caráter mais leve e delicado a um perfume feito à base de incenso, tipicamente pesado e escuro.

IncenseExtreme50. Incense Extrême (Tauer, 2009). Andy Tauer usou o frankincense indiano com uma alta concentração de 25% para conseguir produzir uma fragrância intensamente dedicada à nota. Notas de petitgrain, orris, cedro e âmbar foram agregadas para compor uma atmosfera quente e esfumaçada, remetendo ao olíbano natural queimado no carvão. Seco e translúcido, Incense Extrême é feito para os verdadeiros amantes de incenso.

UneRoseChyprée51. Une Rose Chyprée (Tauer, 2009). Este chipre clássico valoriza a faceta refrescante da nota de rosa com um acorde inicial de aldeídos, cítricos (bergamota, limão siciliano, tangerina), louro, canela e gerânio. Une Rose Chyprée conclui com um acorde chipre clássico de musgo de carvalho, vetiver, patchouli e labdanum, com um toque de baunilha. O resultado é feminino e retrô como um talco luxuoso. Único.

BalAfrique52. Bal d’Afrique (Byredo, 2009). Byredo criou esta fragrância inspirada na Paris do final dos anos 20, inebriada com a cultura, arte, música e dança africanas. Para tanto, foram escolhidas as notas de néroli, calêndula e cedro – todas da África. A saída é doce e herbácea com aspecto medicinal. Bal d’Afrique evolui para um coração saponáceo limpo e cremoso com tons cítricos. Na secagem, o perfume combina de forma interessante um vetiver seco e terroso com um âmbar doce e cremoso. Bal d’Afrique é um perfume de pele que transmite a sensação de um hidratante luxuoso.

Baudelaire53. Baudelaire (Byredo, 2009). Concebido em homenagem ao poeta Charles Baudelaire, amante de perfume, esta composição é intensa e misteriosa como sua inspiração. Este amadeirado especiado recorre a um otimista acorde de jacinto, zimbro e alcarávia, invocando a natureza. Durante a evolução, um acorde soturno e profundo de incenso, papyrus, couro e patchouli faz o contraponto com tons terrosos e esfumaçados. Baudelaire representa a complexidade e sofisticação de um gentleman.

LHumaniste54. L’Humaniste (Frapin, 2009). Desta vez a nota licorosa escolhida foi o gin – perfeito para compor uma fragrância aromática especiada. Com uma saída cítrica e transparente, L’Humaniste se apresenta levemente picante. Mais adiante, um coração de peônia, zimbro, tomilho e noz moscada confere uma aura quente e elegante. Na secagem, a nota alcoólica de gin aparece junto a fava tonka e musgo de carvalho. Leve e minimalista, L’Humaniste é recomendado aos homens discretos que não abrem mão da originalidade.

Manoumalia55. Manoumalia (LesNez, 2009). Tiaré, ylang-ylang e sândalo são as principais notas deste floral amadeirado. Na saída, um forte odor indólico e doce remetendo a banana denuncia a presença de um ylang-ylang natural e suculento. Durante a evolução, notas de canela e pimenta aparecem na companhia da flor de tiaré. O resultado é um aroma floral tropical e exuberante. Uma base macia e cremosa de sândalo e musk deixa uma sensação de protetor solar secando na pele.

Carillon56. Carillon pour un Ange (Tauer, 2010). O “sino para o anjo” é um macio floral verde descrito por Andy Tauer como o muguê cantando na primavera, um tributo ao tesouro natural da floresta. Depois de uma saída fresca e herbácea, Carillon pour un Ange se dedica a um buquê de lírio-do-vale, jasmim, lilás, rosa e ylang-ylang, com um fundo úmido e aquoso. A base de musgo de carvalho, âmbar gris e madeiras nobres garante uma interpretação realística e elegante do lírio-do-vale.

