Nicho Histórico

NichoHistóricoConfeccionadas por químicos ou monges e servindo a realeza ou a burguesia europeia, as fragrâncias deste nicho foram a ponte entre a perfumaria artesanal (feita para os importantes e endinheirados) e a comercial (feita para a massa). Casas como Penhaligon’s, Santa Maria Novella e D’Orsay nasceram no final do século XIX, com o objetivo de atender a nobreza, que usava perfumes para se diferenciar da plebe. Guerlain obviamente fez parte desse clube, antes de se popularizar nos anos 70. Inicialmente, as composições eram leves e cítricas, baseadas no acorde de colônia clássico. As criações do nicho histórico têm uma identidade aromática, pois óleos essenciais de frutas cítricas, especiarias e ervas finas eram os mais fáceis de extrair. Aos poucos novos métodos de extração e sintéticos foram surgindo. Mesmo assim, as casas seguiram no máximo um estilo fougère ou chipre, sendo hoje reconhecidas por sua aura natural de floresta úmida, montanha gelada ou jardim florido. O nicho histórico atrai homens e mulheres elegantes que apreciam uma atmosfera mais old school.

Nota: Para perfumes lançados de 2015 em diante, consulte Lançamentos de Nicho.

(ordem cronológica por ano de lançamento)

royalenglishleather1. Royal English Leather (Creed, 1781). Segundo o site da marca, Royal English Leather é a primeira fragrância composta por Creed, encomendada pelo rei George III em 1781. À época, Creed era o luveiro do rei e perfumava as luvas do rei com este perfume. Royal English Leather muito tempo depois foi comercializado para o público geral. Trata-se de um chipre couro com topo de bergamota e mandarina, corpo de âmbar gris e base de couro e sândalo.

whiterose2. White Rose (Floris, 1800). White Rose é um floral aldeídico de traços polvorosos e verdes. Abrindo cintilante com aldeídos, notas verdes e cravo, o perfume aos poucos revela um coração atalcado de rosa, violeta, íris e jasmim. Tudo isso é envolto por um manto de âmbar e musk. White Rose é um talco em formato perfume e, como tal, não apresenta tanta projeção quanto longevidade na pele.

Potpourri3. Potpourri (Santa Maria Novella, 1828). Potpourri é uma antiga receita de monges da Toscana que faz uso de especiarias e ervas finas para criar uma fragrância complexa e inusitada. A beleza da construção está na interação de suas duas polaridades: a quente e escura com cravo-da-índia, noz moscada e pimenta; e a fresca e brilhante com menta, lavanda e eucalipto. Notas herbáceas de tomilho, sálvia, louro e patchouli enriquecem a composição, que também conta com uma base de bálsamo peru.

eitquettebleue4. Etiquette Bleue (D’Orsay, 1830). Este é um cítrico aromático sofisticado, longe de ser uma simples colônia. Segundo o site da marca, o perfume é um clássico criado pelo conde Alfred d’Orsay em 1830 como presente para Lady Blessington. Etiquette Bleue foi reformulado e relançado em 2008. A fragrância reúne notas de bergamota, limão, laranja, petitgrain, alecrim, flor de laranjeira, musgo de carvalho e madeiras nobres.

FleursBulgarie5. Fleurs de Bulgarie (Creed, 1845). Esta fragrância foi originalmente criada em 1845 para a rainha Victoria, num período em que a casa Creed servia como fornecedor oficial da corte real. A composição monta-se ao redor da rosa da Bulgária, com bergamota no topo e âmbar gris na base. O soliflor acaba sendo tão masculino quanto feminino, além de ser versátil. Fleurs de Bulgarie transmite uma aura de imponência e classe, apropriado para pessoas maduras e resolvidas.

fantasia6. Fantasia de Fleurs (Creed, 1862). Segundo o site de Creed, este foi um floral buquê criado para a imperatriz Elisabeth do Império Austro-Húngaro, também conhecida por sua beleza e estilo, além de sua posição real. Fantasia de Fleurs abre com um topo de bergamota, anunciando um coração de rosa búlgara e íris florentina. A secagem fica por conta de um manto de âmbar gris.

ViolettaDiParma7. Violetta di Parma (Borsari, 1870). Esta legendária fragrância foi originalmente confeccionada para a duquesa de Parma, segunda esposa de Napoleão. Pela primeira vez os monges do monastério Annunziata extraíam o óleo essencial de violetas. Ludovico Borsari guardou a fórmula e lançou o perfume ao público em 1870, causando um instantâneo furor. O odor naturalmente doce e atalcado da violeta é acompanhado de rosa, jasmim, muguê, jacinto e heliotrópio, além de uma base de madeiras nobres e musk. Violetta di Parma é um clássico que representa o estilo simples e natural da antiga perfumaria.

HammanBouquet8. Hamman Bouquet (Penhaligon’s, 1872). Feita inteiramente à moda inglesa, Hamman Bouquet foi a primeira fragrância de destaque da tradicional casa Penhaligon’s. A composição é metade fougère e metade floral, com as notas de lavanda, rosa e jasmim envoltas por uma camada quente de sândalo, âmbar e musk. Hamman Bouquet consegue balancear seu lado feminino soapy com seu lado masculino de barbearia. Durante sua evolução, o perfume vai se tornando polvoroso e nostálgico.

