Eaux (Colônias)

ColôniasNão é erro de digitação – o plural de “eau” é mesmo “eaux” (pronuncia-se “ô”). Muito antes dos perfumes surgirem com seu apelo estético e romântico, as águas de colônia serviriam uma proposta utilitária. As eaux foram o preâmbulo da perfumaria moderna ao fazer a transição do místico (comunicar com os deuses e espantar doenças) para o funcional (disfarçar o mau cheiro e curar males do estômago por via oral). A aqua mirabilis passou aos poucos a perder o foco do seu poder curativo para favorecer o bem-estar externo do indivíduo. As águas de colônia eram firmadas no acorde de bergamota, limão, flor de laranjeira, lavanda, ervas finas (alecrim e manjericão), vetiver e musgo de carvalho. O fato de serem cítricas e aromáticas não é uma coincidência – o custo e dificuldade de extração dessas matérias-primas são muito menores. Por serem leves e voláteis, as eaux têm duração menor na pele, precisando ser reaplicadas. A perfumaria seguiu, então, o seu destino de composições mais marcantes e luxuosas, porém nos últimos dez anos muitos designers têm lançado versões fraîche ou l’eau de seus best-sellers. Pode ser um sinal de que as colônias estão voltando, ou talvez de que as casas de perfume estão apenas atrás de retorno financeiro.

(ordem cronológica por ano de lançamento)

47111. 4711 Original Eau de Cologne (Mäurer & Wirtz, 1792). Esta fragrância tem um significado especial na perfumaria por ter sido a primeira da história a ser comercializada. Composta em 1709 pelo perfumista italiano Johann Maria Farina, morador da cidade de Colônia na Alemanha, foi baseada na receita da famosa aqua mirabilis – um tipo de elixir que curava diversas doenças e que tinha uso interno e externo. 4711 é o maior representante das colônias, com sua composição clássica de frutas cítricas, ervas aromáticas, jasmim e rosa. Em 1792, a casa Mäurer & Wirtz comprou a fórmula e passou a vendê-la.

Farina2. Jean Marie Farina (Roger & Gallet, 1806). Enquanto a colônia 4711 (lançada em 1792) é considerada a primeira fragrância comercial da história, esta composição do perfumista Johann Maria Farina foi a primeira colônia. Inicialmente distribuída apenas às realezas europeias, a Eau de Cologne de Farina tinha uma concentração entre 2 e 5% e uma mistura de óleos de frutas cítricas, néroli, lavanda, alecrim, tomilho, petitgrain, jasmim e tabaco. A fórmula se manteve intacta e secreta por mais de 300 anos.

EDCImp3. Eau de Cologne Impériale (Guerlain, 1860). O início da casa Guerlain foi marcada por esta colônia feita para o casamento de Napoleão III e a imperatriz Eugénie, abrindo as portas da corte real francesa. Composta pelo fundador da casa Pierre-François Pascal Guerlain, Eau de Cologne Impériale é praticamente um tônico refrescante baseado num buquê de frutas cítricas, néroli, petitgrain e verbena. Apesar de ter um aroma mais rico na abertura, esta colônia se assemelha à colônia 4711 na evolução.

DuCoq4. Eau de Cologne du Coq (Guerlain, 1894). A “água do galo” toma como base a fórmula da colônia 4711 e acrescenta notas herbáceas, especialmente de lavanda e néroli. Eau de Cologne du Coq é um pouco mais evoluída do que Eau de Cologne Impériale devido à personalidade conferida pela lavanda, além de patchouli e sândalo na base. Eau de Cologne du Coq é um dos precursores de Eau Sauvage, Armani pour Homme e Neroli Portofino.

RGLavande5. Lavande Royale (Roger & Gallet, 1899). Uma das lavandas mais tradicionais do mundo, esta fragrância de Roger & Gallet parte de um topo cítrico de laranja e mandarina, seguindo com a nota principal recortada por um acorde gelado-quente de gerânio e especiarias. Na secagem, Lavanda Royale ganha um leve efeito ambarado com traços de cedro, musgo de carvalho e musk. Existe também na versão EDT, mas a original EDC é a melhor.

ColoniaRussa6. Colonia Russa (Santa Maria Novella, 1901). Esta colônia traz a novidade do aspecto animálico do couro (bétula ou couro russo), interagindo com almíscar, castoreum e civet. Mesmo assim, colônia russa não perde seu caráter aromático. A fragrância conta com um belo acorde de notas cítricas (bergamota, limão e laranja) e herbáceas (lavanda, néroli e verbena), temperados com cravo-da-índia e sálvia. Devido à sua sólida base, Colonia Russia é uma composição resistente e perseverante, porém não discreta e inofensiva como o habitual.

ApresLondee7. Après l’Ondée (1906, Guerlain). Pela primeira vez na história, uma fragrância fazia uso da recém-sintetizada molécula de heliotropina.  Après l’Ondée (literalmente depois da chuva em francês) tem em seu coração um acorde atalcado-baunilha que mescla brilhantemente notas de anis, rosa, jasmim, íris, violeta, acácia e heliotrópio, além da estrutura de colônia. Esta nota de aspecto amendoado interage lindamente com as notas de íris e violeta, gerando uma aura de romantismo e melancolia.

Lavender8. Lavender (Yardley, 1913). Natural e levemente datada, esta colônia da casa inglesa Yardley é uma interpretação fiel da lavanda. Com notas de saída de bergamota, lavanda, alecrim e eucalipto, Lavender se torna mais aromático e energizante com gerânio e sálvia no coração. Na secagem, a fragrância revela um aspecto nostálgico de musgo de carvalho, fava tonka e musk. Não espere uma grande performance – Lavender está mais para uma fragrância funcional.

AdP9. Acqua di Parma Colonia (Acqua di Parma, 1916). A primeira colônia de Acqua di Parma foi um símbolo de refinamento entre os europeus e americanos no período entre as duas guerras mundiais. No início, Acqua di Parma Colonia era usada por homens para perfumar seus lenços, mas logo foi adotada por mulheres, inclusive celebridades como Audrey Hepburn, Ava Gardner e Eva Turner. A colônia segue a receita de 4711, porém com construção mais precisa e ingredientes de melhor qualidade.

LilyOfTheValley10. Lily of the Valley (Yardley, 1917). Um século atrás, a nota de lírio-do-vale era unissex, usada por damas e cavalheiros finos, porém hoje é nitidamente de domínio feminino. Esta colônia de Yardley é um soliflor que valoriza o aspecto limpo e brilhante do tema principal, como uma versão prática e econômica de Diorissimo. Lily of the Valley caminha do cheiro do orvalho da manhã sobre folhas verdes para um aroma de banho com sabonete branco.

Cedrat11. Eau de Fleurs de Cedrat (Guerlain, 1920). A água das flores de cidreira exala um frescor interessante, meio cítrico e doce, entre limão e toranja. Infelizmente a alegria dura pouco, pois Eau de Fleurs de Cedrat desaparece rapidamente, tendo de ser reaplicada. É uma fragrância delicada que não deve ser usada como perfume, mas sim como um splash para espalhar no corpo todo depois do banho.

Chanel12. Eau de Cologne (Chanel, 1924). Esta é provavelmente a mais esquecida das fragrâncias da casa Chanel – o que é uma pena, pois é espetacular. Na saída, Eau de Cologne forma uma nuvem cítrica tão complexa que é difícil distinguir as frutas envolvidas. Este suco de frutas fresco e levemente doce se mescla com o amargor do néroli e petitgrain, produzindo uma sensação de natureza. Eau de Cologne é tão bem construído, com matérias-primas de excelente qualidade, que seu desempenho permanece intacto como um perfume de verdade. A Chanel reintroduziu a fragrância em 2007 dentro da linha Les Exclusifs.

EauHermes13. Eau d’Hermès (Hermès, 1951). Nascida de uma selaria em 1837, a especialista em artigos de couro Hermès trabalhou essa nota para criar sua primeira fragrância: uma colônia compartilhável produzida para um público tradicional e sofisticado. Com base no acorde clássico cítrico-lavanda, Eau d’Hermès recebeu uma dose opulenta de notas amadeiradas, couro e civet. Esta última confere à colônia um toque de humanidade, deixando-a mais real e contrabalanceando seu ar conservador e refinado. Na secagem, as notas de baunilha e fava tonka produzem um clima mais relaxado e agradável.

EauFraiche14. Eau Fraîche (Dior, 1953). Precursor de todas as eaux fraiches, esta efervescente fragrância da Dior foi criada anos antes de Eau Sauvage e Diorella. A nota aqui em destaque é o limão, combinado com musgo de carvalho e especiarias. O segredo do perfumista Edmond Roudnitska está na simplicidade da construção e na escolha de ingredientes para compor Eau Fraîche. Lembre-se que na época ainda não se usava hedione para dar potência a uma composição cítrica. Relançado em 2014 com nova formulação.

OLancome15. Ô de Lancôme (Lancôme, 1969). Apesar de ter sido lançada em 1969, esta colônia é atualíssima. A saída é amarga e adstringente, formada por notas de limão, musgo de carvalho e coentro. Ô de Lancôme logo evolui para seu centro de jasmim rodeado por ervas aromáticas (manjericão e sálvia). A base de vetiver e musgo de carvalho mantém o perfume seco e fresco do começo ao fim, ajudando a segurar seu desempenho por horas a fio. Seu flanker Ô de l’Orangerie também é muito bom e é trabalhado sobre a flor de laranjeira.

EauRochas16. Eau de Rochas (Rochas, 1970). Esta criação de Rochas inova ao trazer uma intensa base de patchouli para enriquecer o acorde clássico de colônia. Na saída, Eau de Rochas é limpo e fresco, porém vai evoluindo para um coração mofado e escuro, no melhor sentido. A nota de patchouli é temperada com cravo e coentro, produzindo um aspecto defumado e intrigante. De fundo, sentimos a nota amarga, seca e verde de musgo de carvalho tão característica de perfumes mais antigos. Excelente projeção e longevidade.

EauCampagne17. Eau de Campagne (Sisley, 1974). O cheiro de floresta existe e foi capturado nesta criação de Sisley há mais de quatro décadas. Com sua vibe bucólica, Eau de Campagne une notas herbáceas de folha de tomate, manjericão e gálbano ao frescor do limão e da bergamota, com um fundo amadeirado de musgo de carvalho, vetiver e patchouli e um toque levemente floral de jasmim, lírio-do-vale e gerânio. Eau de Campagne foi feito para quem gosta de fragrâncias com cheiro de natureza e não prioriza receber elogios.

EauGuerlain18. Eau de Guerlain (Guerlain, 1974). Difícil encontrar melhor colônia que Eau de Guerlain. Mesmo lançada há décadas, mantém-se sempre atual. Diferente do acorde clássico da colônia (bergamota, alecrim e lavanda), esta fragrância é incrivelmente complexa. Além do básico, Eau de Guerlain tem um lado herbáceo (verbena e menta), um lado especiado (alcarávia e cravo) e outro floral-frutado (rosa, jasmim e frutas secas). A base amadeirada (sândalo e patchouli) e de musk segura tudo isso e não deixa o perfume desandar. Compartilhável.

RGVetyver19. Vétyver (Roger & Gallet, 1974). Entre o chipre amadeirado e fougère aromático, Vétyver é uma colônia bem ao estilo old school, combinando vetiver, cítricos, ervas finas, fava tonka, musgo de carvalho e madeiras nobres. O vetiver usado tem um odor natural e esfumaçado, um pouco sujo e amargo, porém amenizado com notas de néroli, alecrim, lavanda, gerânio, íris, cravo e agulhas de pinho. Soapy e elegante.

OrangeVerte20. Eau d’Orange Verte (Hermès, 1979). Nascido Eau de Cologne d’Hermès, este perfume foi renomeado em 1997. Curiosamente uma das poucas fragrâncias unissex à base de laranja, Eau d’Orange Verte tem um aroma amargo e ácido. Notas de folha de cassis e menta trazem um aspecto herbáceo e aromático ao perfume, fazendo dele uma ótima opção para quem gosta de aromaterapia. Simples e chique, existe também na versão concentrada, mas a original é superior por ser mais amadeirada e menos verde e, portanto, mais moderna.

EauGivenchy21. Eau de Givenchy (Givenchy, 1980). Esta é uma elaborada colônia feminina recheada de notas florais. Eau de Givenchy abre potente e com aspecto medicinal, porém logo revela um luminoso jasmim acompanhado da rosa como copiloto. Notas cítricas e florais brancas dão brilho e frescor à composição, apoiada por musgo de carvalho e madeiras nobres. Eau de Givenchy já é um perfume completo, praticamente um floral fresco. Foi reintroduzido recentemente.

EauCaron22. Eau de Caron (Caron, 1980). Se a icônica casa é conhecida por suas potentes criações florais e picantes, é claro que sua colônia assinatura não ficaria por menos. Eau de Caron abre intensamente herbáceo com aldeídos, cítricos e ervas finas. Durante a evolução, um buquê especiado emerge, exalando notas de cravo, sálvia, flor de laranjeira, orquídea e jasmim. A complexa base fica a cargo de musgo de carvalho, patchoui, tabaco, couro e âmbar. É um Caron “diluído”, porém ainda assim marcante.

Hadrien23. Eau d’Hadrien (Annick Goutal, 1981). Talvez a marca de nicho mais acessível (tanto em preço quanto em distribuição) da perfumaria, Annick Goutal soube conquistar seu espaço desde quando foi fundada em 1981. Seu carro-chefe, Eau d’Hadrien, foi inspirado na obra “Memórias de Hadrien” de Marguerite Yourcenar. Annick plantou um jardim que pudesse evocar o espírito do sul da Itália e combinou notas de frutas cítricas e cipreste para sua mais conhecida criação. Simples em sua complexidade, Eau d’Hadrien é tudo menos um perfume cítrico comum.

RGHomme24. L’Homme (Roger & Gallet, 1982). L’Homme é uma colônia praticamente apenas na saída, logo evoluindo para um acorde amadeirado e limpo de vetiver, sândalo, musgo de carvalho e patchouli. Uma nota de ylang-ylang no centro da composição traz um efeito distinto e elegante, enquanto traços orientais de noz moscada, incenso e âmbar aquecem o dry-down. Um chipre masculino refrescante e confortável.

EauDynamisante25. Eau Dynamisante (Clarins, 1987). Frescor, firmeza e vitalidade – estas três palavras estão gravadas no frasco. Promovido como uma fragrância para tratamento corporal, Eau Dynamisante não foi feito para chamar atenção e nem para durar o dia todo. É indicado para ser aplicado depois do banho e apreciado nas próximas duas ou três horas. A composição consiste basicamente de limão, alcarávia e patchouli, entre outras ervas e especiarias. Eau Dynamisante tem o poder de levantar o ânimo.

EauRochasHomme26. Eau de Rochas Homme (Rochas, 1993). Um dos cítricos mais originais feitos para homens, Eau de Rochas Homme é limpo e transparente, com um distinto aroma de limão e aldeídos (remetendo a sabonete). Somado a ele, notas herbáceas de verbena, manjericão e musgo de carvalho criam um efeito masculino e sensual de homem adulto. Eau de Rochas Homme também revela um discreto acorde floral de jasmim, rosa e violeta que faz diferença e confere mais personalidade. A base é feita de notas secas de cedro e vetiver para conservar a aura fresca e arejada.

EauDali27. Eau de Dalí (Salvador Dalí, 1995). Para quem sempre achou os perfumes de Salvador Dalí muito fortes e enjoativos, esta é uma boa opção. Trata-se de um floral leve e macio. De uma saída refrescante com notas de cítricos, folhas, pêssego e abacaxi, Eau de Dalí parte para um delicado buquê de rosa, íris, lírio-do-vale, jasmim e ylang-ylang. Uma base ambarada ressalta o acorde frutado e dá corpo à composição, sem torná-la doce demais. Gostoso e inofensivo.

EnglishRose28. English Rose (Yardley, 1997). Com cheiro de vovó, English Rose de Yardley é uma colônia feita em torno da nota de rosa búlgara, com seu aspecto mais suculento e escuro que a rosa de maio. A colônia abre gelada e luminosa com um acorde de gerânio e flores brancas, antes de exibir seu tema principal. Toques de madeiras nobres e especiarias quentes são aplicados à base, assim como um musk confortável. Uma rosa retrô e etérea.

Relaxing29. Relaxing (Shiseido, 1997). Inspirado nos spas japoneses, Relaxing reúne notas calmantes como pepino, bambu, folha de cassis e artemísia. Na evolução, a fragrância passa a exalar um suave acorde floral frutado de framboesa, rosa, peônia e gardênia, com um toque adstringente de cardamomo. Para preservar o aspecto puro e cristalino da composição, Relaxing leva uma base constituída apenas por almíscares sintéticos.

Energizing30. Energizing (Shiseido, 1999). Dois anos depois de Relaxing, Shiseido agora propõe uma fragrância concebida para despertar, revitalizar, estimular os sentidos. Para tanto, Energizing gira em torno de um buquê atalcado (rosa, íris, heliotrópio, jasmim, lírio-do-vale) e especiado (anis, pimenta preta, cravo-da-índia). Assim como Refreshing, o perfume conta com uma base puramente feita de musks transparentes.

HerbaFresca31. Aqua Allegoria Herba Fresca (Guerlain, 1999). A Guerlain lançou no final da década de 90 uma série de 33 colônias compartilháveis intituladas Aqua Allegoria. Umas acabaram ficando mais famosas que outras e este foi o caso da Herba Fresca. A ideia por trás do conceito foi transportar para uma fragrância a sensação de adentrar um jardim cheio de plantas verdes depois de uma chuva de verão. Menta, chá e flores do campo são as notas principais desta colônia feita para os amantes da natureza.

Pamplelune32. Aqua Allegoria Pamplelune (Guerlain, 1999). Aqueles que gostam do aroma de toranja (grapefruit) vão apreciar esta fragrância que reproduz perfeitamente a personalidade da fruta – doce, ácida, picante e luminosa. Sua efervescência de vitamina C “grita” na pele por algumas horas e vai aos poucos dando lugar a uma secagem doce e amadeirada, produzida pelas notas de folha de cassis, patchouli e baunilha. Aqua Allegoria Pamplelune merece atenção por ser um cítrico inovador e que cumpre bem seu papel ao refrescar com rara distinção. 

Loewe33. Agua de Loewe (Loewe, 2000). Esta é uma boa alternativa para quem gosta de um perfume levinho e que não incomoda ninguém. Ainda desconhecida por brasileiros, Loewe é uma marca com um portfólio de várias fragrâncias interessantes. Esta fragrância em particular é cítrico-especiada com ótima projeção e longevidade, comparável à de CK One e L’Eau d’Issey. Sua saída é bem cítrica e fresca (yuzu, bergamota e tangerina), seu coração comporta um acorde chá-especiarias e sua base segura toda a composição com notas de âmbar e cedro.

MuglerCologne34. Mugler Cologne (Thierry Mugler, 2001).  Ofuscado pelo sucesso dos gourmands na mesma marca, Mugler Cologne é uma fragrância unissex extremamente limpa e confortável. Em sua construção encontram-se notas de néroli, bergamota, almíscar e uma molécula sintética secreta que nunca foi revelada. Néroli e bergamota dão o toque fresco enquanto musk e a tal molécula dão o toque macio, como aquele cheirinho de ferro passando roupa. Razoavelmente barato e pouco falado.

EauCartier35. Eau de Cartier (Cartier, 2001). Este é um perfume compartilhável belo e original. Normalmente o prefixo eau denota água de qualquer coisa, ou seja, uma fragrância leve e simples. Contudo, Eau de Cartier reúne notas diversas como violeta, yuzu, lavanda, limão, coentro, âmbar e musk. Quando aplicado em clima quente, ele floresce na pele e exala um aroma fresco e tranquilizante, seco pela violeta mas sem ser especialmente polvoroso. Disponível também na versão concentrée mais adocicada.

Lalique36. Eau de Lalique (Lalique, 2003). Esta complexa fragrância de Lalique toma como base o acorde colônia e acrescenta notas de verdes e picantes. As especiarias escolhidas são: cardamomo, pimenta malagueta e canela. Eau de Lalique equilibra com competência seus ângulos cítrico, herbáceo e especiado, agregando ainda notas florais de hibisco e frésia. Bastante original, esta é uma daqueles fragrâncias que ficam perdidas entre as prateleiras dos masculinos e femininos – o terrível destino dos perfumes compartilháveis.

Gengibre37. Gingembre (Roger & Gallet, 2003). Vendidas em farmácias e supermercados de elite, as fragrâncias Roger & Gallet hoje são facilmente encontradas. Dentre as composições modernas, destaca-se a de gengibre. Gengimbre é fresco e delicado, empregando notas de bergamota e néroli para realçar o ingrediente principal. A nota de gengibre é produzida não apenas com a raiz, mas também com suas folhas e flores. Infelizmente, Gingembre tem curta longevidade, deixando um aroma de musk no ar.

EauRessourçante38. Eau Ressourçante (Clarins, 2003). Ao pé da letra “água rejuvenescedora”, a fragrância foi feita para revitalizar e energizar. Com um topo de limão e manjericão, a composição em seguida foca na nota de íris. Um acorde de cedro e benjoim finaliza com um aspecto levemente doce e cremoso. Comparada a Eau Dynamisante, esta colônia é mais solta e menos séria, focando no aspecto limpo e arejado, praticamente uma fragrância de spa. Eau Ressourçante cumpre bem com a função de relaxar.

Verbena39. Verveine (L’Occitane, 2003). Vendida no Brasil como Verbena, esta é uma colônia suave que explora a nota similar ao capim-limão. Ou seja, uma combinação do cítrico com o herbáceo, refrescante e vibrante. A fragrância incorpora também um acorde floral fresco rosa-gerânio, potencializando seu efeito revitalizante e terapêutico. Não dura muito na pele, mas se mantém maravilhoso até duas horas depois da aplicação.

Merveilles40. Eau des Merveilles (Hermès, 2004). Inspirado no âmbar gris, o que encanta neste perfume é sua simplicidade. Ancorado numa base ambarada, Eau des Merveilles é fortemente cítrico (laranja marcante) e levemente especiado (pimentas preta e rosa), com um toque discreto de violeta. A nota de abeto traz um interessante tom verde e canforado à fragrância. O resultado é limpo e fresco, conferindo uma sensação de banho tomado. Eau des Merveilles é o tipo de perfume que você pode usar em qualquer lugar e em qualquer época do ano.

6841. Cologne du 68 (Guerlain, 2006). Composta com 68 diferentes notas, esta é mais uma complexa fragrância da Guerlain. A famosa guerlinade (acorde DNA da casa) está presente, conferindo aquele característico aroma polvoroso e herbáceo. Dentre tantas notas listadas, destacam-se flores brancas, íris e rosa, além de anis e musk – tudo isso num mar de notas cítricas e amadeiradas. Na verdade, considerando-se que um perfume toma em média entre 50 e 100 ingredientes, 68 não é exagero.

FleurDOranger42. Fleur d’Oranger (Fragonard, 2006). A tradicional casa de fragrâncias de Grasse oferece dezenas de colônias. Entre as melhores está Fleur d’Oranger, uma opção mais feminina, com notas de mel e flores frescas (jasmim e flor de laranjeira), além do acorde clássico de colônia. A fragrância abre com uma enorme nota de néroli, que parece não dividir espaço com ninguém. Somente no dry-down uma atmosfera doce e polvorosa é formada devido à base de âmbar, musk cera de abelha. Bastante natural e realística.

GrandCologneLuxe43. Cologne Grand Luxe (Fragonard, 2006). Cologne Grand Luxe é uma colônia clássica com notas de bergamota, limão siciliano, laranja amarga, néroli, lavanda, tomilho, vetiver e musk. Um delicioso aroma de frutas cítricas abre a composição, que se torna levemente especiada na evolução. Uma base seca e discreta mantém a fragrância ativa por umas três horas. A lavanda é mais presente e cremosa durante o dry-down.

44. CologneRusseCologne à la Russe (Institut Très Bien, 2006). Supostamente a reconstrução fiel de uma fórmula de 1906, esta é uma colônia fresca e realisticamente natural, sem nada arrojado, porém eficiente. A fragrância foi composta por Pierre Bourdon, que a torna menos cítrica que a italiana e menos floral que a francesa, registrando o DNA russo com uma base de bétula e musk. O resultado é uma colônia mais confortável do que energizante, mais sofisticada do que casual.

CologneFrançaise45. Cologne à la Française (Institut Très Bien, 2006). A colônia francesa de Institut Très Bien tem como saída um acorde de limão e toranja, abrindo caminho para um buquê de flores frescas como magnólia e flor de laranjeira. Cologne à la Française consegue ser tradicional e moderna ao mesmo tempo, equilibrando o cítrico-floral com a base terrosa de vetiver. Enquanto Cologne à la Russe é mais fina e Cologne à la Italienne é mais lúdica, a francesa faz a linha sexy charmosa.

CologneItalienne46. Cologne à la Italienne (Institut Très Bien, 2006). Cologne à la Italienne abre vibrante com um acorde de laranja amarga, bergamota e mandarina. Tal qual uma tradicional colônia italiana, ela incorpora notas de petitgrain, néroli, lavanda e alecrim. A combinação produz um efeito fresco e soapy, que é reforçado com uma base polvorosa de âmbar e baunilha. Cologne à la Italienne é a opção mais unissex de Institut Très Bien, e também a mais tradicional.

EauDEnergie47. Eau d’Energie (Biotherm, 2006). Eau d’Energie tem um revigorante aroma que remete a vitamina C efervescente. Para não se tornar medicinal demais, a composição conta também com notas de jasmim e damasco, que dão mais corpo e suculência, respectivamente. Seu fundo puramente composto de musk ajuda a manter colônia transparente, porém limita sua longevidade.

SplashRain 48. Splash Rain (Marc Jacobs, 2006). A pureza e simplicidade da chuva é captada por esta deliciosa colônia de Marc Jacobs. Com uma saída verde e frutada de cipreste, morango e tangerina, Splash Rain desabrocha um buquê aquoso de girassol, orquídea e flor de maracujá permeado de sintéticos ozônicos. A fragrância ganha uma base seca e macia de madeira teca, musgo de carvalho, ambroxan e musk. Cheiro de orvalho engarrafado.

SplashAmber49. Splash Amber (Marc Jacobs, 2006). Splash Amber é uma boa pedida para quem gosta de âmbar, porém prefere fragrâncias mais delicadas. A composição abre com um acorde adstringente de gengibre e anis, abrindo caminho para um centro luminoso de lírio e folha de cassis. O fundo de âmbar, fava tonka, benjoim e cashmeran é leve e agradável, praticamente fazendo mais o papel de textura do que de aroma.

RGLotusBleu50. Lotus Bleu (Roger & Gallet, 2006). O caráter aquoso e delicado da flor de lótus é aqui trabalhado na companhia de notas cítricas, aromáticas, florais e amadeiradas. Lotus Bleu tem um topo cítrico de bergamota, laranja e néroli, um centro floral de lótus, rosa e flor de laranjeira, e uma base oriental de sândalo, patchouli, incenso, baunilha e musk. Lotus Bleu é um jardim depois da chuva, levemente doce e calmante.

RGCédrat51. Cédrat (Roger & Gallet, 2007). Junto a Jean Marie Farina e Gingembre, Cédrat completa o trio das melhores colônias de Roger & Gallet. A composição abre efervescente com um acorde aquoso e frutado de cidra, melancia, toranja e menta. Na evolução, notas especiadas de cardamomo e manjericão equilibram a fragrância, que finaliza com uma base seca e amadeirada de cedro, vetiver e musk, com um leve toque salino de âmbar. Lindo enquanto dura.

MandarineBasilic52. Aqua Allegoria Mandarine Basilic (Guerlain, 2007). O truque aqui está na combinação de cítricos com ervas, no caso mandarina com manjericão. Aqua Allegoria Mandarine Basilic é uma fragrância alegre e energizante, diferente do lugar comum das colônias medianas. Seu ângulo verde é ressaltado pelas notas de camomila, hera e chá, enquanto seu lado luminoso é explorado com notas de peônia e flor de laranjeira. Infelizmente esta colônia da linha Aqua Allegoria foi descontinuada.

EauEnsoeillante53. Eau Ensoleillante (Clarins, 2007). A terceira fragrância da série de colônias de Clarins foi feita para a praia ou piscina. Na saída, Eau Ensoleillante é cítrico e frutado (melancia), em seguida revelando um acorde central de flores carnais como acácia, cravo, osmanthus e ylang-ylang, além de camomila. Na base, patchouli e fava tonka conferem uma identidade chipre moderna. O resultado é um floral quente e tropical que se funde bem com a pele revestida de protetor solar.

Portofino54. Escale à Portofino (Dior, 2008). A casa Dior tem lançado um perfume a cada ano para sua Cruise Collection. O primeiro foi em homenagem a Portofino, seguido por Pondichéry, Marquises e Parati. Fresca e elegante, esta fragrância é uma versão sofisticada da tradicional 4711 – além do acorde clássico de colônia, Escale à Portofino é mais encorpado por conta das notas de cedro, cipreste, zimbro e gálbano. Contrastando com a explosão cítrica inicial, o perfume mostra um fundo polvoroso doce e picante de amêndoas, alcarávia e almíscar, finalizando uma composição aparentemente simples com um requinte inesperado.

CherryBlossom55. Cherry Blossom (L’Occitane, 2008). Para tirar máximo proveito da sinergia entre flores e frutas, L’Occitane trabalhou em cima da nota fantasia de flor de cerejeira, típica da paisagem do sul da França na primavera. Para tanto, a composição leva um topo de folha de cassis, frésia e cereja, seguindo com um centro de luminoso de flor de cerejeira e lírio-do-vale. A base de pau-rosa, âmbar e musk finaliza o aroma com conforto e leveza.

SplashFig 56. Splash Fig (Marc Jacobs, 2008). Para o tema de figo verde, Marc Jacobs se inspirou na atmosfera do Mediterrâneo. Este aromático frutado aposta na acidez e efervescência do yuzu (mais intenso que o limão siciliano) e no caráter herbáceo e amadeirado do cipreste (típico da Toscana). Uma boa base de sintéticos garante uma longevidade mais do que esperada em colônias como esta.

SplashGardenia57. Splash Gardenia (Marc Jacobs, 2008). Splash Gardenia sintetiza o lado mais translúcido e cintilante da flor, sem qualquer traço animálico ou soapy. Com a ajuda de notas de cítricos, folhas verdes e outras flores brancas, a composição produz uma aura de jardim orvalhado ao amanhecer. Tudo isso é sustentado por um fundo rico em almíscares sintéticos. Projeção e longevidade decentes.

EauPure58. Eau Pure (Biotherm, 2008). Mais associada a produtos cosméticos, a marca Biotherm oferece diversas opções de fragrâncias no estilo aqua. A melhor delas é Eau Pure, um delicioso aromático frutado com nuances aquáticas. A composição abre com um aroma ácido, vegetal e frutado de ruibarbo e kiwi, antes de evoluir para um coração fresco e floral de chá e flor de Lótus. Uma base de musgo de carvalho, patchouli e musk preserva a atmosfera crispy.

EauFleurMagnolia  59. Eau de Fleur de Magnolia (Kenzo, 2008). A magnólia é conhecida por suas equilibradas nuances cítricas, aquosas e cremosas. Eau de Fleur de Magnolia faz bom uso de cítricos e múltiplos sintéticos que juntos reproduzem realisticamente o odor natural da flor. É uma colônia simples e delicada que deve agradar homens e mulheres que gostam de um cítrico mais interessante.

EauFleurThé 60. Eau de Fleur de Thé (Kenzo, 2008). O tema de chá verde é aqui trabalhado com cítricos e musks para compor uma atmosfera limpa e refrescante como a de um spa. Perfeitamente compartilhável, Eau de Fleur de Thé é uma dessas fragrâncias para aplicar sem limites em dias quentes de verão. Concorre par a par com Eau Parfumée au Thé Vert de Bvlgari e Green Tea de Elizabeth Arden.

EauFleurSoie61. Eau de Fleur de Soie (Kenzo, 2008). Embora o nome insinue aroma de seda, esta é uma colônia construída em torno da rosa. Para enriquecê-la e ao mesmo tempo manter um aspecto suave e transparente, a composição acrescenta notas de cítricos, folhas verdes, flores atalcadas e musk. Eau de Fleur de Soie é um floral puro, etéreo e cristalino feito para moças discretas e elegantes.

EauFleurPrunier62. Eau de Fleur de Prunier (Kenzo, 2009). Inspirada no Japão, Eau de Fleur de Prunier gira em torno do tema da flor de ameixeira. Conhecido por ter um aroma que estimula e relaxa os sentidos, o ingrediente principal ganha a companhia de um acorde macio e polvoroso de amêndoas e musks. Não espere de Eau de Fleur de Prunier a doçura e a suculência da fruta de ameixa.

Pondichery63. Escale à Pondichéry (Dior, 2009). Mantendo o ritmo de uma nova criação por ano dentro da Cruise Collection, Dior apresenta uma composição simples e chique à base de chá preto, jasmim, cardamomo e sândalo. Os ingredientes forem escolhidos em homenagem à colônia francesa que o país manteve na Índia até 1954 – Pondichéry. Por não serem comuns à nossa realidade, esses aromas nos levam a viajar com a fantasia de férias num lugar exótico e relaxante.

BoisDOrange64. Bois d’Orange (Roger & Gallet, 2009). Este amadeirado aromático reúne notas cítricas, herbáceas e amadeiradas com um realístico frescor natural. Ainda que limitada em silagem e longevidade, Bois d’Orange é uma agradável colônia inofensiva e de aspecto tradicional. A composição conta com um topo de mandarina, verbena e manjericão, um centro de néroli e flor de laranjeira, e uma base de cedro, pau-rosa e âmbar. Vale a pena se a meta for obter um breve período de bem estar, sem grandes expectativas.

Gentiane65. Eau de Gentiane Blanche (Hermès, 2009). Extendendo sua linha de colônias que começou em 1979 com Eau d’Orange Verte, a Hermès lançou trinta anos depois esta fragrância baseada na flor genciana (prima da íris). Para compô-lo, o perfumista Jean-Claude Ellena combina notas de genciana, íris, pimenta, musk e incenso para produzir um efeito seco, esfumaçado e polvoroso como pó de giz. O aroma resultante é suave e sério, pendendo para o melancólico.

Pamplemousse66. Eau de Pamplemousse Rose (Hermès, 2009). Como o próprio nome indica, esta fragrância adota como tema o acorde toranja-rosa. Toranja (ou grapefruit) tem um aroma efervescente e adocicado que remete a lazer ou férias, enquanto rosa tem um aroma romântico e delicado com nuances de chá e lichia. A união destas duas notas resulta numa colônia com personalidade e trincando de fresca como uma pink lemonade. Apesar da rosa, Eau de Pamplemousse Rose pode tranquilamente ser usado por homens.

Sisley167. Eau de Sisley 1 (Sisley, 2009). Seguindo sua tradição de fragrâncias aromáticas e frescas, Sisley lançou três delas no mesmo ano. A primeira delas é uma colônia aromática verde com saída de cítricos, especiarias e verbena. Na evolução, a composição mostra um acorde delicado de jasmim, chá e zimbro, enquanto a base é composta de notas de patchouli e musk. Talvez Eau de Sisley 1 seja a opção mais comum da série. Borrife sem economizar.

Sisley268. Eau de Sisley 2 (Sisley, 2009). A fragrância de número 2 é construída sobre um acorde colônia, realçado por manjericão e cardamomo picantes. Um coração floral atalcado de íris, rosa e jasmim traz feminilidade e brilho à colônia. A base consiste de notas de patchouli, vetiver e cedro para manter o aspecto seco e arejado da fragrância. Eau de Sisley 2 tem um quê de chipre, portanto refinado.

Sisley369. Eau de Sisley 3 (Sisley, 2009). Diferente de Eau de Sisley 2, o número 3 adota um interessante tema de chá com notas de osmanthus, limão e gengibre. O acorde colônia continua lá, porém enriquecido com tons frutados e levemente especiados. Eau de Sisley 3 segue um caminho mais adocicado e confortável com um toque cremoso e macio de baunilha e musk na base, sem sacrificar o seu frescor.

Verdon70. Verdon (L’Occitane, 2010). Verdon é uma suave colônia aquática inspirada no famoso parque nacional Verdon, o segundo maior canyon do mundo. A colônia busca reproduzir o aroma herbáceo e aquoso das redondezas do local por meio de notas como bergamota, limão siciliano, menta, lavanda, algas marinhas e cedro. Verdon criar uma atmosfera marinha em seu entorno, desapontando por sua curta longevidade.

EauDeParadis71. Eau de Paradis (Biotherm, 2010). O frasco vermelho da coleção de eaux de Biotherm se trata de um delicado floral regado a frutas do bosque como framboesa, mirtilo, cassis e romã. O centro floral de rosa e frésia traz graça à composição, que é sustentada por um manto de almíscar sintético. Eau de Paradis é leve e adocicada no ponto certo.

Marquises72. Escale aux Marquises (Dior, 2010). Desta vez a Cruise Collection faz uma parada nas Ilhas Marquesas na Polinésia Francesa. Escale aux Marquises tem uma saída “ardida” de limão siciliano, laranja-de-sangue, néroli, pimenta rosa, cardamomo e gengibre. Mais adiante, o perfume revela uma luminosa flor de tiaré, cercada de canela, noz moscada, coentro, pimenta e cravo-da-índia. A composição conclui com uma base cremosa de benjoim, elemi e baunilha. Escale aux Marquises é opção mais encorpada e picante da coleção.

EauDesMinimes73. Eau des Minimes (Le Couvent des Minimes, 2010). A marca Le Couvent des Minimes percente à L’Occitane e chegou ao Brasil recentemente. Três tipos de cítricos e sete de ervas cultivados no jardim do monastério são utilizados para compor esta fragrância clássica. A composição original consiste de toranja, laranja-de-sangue, limão, alecrim, melissa, amor-perfeito, malva-rosa, cardo, hortência e néroli, feita para momentos de relaxamento. Por ter uma concentração eau de cologne, Eau des Minimes é bem leve e volátil.

SplashBiscotti74. Splash Biscotti (Marc Jacobs, 2010). Para compor um aspecto adocicado e polvoroso de pâtisserie porém leve e refrescante, o perfumista Richard Herpin decidiu combinar notas de bergamota, frésia, anis, flor de laranjeira, pistache e baunilha. Ao mesmo tempo simples e original, Splash Biscotti é uma boa pedida para quem gosta de colônias semigourmands.

SplashApple75. Splash Apple (Marc Jacobs, 2010). Com uma aura doce e adstringente, Splash Apple enriquece sua nota central de maçã verde com cítricos efervescentes (limão siciliano, toranja), especiarias frescas (cardamomo, coentro, alecrim) e flores luminosas (magnólia e jasmim). O resultado é uma fragrância de maçã mais complexa do que o esperado, sem remeter diretamente a cheiro de xampu.

SplashCuraçao 76. Splash Curaçao (Marc Jacobs, 2010). Como um tributo à bebida caribenha, Splash Curaçao busca emular a vibrante atmosfera lúdica de um paraíso tropical exótico. Assim, o perfume abre com notas de limão tahiti e laranja sanguínea, evoluindo para um centro aquoso e adocicado de violeta, pera e damasco. Um toque de musgo de carvalho e muito musk na base acrescentam textura à composição.

SplashCranberry77. Splash Cranberry (Marc Jacobs, 2011). Sem o aspecto doce e licoroso dos florais frutados atuais, Splash Cranberry explora as facetas ácida, cítrica e mentolada da cranberry. Com um topo de mandarina, a composição segue com um acorde de groselha e madressilva, para concluir com um fundo seco e macio de madeiras nobres e musk. Uma bebida de verão em formato perfume.

4711Nouveau78. 4711 Nouveau Cologne (Mäurer & Wirtz, 2011). Para modernizar a sua composição histórica, 4711 recebe notas frutadas na cabeça (yuzu, groselha e lichia) e florais no coração (peônia, gerânio e heliotrópio). Esta colônia abre com um moderno aroma agridoce e aos poucos evolui para uma atmosfera polvorosa sem perder o frescor ou se tornar enjoativa. Na secagem, 4711 Nouveau Cologne revela notas de fava tonka, sândalo e musk, trazendo uma sensação de maciez e conforto.

Saharienne79. Saharienne (Yves Saint Laurent, 2011). Feito em tributo ao famoso casaco de safari lançado por Yves Saint Laurent em 1968, Saharienne incorpora feminilidade e senso de aventura. A colônia consiste basicamente de dois acordes: um fresco, verde e brilhante de cítricos, gálbano, petitgrain, cassis e flor de laranjeira; outro quente e especiado de gengibre e pimenta rosa. Inicialmente ácida e adstringente, a fragrância, depois de alguns minutos, delicada e agradável. Frescor feminino.

CitrusWoods80. Citrus & Wood (Yardley, 2011). Uma das mais recentes criações da tradicional casa inglesa Yardley é esta colônia amadeirada especiada com notas marcantes de laranja e vetiver. Citrus & Wood mostra uma composição equilibrada e de excelente qualidade, reunindo ingredientes diversos como elemi, chá, gengibre, bétula, cominho, musgo de carvalho, âmbar e baunilha, além das já mencionadas. Uma realística versão econômica de Terre d’Hermès.

OdeLOrangerie

81. Ô de l’Orangerie (Lancôme, 2011). Quarenta e dois anos depois do lançamento do icônico Ô de Lancôme, nasce um flanker à base de flor de laranjeira. Esta matéria-prima, que é o perfeito equilíbrio entre o cítrico e o floral, invoca a atmosfera de um jardim na primavera. De um lado, notas cítricas e de néroli ampliam o aspecto limpo e fresco; de outro, notas jasmim e flor de laranjeira trazem beleza e luminosidade. Efervescente, Ô de l’Orangerie é ideal para um dia de calor intenso. Bastante compartilhável.

Parati82. Escale à Parati (Dior, 2012). A mais unissex das colônias da coleção Cruise de Dior, Escale à Parati foi inspirada nas cores da cidade histórica fluminense. O perfumista François Demachy traduziu a atmosfera e paisagem de Parati nesta composição cítrica com notas de laranja, petitgrain, menta, frutas vermelhas, pau-rosa, canela e fava tonka. Escale à Parati se torna uma colônia cheia de graça, remetendo a clima de festa com coquetéis tropicais à beira da piscina.

VanillaCedarwood83. Vanilla & Cedarwood (Kiehl’s, 2012). Dentre as fragrâncias da coleção Aromatic Blends de Kiehl’s destaca-se a colônia Vanilla & Cedarwood. Trata-se de um leve oriental amadeirado com notas de íris, cedro, âmbar e baunilha. A composição minimalista revela um aroma alegre, macio e limpo, enriquecido com toques atalcados, incensados e adocicados. Vanilla & Cedarwood é praticamente uma fragrância terapêutica, feita para levantar o ânimo.

FigLeafSage84. Fig Leaf & Sage (Kiehl’s, 2012). Esta colônia é composta sobre um acorde de folha de figo e sálvia, que é ressaltado com notas de bergamota, cidra e tomilho. Fig Leaf & Sage consegue harmonizar as faceta verde e suculenta do figo, ao mesmo tempo em que usa ervas finas para aumentar o contraste entre o gelado e quente. Com uma base translúcida de musk, trata-se de uma fragrância lúdica e de curta duração.

EauOcéane85. Eau Océane (Biotherm, 2012). Para criar uma fragrância marinha suave, Biotherm recorreu a notas de frutas suculentas, flores polvorosas e madeiras secas (cedro e musgo de carvalho), além, é claro, de sintéticos aquáticos e muito musk. No limite do funcional, Eau Océane é tão leve que pode ser usado como uma água termal quando você estiver à beira do mar. Compre apenas se você curtir um perfume inofensivo que remeta a clubes ou spas.

NarcisseBleu86. Eau de Narcisse Bleu (Hermès, 2013). Continuando com a tradição de construir uma colônia ao redor de uma flor fresca, Jean-Claude Ellena desta vez elege o narciso e o envolve com notas de limão siciliano e folha de violeta. Na evolução, um acorde de íris e flor de laranjeira ameniza o aspecto herbáceo, conferindo uma atmosfera de primavera. A composição torna-se mais doce e musky no dry-down, com um fundo terroso.

MandarineAmbrée87. Eau de Mandarine Ambrée (Hermès, 2013). Deixando agora o floral de lado, Eau de Mandarine Ambrée é centrado na mandarina, que é trabalhada com notas de maracujá e âmbar. O clima da colônia é suculento e tropical, contrastando o aspecto amargo e sulfúrico da fruta com a cremosidade e doçura do âmbar. Notas verdes refrescam a composição do início ao fim, com nuances metálicas. O dry-down é bastante linear e deixa um ranço salgado.

EauDesMissions88. Eau des Missions (Le Couvent des Minimes, 2013). Esta fragrância foi baseada numa receita originalmente criada por um convento de freiras. Eau des Missions abre de cara com um aroma licoroso e suave de rum e baunilha balanceado com notas de frutas cítricas, especiarias e resinas. O contraste entre o cítrico e o resinoso (baunilha, mirra e benjoim) produz um efeito interessante, longe do lugar comum das colônias. Eau des Missions é uma respeitável fragrância esperando para ser descoberta.

EauDeLacoste89. Eau de Lacoste (Lacoste, 2013). Com um frasco redondo inspirado numa bola de tênis, Eau de Lacoste é uma suave colônia com notas florais e frutadas. O perfume abre com um acorde refrescante de bergamota, mandarina e abacaxi, seguindo com um buquê cintilante de flor de laranjeira e jasmim. Na evolução, Eau de Lacoste vai se tornando mais doce e encorpado graças ao seu fundo de vetiver, sândalo, bálsamo peru e baunilha. Simples e inofensivo.

AmbreSantal90. Ambre & Santal (L’Occitane, 2013). Dentro da sua nova coleção de duetos olfativos, a tradicional casa francesa oferece uma interessante colônia fougère. Com uma saída aromática de bergamota e zimbro, Ambre & Santal traz à tona notas suculentas de rosa e figo. O efeito completo se dá quando uma base encorpada de madeiras nobres, labdanum e baunilha emerge. O resultado é um perfume ambarado e polvoroso, agradável e duradouro na pele.

VanilleNarcisse91. Vanille & Narcisse (L’Occitane, 2013). Vanille & Narcisse é um oriental floral de nuances frutadas e amendoadas. A colônia tem uma saída refrescante de bergamota e cassis, evoluindo rapidamente para um acorde central de gardênia e narciso. A base oriental é composta de notas cremosas de fava tonka e baunilha. O resultado final é uma baunilha densa e profunda realçada com o poder narcótico do cassis e narciso.

ThéVert92. Thé Vert & Bigarade (L’Occitane, 2013). Esta água perfumada de L’Occitane concentra-se no acorde de chá verde e laranja amarga (bigarade), sendo esta uma das notas mais utilizadas na perfumaria por sua complexidade (cítrica, especiada e herbácea). Para enriquecer a composição, o perfume leva também notas de mate, tomilho, feno, cedro e musk.

JasminBergamote93. Jasmin & Bergamote (L’Occitane, 2013). Jasmin & Bergamote é praticamente uma colônia clássica enriquecida com jasmim. Com um ar primaveril, a fragrância tem a proposta tão somente de refrescar e transmitir conforto temporário num dia quente. Apesar da base amadeirada de cedro e sândalo, Jasmin & Bergamote tem duração bastante limitada na pele.

MagnoliaMûre94. Magnolia & Mûre (L’Occitane, 2013). Esta colônia foca no dueto da flor branca de facetas cítrica e aquosa – a magnólia – e a fruta do bosque de facetas suculenta e boozy – a amora. Magnolia & Mûre ganha como reforço notas de bergamota, rosa e patchouli, que acabam apenas servindo de esqueleto para a composição chipre moderna. Uma fragrância leve e elegante.

NéroliOrchidée95. Néroli & Orchidée (L’Occitane, 2014). Desta vez focando nas notas de néroli e orquídea, a casa oferece uma fragrância leve e alegre, fresca e suculenta. Néroli & Orchidée tem uma saída luminosa de mandarina, laranja, néroli e lírio-do-vale. Mais à frente, o perfume desenvolve um acorde lactônico de figo e pêssego, apoiado sobre uma base polvorosa de orquídea, almíscar vegetal e orris. Excelente equilíbrio entre o cítrico-herbáceo e o frutado-polvoroso.

MerMistral96. Mer & Mistral (L’Occitane, 2014). Fazendo parte de La Collection de Grasse, Mer & Mistral é uma fragrância unissex que combina notas marinhas com um acorde herbáceo. A brisa do mar (mistral é o vento que sopra do norte ao sul da França) é aqui interpretada com a ajuda de limão siciliano, tangerina, alecrim, cipreste e agulhas de pinho. Uma delicada e sensual base de cedro, âmbar e musk conclui a composição. Mer & Mistral é simples, leve e quase funcional como uma água termal.

EauFraîche97. Eau Fraîche (Biotherm, 2014). A sexta adição à linha de eaux de Biotherm foi concebida para imitar a impressão de ar fresco depois da chuva. Para tanto, Eau Fraîche gira em torno de um acorde fantasia de pera com suas facetas doce, gelada e aquosa. Notas de jasmim e coentro são adicionadas para propiciar beleza e contraste, respectivamente. Eau Fraîche é fresco e agradável, totalmente inofensivo.

EauTropicale98. Eau Tropicale (Sisley, 2014). Tentando emular o cheiro de uma floresta tropical depois da chuva, Eau Tropicale é um refrescante chipre floral. Abrindo alegre notas de bergamota, manga, gengibre, maracujá e hibisco, a composição aos poucos vai desabrochando um feminino buquê de rosa, tuberosa, jasmim-manga e violeta. Um fundo de patchouli e ambrette compõe um aspecto terroso e úmido como o de uma verdadeira floresta.

LimonVerde99. Aqua Allegoria Limon Verde (Guerlain, 2014). Desta vez a casa se rende ao acorde caipirinha de limão tahiti e açúcar, recordado por um coquetel de frutas, especialmente figo. Aqua Allegoria Limon Verde abre com um sopro de aldeídos, limão e nota de grama cortada, antes de fazer emergir um coração frutado e suculento. No dry-down, não há mais sinal da nota de limão, restando apenas uma base açucarada de frutas. Não é uma colônia ruim, mas o nome deveria ser Limon & Figo.

Teazzurra100. Aqua Allegoria Teazzurra (Guerlain, 2015). Construída em torno de chá verde e camomila, Aqua Allegoria Teazzurra oferece uma atmosfera herbácea e ozônica. Com uma saída potente e efervescente de bergamota, limão, yuzu e toranja, a colônia adentro o acorde de chá, acompanhado de jasmim e calone (nota aquática). Para equilibrar o efeito seco e verde, a composição leva notas de baunilha e musk na base. O resultado é revitalizante e elegante.

Veja também: Bons e Baratos e Nacionais

12 pensamentos sobre “Eaux (Colônias)

  1. Não tenho duvida de que ninguém é bobo e bem intencionado no mercado. kkkk
    As marcas lançam mais um flanker e ainda mais barato.

  2. Eu De Campagne da Sisley represente muito bem a natureza eu amo ela! É uma pena que a fixação é baixa mas vale cada centavo!

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