OrangeStar57. Orange Star (Tauer, 2010). Baseado no acorde laranja-âmbar, Orange Star é um oriental floral alegre e sensual. Notas de capim-limão, flor de laranjeira e tangerina acentuam o lado cítrico-aromático, enquanto notas de âmbar gris, fava tonka e baunilha criam um aspecto polvoroso e relaxante, quase atalcado. Um tema pouco abordado, aqui trabalho de forma primorosa.

188958. 1889 (Histoires de Parfums, 2010). Inspirado no Moulin Rouge, 1889 segue a aura burlesca e vibrante da lendária casa de shows parisiense. A composição é basicamente composta pelo acorde rosa-violeta (o mesmo do batom), além de especiarias, ameixa e almíscar. No início, o perfume exala um aroma de camarim de cabaré com penteadeiras repletas de maquiagem e spray de cabelo. Logo as notas de ameixa e canela tornam a fragrância mais interessante, especialmente com um toque de absinto no fundo. O dry-down é bem polvoroso e confortável, sem perder sensualidade.

127059. 1270 (Frapin, 2010). A fragrância assinatura da casa foi composta pela bisneta do fundador, Beatrice Cointreau. A perfumista explorou todos os aromas em torno da confecção de conhaque para chegar a esta composição densa e complexa. Uma combinação de notas frutadas, florais, ambaradas, especiadas e amadeiradas recebeu doses de mel e baunilha. Inicialmente licoroso e macio, 1270 lentamente mostra suas notas mais secas e picantes, produzindo um efeito viscoso e esfumaçado. O dry-down se resume a um inigualável aroma de couro com frutas secas.

Tubereuse360. Tubéreuse 3 l’Animale (Histoires de Parfums, 2010). Em 2010 Histoires de Parfums lançou uma série de três fragrâncias à base de tuberosa: a romântica e polvorosa Capricieuse (íris), a ingênua e frutada Virginale (cereja) e a selvagem e herbácea Animale (tabaco). Esta última se destaca por valorizar o aroma natural da flor, com as notas de tabaco e immortelle acentuando seu lado quente e seco, e as notas de néroli e ameixa reforçando seu brilho e suculência. Fãs de tuberosa não podem deixar de provar Tubéreuse 3 l’Animale.

AccordOud61. Accord Oud (Byredo, 2010). O acorde oud é aqui trabalhado em duas frentes: a defumada e escura através de notas de couro, açafrão e patchouli, e a licorosa e doce através de notas de rum, canela e frutas do bosque. Accord Oud abre boozy e picante, com um fundo incensado. Inicialmente as notas de frutas são doces e suculentas, mas acabam evoluindo para um leve aroma agridoce. Uma base de couro traz requinte e solidez à composição, que deixa um rastro inebriante no ar.

oudimmortel62. Oud Immortel (Byredo, 2010). Classificado como um chipre amadeirado, Oud Immortel é diferente do que se pode esperar de uma fragrância à base de oud. Primeiramente, ela abre com um acorde gourmand de merengue de limão, que contrasta com seu fundo terroso e úmido feito por notas de musgo de carvalho, patchouli, tabaco e papyrus. O oud é o protagonista, no entanto, cercado de incenso, cardamomo e immortelle.

mmink63. M/Mink (Byredo, 2010). Um dos perfumes mais controversos não apenas na linha Byredo mas da perfumaria de nicho como um todo é M/Mink. A composição foi inspirada na tinta (“ink”) utilizada pelos designer parisienses M/M. Assim, o diretor artístico da casa, Ben Gorham, elaborou o perfume com aspectos animálicos, minerais e marinhos com notas de aldeídos, patchouli, âmbar e incenso que pode assustar os menos preparados. Ganha pontos pela ousadia.

lacautiva64. La Cautiva (Fueguia, 2010). Este é um floral frutado gourmand com apenas três notas listadas: cassis, baunilha e musk. No entanto, dá para sentir algo como anis ou alcaçuz na saída, enquanto seu centro incorpora nuances florais para dar corpo à composição. A baunilha torna o perfume doce e viscoso como se espera de algo que agrade meninas, algo que segue a tendência moderna na perfumaria.

