Linhas Exclusivas

LinhasExclusivasEm 2000 o clima era de magia e otimismo. A economia estava no auge e a entrada do milênio trazia um clima de inovação e renovação. Percebendo o crescimento da perfumaria de nicho, os grandes designers vislumbraram uma oportunidade na criação de uma linha exclusiva. Dior saiu na frente em 2004 com sua Collection Privée, inicialmente composta de Cologne Blanche, Bois d’Argent e Eau Noire. No mesmo ano, Armani lançou sua linha Armani Privé com os perfumes Ambre Soie, Bois d’Encens e Pièrre de Lune. Ainda em 2004, Hermès introduziu sua linha Hermessence com opção de capa de couro; as primeiras criações foram Vetiver Tonka, Rose Ikebana e Poivre Samarcande. Em 2007 a casa Chanel lançou Les Exclusifs, reunindo clássicos como Sycomore, Bois des Îles e Cuir de Russie. No mesmo ano Tom Ford introduziu sua linha Private Blend com frascos em estilo boticário, incluindo Noir de Noir, Tobacco Vanille e Tuscan Leather. Nos últimos anos, outros designers proeminentes como Van Cleef & Arpels, Givenchy, Versace, Lalique, Ferragamo, Zegna, Thierry Mugler, Dolce & Gabbana e Elie Saab seguiram a tendência e também lançaram suas linhas exclusivas, normalmente vendidas apenas nas lojas oficiais das grifes – físicas ou virtuais.

Nota: Veja também Lançamentos de Linhas Exclusivas.

(ordem cronológica por ano de lançamento)

OsmantheYunnan1. Osmanthe Yunnan (Hermès, 2004). Natural e minimalista, Osmanthe Yunnan foi inspirado numa visita do perfumista Jean-Claude Ellena à Cidade Proíbida em Pequim, onde o aroma de pétalas de osmanthus é abundante. O perfume abre verde e transparente com nuances frutadas de laranja e damasco. Uma base amadeirada seca e firme sustenta o coração de chá e osmanthus. Osmanthe Yunnan é sutil e delicado, sendo mais indicado para ser apreciado intimamente.

PoivreSamarcande2. Poivre Samarcande (Hermès, 2004). Samarkand é uma cidade no Uzbequistão, meio caminho entre a rota de especiarias Oriente-Ocidente. O tema central é a pimenta, aqui ressaltada com notas de alcarávia e pimenta malagueta. Poivre Samarcande abre picante, porém verde e balanceado. Durante a evolução, o perfume revela notas amadeiradas de carvalho, patchouli e cedro, garantindo elegância à composição. Não se trata de uma bomba apimentada, mas sim de uma fragrância equilibrada e sofisticada.

AmbreNarguile3. Ambre Narguilé (Hermès, 2004). Quase gourmand, Ambre Narguilé é um oriental especiado multifacetado com aroma amanteigado (benjoim), melífluo (cera de abelha), frutado (maçã e pêssego), defumado (incenso), licoroso (rum), amendoado (fava tonka) e especiado (canela e noz-moscada). O resultado é quente, doce e de dar água na boca como uma torta de maçã. Ambre Narguilé é indicado para os amantes de aromas resinosos doces ou polvorosos.

VetiverTonka4. Vétiver Tonka (Hermès, 2004). Normalmente seco e terroso, o vetiver recebe aqui um tratamento bem original: seu lado fibroso e esfumaçado é enfatizado com notas de gianduia e tabaco. Vétiver Tonka se desenvolve praticamente em uma única fase, exalando um aroma de caramelo salgado e farináceo, resultante da interação das notas de fava tonka, caramelo, vetiver e tabaco. A mágica desta fragrância é agregar ingredientes contrastantes para destacar e valorizar as nuances do vetiver.

AmbreSoie5. Ambre Soie (Armani Privé, 2004). Anis, gengibre, pimenta, cravo-da-índia, patchouli e âmbar – estas são as notas principais deste oriental especiado com nuances animálicas. As especiarias compõem a abertura da composição e introduzem um âmbar menos doce e mais carnal. A combinação é simbiótica e muito bem balanceada, resultando num aroma polvoroso luxuoso. A nota de anis é um diferencial, fazendo de Ambre Soie uma fragrância única, sensual e refinada.

BoisEncens6. Bois D’Encens / Encens Satin (Armani Privé, 2004). O foco aqui são incenso e madeiras secas como vetiver e cedro, acompanhados de labdanum e especiarias. Balsâmico e esfumaçado, Bois d’Encens tem um aspecto mais natural e moderno do que a maioria das fragrâncias à base de incenso que remetem a rituais religiosos. Uma boa dose do sintético Iso E Super faz a composição “crescer” e ter uma textura seca e macia. Recomendado aos fãs de incenso que buscam uma alternativa sofisticada. Foi relançado com o nome de Encens Satin em 2014.

BoisDArgent7. Bois d’Argent (Dior, 2004). Se você gosta de perfume com cheiro de banho tomado bem elaborado e complexo, Bois d’Argent foi feito pra você. O acorde íris-mirra é simplesmente irresistível, transmitindo um aspecto limpo e envolvente. Os primeiros minutos depois da aplicação são tão impressionantes que dá vontade de se lavar para borrifar novamente. Na secagem, Bois d’Argent mostra-se docinho, revelando notas de mel, âmbar, baunilha e couro. É um perfume bem versátil, apropriado para o dia e noite, para calor e frio.

CuirAmbre8. Cuir Ambre (Prada, 2004). Pouco divulgada e conhecida, a linha exclusiva da Prada consiste de 12 fragrâncias. Cuir Ambre é a de maior destaque, com um acorde luxuoso de couro e âmbar encoberto de especiarias e com traços levemente animálicos. As notas de íris, heliotrópio e musk conferem um aspecto polvoroso e romântico, enquanto uma base composta por sândalo, patchouli, couro, âmbar e baunilha produz consistência e sofisticação.

CuirAméthyste9. Cuir Améthyste (Armani, 2005). A quinta fragrância da linha Privé do designer italiano é dedicado à nota de couro, aqui apresentada de forma sofisticada, nada animálica. Cuir Améthyste usa um acorde de bergamota, rosa e violeta para trazer beleza e frescor, enquanto notas de patchouli, bétula, labdanum, benjoim e baunilha compõem uma base chique e encorpada. Difícil não agradar.

Narciso10. Narciso (Prada, 2007). A flor de odor herbáceo e narcótico é aqui trabalhada com bergamota, flor de laranjeira, vetiver, incenso, cera de abelha e musk. A nota de flor de laranjeira tem participação especial, responsável por criar uma atmosfera de néctar floral com suas facetas cítrica e melíflua e um fundo semianimálico. No dry-down, Narciso exala um aroma de incenso macio e sintético, preservando o clima naturalístico da composição.

Violette11. Violette (Prada, 2007). A sétima fragrância da linha exclusiva de Prada faz a nota de violeta como protagonista (o que é uma raridade), trabalhada com tons herbáceos, frutados e de couro. Abrindo com um acorde verde e amargo de gálbano, folha de violeta e cassis, Violette logo revela sua nota principal na companhia do dueto atalcado de íris e rosa. Moléculas sintéticas são combinadas para formar uma base eficiente e sofisticada, valorizando o aspecto macio e aveludado da violeta. Feita para ambos os sexos.

28LaPausa12. 28 La Pausa (Chanel, 2007). Com este floral verde e delicado, Chanel trabalha o seu famoso acorde polvoroso com a nota de couro macio. Inspirado na casa de férias de Coco Chanel, 28 La Pausa se baseia no acorde de orris, rosa e camurça, incorporando notas cítricas e herbáceas para dar um toque de brilho e leveza. Traços de madeiras propiciam uma sensação de elegância e suavidade.

Coromandel13. Coromandel (Chanel, 2007). Coromandel é um misterioso perfume oriental amadeirado que contrasta um lado amadeirado-ambarado firme (patchouli, olíbano e benjoim) com um lado floral doce e delicado (íris, rosa, jasmim e baunilha). Durante sua evolução, a composição revela um interessante aroma de chocolate branco polvoroso. A nota de patchouli é aqui o centro das atenções, fazendo para Coromandel o que a baunilha fez para Shalimar.

31Cambon14. 31 Rue Cambon (Chanel, 2007). Esta é uma deliciosa fragrância floral atalcada. 31 Rue Cambon abre fresco e suave com bergamota e logo revela uma íris com nuances de rosa, levemente picante e terrosa – evidência de que o perfume contém uma porção significativa de extrato natural. Aos poucos a nota de patchouli vai se fundindo com a porosidade e terrosidade da íris. Não espere um aspecto datado, 31 Rue Cambon é leve e brilhante do começo ao fim.

2215. N°22 (Chanel, 2007). Originalmente lançado um ano após o icônico N°5, ou seja, em 1922, este floral ultrafeminino retém muito do caráter do antecessor, porém com traços incensados e menos aldeídos. N°22 tem uma saída de tirar o folêgo graças a um buquê de flores delicadas como néroli, flor de laranjeira, jasmim, lírio do vale e tuberosa, iluminadas pelos aldeídos. Com um centro floral inebriante similar ao de N°5, o N°22 se diferencia com notas de noz moscada, incenso e vetiver na base.

Gardénia16. Gardénia (Chanel, 2007). Concebido em 1925 por Ernest Beaux, Gardénia reproduz a nota fantasia da flor de gardênia (com odor impossível de ser destilado) com uma combinação de folhas verdes, coco, flor de laranjeira, lírio-do-vale, jasmim e tuberosa. O resultado é um aroma floral que remete a pétalas umedecidas pelo orvalho da manhã, com um fundo macio e cremoso de vetiver, patchouli, sândalo, baunilha e musk. Uma gardênia mais fina do que sexy, ainda que semianimálica.

No1817. N°18 (Chanel, 2007). Um dos perfumes menos conhecidos de Chanel é o N°18, um raro polvoroso frutado. Raro porque é difícil de se encontrar fragrâncias atalcadas com notas marcantes de frutas, assim como é difícil achar frutados de traços atalcados. Trata-se de uma combinação de rosa, íris e violeta enriquecida com ambrete e frutas diversas apoiada sobre uma base de madeiras nobres. O resultado é seco e delicado, acima de tudo elegante.

NoirDeNoir18. Noir de Noir (Tom Ford, 2007). Noir de Noir foi um dos primeiros perfumes a explorar o acorde rosa-oud. A combinação de oud com patchouli e baunilha resulta em um aroma de chocolate incrível que, com uma nota extravagante de rosa, acaba com qualquer coração mais despreparado. O segredo de Noir de Noir está justamente em trabalhar o lado delicado da rosa com o lado másculo do acorde oud-patchouli. Intoxicante, este perfume deveria ser proibido para menores. TobaccoVanille

19. Tobacco Vanillle (Tom Ford, 2007). Dentro da linha Private Blend, este é sem dúvida o maior best-seller. Tobacco Vanille é basicamente construído ao redor do acorde tabaco-baunilha, enriquecido com notas de fava tonka, flor de tabaco, cacau, frutas secas e açafrão. O perfume funciona por dois motivos: a alta qualidade das matérias-primas usadas (sem parecer uma fragrância comum) e a perfeita escolha de notas coadjuvantes para valorizar as protagonistas. Tobacco Vanille proporciona uma aura bipolar: de um lado intensa sensualidade e de outro sofisticação máxima.

OudWood20. Oud Wood (Tom Ford, 2007). Apesar do que insinua o nome, Oud Wood é um oriental amadeirado onde o oud é apenas uma entre as notas amadeiradas. Inicialmente o perfume tem um aroma picante (cardamomo e pimenta) e doce (baunilha, âmbar e fava tonka). A base de madeiras (oud, vetiver, sândalo e pau-rosa) emerge com transparência e naturalidade, transmitindo um aspecto agradável e confortável. Oud Wood é uma fragrância à base de oud para iniciantes.

TuscanLeather21. Tuscan Leather (Tom Ford, 2007). Tuscan Leather é a prova de que os opostos combinam e podem criar um efeito interessante: uma nota de couro defumado e animálico é combinado com uma nota doce e suculenta de framboesa. O perfume abre frutado, porém logo segue uma rota balsâmica e incensada, com um toque floral de jasmim no coração. A nota de couro emerge luxuosa e aveludada, abraçando o resto da composição. Tuscan Leather é revigorante e surpreendente.

NeroliPortofino22. Neroli Portofino (Tom Ford, 2007). Neroli Portofino une o melhor das colônias 4711 e Acqua di Parma, colocando tudo em alta definição. Não há nada de novo neste perfume feito à base de néroli, a não ser sua projeção e silagem fantásticas. Sua saída lembra um aroma de sabonete luxuoso branco. Logo em seguida, a fragrância mostra seu lado herbáceo, cítrico e ácido de néroli e bergamota. Neroli Portofino é perfeito para quem mora em lugares quentes, pois é versátil e funciona bem tanto para o dia a dia quanto para um evento social à noite.

ItalianCypress23. Italian Cypress (Tom Ford, 2007). O tema pouco abordado de cipreste, com seu odor simultaneamente herbáceo e amadeirado, recebe finalmente merecida atenção. Com a ajuda de notas de cítricos, menta, manjericão e madeiras diversas, Italian Cypress consegue reproduzir o aroma da árvore toda, desde sua raiz úmida e terrosa até suas folhas verdes e canforadas. Um perfume masculino e elegante com vibe old school dos anos 70.

Sycomore24. Sycomore (Chanel, 2008). Muito antes da febre das fragrâncias à base de vetiver dos anos 60, a Chanel já havia lançado Sycomore em 1930. A versão de 2008 é fiel à original, mostrando um vetiver limpo, sem perder sua natureza terrosa e esfumaçada. Uma dose de notas aldeídicas e atalcadas (assinatura olfativa da Chanel) traz graça à composição, que tem uma finalização seca e macia de cipreste e sândalo. Na minha opinião, Sycomore é a melhor referência de vetiver.

Beige25. Beige (Chanel, 2008). É sempre um desafio inventar novas interpretações da assinatura olfativa de uma casa. Com a combinação de jasmim-manga e mel, a casa Chanel consegue mais uma vez inovar. O dueto central é enriquecido com notas de rosa e tuberosa, criando a ilusão de um aroma bege, talvez de um sabonete com cheiro de mel e traços de coco. Beige é suave e tropical, discreto e elegante. Mais indicado para quem curte perfumes com aura soapy e cremosa.

Benjoin26. Benjoin (Prada, 2008). Com um odor quente, doce, amendoado e esfumaçado, a nota de benjoim é aqui trabalhada em conjunto com laranja amarga, estoraque, baunilha e musk. Essence N°9 Benjoin abre escuro, pesado e resinoso, evoluindo para um aroma macio, doce e amendoado. É um perfume ao mesmo tempo gostoso e sofisticado, bem diferente das criações carameladas feitas para meninas. Essence N°9 Benjoin é perfeitamente unissex e ideal para baixas temperaturas.

VétiverBabylone27. Vétiver Babylone (Armani, 2008). A complexa e versátil nota de vetiver ganha uma roupagem cítrica, picante e herbácea. Criado pelo perfumista Alberto Morillas, Vétiver Babylone abre fresco e revigorante com notas de bergamota, mandarina e limão siciliano, transitando rapidamente para um centro especiado de pimenta rosa, cardamomo e coentro. Uma base verde e crispy de vetiver, patchouli e musk finaliza este refinado amadeirado aromático.

OrchideeVanille28. Orchidée Vanille (Van Cleef & Arpels, 2009). Quem é chegado num gourmand vai flutuar com esta fragrância da casa Van Cleef & Arpels. Com a baunilha (que é extraída de uma orquídea) como tema, é bom destacar que a percepção geral deste perfume é um aroma de chocolate, amêndoas e lichia. Com ajuda da nota floral de orquídea, a baunilha de Orchidée Vanille é diferente da baunilha com a qual você está acostumado – ela é leve e suave. Um perfume sedutor sem fazer esforço.

BoisIris29. Bois d’Iris (Van Cleef & Arpels, 2009). Este é um oriental amadeirado com nota marcante de íris. Bois d’Iris tem uma saída suave de vetiver natural e terroso. Em poucos minutos uma atmosfera doce, quente e polvorosa de íris, mirra e labdanum toma conta da composição. Sua secagem é bem especial com notas de âmbar gris, incenso e baunilha, conferindo substância e personalidade à fragrância. Bois d’Iris encanta pela alta qualidade e naturalidade de seus ingredientes.

GardéniaPétale30. Gardénia Pétale (Van Cleef & Arpels, 2009). Continuando com sua seleção de exclusivos, Van Cleef & Arpels agora faz um tributo à nota fantasia de gardênia. Gardénia Pétale reproduz com sucesso o odor natural da flor, utilizando uma combinação de notas cítricas, verdes e florais brancas (flor de laranjeira, jasmim, lírio-do-vale, tuberosa). O resultado é uma fragrância nem muito aquosa, nem muito opulenta, equilibrando frescor e elegância.

XIIIHeure31. XIII La Treizième Heure (Cartier, 2009). Para celebrar 100 anos de existência, a Cartier lançou em 2009 uma coleção exclusiva dedicada à cada hora do dia. A de número XIII foi incluída devido ao endereço da sede da companhia: 13 Rue de la Paix. O perfume abre com um intenso aroma de couro defumado e baunilha picante. XIII La Treizième Heure revela, em seguida, um acorde chipre repleto de sofisticação. Na secagem, a fragrância é polvorosa com traço esfumaçado e animálico.

AmbreNuit32. Ambre Nuit (Dior, 2009). Uma das melhores interpretações de âmbar, Ambre Nuit combina essa nota com rosa e pimenta rosa. Na saída, notas cítricas de bergamota e toranja criam com a pimenta rosa um aroma frutado e efervescente. O perfume evolui para um coração de rosa, que apoiado sobre uma base âmbar confere um aroma doce e sofisticado. Ambre Nuit deixa um rastro resinoso e boozy, daí o seu nome.

Champaca33. Champaca Absolute (Tom Ford, 2009). Champaca é uma flor carnuda com aparência de banana e que, de fato, tem um leve odor de banana misturado a chá e néctar floral. Na saída, o perfume exala um intoxicante aroma de trigo com conhaque, seguido de um sedoso e feminino acorde central de champaca, violeta, jasmim e orquídea. Uma nota de marron glacé dá um toque especial à base oriental. Champaca Absolute tem um aspecto orgânico e carnal, quase animálico, resultando numa fragrância doce e cremosa, refinada e sensual.

VanilleGalante34. Vanille Galante (Hermès, 2010). Como o nome insinua, Vanille Galante é uma fragrância à base de baunilha feita com delicados contornos florais. A fragrância abre com um odor boozy de conhaque, para logo revelar um acorde central de flores e especiarias. Notas de madeiras esfumaçadas, tabaco, cacau, baunilha e musk finalizam a composição com um aspecto quente e gourmand. Vanille Galante pode decepcionar quem espera por um perfume mais doce, pois este é discreto e confortável.

IrisUkiyoé35. Iris Ukiyoé (Hermès, 2010). Preservando o DNA suave e refinado de Hermès, Iris Ukiyoé mostra uma interpretação da nota de íris com toques cítricos e florais. O perfume foi inspirado na arte japonesa e seu foco na natureza. Com uma saída de mandarina e néroli, a fragrância coloca a íris sob os holofotes, na companhia de flor de laranjeira e rosa. Para manter a transparência da composição, a base fica a cargo de musks sintéticos. No início fresco e aquoso, Iris Ukiyoé ganha uma roupagem delicada, para então concluir com um agradável efeito atalcado.

LeatherOud36. Leather Oud (Dior, 2010). Quente e carnal, Leather Oud gira em torno do acorde couro-oud, aqui trabalhado com notas picantes e animálicas. Na saída, o perfume é seco e escuro com um aroma bem natural de oud amadeirado e esfumaçado. A composição evolui para revelar uma nota de couro defumado cercada de um lado por cera de abelha e fava tonka, de outro cardamomo e cravo-da-índia. Difícil acreditar que Leather Oud seja uma fragrância de designer, pois mergulha a fundo num gênero controverso e de pouca aceitação. Bravo!

NewLook194737. New Look 1947 (Dior, 2010). New Look 1947 foi feito em tributo à maior contribuição de Christian Dior em sua história: o modelo desestruturado, permitindo maior desenvoltura às mulheres. Para enfatizar a feminilidade, o perfumista François Demachy elegeu a tuberosa como nota principal, enriquecendo-a com jasmim, ylang-ylang, rosa, peônia e íris. A base de madeiras nobres, benjoim e baunilha confere delicadeza e conforto sem deixar a fragrância enjoativa. New Look 1947 é um perfume chamativo porém elegante.

OudRoyal38. Oud Royal (Armani Privé, 2010). A nota de oud combina bem com rosa, sândalo e incenso – Oud Royal trabalha com todas elas. O perfume abre com um acorde açafrão-oud na medida certa. A rosa logo dá o ar da graça, dando mais personalidade à composição, enquanto o incenso vem em seguida com seu aspecto misterioso. Na secagem, Oud Royal exala um aroma esfumaçado e cremoso devido à nota de sândalo. Nada doce ou enjoativo, mas um tanto pesado para um dia de calor.

RosedArabie39. Rose d’Arabie (Armani Privé, 2010). O acorde rosa-oud é aqui trabalhado com patchouli e baunilha. Criado inicialmente para o público do Oriente Médio, Rose d’Arabie acabou caindo nas graças dos ocidentais. O perfume abre com uma rosa suculenta e vibrante, em seguida se mesclando com as demais notas da composição. O resultado é harmonioso e marcante, romântico e sensual. Rose d’Arabie deixa um rastro opulento que remete ao extremo luxo das Arábias.

SantalBlush40. Santal Blush (Tom Ford, 2011). Em 2011, Tom Ford lançou uma nova linha de maquiagem, que foi acompanhada de três fragrâncias. Uma delas é Santal Blush – um oriental amadeirado construído sobre uma base polvorosa e especiada. A composição abre com um acorde de anis, cenoura, feno, canela e alcarávia, anunciando um buquê central de jasmim, rosa e ylang-ylang. Santal Blush conclui com um fundo balsâmico e adocicado de oud, benjoim, sândalo, cedro e musk.

Jersey41. Jersey (Chanel, 2011). Criado por Jacques Polge, Jersey é inspirado no tecido favorito de Coco Chanel. Para estabelecer uma textura macia e limpa, o perfumista elegeu lavanda, menta, fava tonka, baunilha e musk, além de outras notas verdes e florais. Sofisticado ao extremo, Jersey abre gelado e canforado, gradualmente evoluindo para uma atmosfera quente e polvorosa, bem ao estilo da casa. No dry-down, o perfume é uma bomba de musk, deixando um rastro de roupa limpa e recém-passada.

SantalMassoïa42. Santal Massoïa (Hermès, 2011). Santal Massoïa aborda um tema controverso e pouco frequente na perfumaria: o leitoso. Existem diversos perfumes lactônicos à base de frutas como pêssego e figo, porém poucos verdadeiramente leitosos. Para tanto, Jean-Claude Ellena tomou por base o acorde sândalo-massoia e o trabalhou com sintéticos que dão um aspecto cremoso e adocicado. Traços frutados e polvorosos tornam a fragrância ainda mais interessante e arredondada. Gostoso, mas rente à pele.

PatchouliImperial43. Patchouli Impérial (Dior, 2011). O patchouli, quando natural, tem odor herbáceo com tons mentolado e animálico – assim é esta criação de Dior. Patchouli Impérial reforça o lado denso e terroso da nota principal com sândalo e o lado animálico e picante com coentro. Uma vez que as notas cítricas de saída se dissipam, o perfume é puro patchouli com aspecto aromático, resinoso e esfumaçado. Com nuances floral e melíflua, Patchouli Impériale é pura elegância.

IVHeure44. IV L’Heure Fougueuse (Cartier, 2011). Sem seguir uma ordem cronológica, IV L’Heure Fougueuse (“a hora ardente”) foi introduzida dois anos depois do lançamento da linha “Les Heures”. Focada nas notas de mate e vetiver, esta fragrância tem um aspecto de chá e feno, ou seja, natural e seco. Bergamota, lavanda e magnólia são adicionadas para trazer frescor à composição. A base fica por conta de musgo de carvalho, couro e almíscar, resultando num aroma sensual e levemente fenólico.

PreciousOud45. Precious Oud (Van Cleef & Arpels, 2011). A joalheria oferece uma rendição floral e delicada da nota de oud. Precious Oud tem uma saída moderna de bergamota e pimenta rosa, anunciando um acorde central de jasmim e tuberosa com toques de incenso. A base oriental consiste de uma combinação quente e cremosa vetiver, sândalo, patchouli, oud e âmbar gris. Com um mercado saturado de ouds doces e picantes, Precious Oud é uma opção interessante a ser descoberta.

VelvetVetiver46. Velvet Vetiver (Dolce & Gabbana, 2011). Dentro da coleção Velvet de Dolce & Gabbana, este perfume à base de vetiver faz uma interpretação suculenta da nota. Velvet Vetiver tem uma saída intensamente vegetal de gálbano, seguida de um figo maduro e lactônico. Finalmente, o vetiver “quebra” o efeito potencialmente enjoativo da fruta com seu aroma amargo, terroso e esfumaçado. Velvet Vetiver é uma composição minimalista totalmente dedicada ao seu ingrediente principal.

VelvetPatchouli47. Velvet Patchouli (Dolce & Gabbana, 2011). Fugindo do patchouli “pálido”, típico das fragrâncias mais comerciais, Dolce & Gabbana buscou uma interpretação que remetesse ao luxo e opulência que o ingrediente comunicava décadas atrás. Para tanto, óleo essencial de patchouli foi usado, combinado a Kephalis, um sintético que propicia um aspecto ambarado e musky. O resultado é um perfume natural e elegante que deixa um rastro de incenso e chocolate amargo.

Velvet Wood48. Velvet Wood (Dolce & Gabbana, 2011). Ébano, couro e benjoim são as notas listadas para este perfume. Na saída, Velvet Wood é uma “pancada” de notas amadeiradas com um fundo de incenso e pimenta. Na evolução, a fragrância vai tomando corpo com nuances de frutas secas e musk animálico, formando um aspecto de suor. Mais adiante, a fragrância se atenua com uma base de ébano, couro e benjoim. Velvet Wood é um perfume selvagem e carnal.

JavanesePatchouli49. Javanese Patchouli (Zegna, 2012). Feito em homenagem à erva da Indonésia, Zegna apresenta uma interpretação minimalista e moderna da nota. Com um estilo contemporâneo e limpo, Javanese Pachouli tem um topo de bergamota e pimenta rosa, um centro de patchouli e cedro, e uma base de fava tonka. O aspecto canforado é minimizado para favorecer a terrosidade da planta. Javanese Patchouli é competente, porém caro se levado em conta o custo dos ingredientes.

IndonesianOud50. Indonesian Oud (Zegna, 2012). Quatro perfumistas da Estée Lauder foram responsáveis por esta criação. O esforço valeu a pena, pois Indonesian Oud tem sido reconhecido como uma excelente fragrância à base de oud, com notas de bergamota, rosa, patchouli e âmbar em plena harmonia. Talvez o perfume agrade mais homens (e algumas mulheres) que preferem um oud mais domesticado e polido – nada de cheiro de estábulo ou gasolina. Oud light.

FlorentineIris51. Florentine Iris (Zegna, 2012). Depois de uma saída amarga e metálica de bergamota e folha de violeta, a composição apresenta uma nota de íris discreta e luminosa, trabalhada com nuances de violeta, jasmim e flor de laranjeira. Para manter seu ar seco e atalcado, Florentine Iris conta com uma sedosa base de musk. Embora feito para homens, este é um perfume levemente feminino e elegante.

ItalianBergamot52. Italian Bergamot (Zegna, 2012). Como um tributo ao ingrediente mais utilizado na perfumaria (e também nativo do país do designer Ermenegildo Zegna), Italian Bergamot interpreta o tema de bergamota com notas de limão tahiti, néroli, alecrim, folhas verdes e vetiver. A partir de uma abertura agradável e efervescente, o perfume caminha para um dry-down árido e salino, realçando o aspecto natural e ligeiramente picante da bergamota. Pura classe e simplicidade.

CuirStyrax53. Cuir Styrax (Prada, 2012). Explosivo e animálico, Cuir Styrax é muito mais estoraque do que couro. Com um topo de néroli e flor de laranjeira para dar certa graça, o perfume abre diretamente com um aroma picante e defumado que remete a incenso e madeiras escuras queimadas na floresta. Para amenizar a composição, Cuir Styrax assume uma base macia e adocicada de baunilha e musk. Somente para os mais seguros de si.

CafeRose54. Café Rose (Tom Ford, 2012). Classificado como chipre floral, Café Rose é uma ousada e inovadora fragrância de Tom Ford. O perfume equilibra seu ângulo refinado de açafrão e patchouli com o ângulo sexy de café e incenso. A nota de rosa é aqui densa e potente, diferente do habitual; a nota de café não é gourmand nem óbvia – em Café Rose tudo funciona como uma única peça. É uma fragrância austera e madura, romântica e sensual.

OudIspahan55. Oud Ispahan (Dior, 2012). Criado com base no acorde rosa-oud, Oud Ispahan é bem contemporâneo e nada lembra os perfumes árabes em que foi inspirado. O oud (normalmente medicinal e viscoso) aqui aparece delicado e suave, em harmonia perfeita com a nota de rosa. A nota de patchouli traz um interessante toque amargo e terroso de cacau. Limpo e polido, Oud Ispahan é versátil em todos os sentidos – pode ser usado em qualquer situação e temperatura, tanto por mulheres como por homens.

FiguierEden56. Figuier Eden (Armani Privé, 2012). Mais recentemente, Armani lançou uma sub-linha fresca e aromática, caracterizada com o mesmo estilo de frasco, porém transparentes. Sua fragrância mais interessante é Figuier Eden, inspirada nos jardins do Mediterrâneo e construída ao redor da nota de figo. A nota principal é ressaltada com mandarina, pimenta rosa, chá, grama cortada e íris. Sem o costumeiro traço lactônico, Figuier Eden é um perfume verde e fresco, inspirador e revitalizante.

MyrrheImperiale57. Myrrhe Impériale (Armani Privé, 2013). Inspirado num dos três presentes dos reis magos, Myrrhe Impériale toma a mirra como tema principal e a interpreta com notas de pimenta rosa, açafrão, benjoim, âmbar e baunilha. Na saída, pode-se notar o verdadeiro aroma natural da mirra em toda a sua dimensão. A composição evolui para uma base mais doce, porém não menos interessante. Myrrhe Impériale é mais um oriental especiado de Armani que consegue ser chic e sexy ao mesmo tempo.

Rossetto58. Rossetto (Prada, 2013). A décima quarta fragrância de extratos exclusivos da marca italiana é totalmente inspirada no batom. Praticamente desenvolvido em uma única fase, Rossetto trabalha ao redor do acorde rosa-violeta com notas de framboesa, heliotrópio, baunilha e musk, além de um leve toque salino. O resultado é um moderno batom em formato perfume, feito para as moças bem-nascidas que podem desembolsar 230 euros por um frasco de 30 ml.

193259. 1932 (Chanel, 2013). Provavelmente o mais suave dos florais aldeídos de Chanel, 1932 é também o mais masculino deles. Arejado e desenvolto, o perfume parte de um topo cintilante e aromático para cair nas graças de um buquê atalcado de lilás, cravo, rosa, ylang-ylang e jasmim. A base é predominantemente amadeirada e balsâmica, com tons de incenso e baunilha, além de musk. Versátil e andrógino.

ShaghaiLily60. Shanghai Lily (Tom Ford, 2013). Esta fragrância pouco conhecida da linha Private Blend de Tom Ford é um belíssimo oriental floral e picante. Com uma saída de laranja amarga e especiarias quentes, Shanghai Lily aos poucos vai mostrando sua faceta floral atalcada com notas de rosa, jasmim, tuberosa e orris. Na evolução, o perfume esquenta e se torna mais balsâmico com um acorde de benjoim, incenso, labdanum, gaiaco, castoreum e cashmeran.

PlumJaponais61. Plum Japonais (Tom Ford, 2013). O gênero olfativo ideal para posicionar esta fragrância seria “oriental frutado”. Plum Japonais é uma deliciosa composição feita em torno do tema de ameixa, enriquecido com notas herbáceas, florais, especiadas e balsâmicas. Logo na saída, o perfume é predominantemente doce (baunilha e âmbar) e picante (canela e açafrão), amenizado com tons de abeto e camélia. No dry-down, uma nota de oud se torna mais evidente, conferindo um efeito luxuoso à fragrância.

DesertOud62. Desert Oud (Dolce & Gabbana, 2013). Desert Oud é uma das duas opções de oud oferecidas por Dolce & Gabbana dentro da sua luxuosa Velvet Collection iniciada em 2011. Esta é uma composição esfumaçada e musky, funcionando como um bloco monolítico de oud, âmbar, incenso e almíscar. O resultado tende para o masculino, de toda forma equilibrando bem o refinado com o sensual, principalmente com o longo rastro de musk que o perfume deixa no ar. Oud musk.

TenderOud63. Tender Oud (Dolce & Gabbana, 2013). Enquanto Desert Oud é mais seco e viril, Tender Oud explora notas de rosa e amêndoas, tornando a fragrância mais feminina e delicada. O acorde doce e polvoroso domina o aroma no primeiro estágio, em seguida liberando caminho para o buquê de rosas, que desabrocha com toda potência. Na evolução, a base de oud desperta e se funde com o resto da composição em perfeito equilíbrio. Oud romântico.

HaitianVetiver64. Haitian Vetiver (Zegna, 2014). O vetiver é cultivado tradicionalmente na Indonésia, onde é mais esfumaçado e terroso, e no Haiti, onde é mais transparente e fresco. Assim, Haitian Vetiver é um amadeirado aromático mais leve e macio. O perfume abre cítrico e soapy com bergamota e néroli, antes de revelar um coração polvoroso de íris e sementes de cenoura. Finalmente, a composição conclui com uma base sofisticada de vetiver. Apesar de limpo, o perfume trabalha bem o caráter da nota central.

IncenseSuede65. Incense Suede (Salvatore Ferragamo, 2014). Seguindo tendências, o designer italiano Salvatore Ferragamo introduziu sua linha exclusiva de fragrâncias em 2014, incluindo três variáveis. A melhor delas é Incense Suede, que consiste de pimenta rosa, mate incenso, açafrão, pau-rosa, estoraque e camurça. Devido às notas de pesos moleculares similares, Incense Suede começa como termina: uma grande nuvem de fumaça incensada, totalmente refinada e confortável.

WhiteMimosa66. White Mimosa (Salvatore Ferragamo, 2014). Centrado numa das notas mais potentes e inebriantes da perfumaria, a acácia (ou mimosa), White Mimosa ressalta seu odor narcótico de mel, pólen, néctar e tabaco com um topo de mandarina e almíscar vegetal, um centro de flores brancas e heliotrópio, e uma base de orris, âmbar e baunilha. O resultado é um oriental floral atalcado e musky, feminino e sedutor. O perfume da mulher fatal.

GoldenAcacia67. Golden Acacia (Salvatore Ferragamo, 2014). Como uma versão mais jovial de White Mimosa, este perfume coloca sob os holofotes o moderno acorde de mel, flor de laranjeira e patchouli, diminuindo o papel da flor de acácia. Mesmo assim, Golden Acacia é uma bomba floral com traços animálicos, apoiada sobre uma base encorpada e balsâmica de âmbar e opoponax. Um perfume feito para moças sofisticadas que curtem perfumes na linha de Elie Saab Le Parfum e L’Instant de Guerlain.

CoutureTuberose68. Couture Tuberose (Versace, 2014). A nova coleção exclusiva Gianne Versace Couture é uma homenagem de Donatella ao seu falecido irmão, apresentada em frascos luxuosos revestidos de couro, com motivos gregos e formato Bauhaus. Couture Tuberose é uma tuberosa muito diferente do comum, trabalhada com a molécula sintética macia de ambroxan e coberta de amêndoas secas e polvorosas.

CoutureViolet69. Couture Violet (Versace, 2014). Uma das flores favoritas de Donatella Versace é mais um tema da coleção exclusiva Gianne Versace Couture. A violeta tem aqui seu caráter floral atalcado e sedoso ressaltado por notas de heliotrópio e musk, mantendo o fundo metálico e aromático de sua folha. Para torná-lo mais potente e feminino, Couture Violet combina seu ingrediente principal com uma narcótica nota doce, cremosa e plástica de acácia (mimosa). Um talco luxuoso.

MandarinoDiAmalfi70. Mandarino di Amalfi (Tom Ford, 2014). Estendendo suas opções frescas e aromáticas como Neroli Portofino, Tom Ford lança dois novos perfumes no mesmo estilo. Um deles é Mandarino Amalfi, uma potente colônia com traços de herbáceos e florais. A composição abre com um pungente acorde verde e cítrico de mandarina, menta, cassis e ervas finas. Mandarino di Amalfi vai aos poucos esquentando com pimenta e coentro, com jasmim de fundo. Para concluir, uma base chipre com musk e civet.

CostaAzzurra71. Costa Azzurra (Tom Ford, 2014). Concluindo a trilogia dos aromáticos com frascos azulados, Tom Ford introduz um rico aromático com acordes opostos. De um lado, Costa Azzurra é refrescante com notas de frutas cítricas (mandarina e limão siciliano), ervas finas (lavanda, artemísia, zimbro, algas marinhas, mirto e aipo); por outro, o perfume é quente e encorpado devido à combinação de cardamomo, vetiver, incenso, baunilha, carvalho, oud e madeira molhada. Um pouco amargo, mineral e salino, Costa Azzurra não é o aquático típico.

PatchouliAbsolu72. Patchouli Absolu (Tom Ford, 2014). O designer Tom Ford oferece uma interpretação moderna da nota de patchouli. Na saída, Patchouli Absolu mostra seu lado canforado com a ajuda de agulhas de pinho, louro e alecrim. Na evolução, o patchouli perde seu lado florestal para ganhar um aspecto limpo e gelado produzido por um acorde central de cedro, violeta e cipreste. No dry-down, notas de gaiaco, fava tonka, couro, âmbar e cashmeran dão o toque final para este patchouli “mauricinho”.

CuirDAnge73. Cuir d’Ange (Hermès, 2014). Apesar do nome angelical, Cuir d’Ange é, na verdade, um couro difícil, com aspecto queimado. A fragrância é construída em torno da nota de bétula (couro), acompanhada de notas florais como narciso, violeta, heliotrópio e espinheiro, que ajudam a construir uma atmosfera seca, polvorosa e com certa graça. Uma camada de musk atua na base para reforçar o conforto da composição. Compre se gostar de couro, mas não espere por um perfume delicado.

CartierOudOud74. Oud & Oud (Cartier, 2014). Em comemoração ao jubileu de cem anos da casa, Cartier encomendou à sua perfumista Mathilde Laurent três fragrâncias à base de oud. A melhor delas é Oud & Oud, que incorpora a nota de oud sem restrições. Sem listar notas, Cartier oferece um oud que parece de nicho, com um aspecto fenólico, defumado, animálico e medicinal, mais próximo da matéria-prima natural. É um perfume autêntico, feito para poucos. Oud barroco.

OudRose75. Oud & Rose (Cartier, 2014). Enquanto Oud & Oud tenta ser mais fiel ao ingrediente in natura, Oud & Rose já é uma evolução romântica do conceito original. Depois de uma rápida saída cítrica e química, o perfume revela uma enorme rosa suculenta cercada de um potente bálsamo de facetas doce, esfumaçada e picante. Oud & Rose resulta num autêntico perfume árabe com um preço igualmente grandioso: 320 euros por um frasco de 75 ml.

AmbreTigre76. Ambre Tigré (Givenchy, 2014). Em 2014 a casa Givenchy lançou sua linha exclusiva L’Atelier de Givenchy composta de sete fragrâncias, cada uma invocando uma nota ou acorde. Ambre Tigré foi inspirado nas estampas animálicas, representando o instinto animal com três notas principais: âmbar, labdanum e baunilha. A construção minimalista não desaponta: um âmbar de excelente qualidade é multifacetado, mostrando inicialmente um lado doce e licoroso, depois seco, resinoso e confortável.

OudFlamboyant77. Oud Flamboyant (Givenchy, 2014). Buscando inspiração no mundo árabe, Oud Flamboyant reúne as notas de oud, labdanum, especiarias e couro. A nota central da composição costuma ser de difícil “digestão” por ter um aspecto denso e medicinal, praticamente um gosto adquirido. Porém Oud Flamboyant é um oud suave e arredondado, amaciado pelas notas de labdanum e couro. Ideal para quem não tem experiência ou não gosta de um oud mais natural.

NéroliOriginel78. Néroli Originel (Givenchy, 2014). O néroli é uma nota proveniente da flor de laranjeira que equilibra o melhor do cítrico e do floral branco. Néroli Originel foi inspirado no modelo de um vestido usado pela eterna musa de Givenchy, Audrey Hepburn. Utilizando o extrato natural de néroli da Tunísia, o perfume mostra um efeito natural e realístico, simples e encantador. Uma merecida homenagem a um ingrediente que quase nunca aparece como protagonista.

ImmortelleTribal79. Immortelle Tribal (Givenchy, 2014). Esta nova adição à linha exclusiva de Givenchy aborda uma nota pouco comum: a immortelle, também conhecida por “sempre viva”. Trata-se de uma flor conhecida por seu odor multifacetado: floral, herbáceo e adocicado. Seguindo o gênero floral oriental, Immortelle Tribal trabalha sua nota principal com uma vibrante folha de figo e um confortável sândalo, além de exalar traços de mel, feno e amêndoas durante a evolução.

boismartial80. Bois Martial (Givenchy, 2014). Segundo o site da marca, “Bois Martial invoca uma super-estrutura, padrões arquitetônicos e estilo andrógino; a fragrância é um edfíicio feito sobre uma madeira raramente usada na perfumaria: a madeira de coco; há também acordes de abacaxi, sálvia e cedro”. Givenchy ganha pontos por abordar a nota de coco, uma das mais polarizantes da perfumaria.

chyprecaresse81. Chypre Caresse (Givenchy, 2014). Givenchy descreve Chypre Caresse como sendo “uma interpretação de um vestido atemporal e delicado de alta-costura”. A composição abre com limão e raiz de angélica, anunciando um delicado buquê de jasmim. Como um bom chipre moderno, Chypre Caresse se apoia sobre uma base terrosa e amadeirada de patchouli.

EssenceRose82. Rose (Elie Saab, 2014). Em 2014, o estilista libanês lançou sua linha de alta-perfumaria, consistindo de quatro fragrâncias, em colaboração com o perfumista Francis Kurkdjian. A primeira delas é dedicada à nota de rosa, contendo absolutos de suas diversas variáveis – búlgara, turca, centifólia e damascona. Devido à combinação de ingredientes naturais, Rose ganha mais corpo, intensidade e, ainda assim, maciez. As variáveis mais suculentas de rosa conferem um aspecto doce como geleia, sem ser enjoativo.

EssenceGardenia83. Gardénia (Elie Saab, 2014). A segunda fragrância da coleção exclusiva de Elie Saab gira em torno da gardênia – uma flor fresca, brilhante e delicada. Para esta composição, o perfumista Francis Kurkdjian elegeu também absoluto de jasmim egípcio (Sambac) e óleo essencial de sândalo indiano. Gardénia mostra uma gardênia aquosa, verde e lactônica como o aroma de um jardim depois de uma chuva de verão.

EssenceAmbre84. Ambre (Elie Saab, 2014). Na sequência das composições dedicadas à rosa e à gardênia, Elie Saab apresenta sua versão da nota fantasia de âmbar. Além do acorde clássico de baunilha, estoraque, labdanum e benjoim, Ambre incorpora notas de sândalo, patchouli e opoponax para criar uma aura mais complexa e doce, com tons esfumaçados, picantes e animálicos. Ambre é um perfume monolítico um pouco rente à pele, mas de longa duração.

EssenceOud85. Oud (Elie Saab, 2014). Elie Saab introduz uma fiel interpretação do oud com notas de pimenta preta e benjoim, ressaltando seu lado carnal, doce e viscoso. Oud abre como um autêntico perfume árabe, ou seja, medicinal e queimado, porém amenizado depois de uma ou duas horas. No dry-down, a composição assume uma atmosfera florestal com traços esfumaçados. Indicado somente para quem está acostumado com o ingrediente natural, ou mulheres que curtem um cheiro mais viril e selvagem.

CuirCannage86. Cuir Cannage (Dior, 2014). Cuir Cannage (“trama de couro”) foi inspirado no aroma do forro das bolsas de couro da Dior. A nota tema claramente domina a composição, porém é aqui suavizada com notas florais de íris, jasmim e rosa. Com uma saída floral e fresca de flor de laranjeira e ylang-ylang, o perfume se torna atalcado e esfumaçado durante sua evolução, transmitindo uma boa dose de feminilidade. Cuir Cannage é uma interpretação suave e delicada da nota de couro, distante de Cuir de Russie e Knize Ten.

OrientalExpress87. Oriental Express (Thierry Mugler, 2014). Íris, sândalo e baunilha são as notas principais deste oriental ambarado. Oriental Express leva notas florais e especiadas para dar personalidade à sua natureza intensamente polvorosa e resinosa. O perfume remete ao clássico Shalimar com uma ênfase maior no traço atalcado e menos no traço animálico. Talvez um pouco feminino, Oriental Express é indicado a homens fãs de Dior Homme, Arpège pour Homme e Infusion d’Homme.

OverTheMusk88. Over the Musk (Thierry Mugler, 2014). Esta parece ser uma versão mais madura e bem-elaborada do clássico Mugler Cologne e seu cheiro de roupa lavada. Over the Musk, contudo, negligencia um pouco o lado limpo do almíscar para focar em seu lado quente e sensual. A composição é neutra, passando mais uma sensação de textura de pele macia do que um aroma em particular. Over the Musk é um daqueles perfumes para curtir intimamente, sem grande silagem, porém com grande fixação.

Chyprissime89. Chyprissime (Thierry Mugler, 2014). O site da marca revela apenas as notas que já são esperadas de um chipre: bergamota, musgo de carvalho, patchouli e labdanum. Porém, cheirando de perto, podemos sentir outras notas como pera, alcaçuz, feno, gengibre, tabaco e âmbar gris (ambroxan). Chyprissime é uma interpretação moderna de um gênero clássico, todavia evitando seguir o caminho mais óbvio da doçura e cremosidade. O perfume ganha pontos pela sua simplicidade, abstração e desempenho.

AmbreImpérial90. Ambre Impérial (Van Cleef & Arpels, 2014). A linha exclusiva da renomada joalheria se expande com este oriental especiado, pela primeira vez dedicado à nota fantasia de âmbar. Com uma saída de bergamota e pimenta rosa, Ambre Impérial logo esbanja seu potencial balsâmico e doce com notas de fava tonka, benjoim, labdanum e baunilha, além de madeiras escuras como pano de fundo. Ambre Impérial é uma composição densa, quente e polvorosa, opulenta como o nome sugere.

FleurUniverselle91. Fleur Universelle 1900 (Lalique, 2014). Devido à escassez de lojas oficiais da Lalique, sua coleção exclusiva Noir Premier ainda é pouco conhecida. Assim como o ano 2000, 1900 foi marcado por expectativas de renovação e perseverança. Como tema da criação Fleur Universelle, Lalique elegeu a nota de immortelle, como um símbolo e união entre o antigo e o moderno. Remetendo a açúcar queimado com toque herbáceo, a nota é ressaltada com pimenta rosa, cardamomo, rum, canela, mirra, patchouli, fava tonka, âmbar e couro.

TerresAromatiques92. Terres Aromatiques 1905 (Lalique, 2014). A segunda criação da série exclusiva Noir Premier de Lalique, Terres Aromatiques, marca o ano em que François Coty e René Lalique se encontraram e firmaram uma parceria histórica para a perfumaria. Trata-se de uma composição amadeirada aromática, inspirada nas obras de Coty, com um topo de abacaxi e cardamomo, um centro de lavanda, tomilho e frésia, e uma base de vetiver e fava tonka.

RoseRoyale93. Rose Royale 1935 (Lalique, 2014). Rose Royale 1935 celebra o ano de inauguração da primeira loja independente de Lalique num dos pontos mais exclusivos da Rue Royale em Paris. O perfume toma como base a nota de rosa, vestindo-a com uma camada doce e suculenta de osmanthus, damasco e pêssego. Para conservar o aroma principal, Rose Royale assume uma base limpa e aveludada de couro, cashmeran e musk.

    amarena94. Amarena (Bvlgari, 2014). Cerejas ao marrasquino, essa é a inspiração de Bvlgari para esta fragrância. É claro que a fragrância é decorada com um enorme buquê de rosa e tuberosa para se tornar suntuosa e elegante. Amarena quase não passa por um floral frutado de tão discreta e bem combinada que a nota de cereja é no perfume. Delicioso!

ashlemah95. Ashlemah (Bvlgari, 2014). O meu preferido da coleção exclusiva de Bvlgari é o mais polvoroso de todos. Imagine violeta, íris, heliotrópio e lavanda e suas facetas atalcadas todas reunidas num único perfume. Certamente há uma boa dose de sintéticos para sustentar tamanha fragrância translúcida, mas eu não ligo. O resultado é fenomenal, principalmente considerando a evolução na pele.

lilaia96. Lilaia (Bvlgari, 2014). Um tributo ao lírio, Lilaia parece mais um jasmim gelado. Talvez seja o mais diferente da coleção, que se propõe ao estilo atalcado chic. O perfume conta ainda com uma saída de laranja e menta e uma base de mate e lentisco. O resultado é um sofisticado chá verde porém não tão suave e aromático mas sim encorpado como um belo perfume de nicho.

maravilla97. Maravilla (Bvlgari, 2014). Talvez a alternativa mais feminina da coleção exclusiva de Bvlgari seja esse floral frutado de nuances cítricas, amadeiradas e especiadas. Depois de uma saída de limão e pêssego, a composição adentra um buquê de flor de laranjeira e jasmim. Tudo é “amarrado” por uma base chiprada de patchouli. Um perfume mais alegre e menos melancólico em relação aos demais.

noora98. Noorah (Bvlgari, 2014). Com um tom mais escuro que remete aos antigos Cabochard e Habanita, a casa Bvlgari investe num perfume powdery à base de tabaco. Não é aquele tabaco de tons frutados mas sim um tabaco defumado, meio retrô. O aspecto atalcado de íris e baunilha fica na retaguarda, competindo com um outro acorde semigourmand de mel, biscoito de gengibre, patchouli, benjoim e conhaque.

velvetbergamot99. Velvet Bergamot (Dolce & Gabbana, 2014). É tão raro vermos um perfume dedicado inteiramente à nota de bergamota, afinal este é um ingrediente onipresente na perfumaria como parte do topo das fragrâncias, e não do centro. Mas D&G  foi corajosa e apresentou Velvet Bergamot, um cítrico aromático de tons florais e amadeirados. Além do tema principal, a fragrância conta com notas de petitgrain, flor de laranjeira, sálvia, vetiver e ambrette.

velvetrose100. Velvet Rose (Dolce & Gabbana, 2014). Para seu tributo ao tema da rainha das flores, a grife italiana caprichou num coração compostos por variedades distintas da flor (búlgara, marroquina, francesa). Velvet Rose abre luminosa e refrescante com cítricos e lírio, antes de exalar seus tons florais femininos e românticos. A base é totalmente feita de almíscares sintéticos a fim de preservar a aura suave e translúcida da fragrância.

Veja também: Nicho Fashion e Lançamentos de Linhas Exclusivas

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