Descontinuados Nacionais

Captura de tela 2015-11-16 16.17.56Assim como os perfumes estrangeiros, os nossos não estão imunes a descontinuações. Os motivos são os mesmos: rejeição do público, baixas vendas, alto custo de produção, restrições de matérias-primas… No entanto existe o fator Brasil: nossa cultura favorece as fragrâncias lançadas como teste de mercado. Ninguém tem paciência para um projeto de três anos de desenvolvimento, como é comum nas casas de fragrância na França. O método da tentativa e erro é o mais “fácil” e os consumidores se tornam cobaias, seja num ambiente controlado (focus group) ou massivamente. É claro que diversas marcas europeias e americanas fazem o mesmo, mas em escala e intensidade muito menores. Quem acompanha a perfumaria nacional há anos percebe o padrão: tiros para todos os lados e escassos best-sellers com muitos flankers. Por outro lado, nós também nutrimos uma nostalgia em relação às fragrâncias antigas e descontinuadas, aquelas que não soubemos apreciar enquanto estavam disponíveis. Rastro (original), Zíngara, Tarot, Hora Íntima, Shiraz, Tarsilia, Acqua Brasilis, Barolo, entre outros, deixaram saudades. O que todos eles tinham em comum? Eram marcantes, potentes e intensos – características que reservamos para os importados. Nesse campo, os nacionais não têm mesmo vez.

Nota: Se você souber de algum perfume faltante nesta lista, por favor envie um e-mail para contato@egoinvitro.com.br com as seguintes informações: nome, marca, ano de lançamento e notas olfativas, além de uma foto do perfume.

(ordem cronológica por ano de lançamento)

Rastro1. Rastro (Rastro, 1965). Em 1956 o artista plástico Aparício Basílio da Silva abriu sua boutique de roupas finas na Rua Augusta em São Paulo e aliou-se ao irmão e químico João Carlos para criar uma fragrância de luxo. Lançado em 1965, Rastro foi composto com base na lavanda e enriquecida com flores diversas. Além de ter sido o primeiro perfume 100% nacional, a importância de Rastro vai além, pois o produto mudou os hábitos de consumo na época. As propagandas nos jornais e revistas exploravam o apelo sexual e chocavam os mais puritanos. Hoje Rastro é vendido em farmácias Brasil afora, com o aroma praticamente “desfigurado” e sem o glamour de antes.

Eros2. Eros (O Boticário, 1982). Um dos primeiros perfumes de O Boticário, Eros foi um cítrico amadeirado com nuances florais. Discreta e inofensiva, a fragrância, por outro lado, distanciava-se do clichê das lavandas, a eterna paixão dos brasileiros. Eros apresentava notas cítricas vibrantes e amadeiradas sofisticadas, além de um acorde floral que trazia um ar contemporâneo, sem prejudicar a virilidade da composição.

MyLove3. My Love (O Boticário, 1983). Desde que foi descontinuado, este perfume já saiu em edição limitada umas três vezes, sempre na ocasião do Dia dos Namorados. O diferencial dele era ser uma lavanda especiada e adocicada (baunilha), bastante compartilhável. My Love é praticamente um fougère oriental, e possivelmente um dos motivos de as mulheres brasileiras gostarem de usar fragrâncias masculinas na linha de Le Mâle de Jean-Paul Gaultier.

Annete4. Annete (O Boticário, 1984). Concebida em homenagem à primeira filha de Miguel Krigsner, fundador da casa, Annete foi uma fragrância moderna que remetia a delicadeza e romantismo. O perfume lembra muito do clássico Anaïs Anaïs de Cacharel, tanto pela fórmula composta por um rico e delicado buquê floral, recortado por notas cítricas, como devido ao apelo idealista e barroco de seu frasco.

Zingara5. Zíngara (O Boticário, 1986). Com este nome inusitado, Zíngara era uma lavanda com algo de especial, ou melhor, especiado. Naquele tempo ainda era novidade para as brasileiras usar um perfume picante, então O Boticário tratou de fazer um meio-termo entre o fresco e o especiado. Ironicamente, Zíngara foi um dos poucos perfumes nacionais realmente originais e que acabou sendo descontinuado, provavelmente por baixo volume de vendas.

Tarot6. Tarot (Natura, 1986). Este perfume de Natura desapareceu do mapa, porém deixando lembranças agradáveis para muita gente. Hoje Tarot é um verdadeiro vintage brasileiro somente encontrado nos mercados eletrônicos. Tratava-se de um chipre clássico com potentes notas amadeiradas e herbáceas. Com uma saída aromática e pungente de cítricos, ervas finas, noz moscada, anis, lavanda e flor de laranjeira, Tarot apresentava um acorde central amargo e canforado de folha de violeta, patchouli e pimenta preta. Uma base chipre de vetiver e musgo de carvalho com almíscar finalizava a composição.

LavandaPop7. Lavanda Pop (O Boticário, 1986). A eterna paixão nacional recebeu uma versão jovial que virou febre nos colégios em todo território nacional. Lavanda Pop se aproximava dos anos 90 com uma fórmula translúcida e puritana, repleta de acordes soapy e musky ressaltando o aspecto limpo e refrescante da lavanda. Não durava muito na pele, mas era a grande sensação por uma ou duas horas, especialmente no começo das aulas.

HI8. Hora Íntima (Julie Burk, 1987). Saindo um pouco da dominação das colônias, Julie Burk introduz uma fragrância floral aldeídica com nuances frutadas. Hora Íntima abria com um acorde soapy de aldeídos, néroli, pera e pêssego, antes de revelar um buquê de rosa, jasmim e lírio-do-vale. A base era composta por notas de vetiver, sândalo e musk. O perfume foi concebido para ser discreto e fino, para mulheres elegantes. Não espere grande silagem à la Poison ou Amarige.

goldie9. Goldie (O Boticário, 1987)Não encontrei qualquer informação sobre esta fragrância. Se alguém puder me enviar uma curta descrição sobre a fragrância, favor preencher no campo comentários. Obrigado.

Innamorata10. Innamorata (O Boticário, 1988). O eterno e romântico floral com traços frutados de O Boticário encantou as moças da geração anterior em todo o país. Jovial e otimista, a composição partia de um topo de camomila e notas frutadas, atingindo seu clímax com um buquê soapy e cintilante de jasmim, gardênia, lírio-do-vale, tuberosa e magnólia. Uma base de sândalo e musk cumpria com o papel de sustentar o aroma limpo e suave de flores tão delicadas.

Exubérance11. Exubérance (O Boticário, 1988). Exubérance foi um floral oriental à base de aldeídos, cassis, ameixa, tuberosa, cravo (flor), incenso e mel, além de uma base de musgo de carvalho, couro, madeiras nobres e um leve toque de baunilha. Em certos momentos da evolução, o perfume remetia a Parfum de Peau (Montana) com sua aura feminina e envolvente. Não confundir com o recente flanker Glamour Exubérance.

Sienna12. Siena (O Boticário, 1988). Siena foi um floral buquê discreto, construído sobre uma estrutura de colônia. Abrindo com uma nota metálica e cintilante de folha de violeta, o perfume caminhava para um feminino buquê de rosa e jasmim. A base era seca e amadeirada, com traços de musgo de carvalho e musk.

Dreams13. Dreams (O Boticário, 1991). Parecido com Eternity de Calvin Klein, lançado três anos antes, Dreams era um floral verde com um toque metálico e ozônico. A proposta da composição era de limpeza e pureza, com notas verdes e florais aquosas, propiciando um efeito arejado e refrescante. Uma fragrância gostosa e fácil de agradar.

NorthWind14. North Wind (O Boticário, 1991). Concebido para o público jovem e masculino do Brasil, North Wind foi um fougère com traços de patchouli e especiarias quentes bem ao estilo de Polo de Ralph Lauren. Inicialmente, a fragrância mostrava um duelo entre um acorde gelado de lavanda e gerânio e outro quente com âmbar e coentro. Mais à frente, notas de vetiver e patchouli equilibravam a composição, tornando-a mais séria e confortável.

Athena15. Athena (O Boticário, 1991). Athena foi inspirado no clássico moderno Boucheron de Boucheron. Sua estrutura consistia basicamente de um topo aldeídico, cítrico e herbáceo, passando por um inebriante centro de flores brancas, e finalizando com uma base de resinas e bálsamos. A ideia era produzir um efeito dramático entre o fresco e o quente.

Yang16. Yang (O Boticário, 1991). Este antigo amadeirado aromático consistia de um topo refrescante de bergamota, lavanda e cipreste, um centro gelado-quente de lavanda e cravo (flor), e uma base seca e canforada de musgo de carvalho, patchouli, sândalo, vetiver e musk. Yang deixava para trás um rastro florestal e masculino.

Affinit17. Affinity (O Boticário, 1992). Um ano depois do lançamento de Animale, a casa de fragrâncias brasileiras lançou o seu equivalente: um chipre floral e aldeídico com notas marcantes de jasmim, pimenta e musgo de carvalho. Affinity fazia parte da linha Living Flowers, que também consistia de Athena, Ravel, Kalanit, Dreams e Exubérance. Assim como sua fonte de inspiração, o perfume saiu de linha e de moda.

Kalanit18. Kalanit (O Boticário, 1992). Pouco tempo depois do lançamento do infame Amarige de Givenchy, O Boticário lança Kalanit, um floral “meia-bomba” feito à base de flores brancas. A fragrância lembrava muito do importado, especialmente na saída, porém perdia seu impacto na evolução. Hoje, poucos se lembram que Kalanit algum dia existiu.

Ravel19. Ravel (O Boticário, 1992). Potente e dramático, Ravel foi introduzido numa novela das 7 da Globo. O perfume abria cítrico e herbáceo (calêndula, folha de pimenta e violeta), anunciando um exuberante buquê de rosa, jasmim e ylang-ylang, recortado de notas de frutas lactônicas. A base ficava por conta de um acorde escuro e terroso de patchouli e musk.

Boticário anforas20. Malítzia (O Boticário, 1992). Malítzia pegava carona no estilo floral bomba de Giorgio, lançado pelo designer americano Giorgio Beverly Hills em 1981. Assim, a colônia era formada por um enorme buquê de flores brancas (gardênia, jasmim, flor de laranjeira, lírio-do-vale e tuberosa), além de nuances herbáceas e amadeiradas de musgo de carvalho, cedro e sândalo.

Desirée21. Desirée (O Boticário, 1992). Não encontrei qualquer informação sobre esta fragrância. Se alguém puder me enviar uma curta descrição sobre a fragrância, favor preencher no campo comentários. Obrigado.

Boti22. Boti (O Boticário, 1992). Segundo o próprio O Boticário, “Boti é um personagem da história que levará as crianças a descobrirem a natureza preservando o meio ambiente”. A casa fez o lançamento da Linha Infantil Boti, com direito a sabonete, xampu e fragrância sem álcool.

Shiraz23. Shiraz (Natura, 1993). Com inspiração no icônico Feminité du Bois, lançado um ano antes pela Shiseido, este foi o primeiro perfume opulento feito no Brasil. Acostumados com águas de cheiro e fragrâncias frescas, os brasileiros tiveram finalmente acesso à uma composição balsâmica e especiada bem elaborada pela Natura. Classificado como um chipre frutado, Shiraz trazia notas marcantes de ameixa, pêssego, rosa, jasmim, canela, cravo-da-índia, noz moscada, sândalo, patchouli, cedro, musgo de carvalho e baunilha. Foi descontinuado, relançado e descontinuado novamente.

Lavande24. Lavande (O Boticário, 1994). Mais uma interpretação da lavanda por O Boticário, Lavande não ficou muito tempo no mercado e hoje é completamente esquecido.

Crazy25. Crazy Feelings (Boticário, 1994). Feita para ser feminina e sensual, esta colônia abria com um acorde luminoso de mandarina e flor de laranjeira. Na evolução, um buquê de rosa, cravo e lírio-do-vale emergia com elegância, deixando um rastro amadeirado de vetiver, patchouli e musk. Nada de muito “crazy”, mas ainda assim bom.

Oopss26. Oopss (O Boticário, 1995). Bem ao estilo do ícone moderno da perfumaria Classique de Jean-Paul Gaultier, Oopss de O Boticário era construído em torno de um acorde de flor de laranjeira e rosa, com toques suaves e refrescantes de íris e gerânio. Notas de bergamota e coentro “temperavam” a composição, enquanto uma base encorpada de sândalo, patchouli, fava tonka, âmbar, baunilha e musk deixava para trás um rastro feminino, discreto e elegante.

Felicita27. Felicité (O Boticário, 1996). Aproveitando-se do sucesso inesperado de Angel de Thierry Mugler, introduzido em 1992, Felicité foi lançado poucos anos depois por O Boticário com sua fórmula que remetia ao algodão doce da infância. Detalhe: Angel fazia e ainda faz sucesso por causa de sua potente base de óleo de patchouli concentrado a 30%, além da molécula de caramelo sintético, mas Felicité nunca chegou perto.

Frenètic28. Frenètic (O Boticário, 1996). Este leve chipre de O Boticário abria com um acorde refrescante e adocicado de cítricos, damasco, pêssego e lírio-do-vale. Em seguida, Frenètic fazia emergir um centro de violeta, jasmim e patchouli, antes de concluir com um dry-down de musgo de carvalho, labdanum, couro e musk.

Elysée29. Elysée (O Boticário, 1996). Antes de O Boticário relançá-lo com um dos maiores plágios publicitários da história da perfumaria (frasco, anúncio e composição muito similares a Elie Saab Le Parfum), Elysée já foi um simpático floral que chamava muita atenção pelo seu frasco inusitado. O design foi feito pelo grande mestre Pierre Dinand da Saint Gobain, em forma de elipse e com vidro fosqueado.

Exsultate30. Exsultate (Natura, 1996). Este sofisticado eau de toilette de Natura foi lançado em 1996. Exsultate era um floral fresco que equilibrava um acorde cítrico-aromático com um buquê limpo e atalcado. Com uma concentração de EDT, este era um perfume muito apreciado, mas com um preço bem acima do normal para o mercado brasileiro.

OneOfUs31. One of Us (O Boticário, 1997). Similar a Chrome de Azzaro, One of Us foi um aromático cítrico e aquático que chamava atenção pela sua válvula de spray, que era deslocada para a esquerda. Mas apenas por isso.

Lights32. Lights (O Boticário, 1998). Com a mesma vibe de Contradiction de Calvin Klein, lançado no mesmo ano, Lights era um floral musky com um buquê macio (pêonia, lilás, flores frescas) e uma base polvorosa (fava tonka, sândalo, musk), além de um toque frutado de amora e canforado de eucalipto.

beaflower33. Be A Flower (O Boticário, 1998). Be A Flower adotou o gênero floral frutado gourmand. A partir de um topo de bergamota, ameixa, coentro e algas marinhas, a fragrância seguia com um acorde central refrescante e atalcado de rosa, gerânio, lírio-do-vale e heliotrópio. Finalmente, Be A Flower concluía com sândalo, âmbar, baunilha e musk.

MaChérie34. Ma Chérie (O Boticário, 1998). Limão, lavanda e almíscar sintético: esta era a estrutura básica de notas de Ma Chérie. Acima de tudo macia e delicada, a fragrância mostrava um toque adocicado de âmbar, compondo um aroma puro e inocente, perfeito para crianças e adolescentes. O Boticário chegou a lançar o flanker Ma Chérie Jeans, com notas marcantes de laranja e gengibre. Uma pena que foi descontinuado, pois Ma Chérie deixa muita saudade.

Intuição35. Intuição (Natura, 1998). Intuição foi uma verdadeira bomba floral que exalava a metros de distância e fixava por um dia todo. Sem cítricos, o perfume abria diretamente com um cintilante topo de frésia, narciso, osmanthus, flor de laranjeira e lírio-do-vale. Na sequência, Intuição desabrochava um intoxicante buquê de gardênia, mimosa, peônia e íris aromatizado com damasco. Tudo isso era sustentado por uma sensual base amadeirada e musky. O resultado é um talco adocicado e luxuoso.

Choices36. Choices (O Boticário, 1999). Feito para meninas adolescentes, Choices foi um energizante floral frutado. Com uma saída de laranja e cassis, a fragrância apresentava um buquê de jasmim, lírio-do-vale e rosa. Na secagem, a base de vetiver e musk ficava mais evidente, garantindo o frescor da composição por algumas horas.

Vert37. Vert (O Boticário, 1999). Como deixa claro o próprio nome, Vert foi uma colônia herbácea, leve e fresca, feita para ser usada como splash (dar banho mesmo). Seu topo era formado por bergamota, folha de cassis, sálvia e camomila, seu coração por lavanda e gerânio, e sua base por musgo de carvalho, vetiver e musk. Foi relançado depois com outros nomes, mas se perdeu entre tantas edições.

Musk38. Musk (O Boticário, 1999). Musk foi uma colônia à base de almíscar sintético, feita para produzir uma sensação de limpeza e maciez quase tátil. Na saída, a fragrância exalava um acorde vibrante de bergamota, menta, chá, folhas verdes e maçã. Minutos depois, sentíamos um aroma polvoroso de peônia, osmanthus, íris e violeta. Finalmente, Musk finalizava como um talco (ou maquiagem) sedoso e reconfortante.

CarpeDiem39. Carpe Diem (O Boticário, 2000). Para celebrar a alegria de viver no presente, O Boticário lançou o par de fragrâncias Carpe Diem feminino e masculino. O primeiro foi um floral verde que combina notas cítricas, pera, gengibre, madressilva, cíclame, sândalo e musk (remete a Tommy Girl). Já o segundo foi um aromático fougère com notas cítricas, lavanda, gerânio, violeta, menta, gengibre, cardamomo, noz moscada, sândalo e musk (remete a Polo Sport). Cheiro de juventude!

.com40. femme.com e homme.com (O Boticário, 2000). Abraçando a tecnologia digital, O Boticário lançou em 2006 um par de fragrâncias inspiradas na internet. femme.com foi um floral frutado macio, constituído de notas de folha de cassis, ameixa, peônia, flor de laranjeira e ylang-ylang, além de um toque polvoroso de baunilha e musk. homme.com foi um aromático floral atalcado feito à base de notas polvorosas, herbáceas, especiadas e aquáticas, apoiado sobre uma base amadeirada e esfumaçada.

Hoje41. Hoje (Natura, 2000). Esta fragrância foi um suave fougère, quase floral. Partindo de um topo de cítricos, menta e ervas finas, Hoje revelava um centro de chá, cardamomo, violeta e jasmim, num meio termo entre masculino e feminino. Na secagem, um acorde seco e polvoroso de cedro, sândalo, baunilha e musk completava a composição com elegância e discrição.

Forum42. Forum (Tufi Duek, 2000). Multifacetado e complexo, esta fragrância de Tufi Duek foi um floral frutado. Na saída, seu aroma era cítrico e aldeídico, logo seguindo para um coração de coco, pêssego, frésia e flor de Lótus. Até então Forum aparentava ser um perfume fresco e tropical, praticamente remetendo a detergente, porém ele mergulhava de cabeça numa base de madeiras nobres, couro, baunilha e muito musk. Apesar de ter sido descontinuada, esta fragrância ainda pode ser encontrada em mercados eletrônicos.

Tarsila43. Tarsila (O Boticário, 2002). Concebido em homenagem a uma de nossas maiores artistas do Modernismo, Tarsila do Amaral, este perfume foi lançado em conjunto com Portinari, porém com um destino trágico. Descontinuada, a fragrância sintetizava a ousadia e talento da pintora com notas de pera, nectarina, cacto, acácia (mimosa), hibisco, peônia e orquídea, apoiadas sobre uma base esfumaçada e ambarada. Lembra muito de J’Adore de Dior. Existiu também a versão Tarsila Rouge, incrementada com pimenta preta e cashmeran.

SummerTime44. Summer Time (O Boticário, 2002). Este floral buquê leve e veranil foi feito à base de bergamota, tuberosa, ylang-ylang, incenso, cravo-da-índia, copaíba, baunilha e musk. O interessante é que, apesar de ter sido feito para altas temperaturas, Summer Time incorporou traços orientais em sua base, dando um charme especial à fragrância.

Lhotse45. Lhotse (O Boticário, 2003). Batizado com o nome de uma montanha tibetana, a quarta mais alta do mundo, Lhotse foi um refrescante amadeirado especiado. A composição contava com um topo cítrico e mentolado, evoluindo para um buquê especiado de gengibre, cardamomo, pimenta, noz moscada, gerânio e frésia. Lhotse finalizava com uma base de patchouli e musk.

Fleur46. Fleur (O Boticário, 2003). Este floral musky, hoje relançado dentro da linha Acqua, foi uma fragrância macia construída em torno do acorde rosa-violeta (aquele do batom), recortado de notas florais aquosas e apoiado sobre uma base de almíscar sintético. Temperado com notas cítricas e especiadas, Fleur era um floral leve e inofensivo.

Classic47. Classic (O Boticário, 2003). Classic seguia o estilo dos chipres masculinos dos anos 80 com uma aura seca e picante. Abrindo com bergamota, néroli e folhas verdes, a composição revelava um buquê de especiarias (coentro, artemísia, cardamomo). A finalização ficava por conta de um acorde amadeirado e musky.

SweetMoments48. Sweet Moments (O Boticário, 2003). Difícil de identificar a família olfativa desta criação, visto que ela incorpora notas frutadas, verdes, especiadas, florais, balsâmicas e amadeiradas. Abrindo adocicado e suculento com um acorde de bergamota, toranja, limão, folhas verdes, damasco e pêssego, Sweet Moments apresentava um coração floral picante de coentro, noz moscada, lavanda, frésia e jasmim. Por fim, o perfume finalizava com uma base de gaiaco, sândalo, baunilha e musk.

AcquaBrasilis49. Acqua Brasilis (O Boticário, 2005). Primeiro a boa notícia: finalmente um cítrico inovador e original. A má: foi descontinuado. Além das notas de limão siciliano e tahiti, laranja, mandarina e bergamota, Acqua Brasilis incorporava um acorde verde e folhoso de manjericão, figo, osmanthus e jacinto, altamente refrescante. Para finalizar, uma base de sândalo, âmbar e musk propiciava apenas uma leve textura seca e adocicada, sem afetar muito a essência do perfume.

Rhea50. Rhea (O Boticário, 2005). Pegando carona no sucesso inesperado de Coco Mademoiselle (um rascunho que acabou dando certo), Rhea foi um chipre moderno com topo frutado e especiado (pimenta rosa e açafrão), centro floral e incensado (rosa, íris, violeta e noz moscada), e base cremosa e polvorosa (patchouli, âmbar, baunilha e musk). Apenas lembrava Coco Mademoiselle, principalmente na saída, mas depois desaparecia na pele.

atmos51. Atmos (Natura, 2005). Seguindo um caminho floral amadeirado musky, Atmos tinha nuances cítricas e vanílicas. O perfume era basicamente uma colônia docinha e repleta de almíscar sintético, lembrando um pouco de CK One. Seu topo era formado por bergamota, toranja e grama, seu corpo por menta, lírio-do-vale e cardamomo, e seu fundo por sândalo, baunilha e musk. Bem compartilhável.

AcquaVervain52. Vervain (O Boticário, 2005). Esta vibrante colônia à base de verbena (similar ao nosso capim-limão) equilibrava notas cítricas e herbáceas para prolongar a sensação de frescor depois do banho. Para não interferir muito no aroma central da fragrância, ao mesmo tempo propiciando certa longevidade na pele, Vervain levava uma discreta base de almíscar sintético.

VetiverBrasil53. Vetiver do Brasil (O Boticário, 2006). Com as melhores das intenções, O Boticário tentou valorizar este ingrediente que é um dos mais importantes e complexos da perfumaria. Na forma de um amadeirado aromático, Vetiver do Brasil explorava o tema principal com um topo aromático de cítricos e ervas finas e um centro esfumaçado de cardamomo, gaiaco e cashmeran, finalizando com uma base chipre amadeirada.

Royalty54. Royalty (O Boticário, 2007). Este floral de aura cítrica e adocicada incorporava notas fantasias modernas como frésia (praticamente um morango), orquídea (quase um chocolate) e musk (algo entre cedro e incenso), além de um toque de laranja e baunilha. O resultado era um perfume doce e polvoroso, leve e inofensivo, com um certo brilho e elegância. Dizem ser parecido com Crystal Noir de Versace, desconsiderando a nota de coco.

Linked55. Linked He e She (O Boticário, 2008). Com um aspecto cítrico e musky em comum, Linked He e She foram introduzidos com frascos modernos, sugerindo conectividade e modernismo. A versão masculina combinava notas cítricas, aquáticas, florais frescas e almíscares sintéticos. Já a versão feminina era um floral frutado com frutas tropicais, flores atalcadas, caramelo e musk. Ambos medianos e inofensivos.

XYZ56. XYZ (Natura, 2008). Em 2008, a Natura lançou um estojo para a linha Faces contendo três frascos de colônia com 20 ml cada, um com cada letra. X era um cítrico à base de bergamota e mandarina, Y era um frutado à base de pêssego e frésia, e Z era um floral fresco à base de ervas finas e jasmim. As três fragrâncias podiam ser combinadas para criar o seu próprio perfume. Um conceito interessante, mas que não evoluiu.

AmorAmerica57. Amor América (Natura, 2008). Como um eco do sucesso televisivo da novela América, a Natura lançou em 2008 o par de fragrâncias compartilháveis Amor Paramelo e Amor Palo Santo, ambas inspiradas no poema de Pablo Neruda. Paramela era construído em torno da nota de madeira paramela, com foco em notas frescas, atalcadas e melífluas. Já Palo Santo partia para um clima mais escuro e esfumaçado, com um buquê de flores recortado de incenso e âmbar.

FlorattaDesc58. Floratta Emotion, Lilac, Emerald, Ruby, Sapphire, Rose Belle e Rose Amour (O Boticário, 2008). Floratta é uma linha de O Boticário que foi descontinuada pela metade. Tudo que vendeu pouco, foi tirado de mercado. É o caso dos flankers Floratta Emotion (pimenta rosa e frutas vermelhas), Floratta Lilac (frésia, orquídea e cassis), Floratta Emerald (limão tahiti, gardênia e folhas verdes), Floratta Ruby (acácia, rosa e amêndoas), Floratta Sapphire (íris, jacinto e heliotrópio), Floratta Rose Belle (rosa, lichia e pimenta preta) e Floratta Rose Amour (flor de laranjeira, rosa, jasmim, âmbar e fava tonka).

Barolo59. Barolo (O Boticário, 2009). Com um frasco similar ao de Malbec, este perfume foi praticamente um flanker do best-seller, focado mais no contraste entre o fresco e o doce, com uma leve vibe de gloss labial. Para tanto, a composição contrapunha notas ácidas, secas e especiadas (cítricos, ruibarbo, carambola, gerânio, vetiver, cedro, açafrão, pimenta) a notas doces, viscosas e boozy (marmelada, figo, groselha, vinho, âmbar, patchouli, chocolate). O aspecto de vinho era delicioso, mas durava pouco.

sitar60. Sitar (O Boticário, 2009). Como a maioria dos perfumes inspirados no Oriente, Sitar de O Boticário não resistiu à baixa demanda e acabou sendo retirado de mercado. No entanto, o perfume às vezes retorna como edição limitada. Trata-se de um oriental floral com topo refrescante de bergamota, laranja, bambu e ameixa, coração luminoso de gardênia, flor de laranjeira e jasmin-manga, e fundo balsâmico de cedro, sândalo, baunilha, âmbar e musk.

thatyconfeti61. Thaty Confeti (O Boticário, 2010). A versão Confeti do clássico Thaty foi uma tentativa de seguir a tendência dos frutados gourmands, mas logo saiu de cena. Com praticamente nada a ver com o original, Thaty Confeti abre com toranja, maçã, framboesa e maracujá, anunciando um coração de rosa, jasmim, violeta e mimosa. O perfume finaliza com um acorde base de vetiver, sândalo, baunilha e musk.

TaniaAdora62. Tania Adora (Tania Bulhões, 2010). Em 2010, Tania Bulhões trouxe para o Brasil o conceito de colônias da casa inglesa Jo Malone. Tratava-se de uma linha de fragrâncias leves, focadas em uma nota ou acorde, podendo ser combinadas entre si, conforme a vontade do usuário. Para focar na perfumaria de ambientes, a marca resolveu descontinuar seus perfumes de uso pessoal. O mais saudoso é Flor de Minas, um refrescante chipre clássico à base de jasmim, ylang-ylang e rosa.

AccordesLumière63. Accordes Lumière e Celebrare (O Boticário, 2011). Depois do sucesso de Accordes, O Boticário lançou os flankers Lumière Silver, Lumière Gold e Celebrare. O primeiro foi um floral oriental com topo cítrico e frutado, centro floral aquoso e base ambarada e musky. O segundo foi um floral frutado com topo de bergamota, cassis, framboesa, pera e pêssego, centro de frésia, rosa e violeta, e base de patchouli e musk. Já Celebrare era uma versão mais ambarada que ficou pouco no mercado (tinha um preço diferenciado).

SExcès64. S. Excès (Eudora, 2012). S. Excès Homme ganha muitos pontos por ser o primeiro perfume nacional feito à base de oud, porém também perde muitos por ser tão sintético, com um aspecto plástico. Além de oud, a composição leva notas de couro, incenso e musk, criando uma atmosfera sofisticada e ao mesmo tempo sensual (o que é uma das grandes qualidades do oud). O resultado é macio e agradável, porém um pouco monótono por ter uma estrutura química e tão simples. A versão Femme é mais floral, enquanto a versão Homme é mais defumada.

jardindesroses65. Jardin de Roses (Mahogany, 2012). Mahogany raramente tira um perfume do mercado, mas este delicioso floral frutado já não figura mais em seu site. Com uma nota marcante de champagne, Jardin de Roses abre com laranja, mandarina, cassis e notas verdes. Minutos depois, um coração de rosa, jasmim, lírio-do-vale, frutas vermelhas e pêssego emerge. A base fica por conta de cedro, sândalo e musk.

amazoniaviva66. Preciosa, Madeiras e Floresta (Amazonia Viva, 2013). O trio de amadeirados ficou pouco tempo no mercado, mas o suficiente para ter gerado uma legião de fãs. Preciosa reúne notas florais brancas de lírio, gardênia e jasmim, Madeiras foca no vetiver com estoraque, e Floresta traz um buquê de rosa e jasmim sobre uma base de patchouli e copaíba.

Belle67. Belle (Le Lis Blanc, 2014). Oferecida em concentração eau de parfum e com preço altíssimo devido à carga tributária para este tipo de fragrância (R$240 em 2015), Belle é um moderno floral verde. Com uma saída cítrica e efervescente que remete ao ar mediterrâneo, a composição revela um buquê de rosa e flores frescas, temperadas com ervas finas. Para manter seu aspecto leve e transparente, Belle toma como base uma boa dose de musk.

Veja também: Descontinuados Importados e Descontinuados de Nicho

268 pensamentos sobre “Descontinuados Nacionais

  1. O perfume Athena bate qualquer importado. Simplesmente odeio o Boticário…. Tiram Athena, Femme.com, Lights, Rhea, Zingara para comercializar Florattas horríveis e perfumes doces que dão ânsia de vômito e enxaqueca.

  2. Olá bom dia eu queria saber se só eu conheçi o perfume Dea da natura pois é um classico dos anos noventa e não consigo achar nem o vidro!!!!!

    • Todo mundo falava do Aura…Eu não os conheci mas na época do Orkut um pessoal encontrou as duas perfumistas responsáveis por fazerem os perfumes da Lim & Cia, cuja loja ficava na Rua da Móoca, se não me falha a memória ( tenho anotado, de todo modo, inclusive o nome delas). Elas disseram que a empresa faliu e que não havia mais como fazê-los mas, pense, se elas faziam, tem a fórmula, então…talvez problemas de matéria-prima mesmo.

  3. Sobre o Goldie, cuja foto não é essa por sinal, esse perfume aí com tampa de madeira é o Curitiba 300 anos, feito em homenagem à cidade que leva seu nome. Tenho o perfume, o frasco é lindo e ele tem um aroma herbal.
    Já o Goldie, como solicitado, segue:
    De acordo com o catálogo do Boticário, a descrição do perfume era: ‘Extremamente requintada, esta fragrância reúne notas frutais, flor de laranjeira, jasmim e gerânio com nuances de cravo e canela, com fundo de musgo de carvalho e almíscar.”
    O Goldie foi a melhor “cópia” do Poison da Dior, pense no Poison macio, doce e arredondado, sem aldeídos gritantes, nada datado. O aroma era de óleo de absinto, simplesmente perfeito.

  4. Para quem quer continuar usando os Oopss e o Vert de O Boticário, fica a informação: Oopss! agora está inserida na linha Intense vidro laranja e o Vert na linha Nativa Spa na fragrância Limão e Patchouli, que eu amo e complemento usando inclusive o sabonete liquido e seiva hidratante.

    • Bom saber! Percebo que isso acontece muito, determinadas fragrâncias voltam com nomes diferentes; se não forem as mesmas,costumam ser bem parecidas! Na Avon acontece muito…

    • Eu tive o Exultate e foi muito marcante p mim; já senti o Flor do Luar e não achei parecido…depende do olfato porém percebo que as marcas de perfumes tendem ter algo parecido na maioria dos seus perfumes, por exemplo a própria Natura, muitas fragrâncias se parecem, assim como Boticário , Avon…na minha opinião…

  5. Oi Daniel Barros adorei seu post, gostaria muito de saber se vc ou alguem que foi apaixonado pelo perfume exsultate da natura, sabe de algum perfume importado ou até nacional parecido com exsultate, se tiver algum importado para mim seria melhor, pois não moro mais no Brasil, será que existe, esse perfume é inesquecivel para mim, obrigada.

  6. Quotidiano da Natura também era muito bom. Pena que não existe mais no mercado. Intuição natura relançou no mercado por um tempo e depois tirou novamente. Uma pena!

  7. Boa tarde meninas!!
    Temos de fazer uma campanha, #voltabatonscelebrareboticario; esta linha de maquiagem e batons são maravilhosos! Já usei e sempre mando e-mails para o Boticário voltar com a linha “mas uma andorinha não faz verão”; por isso meninas vamos solicitar de todas as amigas para entrar nesta campanha “enchendo” o saco do Boticário, assim seremos atendidas!!
    Beijos meninas e conto com vocês!!

    Ana Célia Goulart.

  8. Bom dia! Saberia me informar um perfume similar ao primeiro Essencial da Natura? Aquele da tampa verde-água, fina dos anos 90. Nunca mais achei nada parecido…

    • Nossa, eu também amava o Linked. Sempre pesquiso na net menções a ele, para ver se descubro algum outro com cheiro similar, mas até hoje nada. Se alguém descobrir favor avisar.

  9. Queria muitooooo que retornasse a colônia tarot.
    Acho uma lástima a retirada do mercado.
    Já enviei inúmeras solicitacoes de retorno desta colônia, assim como outras mil consumidoras. Tem até reclamação registrada no reclame aqui, sem sucesso.
    Será que já que natura não tem interesse em produzir, não permitiria a produção por outra empresa?

  10. Deveria trazer e volta os perfumes Ravel,exuberante fragancias muito marcante e masculino barolo tantos outros São tantos que se voltasse pelo menos um de cada vez era maravilhoso.

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