Xocoatl65. Xocoatl (Fueguia, 2010). Baunilha, rum e cacau são as notas principais desta fragrância concebida em homenagem à bebida asteca servida aos nobres e guerreiros. Originalmente servida sem leite e sem açúcar, a bebida era intensa e amarga, valorizando o aroma do cacau. Xocoatl segue a mesma linha, com uma combinação de notas que favorece um aspecto rico e escuro. Uma nota discreta de canela dá um toque especial, ao passo que uma base amadeirada garante um bom desempenho.

Babel66. Biblioteca de Babel (Fueguia, 2010). O nome do perfume refere-se ao conto de Jorge Luis Borges sobre uma enorme biblioteca cheia de salas que se entrecruzam, portando uma vasta coleção de livros. Biblioteca de Babel busca emular o aroma intoxicante de livros antigos mantidos impecavelmente secos. Para tanto, notas de canela, cedro, cabreúva e couro foram utilizadas, além de um toque de tuberosa e tinta. Biblioteca de Babel é uma fragrância seca, macia e sofisticada.

Humboldt67. Humboldt (Fueguia, 2010). Julian Bedel descreve esta criação como o som de um índio mordendo um maracujá brilhante por trás da névoa que seduziu o explorador prussiano Alexander von Humboldt. Sempre se limitando a registrar apenas três notas, Fueguia lista para esta composição bergamota, tangerina e maracujá. Não espere um perfume suculento, pois Humdoldt troca o néctar pelo sumo, entregando um delicado aroma refrescante e herbáceo de chá.

SundayCologne68. Sunday Cologne (Byredo, 2011). Seguindo o estilo vibrante e inovador de Yohji Homme, Sunday Cologne é um amadeirado aromático que reúne notas de bergamota, anis, cardamomo, lavanda, gerânio, vetiver, patchouli, musgo de carvalho, incenso e musk. Como o próprio nome sugere, esta é uma colônia sofisticada e poderosa, seca e refrescante. Excelente performance na pele.

BelleHelene69. La Belle Hélène (MDCI, 2011). La Belle Hélène é um glamouroso chipre frutado à base de osmanthus. A nota floral que remete ao aroma de chá e damasco é ressaltada com pera, laranja-de-sangue e mirabelle. Um coração soapy de íris, rosa e ylang-ylang acrescenta beleza e feminilidade. A fragrância fecha com uma inusitada base de âmbar, mirra e alcaçuz, além de madeiras nobres. La Belle Hélène resulta num chipre delicado, elegante e confortável, longe do lugar comum.

JardinPoete70. Jardin du Poète (Eau d’Italie, 2011). Para interpretar a fantasia de um jardim verde, o perfumista Bertrand Duchaufour não se colocou restrições. Jardin du Poète abre intensamente verde e ácido com toranja, laranja amarga e manjericão, antes de revelar um acorde central herbáceo e polvoroso de immortelle, angélica e pimenta rosa. Para deixar a composição ainda mais com cheiro de grama e terra, o perfumista compõe uma base de vetiver e cipreste, além de uma injeção de musk.

189971. 1899 (Histoires de Parfums, 2011). O tributo ao escritor americano Ernest Hemingway é um oriental fougère de traços atalcados e especiados. A partir de um topo de bergamota, zimbro e pimenta, 1899 segue com um acorde central de jasmim, íris e canela, formando uma aura soapy como uma colônia tradicional. Durante a evolução, o aroma se torna menos picante e mais cremoso graças à base de vetiver, baunilha e âmbar. Masculino e sofisticado, feito à moda antiga.