Tabarome9. Tabarome (Creed, 1875). Reformulado em 2000, este perfume foi originalmente criado para Winston Churchill, que era apaixonado por bebidas e charutos. A composição reúne notas de laranja, gengibre, tabaco, patchouli, sândalo, couro e âmbar gris, resultando numa aura aromática luminosa e clássica. Na secagem, a nota de tabaco se revela verde como as folhas e não defumada como no cigarro. Limpo e masculino, Tabarome foi feito para homens elegantes e maduros.

AcquaClassica10. Acqua Classica (Borsari, 1880). Uma colônia clássica em versão eau de parfum, Acqua Classica abre cítrica e herbácea, com um aroma menos refrescante e mais seco do que de costume. O coração da composição consiste de gerânio, pimenta e gengibre, transmitindo um interessante aspecto especiado. Na base, notas de musgo de carvalho, vetiver e almíscar trazem corpo, sem tornar o perfume pesado. Devido à maior concentração, Acqua Classica é uma colônia densa, porém mais durável.

Fieno11. Fieno (Santa Maria Novella, 1886). Hoje em dia parece inconcebível um perfume criado ao redor da nota de feno, porém esta composição de Santa Maria Novella surpreende com seu caráter natural e macio. Distanciando-se do aspecto de tabaco da matéria-prima principal, Fieno é um fougère com um intenso acorde floral rosa-jasmim, que confere um efeito mais charmoso e polvoroso. Com uma base de sândalo, baunilha e benjoim, o perfume exala um adocicado rastro herbáceo e atalcado.

PeauEspagne12. Peau d’Espagne (Santa Maria Novella, 1901). Peau d’Espagne é uma das mais naturais interpretações da nota de couro. Com mais de cem anos, a fragrância mantém-se atemporal, com uma fórmula praticamente intacta. A composição abre com bergamota e néroli, evoluindo para um coração especiado de cravo e folha de violeta. Cedro, bétula e civet formam juntos a nota fantasia de couro espanhol. O resultado é seco e escuro, austero e extremamente masculino.

BlenheimBouquet13. Blenheim Bouquet (Penhaligon’s, 1902). Limão, pimenta, lavanda, agulhas de pinho e musk são os ingredientes principais deste potente cítrico aromático. Minimalista em sua composição, Blenheim Bouquet tem uma construção complexa que valoriza cada uma de suas notas. A saída cítrica é natural e efervescente, incorporando uma luminosa nota de lavanda. Na base, a combinação de agulhas de pinho e pimenta com almíscar propicia um suave e confortável aroma herbáceo e picante.

Reve14. Rêve d’Ossian (Oriza, 1905). Rêve d’Ossian é um oriental amadeirado que reúne resinas e madeiras nobres com um toque de aldeídos. Abrindo soapy e incensado, o perfume mergulha num coração de resinas (opoponax, elemi, fava tonka e benjoim), além de canela. Nesse ponto o aroma predominante é doce e polvoroso, até que sândalo, gaiaco, couro e musk surgem para arredondar e firmar a composição. Rêve d’Ossian tem um aspecto tradicional, perfeitamente compartilhável.

cornubia15. Cornubia (Penhaligon’s, 1910). Composto há mais de um século, Cornubia foi um dos primeiros perfumes da casa inglesa Penhaligon’s. Trata-se de um oriental floral de nuances cítricas e vanílicas. Depois de uma saída de mandarina, néroli e frésia, Cornubia expande seu aroma floral com notas de flor de laranjeira, jasmim e heliotrópio. A secagem fica por conta de um acorde base de madeiras nobres, âmbar, baunilha e musk.

EnglishFern16. English Fern (Penhaligon’s, 1911). Como o próprio nome indica, este é um fougère ao estilo clássico. English Fern tem sua composição apoiada no dueto de lavanda e gerânio, que se complementam para produzir um intenso aroma revitalizante. Durante sua evolução, uma marcante nota de cravo-da-índia se junta à base amadeirada de patchouli, sândalo e musgo de carvalho. O resultado é um perfume clássico e elegante, remetendo à atmosfera limpa e gelada de barbearia.

ChevalierDOrsay17. Chevalier d’Orsay (D’Orsay, 1912). Este saudoso e romântico aromático abre com um acorde naturalístico de cítricos, lavanda e manjericão. Mais adiante, um buquê de especiarias quentes e geladas (pimenta, noz moscada, canela e menta) potencializa ainda mais o topo da composição, além de delicadas notas de íris, muguê e flor de laranjeira. A base fica a cargo de musgo de carvalho, agulhas de pinho, patchouli, baunilha e musk. Chevalier d’Orsay segue a fundo a assinatura sutil e elegante da casa.

Relique18. Relique d’Amour (Oriza, 1920). Esta era a fragrância de uma antiga abadia com suas paredes frias cobertas de musgo úmido, altar de madeira encerada e o ar cheirando a incenso e mirra. Por fora, um jardim repleto de lírios. Relique d’Amour é uma composição romântica que abre com notas de muguê e angélica, com um fundo de agulhas de pinho e pimenta. Mais adiante, o perfume revela notas de incenso e mirra, além de madeira de carvalho. Apesar de simples, Relique d’Amour trabalha com competência e lirismo a nota de muguê como poucos.

redmoscow19. Red Moscow (Novaya Zarya, 1925). Originalmente lançado com o nome Krasnaya Moskva, ou “Moscou Vermelho”, este foi o primeiro perfume soviético e desde então se tornou extremamente popular na Rússia (talvez fosse o equivalente ao nosso Rastro). A fragrância é um chipre clássico com topo fresco de aldeídos, bergamota, coentro e néroli, coração picante de rosa, cravo, jasmim e ylang-ylang, e uma base oriental de orris, fava tonka, resinas e madeiras.

LeDandy20. Le Dandy (D’Orsay, 1925). Le Dandy é um amadeirado especiado que explora o poder das frutas e do rum. Com uma saída licorosa de abacaxi, pêssego, ameixa e rum, Le Dandy logo revela um acorde central picante com canela, noz moscada, cardamomo, gengibre e pimenta. Para amenizar a composição, notas de sândalo, patchouli, tabaco e fava tonka diluem a viscosidade e pungência do perfume, conferindo uma aura sofisticada e confortável.

Profumo21. Profumo (Acqua di Parma, 1930). Profumo de Acqua di Parma é um chipre clássico ancorado num jasmim carnal e numa rosa suculenta (damascona). Chique, sensual e feminino, este perfume se desenrola lindamente na pele e lentamente revela seu fundo de âmbar, puxando mais para o amargor do labdanum do que a doçura do benjoim. Acqua di Parma projeta bem e dura o dia todo, deixando um rastro quente e atalcado que é tão elegante hoje quanto quando ele foi concebido.

NuitLongchamp22. Nuit de Longchamp (Lubin, 1934). Dentre todos os perfumes antigos da casa Lubin, este é o único que restou. Nuit de Longchamp é um floriental de aspecto atalcado e balsâmico. A composição começa com um acorde bergamota-ylang-ylang, seguido de um coração floral (rosa, íris e jasmim). Noz moscada, patchouli, bálsamo peru e tolu conferem uma atmosfera escura e defumada, enquanto vetiver e musgo de carvalho trazem terrosidade. O resultado é mais macio e suave do que parece.

AmbreVanille23. Ambre et Vanille (E. Coudray, 1935). Este polvoroso oriental tem mais amêndoas e íris do que âmbar e baunilha. Com uma saída de cítricos e ylang-ylang, Ambre et Vanille revela, depois de meia hora, um delicioso aroma amendoado de labdanum, heliotrópio e fava tonka. A nota de íris surge, produzindo uma aura doce e atalcada. Diferente do que propõe seu nome, o perfume assume um caráter mais agradável e confortável do que opulento e marcante.

ViolettesToulouse24. Violettes de Toulouse (Parfums Berdoues, 1936). A antiga casa francesa, fundada em 1092, é especialmente conhecida por esta fragrância, disponível tanto na concentração eau de toilette como eau de parfum. Trata-se de um precoce floral frutado à base de violeta e framboesa com aspecto doce, polvoroso e musky. Enquanto a versão EDT é mais verde e aquosa, o EDP remete a bala de uva, mas confortável o suficiente para o uso durante o dia. Natural e realístico.

CuirRussie25. Cuir de Russie (L. T. Piver, 1939). Assim como a Guerlain, a casa L. T. Piver também forneceu fragrâncias para a corte francesa nos séculos XVIII e XIX. O tema de bétula, ou “cuir de russie”, foi intensamente explorado pelas casas da época devido à fascinação dos franceses pela cultura russa e também à busca por uma nota de couro menos animálica. Cuir de Russie interpreta a nota de bétula junto a mel, especiarias, musgo de carvalho, bálsamos e madeiras nobres. O resultado é doce, picante e defumado, transmitindo conforto e requinte. Um clássico a ser redescoberto.

Arome326. Arôme 3 (D’Orsay, 1943). Arôme 3 é um complexo e elegante chipre masculino que abre com um aroma seco e herbáceo de cítricos, néroli, petitgrain e lavanda. Depois de alguns minutos, um aspecto musgoso e soapy toma conta da composição. Um coração floral e picante de jasmim, ylang-ylang, mirra, cravo-da-índia e coentro tornam o perfume mais bonito e intrigante. Na secagem, a nota de lavanda permanece firme, reinando absoluta sobre um fundo cremoso floral e especiado.

8927. No. 89 (Floris, 1951). Este amadeirado aromático masculino foi concebido para o típico homem inglês. No. 89 abre cítrico e picante com notas de laranja, néroli, petitgrain, noz moscada e lavanda. Logo aparece o coração floral de gerânio, rosa e ylang-ylang, sem abafar o caráter aromático da fragrância. Sua secagem é rica em madeiras nobres e musk, deixando um rastro seco a atalcado. No. 89 exala a sofisticação e tradição da casa Floris, mas pode também parecer datado para muitos homens.

Tilleul28. Tilleul (D’Orsay, 1955). Este perfume foi inspirado na árvore de tília, típica do hemisfério norte, com suas folhas em formato de coração e flores amarelas aromáticas, cujo aroma é intensamente floral e melífluo. A tília é o símbolo da primavera e, por isso, é aqui interpretada com notas joviais e alegres. Tilleul tem uma saída levemente floral com uma nota dominante de melancia. Durante a evolução, o aspecto floral é enriquecido com notas de angélica, cera de abelha e feno, que conferem uma aura natural e agreste. Delicado e otimista.

Fleurissimo29. Fleurissimo (Creed, 1956). Feito em comemoração ao casamento entre Grace Kelly e o príncipe de Mônaco, este é um potente floral com o glamour de Hollywood. Fleurissimo é um típico perfume dos anos 50 e 60, figurativo, como se fosse o próprio buquê da noiva, neste caso com flores de rosa, tuberosa, íris e violeta. O topo e a base são formados pelos clássicos bergamota e âmbar gris, respectivamente. Fleurissimo deixa para trás um enorme rastro de talco luxuoso.

Melograno30. Melograno (Santa Maria Novella, 1965). Este é um chipre clássico com notas marcantes de romã e rosa, além de traços esfumaçados de vetiver, tabaco e opoponax. Na evolução, o perfume acrescenta notas polvorosas e sensuais de íris, âmbar e baunilha, além de notas amadeiradas e sofisticadas de cedro e patchouli. Misturando praticamente todas as famílias olfativas, Melograno é, acima de tudo, herbáceo e balsâmico, quente e levemente doce. Mais feminino do que o esperado.

Cognac31. Established Cognac (Krigler, 1966). Este clássico inglês é uma composição masculina com notas de conhaque, maçã, tabaco, calêndula, caramelo e carvalho. Abrindo com um aspecto boozy, o perfume revela em seguida notas de maçã e tabaco. Sua base produz um aroma de caramelo amanteigado, que faz uma excelente combinação com conhaque e tabaco. Apesar de ter um potencial gourmand, Established Cognac permanece aromático, seco e quente com um quê old school.

Irisia32. Irisia (Creed, 1968). Diferente dos perfumes à base de íris que hoje conhecemos, tais como Infusion de Prada ou Dior Homme, Irisia segue um estilo chipre verde. Abrindo com um acorde efervescente de bergamota, gálbano e musgo de carvalho, a composição adentra em seguida um coração de íris, violeta e tuberosa. O acorde de vetiver, sândalo, patchouli, âmbar e baunilha na base confere uma aura florestal e sofisticada que realça ainda mais o aspecto powdery do tema principal.

OudForHighness33. Oud for Highness 75 (Krigler, 1975). Criado em 1975 e relançado em 2010, Oud for Highness oferece uma interpretação ambarada e melíflua do famoso ingrediente árabe. Na saída, o perfume exala um oud adoçado e suavizado com açafrão, além de nuances de rosa, para então desenvolver uma base de sândalo, âmbar e mel. Oud for Highness apresenta um aspecto mais cremoso e caramelizado que o habitual, mas vai ficando menos enjoativo durante o dry-down.

violetta34. Violetta (Penhaligon’s, 1976). Talvez alguém possa pensar que este seja um soliflor tedioso feito à base de violeta. Mas Violetta de Penhaligon’s consegue reproduzir o melhor desta flor de facetas aromática, polvorosa e amadeirada. Além da nota principal, a composição leva também cítricos e gerânio para enfatizar o lado brilhante, enquanto uma base de cedro, sândalo e musk propicia um tom seco e atalcado.

lilyofthevalley35. Lily of the Valley (Penhaligon’s, 1976). Este outro soliflor de Penhaligon’s é dedicado a uma flor cujo aroma é praticamente impossível de ser extraído naturalmente – o lírio-do-vale. Para tanto, a casa inglesa fez uso de sintéticos e de ingredientes naturais como cítricos, gerânio, jasmim, rosa e ylang-ylang colocados sobre uma base de musgo de carvalho e sândalo. Ainda é um dos perfumes mais vendidos da casa e concorre diretamente com Muguet de Guerlain.

TubéreuseIndiana36. Tubéreuse Indiana (Creed, 1980). Entrando na década de 80, que viria a ser repleta de exageros, esta fragrância de Creed aposta na flor de maior silagem possível. A nota de tuberosa, ainda que dominante, não está sozinha, mas sim acompanhada de outras flores como a rosa. A assinatura de âmbar gris de Creed fica evidente na evolução, realçado com um toque confortável de baunilha. Tubéreuse Indiana não é a tuberosa que conhecemos em perfumes como Fracas ou Carnal Flower, mas sim uma composição mais discreta e refinada.

GIT37. Green Irish Tweed (Creed, 1985). Dentre o extenso portfólio de Creed, a criação mais vendida é Green Irish Tweed, que também é a assinatura de muitas celebridades. Seguindo o DNA da casa floral e herbáceo, este perfume equilibra bem notas de íris, verbena, folha de violeta, sândalo e âmbar gris. O resultado é cítrico e atalcado, lembrando uma atmosfera de casa de campo. Sem dúvida você vai ter ar de lorde inglês depois de quatro borrifadas desta obra-prima.

BoisPortugal38. Bois du Portugal (Creed, 1987). Bois du Portugal é um fougère oriental que combina o melhor dos dois gêneros. A fragrância abre com bergamota, logo revelando o frescor aromático da lavanda. A composição evolui para um aspecto amadeirado e esfumaçado com notas marcantes de cedro, vetiver e incenso. Na secagem, o âmbar gris traz substância e maciez, sem tirar a refrescância do perfume. Aparentemente de construção simples, Bois du Portugal é complexo e multifacetado.

vanisia39. Vanisia (Creed, 1987). De acordo com o site da Creed: “Vanisia foi criado originalmente para a rainha da Espanha que era sobrinha-neta de Maria Antonieta da França. Depois de assumir o trono, a rainha espanhola queria ter o estilo de sua parente francesa. Ela então encomendou de Creed uma fragrância que fosse rica, sensual e misteriosa com nuances de madeiras espanhola e baunilha densa”. O resultado é uma fragrância com topo de bergamota, centro de rosa e jasmim, e fundo de sândalo, baunilha e âmbar gris.

VanilleCoco40. Vanille et Coco (E. Coudray, 1989). Baunilha, coco e fava tonka são as notas principais deste oriental amadeirado. A baunilha forma, junto com sândalo e fava tonka, uma base cremosa e exuberante, que atenua o aroma potencialmente enjoativo da nota de coco. Uma nota de íris traz personalidade à composição, sem deixá-la totalmente gourmand, assim como notas de lavanda e anis conferem brilho e frescor. Vanille et Coco é um perfume feminino, sedutor e irresistível.

Eugénie41. Jasmin Impératrice Eugénie (Creed, 1989). Diz a lenda que este perfume foi originalmente concebido em 1854 para a esposa de Napoleão III, a imperatriz Eugénie de Montijo. Jasmin Impératrice Eugénie foi reeditado e introduzido em 1989 como um buquê de rosa e jasmim com topo de bergamota e base de âmbar gris, sândalo e baunilha. Com alma retrô e grandiosa, a composição equilibra elegância e sensualidade, mais apropriada para eventos noturnos.

erolfa42. Erolfa (Creed, 1992). O nome da fragrância é a junção das iniciais dos três herdeiros da casa inglesa: Erwin, Olivia e Fabienne. Trata-se de um aromático aquático que invoca a alegria de velejar em alto-mar. Erolfa abre efervescente com cítricos, melão, violeta e alcarávia, segue com um coração de jasmim, pimenta, gengibre, noz moscada e agulhas de pinho, e conclui com um fundo de musgo de carvalho, cedro, sândalo, âmbar gris e musk.

jf43. JF (Floris, 1993). Este é um chipre amadeirado feito para homens. JF abre alegre e expansivo com notas de bergamota, limão tahiti e siciliano, coentro e folhas. Em seguida, a fragrância adentra um coração aromático de cipreste, zimbro e petitgrain, além de um toque de jasmim. Um fundo chipre seco e amadeirado conclui a fragrância com um acorde de cedro, musgo de carvalho, âmbar e musk.

MillesimeImperial44. Millésime Impérial (Creed, 1995). Único e multifacetado, Millésime Impérial foi inspirado na costa da Sicília e combina notas tão diversas quanto aquáticas, frutadas, cítricas e florais, além de sal e musk. O perfume abre com uma nota marinha que de nada lembra os aquáticos dos anos 90. Notas cítricas e frutadas emergem para formar uma verdadeira atmosfera de brisa oceânica. Em seguida, a polvorosidade da íris e do musk traz uma sensação de limpeza e conforto. Natureza engarrafada.

SMW45. Silver Mountain Water (Creed, 1995). Este aromático verde foi inspirado pelo hobby de Olivier Creed de esquiar nas montanhas; o design do frasco foi concebido para ilustrar o brilho da neve dos alpes suícos. Silver Mountain Water parece ter sido um precursor de Aventus com sua vibe refrescante e metálica cercada de notas frutadas e polvorosas, exceto pelas notas de chá e petitgrain. O perfume consegue traduzir com competência a aura aquosa, gelada e metálica da neve das montanhas.

quercus46. Quercus (Penhaligon’s, 1996). Quercus é um tipo de carvalho e, assim, esta fragrância é uma homenagem à nota de musgo de carvalho. Com uma saída efervescente de bergamota, mandarina, limão tahiti e siciliano, o perfume desabrocha um buquê de jasmim temperado com cardamomo. O musgo de carvalho emerge no dry-down, acompanhado de gálbano, sândalo, âmbar e musk.

royalwater47. Royal Water (Creed, 1997). Feito para ser usado tanto por homens como mulheres, Royal Water é uma colônia sofisticada com traços verdes e especiados. A partir de uma cabeça gelada de cítricos e menta, a composição segue com um coração aromático de zimbro e manjericão. Tudo isso é sustentado por um fundo seco e macio de âmbar gris e musk. Talvez seja uma escolha cara considerando que é um perfume que dura pouco tempo na pele.

AcquadiCuba48. Acqua di Cuba (Santa Maria Novella, 1998). Classificado como aromático especiado, Acqua di Cuba enriquece a fórmula original de colônia com mel, tabaco e especiarias. Fresco e limpo, a fragrância une notas secas como cedro, tabaco e couro a notas doces como sândalo, mel e baunilha. O tom aromático fica por conta da lavanda, sálvia e cítricos. Durante sua evolução, Acqua di Cuba se torna agridoce e picante, com uma aura séria. Para senhores que gostam de um perfume à moda antiga.

Castile49. Castile (Penhaligon’s, 1998). Simples e minimalista, Castile é uma colônia firme com saída de bergamota, petitgrain e néroli, centro de rosa e flor de laranjeira, e base de madeiras secas e musk. O perfume abre fresco e borbulhante, com uma atmosfera mediterrânea. Castile logo se amacia com a nota de rosa, exalando um aroma soapy e aromático como uma manhã de sol na praia. Serve como uma colônia mais elaborada e sofisticada para uso diário.

Mandorlo50. Mandorlo di Sicilia (Acqua di Parma, 1999). Para interpretar a nota de amêndoas da Sicília, Acqua di Parma emprega notas de anis, jasmim, pêssego e bálsamo tolu. Classificado como oriental floral, Mandorlo di Sicilia remete ao aroma de Amaretto, com uma saída licorosa e ácida. O perfume não chega a ser um gourmand por ter uma aura mais seca e delicada, especialmente com a ajuda de notas florais de jasmim e ylang-ylang. Lembra um pouco cheiro de protetor de solar.

aranciadicapri51. Arancia di Capri (Acqua di Parma, 1999). Este membro da coleção Blu Mediterraneo da casa italiana Acqua di Parma é dedicado à laranja cultivada em Capri. Esta sofisticada colônia traz um topo ácido e efervescente de laranja, mandarina, bergamota e toranja. Em seguida, Arancia di Capri se torna mais picante com um centro de petitgrain e cardamomo. A finalização fica por conta de um acorde base de caramelo e almíscar sintético.

patchouli52. Patchouli (Santa Maria Novella, 2002). Como é de se esperar, a tradicional casa italiana Santa Maria Novella não brinca quando decidem interpretar um tema. No caso do patchouli, eles levam a sério suas qualidades espessas, úmidas e terrosas com toda a aura canforada que lhe é particular mas que hoje é quase inexistente na perfumaria moderna. Se você busca um perfume que faz uma rendição realística destes ingredientes, Patchouli é certamente uma escolha certeira.

Santal53. Santal (Floris, 2002). O tema central de sândalo é aqui trabalhado com notas especiadas (pimenta, cardamomo, cravo-da-índia e noz moscada) e balsâmicas (olíbano, âmbar e baunilha). A combinação produz um efeito cremoso e picante, com um fundo herbáceo de lavanda e menta. Algumas pessoas podem achar o aroma parecido com piña colada ou creme de barbear. Discreto e rente à pele, Santal de Floris é um perfume limpo e confortável para o gentleman despretensioso.

artemisia 54. Artemisia (Penhaligon’s, 2002). Persistindo no DNA aromático da casa, Penhaligon’s faz uma interpretação da planta artemísia. Adotando um estilo amadeirado fresco, Artemisia abre com notas de artemísia, chá verde, maçã verde e nectarina. Em seguida, a fragrância apresenta seu coração delicado e romântico de violeta, jasmim e lírio-do-vale suportado por um fundo de musgo de carvalho, sândalo, âmbar, baunilha e musk.

lavandula55. Lavandula (Penhaligon’s, 2002). Lavandula é um fougère aromático de nuances florais e especiadas. O perfume abre com um acorde adstringente de pimenta, canela e manjericão, anunciando um centro brilhante de lavanda, sálvia e lírio-do-vale. Na evolução, Lavandula enriquece o lado cremoso e amendoado da sua nota principal com fava tonka, além de toques de âmbar, baunilha e musk.

malabah56. Malabah (Penhaligon’s, 2003). Este perfume já sai um pouco do foco aromático característico da casa inglesa e adota o gênero oriental especiado, porém com nuances verdes e cítricas. Malabah conta com um topo de limão siciliano, chá verde e coentro. Minutos depois seu coração aparece com notas de rosa e íris temperadas com cardamomo, gengibre e noz moscada. A finalização fica a cargo de um fundo de sândalo, âmbar e musk.

Endymion57. Endymion (Penhaligon’s, 2003). Endymion se distancia da assinatura aromática da casa e segue um caminho mais oriental. O acorde clássico fougère está presente, porém dominado por uma sólida base de café, madeiras nobres, especiarias, resinas, couro e musk. Com tudo isso, Endymion é equilibrado, balanceando seus traços aromático, oriental e gourmand. A nota de café aqui é discreta, diferente de Rochas Man ou Givenchy Play, mantendo um tom maduro e tradicional de lord.

ColoniaAssoluta58. Colonia Assoluta (Acqua di Parma, 2003). Tomando como base a fórmula original da colônia clássica de Acqua di Parma, a versão Assoluta ressalta as notas de verbena e cardamomo, tornando-a mais radiante e energizante. Um coração de ylang-ylang e jasmim confere um aspecto levemente old school, conferindo uma sensação limpa e soapy. Sua base é formada por resinas e madeiras nobres, além de almíscar. Colonia Assoluta é uma colônia com uma interpretação moderna.

IrisNobile59. Iris Nobile (Acqua di Parma, 2004). Iris Nobile é um delicado e feminino floral que se distancia um pouco do estilo aromático de Acqua di Parma. Por outro lado, a perfume aborda as notas florais de maneira bastante tradicional. A fragrância abre com um revitalizante acorde cítrico-anísico, seguindo para um coração floral de íris, flor de laranjeira, ylang-ylang, acácia e tuberosa. A versão EDP de Iris Nobile tem mais intensidade e profundidade, com mais patchouli, âmbar e baunilha na base.

OriginalVetiver60. Original Vetiver (Creed, 2004). Para compor esta fragrância à base de vetiver, Creed usou outras notas de raízes como gengibre e íris. Os afficionados pela nota principal talvez estranhem este perfume, por ser uma interpretação luminosa e macia de um ingrediente tipicamente seco, terroso e esfumaçado. A nota de íris, combinada com sândalo e musk, produz um efeito limpo e atalcado. Original Vetiver conclui com a assinatura da casa: um cremoso âmbar gris.

Ellenisia61. Ellenisia (Penhaligon’s, 2005). Sensual e divertida, Ellenisia é uma exuberante fragrância floral repleta de flores brancas e adoçada com ameixa e baunilha. O perfume começa com uma saída exótica de mandarina e folha de violeta, antes de adentrar um coração de rosa, jasmim, gardênia e tuberosa. Durante a evolução, a base de ameixa e baunilha emerge, transformando a composição num delicioso e sedutor creme floral. Ellenisia é ultrafeminino.

Opus187062. Opus 1870 (Penhaligon’s, 2005). Este é um amadeirado especiado que mantém sua consistência e aroma do começo ao fim. Opus 1870 abre cítrico e picante com notas de yuzu, coentro, pimenta e canela, em seguida revelando um coração de rosa com incenso. Uma base amadeirada de sândalo, cedro e almíscar conclui a composição. O charme de Opus 1870 está justamente em seu poderoso e multifacetado drydown – doce, quente, seco e esfumaçado na medida certa.

CittaDiKyoto63. Citta di Kyoto (Santa Maria Novella, 2005). Citta di Kyoto foi lançado em comemoração ao quadragésimo aniversário da aliança entre as cidades de Florença e Kyoto. Com um topo refrescante de cítricos, flor de lótus, lavanda, cipreste e jacinto, a sofisticada colônia desabrocha em seguida um buquê de rosa, jasmim, ylang-ylang e íris com nuances frutadas (pêssego) e picantes (canela). A base fica por conta de resinas, madeiras escuras, bétula e musk.

originalsantal64. Original Santal (Creed, 2005). Original Santal é um perfume que divide opiniões. Em primeiro lugar, não parece ter o DNA da casa; em segundo, lembra muito o Le Mâle de Jean-Paul Gaultier. De qualquer forma, é um dos perfumes mais vendidos do portfólio Creed. O perfume se baseia numa estrutura básica de canela-lavanda-baunilha, trazendo consigo também notas de coentro, gengibre, petitgrain, zimbro, sândalo e fava tonka.

loveinwhite65. Love in White (Creed, 2005). Um talco chique – assim pode ser resumido Love in White de Creed. O perfume feminino foi inspirado no amor pela navegação e “simboliza a brilhante sensação de liberdade com o toque da harmonia marinha, e traz os melhores ingredientes dos cinco continentes do mundo”. Love in White abre com laranja, anunciando um buquê de jasmim, narciso, íris, magnólia e arroz. Um dry-down macio e aveludado é propiciado por um acorde base de sândalo, baunilha e âmbar gris.

springflower66. Spring Flower (Creed, 2006). Feito inicialmente para Audrey Hepburn, Spring Flower foi finalmente trazido para o público em 2006. Trata-se de um floral frutado de traços aquáticos e musky. O perfume abre com um acorde ozônico e suculento de melão, maçã verde e pêssego. Minutos depois, Spring Flower caminha para um buquê romântico de rosa e jasmim apoiado sobre uma base sofisticada de âmbar gris e almíscar sintético.

lilyspice67. Lily & Spice (Penhaligon’s, 2006). Trinta anos depois do lançamento de Lily of the Valley, Penhaligon’s retoma o tema, desta vez com uma roupagem picante. O perfume abre de imediato com uma realística nota de muguê assessorada por açafrão. Na evolução, o centro revela uma explosão de pimenta preta e cravo-da-índia. A finalização é composta por um fundo balsâmico de patchouli, benjoim, baunilha e musk.

Fico68. Fico di Amalfi (Acqua di Parma, 2006). Dentro da linha Blu Mediterraneo, Fico di Amalfi é a fragrância mais vendida. Classificado como floral frutado, o perfume tem sua nota principal trabalhada com toranja, cidra, pimenta rosa e jasmim, valorizando, assim, o lado verde do figo em vez do lactônico. Na evolução, Fico di Amalfi se torna menos seco e vai incorporando a cremosidade do jasmim e benjoim na base. É o puro ar da natureza mediterrânea.

nightscentedjasmine69. Night Scented Jasmine (Floris, 2006). Segundo a casa inglesa, este perfume foi inspirado no perfume Jasmine criado por John Floris em 1806. Na saída, Night Scented Jasmine exala cítricos, folhas de violeta e cassis. Em seguida, a fragrância desabrocha um buquê de jasmim, narciso, íris, gardênia, flor de laranjeira e ylang-ylang com nuances de rosa e mimosa. Tudo isso é arredondado por um acorde base de vetiver, sândalo, âmbar e musk.

VIW70. Virgin Island Water (Creed, 2007). Creed nunca cessa de se reinventar, sem sair de sua assinatura aromática. No caso de Virgin Island Water, a inspiração foi uma viagem à Ginger Island no Caribe. A fragrância é um verdadeiro coquetel tropical com direito a coco, limão, rum e açúcar. O desafio aqui é duplo: trabalhar com uma nota lactônica sem torná-la enjoativa e obter uma boa fixação com ingredientes tão etéreos. Virgin Island Water consegue ser bem-sucedido graças a uma sólida base de baunilha e musk, além, é claro, de sua construção bem-feita.

ColoniaIntensa71. Colonia Intensa (Acqua di Parma, 2007). Desta vez, Acqua di Parma decidiu favorecer o lado ácido e picante de sua colônia original com a valorização das notas de néroli, cardamomo e gengibre. Colonia Intensa abre com um aroma cítrico, picante e herbáceo, com aspecto soapy devido à nota de néroli. A composição evolui para uma base de madeiras (gaiaco e patchouli), resinas (mirra e benjoim), couro e almíscar. Bruta e refinada, Colonia Intensa é a versão masculinizada do original.

irisrose72. Iris Rose (E. Coudray, 2008). Iris Rose é o puro talco de luxo em formato perfume. A casa francesa resolve revisitar o acorde mais polvoroso de todos – íris, violeta, rosa e heliotrópio – para criar uma nuvem romântica e feminina. Além das notas citadas, Iris Rose traz também um fundo oriental e opulento de madeiras nobres, fava tonka, patchouli, labdanum, baunilha e musk.

loveinblack73. Love in Black (Creed, 2008). Lançado como par de Love in White, este perfume foi inspirado na ex-primeira dama Jaqueline Kennedy, fazendo uso de ingredientes de lugares que essa intrigante personalidade visitava e amava. O perfume com seu frasco preto abre com violeta e cassis, aos poucos revelando um centro de íris, rosa e cravo-da-índia. A secagem fica a cargo de um acorde base de cedro e musk.

tabaccotoscano74. Tabacco Toscano (Santa Maria Novella, 2008). Tabacco Toscano é um aromático com nuances balsâmicas e amadeiradas. Na saída, a fragrância mostra um luminoso topo de bergamota e jasmim, anunciando um coração de tabaco e bétula que confere um aspecto esfumaçado e intrigante. O dry-down fica por conta de um acorde base de malte, âmbar e baunilha. Recomendado aos admiradores do tema.

MirtoPanarea75. Mirto di Panarea (Acqua di Parma, 2008). Lançando em média uma fragrância a cada dois anos para sua coleção Blu Mediterraneo, a casa Acqua di Parma desta vez elegeu o mirto como tema. Mirto é uma flor de aroma fresco e herbáceo típica do Mediterrâneo. Mirto di Panarea abre com limão, bergamota, manjericão e mirto, em seguida exalando um acorde jasmim-rosa com traços aquáticos. A base fica por conta de mastica, zimbro, cedro e âmbar. É uma elaborada colônia rica em ervas, flores e resinas vegetais.

Elixir76. Elixir (Penhaligon’s, 2008). Com a assinatura delicada e consistente de Olivia Giacobetti, Elixir de Penhaligon’s é um oriental especiado de nuances aromáticas e florais. Apesar de uma potente base de benjoim, fava tonka, baunilha, gaiaco e incenso, a composição se firma no buquê central de rosa, jasmim e flor de laranjeira. Um acorde de cardamomo, noz moscada, eucalipto, canela e pau-rosa dá um ar refinado e transparente à fragrância, sem cair no clichê do oriental quente e picante.

MagnoliaNobile77. Magnolia Nobile (Acqua di Parma, 2009). Magnolia Nobile é um floral frutado que emprega notas cítricas e de flores brancas para ressaltar a personalidade delicada e fresca da magnólia. Na saída, seu aroma é energizante e original com uma nota de cidra, além de bergamota e limão siciliano. O perfume se desabrocha com um coração de magnólia valorizado com rosa, jasmim e tuberosa, produzindo um efeito frutado de pêssego, porém nada doce. Na secagem, um leve toque de baunilha.

sublimevanille78. Sublime Vanille (Creed, 2009). Em 2009, Creed resolveu lançar sua linha Royal Exclusives, composta apenas de perfumes usados no passado pela realeza. Esses perfumes vêm num frasco diferenciado em formato de boticário. Sublime Vanille foi o primeiro desta linha, concebido como um oriental girando em torno da clássica nota de baunilha. O perfume incorpora também cítricos, orquídea, fava tonka e musk.

Windsor

79. Windsor (Creed, 2009). A casa inglesa diz que este perfume foi originalmente criado em 1936 para o rei Edward VIII – aquele que abdicou do trono britânico – e lançado com um lote limitado a 320 frascos. Relançado em 2009, Windsor consiste de um amadeirado aromático construído em torno da rosa, com traços canforados. A flor aparece acompanhada de limão tahiti, eucalipto, gin, agulhas de pinho e cedro. O resultado é uma colônia sofisticada marcada pelo romantismo da nota de rosa.

acquafiorentina80. Acqua Fiorentina (Creed, 2009). Segundo o site da Creed, este perfume feminino foi inspirado pela arte e cultura do Renascimento do século XV em Florença, Itália. