Principais Designers

Fashion-Designing-Courses-1Até o início do século XX, perfume era território exclusivo das casas de fragrâncias como Coty e Guerlain. Surgiu então o estilista Paul Poiret com a ideia de empregar um perfumista, liderando sob a marca Parfums de Rosine a criação de 50 fragrâncias entre 1910 e 1925. Poiret abriu caminho para novos estilistas que vieram em seguida – Coco Chanel, Jeanne Lanvin, Jean Patou, Robert Piguet, entre outros. O estilista era, afinal, a pessoa mais qualificada para entender as necessidades de uma mulher – de seus vestidos às suas joias – e o perfume passaria a ser, a partir daí, uma das peças mais glamourosas do look feminino. Inicialmente criadas como forma de presentear clientes, as fragrâncias começaram a ser vendidas tão logo designers notaram que poderiam fazer mais dinheiro dessa forma do que com seus vestidos – ironicamente, hoje sabemos que são justamente os perfumes que subsidiam as coleções de prêt-à-porter e haute couture. Consumidores que não podem pagar por uma roupa podem ao menos comprar um perfume. O vínculo entre perfumaria e estilistas nunca se rompeu, embora a maioria tenha licenciado suas grifes e terceirizado a confecção de suas fragrâncias. As exceções são Chanel, Hermès e o grupo LVMH (Dior, Givenchy, Kenzo, etc).

(ordem alfabética)

ArmaniArmani. Nascido na Itália em 1934, Giorgio Armani é considerado o estilista mais bem-sucedido daquele país, particularmente na moda masculina. Depois de trabalhar na seção masculina de uma loja de departamentos, ganhou interesse pela moda e foi trabalhar para Nino Cerutti. Durante muitos anos Armani trabalhou como free-lancer para diversas casas italianas até fundar sua própria grife em 1975. É considerado um gênio do marketing por ter compreendido a indústria da moda a fundo e criado a estratégia de segmentação de marcas (Armani Junior, Armani Jeans, Armani Exchange, Emporio Armani e Armani Privé). Sua entrada na perfumaria ocorreu em 1982 por meio de uma parceria com a L’Oréal. Depois de lançar suas fragrâncias assinaturas (chipres), Armani lançou o floral aquático Acqua di Giò na versão masculina e feminina – um dos perfumes mais vendidos do mundo. A partir de 1998 o foco de Armani passou a ser o público jovem e seus perfumes se tornaram doces e picantes: Sensi, Mania, Attitude, Code, Diamonds, Idole e Sì. Em 2004 a grife lançou sua linha de perfumes exclusiva Armani Privé, vendida somente em lojas de departamentos de luxo.

AzzaroAzzaro. Nascido na Tunísia porém de pais sicilianos, Loris Azzaro (1933-2003) mudou-se para Paris nos anos 60 para lá estabelecer sua grife de roupas e perfumes. Azzaro obteve grande aceitação da elite parisiense e ficou famoso por seus vestidos de festa glamourosos. Suas criações eram conhecidas pelos ornamentos de pedras e correntes costuradas sobre o tecido. A primeira fragrância da grife foi Azzaro Couture, lançado em 1975, um chipre feminino hoje descontinuado. Três anos depois surgiu Azzaro pour Homme, um fougère à base de couro que se tornaria uma das maiores referências de fragrância clássica masculina da história. Nos anos 80 Azzaro lançou Azzaro 9, um exuberante floral, e Acteur, um chipre de couro masculino – ambos também descontinuados. Na década seguinte foi a vez de Oh La La, um distinto oriental especiado, Chrome, um viril aromático cítrico, e Azzura, um licoroso floral frutado. Nos anos 2000 as fragrâncias se tornaram picantes e sensuais como Visit, Onyx, Silver Black e Now. Mais recentemente Azzaro tem focado em perfumes mais doces e lúdicos como Elixir, Twin, Club, Duo e Decibel, ao gosto da nova geração.

BurberryBurberry. A casa britânica foi inaugurada em 1856 por Thomas Burberry (1835-1926), um aprendiz de tecelagem, na época com apenas 21 anos. A grife sempre esteve envolvida com o governo e a família real da Inglaterra de trajes e cerimoniais a guerras e expedições. A famosa estampa xadrez e casaco de gabardine (trench coat) são as marcas da Burberry e estão entre os modelos mais copiados da história. Sua primeira fragrância, Burberrys, surgiu em 1981 e se tratava de um distinto oriental amadeirado para homens. Nos anos 90 a Burberry ousou com três criações frutadas para mulheres – Burberry Women, Touch e Weekend – e suas respectivas versões mais frescas e “musky” para homens. Na década de 2000 a casa decidiu revestir os frascos com seu tecido axadrezado e lançou Brit e London, focando no tema oriental. Na virada da década surgiram Beat, Sport e Body, todas fragrâncias leves e macias. Mantendo seu estilo olfativo, os últimos lançamentos de Burberry foram Brit Rhythm for Men (oriental amadeirado) e Brit Rhythm for Women (floral almiscarado), além de My Burberry (floral frutado).                   

CalvinKleinCalvin Klein. A grife americana fundada em 1968 pelo designer americano é o símbolo da moda de massa e do marketing visual. Klein foi criado no Bronx e estudou moda na High School of Art & Design. Seu reconhecimento veio nos anos 70 com a apresentação de sua coleção na New York Fashion Week. Calvin Klein passou a ser conhecido pelo seu estilo minimalista e clássico. Criou a febre dos jeans ao colocar seu logo no bolso e do underwear ao explorar o corpo musculoso de modelos masculinos. Seus primeiros perfumes foram Calvin Klein (chipre aldeídico) e Calvin (amadeirado aromático). Quem chamou mesmo atenção foi Obsession, um oriental especiado, lançado nos anos 80. Entre 1988 e 1998 Calvin Klein ajudou a compor a tendência dos perfumes puros e translúcidos como Eternity e Escape, além dos icônicos CK One e CK Be – fragrâncias unissex feitas para a nova geração metrossexual e que se tornaram recordista de flankers. Em seguida Calvin Klein começou a variar os estilos, de floral a oriental, porém mantendo sempre a sua assinatura musky macia e limpa em perfumes como Contradiction, Truth, Euphoria, Man, Free, Beauty, Encounter, Downtown e Reveal. 

HerreraCarolina Herrera. Estrela do jet-set global e amiga de grandes celebridades, a estilista venezuela Carolina Herrera foi considerada nos anos 80 uma das mulheres mais bem vestidas do mundo e se tornou ícone de elegância. Em 1988 a marca de fragrâncias espanhola Puig licenciou a marca Carolina Herrera e desde 2011 o comando da grife tem sido transferido para sua filha, perfumista, também chamada Carolina. Seu primeiro perfume, Carolina Herrera, foi um floral tuberosa animálico. Alguns anos depois lançou a versão masculina, um fougère picante. Depois de uma série de flankers, a marca tomou um rumo totalmente distinto, focando na juventude e no urbanismo com a linha 212 (prefixo de Manhattan). As fragrâncias 212 eram repletas de musk, com nuances de flores, frutas e especiarias, ganhando popularidade ao redor do mundo, em especial no Brasil. Logo foram lançados os flankers Sexy com aroma sensual de baunilha (“você quer ser desejado?”) e VIP com aroma sofisticado de bebida (“você está na lista?”). Em seguida surgiram a linha Chic com foco na feminilidade (floral) e masculinidade (amadeirado picante), e CH com foco em notas gourmands.

CaronCaron. A casa de fragrâncias francesa foi fundada por Ernest Daltroff em 1904. Sem qualquer formação na área, Daltroff contava com uma grande paixão por perfumes e um excelente olfato e acabou construindo uma das mais inovadoras e admiradas casas de perfume do século XX. Sua primeira criação, Narcisse Noir, foi lançada em 1911 e depois imortalizada no filme “Crepúsculo dos Deuses”. Em seguida vieram N’Aimez Que Moi – presente frequente dos soldados a suas mulheres durante a I Guerra – e Tabac Blond – dedicado às mulheres que ousavam fumar em público. Nas próximas décadas Caron firmou seu estilo nos florientais ou chipres picantes como Acaciosa, Bellodgia, Narcisse Blanc, Nuit de Noël, En Avion e Fleur de Rocaille. Em 1934 surgiu seu primeiro masculino, Pour un Homme – um inovador fougère oriental. Com exceção de Poivre (1954), nenhum lançamento significativo ocorreu antes de Yatagan (1978) – um oriental animálico. Nos anos 80 e 90 Caron manteve a tradição dos florais opulentos para mulheres (Nocturnes, Parfum Sacré e Aimez-Moi) e aromáticos picantes para homens (Le Troisième Homme, L’Anarchiste e Impact). Sua última fragrância foi Yuzu Man (2011).

ChanelChanel. Filha de caixeiro viajante e lavadeira, Gabrielle Chanel (1883-1971) perdeu sua mãe aos 12 anos e foi deixada pelo pai num orfanato de freiras. Depois tornou-se costureira e teve um romance com Boy Capel, um inglês rico e culto que a ajudou nos negócios. Dentre suas contribuições mais importantes estão o “pretinho básico” (típico de funerais ou serviçais), o look andrógino (calças compridas e cabelo curto) e a introdução do matelassê e jersey. Na década de 20 teve seu encontro com o perfumista Ernest Beaux, que concebeu diversas fragrâncias no estilo fresco, limpo e polvoroso como Bois des Îles, Gardénia e No. 5. Entre 1955 e 1974 Chanel lançou Pour Monsieur, No. 19 e Cristalle, sempre mantendo o estilo fresco e refinado. A mudança veio na década seguinte com o lançamento de Coco e Antaeus, ambos opulentos e animálicos. Suas fragrâncias a partir da década de 90 seguiram uma aura mais doce e macia, ao gosto contemporâneo, como Egoïste, Allure, Coco Mademoiselle, Chance e Bleu, e todos os seus flankers. Em 2007 seus clássicos antigos como Cuir de Russie, Sycomore e Eau de Cologne e novas criações foram reunidos na coleção Les Exclusifs, vendida nas lojas da Chanel.

DiorDior. Fundada pelo designer francês Christian Dior (1905-1957), é uma das mais tradicionais grifes de perfume para o mercado de massa. Dior foi o primeiro estilista a ter a ideia de expandir sua marca para produtos além da alta-costura, propiciando aos menos favorecidos acesso à sua atmosfera de luxo. A moda de Dior era focada no universo feminino, tendo contribuído para um ar mais descontraído, principalmente com o lançamento do New Look 1947 e sua cintura fina e saia ampla. A primeira fragrância Dior foi o Miss Dior (1947), feito em homenagem à sua irmã Catherine. Inicialmente Dior focou no estilo chipre e fresco e lançou obras-primas como Miss Dior, Diorama, Diorling, Eau Fraîche, Diorissimo, Eau Sauvage e Diorella. Nos anos 80 o foco mudou para o estilo oriental e opulento com Poison (e flankers), Fahrenheit, Addict, Dior Homme, Dolce Vita, Jules, Dune e o novo Miss Dior. A exceção é J’Adore, o floral-frutado que deu início a um novo gênero e se tornou o terceiro perfume mais vendido do mundo. A grife conta ainda com a coleção de cítricos chamada Cruise Collection e sua linha exclusiva La Collection Privée, disponível apenas nas lojas da Dior ao redor do mundo.

D&GDolce & Gabbana. A grife italiana foi fundada por Domenico Dolce e Stefano Gabbana. Os dois designers se conheceram em 1980 e cinco anos depois  inauguraram a marca conjunta. Com forte influência da cultura italiana (especialmente siciliana), tiveram comerciais dirigidos por Giuseppe Tornatore e com trilha sonora de Ennio Morricone. Dolce & Gabbana é conhecida pelas estampas de peles animais e também pela lingerie usada como roupa. Na perfumaria, seus criações assinatura surgiram em 1992 (Femme, floral aldeídico) e 1994 (Homme, fougère), com grande aceitação do público e hoje clássicos. Em seguida lançaram By Dolce & Gabbana, em ambas versões mostrando um estilo oriental musky inovador para a época porém hoje descontinuados. Nos anos 2000 a grife apresentou Light Blue, uma composição cítrica musky, além de Sicily e The One, novamente abordando o tema oriental. Entre 2009 e 2012 nove fragrâncias foram lançadas formando a coleção Anthology, cada uma representando uma carta do tarô. Seu mais recente lançamento é Dolce, um floral aquático feminino. Nos últimos anos Dolce & Gabbana tem focado em flankers de seus perfumes assinatura, Light Blue e The One.

GivenchyGivenchy. Hubert de Givenchy nasceu em 1927 e, após ter trabalhado para Robert Piguet e com Christian Dior e Pierre Balmain, fundou em 1952 sua própria grife. Logo em seguida conheceu Audrey Hepburn, que se tornaria a “cara” da Givenchy e estrelaria em 1958 a primeira propaganda de perfume envolvendo uma celebridade: o L’Interdit. Givenchy é conhecido por ter criado a “silhueta saco” e encurtado a saia para liberar os movimentos. Em 1988 Hubert de Givenchy se aposentou e vendeu sua marca ao grupo LVMH. Os perfumes da Givenchy têm um DNA ousado, apostando na exuberância das flores e sensualidade das especiarias. A grife abusou dos aldeídos e flores brancas para criar ícones como L’Interdit, Givenchy III, Ysatis, Amarige, Organza e Organza Indécence. A grande mudança veio em 2000, quando a ênfase passou para o doce e picante com Hot Couture, Very Irrésistible e Ange ou Démon, e em 2010, para os chipres e frescos com Dahlia Noir e Eaudemoiselle. A linha masculina começou com foco no patchouli e musgo de carvalho com Monsieur de Givenchy, Gentleman e Xeryus, indo para os doces e especiados como Insensé, Xeryus Rouge, Pi e Very Irrésistible for Men nos anos 90, e mais recentemente focando nos frescos como Play e Gentlemen Only.

GucciGucci. A grife italiana foi fundada por Guccio Gucci em 1921. Gucci costumava se hospedar no hotel Savoy em Londres e um dia retornou à Itália com a ideia de unir a expertise dos artesãos florentinos à elegância máxima dos homens de negócios ingleses. Seus produtos à base de couro com tema equestre se tornaram muito populares e depois Gucci começou a usar outros materiais como cânhamo, juta e linho, renovando totalmente sua identidade visual. Nas décadas de 70 e 80 Gucci lançou suas primeiras fragrâncias Gucci No. 1, Gucci Pour Homme, Gucci 3, Gucci Nobile e L’Arte di Gucci, todos chipres clássicos. Entre 1995 e 2005 a grife passou a explorar outras possibilidades em termos de frasco e conteúdo, como a inclusão de notas frutadas e novos sintéticos em Accenti, Envy, Envy for Men, Rush, Rush for Men, Gucci Eau de Parfum II e Envy Me. Os anos seguintes foram dedicados a perfumes sensuais e picantes como Gucci pour Homme II, Gucci by Gucci e Guilty – os dois últimos nas versões masculina e feminina. Nos últimos anos Gucci lançou também os florais frescos Flora, Première e Bamboo, além de diversos flankers dos bestsellers Gucci by Gucci e Guilty.

GuerlainGuerlain. A legendária casa de fragrâncias francesa foi fundada em 1828 por Pierre-François Pascal Guerlain e se tornou a maior referência de confecção de perfumes no mundo. Sua reputação sem precedentes se deve ao extremo cuidado com os ingredientes, ao luxo de seus frascos Lalique e Baccarat e à inovação por meio de novos sintéticos. A fama da Guerlain começou com sua primeira criação, Eau de Cologne Impériale, que abriu as portas da corte real francesa. Em 1889 o filho do fundador, Aimé, compôs Jicky, o primeiro perfume moderno ao incorporar a cumarina sintética. A ele é também atribuída a criação do acorde guerlinade (herbáceo-polvoroso), que se tornaria o DNA da casa. Com a morte de Pierre-François, Jacques Guerlain assumiu o comando e foi responsável por diversas obras-primas como L’Heure Bleue, Mitsouko, Shalimar e Vol de Nuit – sempre mantendo a aura herbácea e polvorosa. Com o falecimento de Jacques em 1963, seu neto Jean-Paul herdou a companhia e decidiu aumentar a ousadia e exuberância das notas florais, cítricas e amadeiradas. Foi responsável pela criação de diversos perfumes icônicos como Vétiver, Samsara, Derby, Habit Rouge, Chamade e Nahéma, ficando conhecido pelo poderoso efeito na secagem (drydown) de suas composições. Em 1994 a Guerlain foi vendida ao Grupo LVMH e em 2008 o suiço Thierry Wasser foi nomeado perfumista-chefe da casa, com a missão de modernizar o portfólio. Wasser criou Guerlain Homme, L’Instant, Idylle, La Petite Robe Noire, Insolence, L’Homme Idéal e Santal Royal, entre outros. Nos últimos 15 anos a Guerlain tem trabalhado continuamente em suas coleções Aqua Allegoria, L’Art et la Matière, Les Elixirs Charnels, Les Voyages Olfactifs e Les Déserts d’Orient.

HermèsHermès. Fundada em 1837 por Thierry Hermès (1801-1878), nasceu como selaria e depois evoluiu para fabricante de artigos de couro. Nos anos 20 a Hermès lançou sua coleção de lenços com motivos de cavalos, que se tornaram o símbolo da grife. Atualmente cerca de 50% das vendas da Hermès concentram-se em artigos de couro e lenços. A marca inspira tradição (a logomarca mostra uma charrete) e enfatiza a produção artesanal à moda antiga, com praticamente todos seus produtos feitos à mão na França. Na perfumaria, a Hermès começou nos anos 50 com criações figurativas, ou seja, à base de couro como Eau d’Hermès e Doblis. Entre 1960 e 1980 o estilo evoluiu para chipres e frescos como Calèche, Amazone e Eau d’Orange Verte. Nas décadas seguintes os chipres e amadeirados dominaram com 24 Faubourg, Parfum d’Hermès, Rouge, Équipage, Bel Ami e Rocabar. A grande ruptura veio nos anos 2000 com a contratação de Jean-Claude Ellena. O perfumista trouxe um estilo fresco, unissex e em forma de coleções como Un Jardin, Les Eaux, Eau des Merveilles e a exclusiva Hermessence (vendida apenas nas lojas Hermès). Ellena criou também best-sellers como Terre, Kelly Calèche, Voyage e Jour d’Hermès – sempre mantendo a aura de frescor e elegância.                                                                                                                                                                       
IsseyMiyakeIssey Miyake. Nascido em Hiroshima em 1938, o designer japonês testemunhou e sobreviveu à bomba atômica durante a II Guerra Mundial. Estudou design gráfico na Tama Art University em Tóquio e depois mudou-se para Paris e Nova York para trabalhar com Guy Laroche e Geoffrey Beene. Quando retornou ao Japão em 1970, abriu seu próprio estúdio, dedicado a roupas femininas de alto padrão. Sempre interessado em tecnologia, Miyake começou a experimentar novos métodos de plissagem que fossem ao mesmo tempo confortáveis para o usuário como também otimizados para a produção industrial. Sua primeira fragrância, L’Eau d’Issey, foi lançada em 1992 e se tornou precursor da tendência dos aquáticos e um dos perfumes mais bem-sucedidos da história. Em 1998 Issey Miyake lançou o controverso Le Feu d’Issey, um oriental lactônico hoje descontinuado. Firmando a assinatura de frescor e leveza, em 2004 a marca apresentou L’Eau Bleue d’Issey (amadeirado aromático) e, em 2009, A Scent (floral verde). Issey Miyake é um verdadeiro case de sucesso em matéria de flankers, já que basicamente se apoia em três composições para perfazer um portfólio de 68 fragrâncias.                                                                                                                          
GaultierJean-Paul Gaultier. O designer francês nasceu em 1952 e nunca estudou moda. Autodidata, começou sua carreira aos 17 anos enviando croquis a estilistas da época como Pierre Cardin e Jean Patou, que o ajudaram a começar sua carreira. Aos poucos ficou conhecido como o enfant terrible ao fazer praticamente de tudo, sem limites. Introduziu saias para homens nos anos 80 e criou o figurino para a turnê de Madonna na década seguinte. Seu primeiro perfume, Classique, surgiu em 1993 com seu frasco no formato do busto feminino e inspirado num sutiã em formato cônico. A versão masculina, Le Mâle, surgiu dois anos depois no formato do torso de um marinheiro, inspirado no filme “Querelle”. Ambas composições, um oriental floral e um fougère baunilha, incorporavam o máximo da feminilidade e virilidade, gerando inúmero flankers e tornando-se um dos perfumes mais vendidos do mundo. Entre 1999 e 2011 lançou Fragile (floral tuberosa), Gaultier2 (baunilha musky), Ma Dame (rosa licorosa) e Kokorico (cacau amadeirado). Além da personalidade aguda de suas criações, Gaultier também é conhecido pelos frascos e embalagens ousadas, que vão de latas a mulheres protegidas por uma redoma de vidro.
                                                                  
KenzoKenzo. O designer japonês Kenzo Takada nasceu em 1939 e adquiriu seu gosto pela moda ao ler as revistas de sua irmã. Em 1958 iniciou seus estudos de moda na Bunka Fashion College em Tóquio e mudou-se para Paris ao se formar. Ganhou fama nos anos 70 quando introduziu o tema da selva em suas coleções, que incluiu uma aparição dramática de um elefante. Seu estilo é uma fusão do oriente com ocidente, com cores vibrantes, visionário e atemporal. Sua obra perfumística segue a aura de suas roupas: a mistura de notas ocidentais e orientais e a materialização de uma visão poética. Seu primeiro lançamento, Ça Sent Beau de 1988, foi um floral buquê. A primeira metade da década seguinte foi marcada pelos frescos Kenzo pour Homme e Parfum d’Été, e a segunda pela picante linha Jungle. A fragrância que se tornou símbolo da grife foi o floriental abstrato Flower by Kenzo de 2000, que gerou grande repercussão. Em 2003 a grife lançou Kenzo Air à base de vetiver e anis, em 2006 Kenzo Amour, uma exótica composição de arroz, baunilha e jasmim-manga, e em 2008 Kenzo Power, um ousado floral masculino.                                                                                                                                                                                                                                                

LaliqueLalique. René Lalique (1860-1945) desenvolveu precocemente o interesse pela arte antes de se tornar um dos maiores ceramistas e joalheiros da história. Lalique começou como artista freelancer para casas como Cartier e Boucheron. Eventualmente Lalique mudou o foco para artigos de vidro, obtendo ainda mais sucesso graças à parceria com François Coty – na época defensor do frasco de luxo. A expertise de Lalique no processo de manufatura propiciou a fabricação de frascos luxuosos em larga escala por um custo viável. O mesmo conceito depois foi extendido a outras casas como Guerlain, Worth, D’Orsay e Molinard. Em 1992 a neta do fundador decidiu lançar sua própria linha de fragrâncias. Desde o princípio suas composições foram inovadoras, a exemplo de Lalique Femme (floriental frutado) e Nilang (aquático gourmand). O tema floral picante se repetiu em Eau de Lalique, Flora Bella e Perles, em paralelo ao tema polvoroso em Le Baiser, Amethyst, Fleur de Cristal, Satine e Le Parfum. No lado masculino, os perfumes da Lalique se mantém no gênero amadeirado ou aromático especiado como Lalique pour Homme (Leo, Equus, Faune), White, Encre Noire e Hommage à l’Homme.

LanvinLanvin. Fundada em 1889 por Jeanne Lanvin (1867-1946), foi uma das primeiras grifes de moda a ter sua própria linha de fragrâncias. A designer começou como costureira e modista de chapéus em Paris e sua entrada no mundo da moda se deu com a grande repercussão dos conjuntos mãe-filha. Seu maior feito, contudo, foi a abertura de Lanvin Parfums em 1924, apresentando My Sin, um floral aldeídico com nuances animálicas. Três anos depois, Arpège, outro floral aldeídico, foi lançado com inspiração nos arpeggios das aulas de piano de sua filha. Na década seguinte Lanvin lançou dois chipres de couro icônicos: Scandal e Rumeur. Com o falecimento de Madame Lanvin em 1946 e a posse de Marguérite, houve um hiato de duas décadas na produção de perfumes. Entre 1964 e 1971 foram lançados os orientais Crescendo e Monsieur Lanvin, além do floral aldeídico Via Lanvin. Com a aquisição da marca pela L’Oréal nos anos 90, a identidade olfativa de Lanvin mudou completamente para fragrâncias frescas e macias como L’Homme, L’Homme Sport, Oxygène, Rumeur (reformulado), Éclat d’Arpège, Arpège pour Homme, Lanvin Me, Vetyver, Marry Me e Avant Garde.

PacoRabannePaco Rabanne. O estilista nasceu em Pasaia, Espanha em 1934. Com a morte de seu pai, coronel nas forças republicanas, fugiu para Paris com sua mãe, costureira da casa Balenciaga. Excêntrico e rebelde, Rabanne foi estudar moda e começou confeccionando acessórios para Nina Ricci, Givenchy e Pierre Cardin. Sua grande fama veio em 1966 com seus vestidos feitos de placas de ródio, impossíveis de usar. Em 1969 assinou uma parceria com a casa de fragrâncias Puig e lançou Calandre, um floral metálico, inspirado no radiador de um carro. Nas três décadas seguintes seus perfumes focaram no estilo chipre (Métal, La Nuit e Paco) e fougère (Paco Rabanne pour Homme, Ténéré e XS). Paco Rabanne pour Homme se tornou um sucesso de vendas e até hoje é considerado referência do gênero fougère. Nos anos 2000 Rabanne passou a lançar perfumes doces, sem abandonar o tema do metal, como Ultraviolet, Black XS e 1 Million, todos nas versões masculina e feminina, e seguidos de diversos flankers. 1 Million, com sua ousada campanha publicitária, conquistou os jovens e se tornou um dos perfumes mais vendidos do planeta. Por último, em 2013, lançou uma fragrância aquática masculina – Invictus.

RochasRochas. Fundada em 1925 pelo estilista francês Marcel Rochas (1902-1955), a grife é mais conhecida por ter criado o casaco com dois terços de comprimento, a saia com bolsos e o vestido “sereia”. A divisão de cosméticos e fragrâncias fez tanto sucesso que Rochas decidiu fechar a divisão de haute couture em 1953, pouco antes de falecer. Com a aquisição pela Procter & Gample em 2003 e a contratação do designer Olivier Theyskens, a casa foi totalmente renovada e aclamada pela crítica, tendo como clientes grandes celebridades de Hollywood. A primeira grande fragrância de Rochas foi Femme, lançada em 1943 durante a II Guerra Mundial – um exuberante chipre frutado e picante em homenagem à mulher. Seu contraponto veio em 1948 com Moustache – um fougère melílfluo e floral. Na década de 60 Rochas apresentou Madame Rochas (floral aldeídico) e Monsieur Rochas (fougère oriental). Duas décadas depois o foco continuou sendo a ênfase da feminilidade e virilidade com os chipres Mystère, Macassar e Byzance. A grande transformação ocorreu nos anos 90, quando Rochas seguiu um caminho à base de baunilha com Tocade (rosa), Alchimie (notas polvorosas) e Rochas Man (café).

ThierryMugler

Thierry Mugler. Nasceu em Strasbourg, França em 1948 e desde criança era apaixonado por desenho. Estudou dança e design de interiores e aos 24 anos mudou-se para Paris, onde começou a trabalhar para designers de moda. Seu estilo era moderno e urbano com um corte preciso e estruturado. Durante os anos 80 ganhou reconhecimento como estilista, mas no início da década seguinte estava à beira da falência. Em 1992 Mugler resolveu apostar em fragrâncias e convidou perfumistas para criar um perfume que simbolisasse sua infância. O resultado foi Angel e seu aroma andrógino resultante de uma combinação incomum de patchouli e caramelo com um acorde floral-frutado. Em 1996 Mugler lançou A*Men, o equivalente masculino de Angel, e em 2001 Mugler Cologne, um cítrico unissex que foi totalmente na contramão do gourmand. Finalmente com o controverso Angel bem aceito pelo mercado, a grife lança em 2005 Alien, um oriental amadeirado. Durante toda a década de 2000 o foco foram flankers de Angel, A*Men e Alien. O último grande lançamento de Mugler foi Womanity em 2010, uma controversa composição lactônica e salgada com o tema de figo.

TomFord

Tom Ford. O designer americano nasceu em 1961 no Texas e é formado em arquitetura e especialista em comerciais. Teve seu primeiro contato com o mundo da moda trabalhando para Chloé e depois Perry Ellis. Tendo perdido fé na moda americana, buscou designers europeus e acabou sendo contratado pela Gucci (na época à beira da falência) em 1990. Depois de grande ascenção e exposição na Gucci, decidiu sedespedir da grife em 2004, deixando-a com um valor de 10 bilhões de dólares. Trabalhou para Yves Saint Laurent durante um curto período e foi responsável pelos comerciais cheios de nudez de Opium e M7 – um estilo que traria para sua marca que fundaria em seguida. Em 2009 Ford estreou como diretor de cinema com o elogiado “Direito de Amar”. Em 2005 formou parceria com Estée Lauder e iniciou sua própria linha de fragrâncias. Suas composições são heterogêneas, sem seguir um único estilo e utilizam notas clássicas com uma textura moderna como em Noir, Grey Vetiver, Violet Blonde, White Patchouli e Sahara Noir. A maior parte de sua obra perfumística está, no entando, concentrada na coleção Private Blend, vendida apenas em lojas de departamento selecionadas.     

Versace

Versace. A grife foi fundada pelo italiano Gianni Versace (1946-1997), um estilista influenciado pelos trabalhos de sua mãe que era costureira. Estudou arquitetura e mudou-se para Milão aos 26 anos para se tornar designer de moda. Suas primeiras coleções foram apresentadas nos anos 70 e sua primeira loja foi aberta em 1978. Com o assassinato de Gianni em 1997, sua irmã Donnatella assumiu o posto de diretora artística e seu irmão Santo de CEO. A marca registrada da grife, além da influência da arte greco-romana, é o erotismo. Suas primeiras fragrâncias foram Gianni Versace (1981) e Versace L’Homme (1986), dois chipres à moda dos anos 80. Na década seguinte as criações ficaram mais doces e picantes, dedicadas às novas marcas Versace Jeans e Versace Versus, além de Dreamer, um fougère oriental floral masculino. Com exceção de Versace Man (amadeirado picante), a partir de 1990 Versace se concentrou nos perfumes mais frescos e delicados como Versace Woman, Eau Fraîche, Pour Femme, Pour Homme, Versense, Bright Crystal e Versus. Seus últimos lançamentos foram Eros e Eros pour Femme, mantendo o estilo aromático musky para homens e floral musky para mulheres.

YSLYves Saint Laurent. Nascido na Argélia e de família francesa, Yves Saint Laurent (1936-2008) mudou-se para Paris aos 18 anos e conheceu seu futuro mentor – Christian Dior. Com a morte deste, Saint Laurent assumiu precocemente aos 21 anos a frente da casa Dior, inicialmente sendo alvo de críticas para depois ser aclamado. Em 1960, depois de ter sido convocado pelo exército francês, sofrido um colapso nervoso e demitido pela Dior, decidiu fundar sua própria grife. Entre suas grandes contribuições, Saint Laurent inventou o smoking feminino, colocou modelos negras na passarela e democratizou a moda com seu prêt-à-porter. Na perfumaria, seus grandes ícones foram concebidos entre 1964 e 1988, com foco na delicadeza (Y e Rive Gauche), ousadia (Opium e Kouros) e elegância (Paris e Jazz). Na década de 2000 o tema foi o corpo, com fragrâncias como Body Kouros, Nu e M7 (e seu emblemático anúncio com um modelo nu). Em seguida a grife lançou L’Homme, um amadeirado especiado que daria início a uma longa série de flankers masculinos. No lado feminino, a tendência passou para os perfumes mais doces ou florais delicados como Cinéma, Parisienne, Baby Doll, Elle, Saharienne e Manifesto. 

FrancesesOutros designers franceses. A França tem sido o maior contribuinte para o mundo dos perfumes desde que criou, ao final da II Guerra, o sindicato da haute couture, que por sua vez colocou como requisito que o “couturier” tivesse sua linha própria linha de fragrâncias. Nina Ricci foi marcada num primeiro momento pelo ícone do pós-guerra, L’Air du Temps (floral picante), mas a partir de 2000 (quando foi adquirida pela Puig) passou a focar no público feminino adolescente com composições frutadas e gourmands. Inventora do conceito pret-à-porter, Chloé lançou em 1977 seu perfume assinatura (floral tuberosa) para nos anos 2000 adotar um estilo romântico. Emanuel Ungaro apresentou em 1977 seu perfume assinatura (oriental floral) e em 1983 Diva (chipre animálico). Cacharel introduziu Anaïs Anaïs (referência de floral buquê) em 1978, seguido dos ícones LouLou, Eden e Noa. Conhecido por seu exagero, Lacroix lançou em 1990 C’est La Vie (oriental floral) e em 2005 Tumulte versão masculina (amadeirado ) e feminina (floral). Lolita Lempicka se inspirou no best-seller Angel para criar em 1997 sua fragrância assinatura com notas inovadoras de alcaçuz e anis.

ItalianosOutros designers italianos. O estilista das celebridades Valentino lançou sua primeira fragrância assinatura (floral verde) em 1978, porém sem ter uma linha de muita expressão até os últimos sucessos Valentina e Valentino Uomo. A rainha da caxemira Laura Biagiotti ficou famosa nos anos 80 com sua fragrância assinatura (floral aldeídico) e Roma (oriental especiado). A centenária fabricante de artigos de couro Trussardi apresentou suas fragrâncias assinatura em 1983 (chipre couro) e 1984 (chipre floral). Famosa por sua bolsa “baguete”, Fendi começou na década de 80 com Fendi Donna (chipre floral) e Fendi Uomo (amadeirado especiado), seguidos de sucessos como Asja, Theorema, Palazzo e, mais recentemente, Fan di Fendi. O designer Moschino é conhecido pela sua estética lúdica e colorida e lançou sua fragrância assinatura (floral oriental) em 1987, porém é mais lembrado por suas composições mais leves e frescas como Cheap & Chic I Love Love, Funny e Forever. Prada entrou na perfumaria apenas na década de 2000 e introduziu diversos best-sellers de aspecto polvoroso como Prada Amber e Infusion, ambos nas versões masculina e feminina.

InglesesOutros designers ingleses. Da tradicional sofisticação à mais ousada sensualidade, os estilistas ingleses também marcaram sua presença na perfumaria de massa. O mais antigo deles, Dunhill, especializou-se na moda masculina, além de cigarros, e lançou sua primeira fragrância em 1934 – Dunhill for Men (amadeirado aromático) – além dos fougères oitentistas Edition e Blend 30. Ícone do movimento punk nos anos 70, Vivienne Westwood é conhecida por Boudoir (chipre floral) de 1998 e Let It Rock (oriental amadeirado) de 2007. A marca de lingerie Agent Provocateur tem, desde 2000, apresentado fragrâncias sensuais e polvorosas como Agent Provocateur, Strip, Maîtresse e Fatale. Filha de um beatle, Stella McCartney seguiu sua própria carreira no mundo da moda e modernizou perfumes à base de rosa para atender o público feminino jovem, começando em 2003 com Stella. O estilista londrino Alexander McQueen, conhecido por seu estilo gótico, lançou sua primeira fragrância Kingdom (oriental especiado) em 2003, seguida de My Queen (oriental floral) – ambas hoje descontinuadas. O designer de sapatos de origem malaia Jimmy Choo apresentou seu perfume assinatura (chipre gourmand) em 2011. 

EspanhóisOutros designers espanhóis. A Espanha marcou seu início na perfumaria com Le Dix (chipre floral) de Balenciaga, lançado em 1947, seguido de Fleeting Moment, Ho Hang, Cialenga, Rumba e Cristóbal, sempre mantendo o caráter chipre ou oriental especiado. Embora tenha começado com sua própria marca e lançado os viris e aromáticos Agua Brava (1968) e Quorum (1982), o grupo catalão Puig é hoje mais conhecido por possuir diversas grifes como Nina Ricci, Carolina Herrera, Paco Rabanne, Jean-Paul Gautier, Prada, Valentino e Comme des Garçons. Especialista em artigos de couro, Loewe se consolidou no mercado com seus fougères Loewe pour Homme (1974) e Esencia (1988), e mais recentemente com Solo e Loewe 7. Dois pintores espanhóis são lembrados através das marcas Paloma Picasso e Salvador Dalí. A primeira é a neta do artista e famosa por uma das referências de chipre – Paloma Picasso (1984). A segunda refere-se ao pintor surrealista catalão cuja estética foi representada em seus frascos com boca e nariz – a marca lançou seus perfumes assinatura (ambos orientais) em 1985. O mais recente da lista, Jesus Del Pozo, é mais conhecido pelos frescos Quasar e Halloween. 

AlemãesOutros designers alemães. A estilista Jil Sander lançou sua primeira fragrância Jil Sander Woman I (chipre floral aldeídico) em 1979, seguido de II, III e IV e Man I, II e III. A grife Hugo Boss começou na perfumaria em 1985 com Boss Number One (fougère), porém seus sucessos foram os best-sellers aromáticos Boss Bottled e Hugo, lançados na década seguinte. Hugo Boss é também proprietária da marca Baldessarini, que introduziu Baldessarini (oriental) em 2002, seguido de diversos flankers. O designer Wolfgang Joop ficou mais conhecido por suas fragrâncias do que roupas desde que lançou o ousado Joop Femme (floral animálico) em 1987. Na sequência, a casa apresentou outros sucessos como Joop Homme, Le Bain e Nightflight. A grife Escada lançou Escada pour Homme (oriental picante) em 1993 e nos últimos anos tem focado no público feminino mais jovem com fragrâncias frutadas sob o tema de lazer. O designer de canetas e acessórios de luxo Montblanc tem produzido incessantes sucessos comerciais desde 2001: Présence, Individuel, Présence d’une Femme, Femme Individuelle e Legend – mantendo uma assinatura olfativa amadeirada e frutada.

AmericanosOutros designers americanos. Ralph Lauren, símbolo de prestígio para a classe média americana, lançou suas primeiras fragrâncias em 1978 – Polo (chipre couro pinhoso) e Lauren (floral verde atalcado). Outros sucessos da grife foram Safari, Safari for Men, Polo Sport e Romance. Donna Karan, famosa por suas roupas versáteis, começou nos anos 90 com fragrâncias picantes como Donna Karan Signature, Black Cashmere, Chaos e Fuel for Men, porém na década seguinte focou na marca jovem DKNY e perfumes frescos e frutados como Be Delicious. Tommy Hilfiger conquistou seu espaço entre mauricinhos e patricinhas com suas fragrâncias frescas e frutadas lançadas em 1995 e 1996 – Tommy e Tommy Girl. Em 2001 o designer Michael Kors introduziu suas fragrâncias assinaturas: um floral branco musky e um fougère oriental frutado. No mesmo ano Marc Jacobs apresentou seu perfume homônimo (floral branco cítrico), mas depois focou no público adolescente com Daisy, Lola e Dot e seus frascos lúdicos. A grife de roupas femininas ousadas Juicy Couture lançou em 2006 sua fragrância assinatura e seguiu a trilha dos florais frutados gourmands.

OldSchoolDesigners old school. Além de Chanel, Dior e Lanvin, outros designers franceses contribuiram para a grande simbiose entre roupas e perfumes que se tornaria o espírito da perfumaria moderna. Jean Patou (1912), Robert Piguet (1933), Grès (1934), Jacques Fath (1937), Carven (1945) e Pierre Balmain (1945) ousaram em suas criações olfativas e serviram de base para inúmeras fragrâncias contemporâneas. Patou ficou conhecido por Joy (buquê floral), na época considerado o perfume mais caro do mundo. O estilista suiço Piguet lançou Bandit (chipre couro) e Fracas (referência de tuberosa). A designer de chapéus Madame Grès aderiu à tendência dos chipres couro à base de tabaco e lançou Cabochard, pelo qual sua marca é até hoje lembrada. Conhecido como o pequeno príncipe da moda parisiense nos anos 50, Jacques Fath lançou obras-primas como Iris Gris (referência de íris e hoje praticamente extinto). Carven obteve sucesso logo que lançou sua primeira fragrância Ma Griffe (chipre verde) e depois Vétiver (referência de vetiver). Ícone do pós-guerra, Balmain surpreendeu com a introdução de Vent Vert (referência de floral verde) e Jolie Madame (chipre couro).

NewSchoolNovos designers. A estilista de descendência chinesa Vera Wang começou ainda nos anos 90 a desenhar vestidos de noiva, nos quais inspirou sua fragrância assinatura (buquê floral) lançada em 2002. Depois de trabalhar para várias casas, o designer de origem cubana Narciso Rodriguez abriu sua própria marca e apresentou em 2003 Narciso Rodriguez for Her (floral musky) e em 2007 Narciso Rodriguez for Him (amadeirado musky). John Varvatos trabalhou para Calvin Klein e Ralph Lauren antes de iniciar a sua grife voltada para jovens; seu primeiro lançamento foi sua fragrância assinatura (oriental amadeirado) em 2004. Os holandeses Viktor & Rolf, conhecidos por suas apresentações teatrais, introduziram Flowerbomb (oriental floral) em 2005, Antidote (oriental balsâmico) em 2006 e Spicebomb em 2012 (amadeirado especiado). Os gêmeos canadenses Dean e Dan Caten criaram a marca DSquared2 e são famosos por seus desfiles rave; o perfume chefe da casa, He Wood (amadeirado atalcado) foi lançado em 2007 e gerou diversos flankers. O designer libanês Elie Saab, conhecido por seus vestidos de gala, lançou Elie Saab Le Parfum (chipre floral) em 2011.

JoalheirosJoalheiros. Na década de 70 outro tipo de player vislumbrou a mesma oportunidade: os joalheiros. Van Cleef & Arpels foi a primeira ao lançar em 1976 First (umas das maiores referências de floral aldeídico) e depois outros clássicos como Van Cleef & Arpels pour Homme, Tsar e Zanzibar. Cartier seguiu a onda e introduziu em 1981 Must (um oriental amadeirado), seguido de Santos, Panthère, Must pour Homme, So Pretty, Baiser du Dragon e, mais recentemente, Déclaration, Eau de Cartier, Délices, Roadster, Baiser Volé e La Panthère. Boucheron lançou em 1988 a clássica assinatura da casa em forma de bracelete (floriental) e depois Boucheron pour Homme, Jaïpur, Jaïpur pour Homme, Miss Boucheron, Trouble, B e Place Vendôme. Na década seguinte Chopard seguiu um caminho doce e ousado com Casmir, Wish e Madness. Bvlgari teve seu début olfativo em 1992 com Eau Parfumée au Thé Vert e continuou com Bvlgari pour Homme, Black, Bvlgari pour Femme, Aqva, Omnia, BLV e Bvlgari Man, mantendo a nota de chá como assinatura da casa. Mais recentemente Charriol apresentou diversas criações orientais e amadeiradas.

CosmeticsCosméticos. A sinergia com cosméticos é evidente: depois de fazer sua toilette, a mulher completa seu look com perfume. Elizabeth Arden foi pioneira ao lançar Blue Grass em 1934, mas seu boom veio somente nos anos 80 com Red Door (oriental floral). Estée Lauder apresentou o emblemático Youth Dew em 1953 (oriental especiado), que abriu portas para diversos sucessos posteriores como Azurée, Alliage, Private Collection, Cinnabar, Beautiful e Pleasures. Atualmente a companhia é proprietária de várias marcas como Aramis, Clinique, Tom Ford, Le Labo, Jo Malone e Frédéric Malle. Lancôme, curiosamente, começou como casa de fragrâncias para depois focar em cosméticos. Entre 1950 e 1990 a grife trabalhou mais com o gênero chipre e lançou ícones como Climat, Balafre, Magie Noire, Sagamore e Cuir de Lancôme. Depois seguiu para as bombas doces como Trésor, Poême, Hypnôse e La Vie Est Belle. Clinique é conhecida por Aromatics Elixir (chipre incensado) apresentado em 1971 e símbolo de toda uma geração de mulheres. Mais recentemente Lush e L’Occitane entraram no mercado de fragrâncias com suas lojas próprias, focando no natural e no terapêutico, respectivamente.

Próximo: Evolução das Marcas

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