Ambrarem72. Pétroleum (Histoires de Parfums, 2011). Dentro da trilogia lançada em 2011 por Histoires de Parfums, Pétroleum representa a riqueza do elemento considerado como “ouro negro”. Para compor uma fragrância densa e escura, a casa adotou como tema principal a nota de oud. Com um topo de cítricos e aldeídos, um centro de rosa e âmbar, e uma base de patchouli, couro, musk e civet, este chipre conseguiu traduzir perfeitamente o conceito pretendido.

Rosam73. Rosam (Histoires de Parfums, 2011). Para homenagear a rainha das flores, Histoires de Parfums reuniu um buquê de diferentes variedades de rosa com a pretensão de invocar maciez e sensualidade. Para trazer complexidade e acabamento, a composição agrega também um lado refrescante de cítricos e outro quente de incenso e açafrão. A performance da fragrância é garantida por uma base sólida de patchouli, sândalo, âmbar e oud.

Ambrarem74. Ambrarem (Histoires de Parfums, 2011). O tradicional acorde âmbar é trabalhado aqui com bastante complexidade. Na saída, Ambrarem exala um tom quente e esfumaçado de pimenta rosa e elemi, antes de exibir um coração powdery de rosa branca, íris e açafrão. O corpo da composição é propiciado por um acorde resinoso de sândalo, âmbar, oud, baunilha e civet. Ambrarem deixa para trás um rastro ao mesmo tempo sensual e elegante.

Azemour75. Azemour les Orangers (Parfum d’Empire, 2011). Azemour les Orangers é um chipre verde inspirado no Marrocos, onde viveu o fundador da casa, Marc-Antoine Corticchiato. Apesar de ter um caráter natural e fresco, o perfume segue o conceito de alta concentração e intensidade do resto da linha. Na saída, a composição se dedica a uma nota de laranja suculenta, temperada com notas especiadas e frutadas. O coração tem um tom saponáceo de rosa, gerânio e néroli, enquanto a base herbácea seca e macia é formada por notas de feno, cipreste, musgo de carvalho e camurça.

Liturgie76. La Liturgie des Heures (Jovoy, 2011). Este perfume foi inspirado num monastério antigo com um aroma de incenso queimando enquanto as preces diárias são realizadas. La Liturgie des Heures (ou “A Liturgia das Horas”) é um oriental balsâmico rico em olíbano – o tipo de incenso mais mineral. Sua saída é herbácea, com uma nota marcante de cipreste. Daí pra frente, a composição se torna intensamente balsâmica e esfumaçada, com notas de labdanum, incenso e mirra. A base fica por conta de um manto de musk. La Liturgie des Heures é uma fragrância à base de incenso macia e contemporânea.

Psychedelique77. Psychédélique (Jovoy, 2011). Seguindo a assinatura oriental de Jovoy, Psychédélique (ou “Psicodélico) presta homenagem aos hippies com uma composição em torno do patchouli. Terroso e defumado, escuro e opulento, o ingrediente principal é trabalhado de um lado com notas luminosas de cítricos, gerânio e rosa, e de outro notas quentes de âmbar, labdanum e baunilha, além de uma grande injeção de musk que envolve toda a fragrância com sua maciez. O resultado é um perfume de aroma denso e úmido, canforado e achocolatado, perfeitamente em equilíbrio.

PrivateLabel78. Private Label (Jovoy, 2011). Um distinto oriental de grande silagem, Private Label tem uma saída exótica de notas pesadas como couro, vetiver e papyrus, produzindo um aroma picante, boozy e oleoso. Mais adiante, a composição se torna mais ambarada e densa com notas de labdanum, patchouli e sândalo. O perfume se torna, assim, cremoso e balsâmico, com nuances de borracha e gasolina, mas sem ser enjoativo. Private Label é profundo e meditativo, além de ter uma incrível performance.

ambrepremier79. Ambre Premier (Jovoy, 2011). Segundo o diretor artístico da casa, François Henin, “adoramos as quase infantis notas de saída que remetem a algodão doce; um perfume que deixa um rastro sensual na pele com apenas um docinho para fazê-lo ainda melhor”. Ambre Premier gira em torno do acorde âmbar, enriquecido com um topo de notas cítricas, verdes e especiadas, um coração de rosa e um fundo de patchouli e baunilha.

lenfantterrible80. L’Enfant Terrible (Jovoy, 2011). Feito para ser o perfume que representa o rapaz que todos amamos e odiamos, L’Enfant Terrible é um amadeirado especiado de nuances aromáticas e doces. Na saída, o perfume exala um acorde adstringente de noz moscada, coentro e alcarávia. Em seguida, a fragrância adentra um coração de laranja e tâmara que é sustentado por um fundo de cedro, sândalo e musk.

lesjeuxsontfaits81. Les Jeux Sont Faits (Jovoy, 2011). Les Jeux Sont Faits é um amadeirado especiado que introduz uma marcante nota de rum. O perfume abre adocicado com frutas secas, angélica e petitgrain, anunciando um coração especiado de cominho e tabaco acompanhados de um tom boozy. Tudo isso se apoia sobre uma base balsâmica de labdanum, patchouli, baunilha e sândalo.

tonkamande82. Tonkamande (Parfumerie Générale, 2011). Pierre Guillaume é bastante conhecido por suas criações gourmands. Aqui, o perfumista resolve unir as notas polvorosas e doces de fava tonka e amêndoas. Para enriquecer a composição, Tonkamande leva também aldeídos, trigo, âmbar, sândalo e baunilha. O resultado é uma fragrância que exalta as particularidades das suas notas principais, ou seja, doce, powdery e intoxicante.

Pegasus83. Pegasus (Parfums de Marly, 2011). Este fougère oriental polvoroso reúne notas de bergamota, cominho, lavanda, jasmim, heliotrópio, sândalo, âmbar e baunilha. Pegasus abre com um inebriante aroma cítrico e picante, seguindo um caminho soapy e atalcado. A base cremosa e doce de baunilha, sândalo e âmbar acrescenta sensualidade à composição. Pegasus é indicado a homens (e mulheres) que curtem perfumes como Joop Homme, Le Mâle e Pour un Homme (Caron).

Harrod84. Herod (Parfums de Marly, 2012). Uma ode ao tabaco, Herod é um amadeirado especiado com notas marcantes de canela e baunilha. Com uma potente saída açucarada de tabaco, canela e resinas, o perfume mostra logo de cara a que veio. Uma nota de osmanthus no coração cria uma sensação leve e herbácea, enquanto notas secas e amadeiradas de cipreste, vetiver e cedro trazem substância. A base contém baunilha, musk e Iso E Super, produzindo uma atmosfera tridimensional de tabaco.

Arquiste85. Aleksandr (Arquiste, 2012). Inspirado em um russo que numa manhã gelada de 1837 se prepara com uma loção de néroli e violeta e calça suas botas de couro, Aleksandr é uma composição minimalista de folha de violeta, néroli, couro e agulhas de pinho. O perfume abre com um acorde verde e soapy, com traços ozônicos. A transparência da composição ganha como oponente um couro com nuances de âmbar e baunilha. Aleksandr é discreto e elegante como o personagem homenageado.

AnimaDulcis86. Anima Dulcis (Arquiste, 2012)5. Este oriental baunilha foi inspirado no aroma picante dos corredores do convento mexicano de Jesus Maria, onde as freiras preparavam em 1965 uma receita barroca de cocoa (bebida de cacau) com especiarias exóticas. Anima Dulcis é uma fragrância bem balanceada de cacau e baunilha enriquecida com canela e pimenta, além de traços de frutas e bálsamos. O perfume não chega a ser um gourmand, pois foca mesmo na antiga bebida. Delicioso e original.

BlackSaffron87. Black Saffron (Byredo, 2012). O fundador da Byredo, Ben Gorham, foi criado na Índia e criou esta fragrância em homenagem a um dos símbolos do país – o açafrão. Abrindo com um odor cítrico de toranja e aromático de zimbro, Black Saffron aos poucos vai revelando as diversas facetas da nota principal. Framboesa, rosa e violeta compõem um acorde atalcado, levemente doce, enquanto vetiver, cashmeran e couro formam uma base seca e aveludada. Tudo em perfeito equilíbrio.

EightBob88. Eight & Bob (Eight & Bob, 2012). Mais do que o perfume em si, Eight & Bob é um excelente case de storytelling. A grife promove a história de que Albert Fouquet, filho de um aristocrata parisiense, criou este perfume nos anos 30, porém sempre recusando a comercializá-lo mesmo com a insistência de admiradores. Entre eles, estava John F. Kennedy, que supostamente apelidou o perfume de “Eight & Bob”. A grife então bolou todo um mistério em cima da tal fórmula secreta, perdida depois da morte de Fouquet num trágico acidente de carro. Agora, usando apenas o nariz, Eight & Bob é sim um bom perfume, porém apenas isso. Trata-se basicamente de uma colônia com um toque de baunilha, bem ao estilo de Fahrenheit 32 de Dior.

Speakeasy89. Speakeasy (Frapin, 2012). “Speak easy” (ou “fale baixo”) era a expressão usada nos bares durante a Lei Seca. O perfumista Marc-Antoine Corticchiato de Parfum d’Empire foi convidado pela Frapin para compor este perfume não-linear e inovador. Um aroma efervescente de limão é sentido de imediato, enquanto notas de menta e gerânio ajudam a formar o acorde de mojito. Se por um momento Speakeasy parece ser uma fragrância de verão, a impressão some à medida em que uma poderosa base de couro, tabaco, estoraque e fava tonka emerge. Na secagem, um acorde âmbar-immortelle deixa um rastro delicioso no ar.

ChyprePalatin90. Chypre Palatin (MDCI, 2012). Imponente e old school, Chypre Palatin é um chipre com lados amadeirado, floral e frutado em perfeito equilíbrio. Na saída, um odor aldeídico e vegetal (gálbano e jacinto) invoca os anos 80 com um frescor adicional proporcionado por lavanda e tangerina. Notas de ameixa e cravo-da-índia acompanham um buquê floral de rosa, gardênia, jasmim e íris que desabrocha no coração da fragrância. Para concluir, uma base defumada e animálica de couro, bálsamos, immortelle, baunilha e castoreum produz uma aura majestosa digna de divas.

cuirgaramante91. Cuir Garamante (MDCI, 2013). O tributo à nota fantasia de couro feito por MDCI Parfums está mais para uma jaqueta de couro sofisticada. O perfume abre especiado e adocicado com pimenta preta, noz moscada e açafrão, abrindo caminho para um buquê central de rosa colocadas sobre um sofá elegante de couro. A conclusão fica por conta de um acorde base de oud, papyrus, sândalo, labdanum, incenso e baunilha.

RoseKandahar92. Une Rose de Kandahar (Tauer, 2013). Inspirado na rosa do Afeganistão, rara e de excelente qualidade, Une Rose de Kandahar explora sua nota principal com profundidade usando ingredientes naturais. Inicialmente, o perfume exala um aroma frutado e amendoado de damasco e fava tonka com traços de canela. O centro da composição consiste de rosa acompanhada de uma nota brilhante de gerânio e outra escura de tabaco. Mais à frente, patchouli e vetiver conferem uma aura natural e terrosa, enquanto baunilha e âmbar gris trazem conforto e bem-estar.

NoontidePetals93. Noontide Petals (Tauer, 2013). Com Noontide Petals, o perfumista Andy Tauer faz um tributo aos antigos florais aldeídicos, que ficaram famosos com Chanel N°5 há quase cem anos. A composição retrô abre com uma explosão de aldeídos acompanhados de bergamota e gerânio, antes de desabrochar um buquê de rosa, jasmim, tuberosa e ylang-ylang. O acorde-base de vetiver, orris, patchouli, sândalo, elemi, estoraque e baunilha dá um caráter mais andrógino ao perfume.

Flowerhead94. Flowerhead (Byredo, 2014). Construído em torno da poderosa nota de tuberosa, Flowerhead é uma fragrância floral que explora o caráter verde e animálico da protagonista. Na saída, a composição é cítrica e macia com notas de limão e angélica, antes de adentrar um coração floral de tuberosa, jasmim e rosa, cercado de um acorde herbáceo. A base fica por conta de notas aveludadas como camurça, musk e âmbar gris. O resultado é um floral arejado, sutil e original. Pura elegância.

MojaveGhost95. Mojave Ghost (Byredo, 2014). Mojave Ghost é um floral extra-seco e levemente frutado. O perfume abre com ambrette e sapotilha (fruta mexicana com odor similar a pera ou maçã), para logo em seguida mostrar um acorde violeta-magnólia levemente fresco e atalcado. Notas de cedro, sândalo, musk e âmbar gris encerram a composição, que deixa um rastro limpo, suave e polvoroso. Mojave Ghost é essencialmente uma fragrância de pele, ou seja, sem muita silagem.

ArchitectsClub96. Architects Club (Arquiste, 2014). O cenário é um coquetel repleto de arquitetos reunidos numa sala totalmente revestida de madeiras escuras, couro e veludo na Londres dos anos 30. Architects Club reúne notas de zimbro, angélica, gaiaco, baunilha e âmbar para criar a fantasia desse ambiente altamente sofisticado. O resultado é uma fragrância discreta e suave que balanceia bem os aspectos defumado e adocicado, preservando as notas herbáceas de zimbro e angélica na evolução.

CorsicaFuriosa97. Corsica Furiosa (Parfum d’Empire, 2014). Agressivamente herbáceo e vegetal, Corsica Furiosa abre com um acorde adstringente e medicinal de limão tahiti, menta, gálbano e folha de tomate. No coração, notas de lentisco, feno e mel emergem, colocando o doce e o amargo em contraposição. Durante a evolução, a fragrância se equilibra, resultando num aspecto macio e elegante. Labdanum, musgo de carvalho e pimenta preta parecem ser a escolha ideal para compor a base deste chipre verde.

Gardenia98. Sotto la Luna Gardenia (Tauer, 2014). Com uma nova interpretação da nota fantasia de gardênia, o perfumista Andy Tauer elege notas que acentuam seu brilho, cremosidade e beleza. Para trazer um aspecto natural, notas verdes com traços de cogumelos frescos são adicionadas, assim como notas florais diversas. Exalando uma aura levemente polvorosa, a nota abstrata ganha uma roupagem mais escura e robusta de sândalo, fava tonka e baunilha. Sotto la Luna Gardenia é sensual e elegante na medida certa.

Galloway99. Galloway (Parfums de Marly, 2014). Elegante e com ar old school, Galloway é uma colônia com traços florais e especiados. O nome se refere a uma variedade de cavalo produzida para suportar o clima árduo das montanhas rochosas da Escócia do século XVIII. O perfume segue na mesma linha com masculinidade e versatilidade, combinando cítricos, pimenta preta, flor de laranjeira, íris, gaiaco, couro, âmbar e musk. A íris tem aqui uma faceta vegetal, contribuindo para a aura natural do perfume.

RoseFlash100. Rose Flash (Tauer, 2015). Apresentado na concentração de extrato, Rose Flash é mais uma fragrância de Andy Tauer feita com base na nota de rosa. Desta vez a rainha das flores sofre uma interpretação escura e balsâmica, cercada de notas de mel, patchouli, incenso, baunilha, âmbar gris e resinas. Rose Flash lembra orientais florais de estilo árabe com um aspecto de geleia como se as rosas tivessem sido cozidas com açúcar. Apesar disso, trata-se de um perfume contemporâneo.

Veja também: Nicho Retrô e Nicho Indie

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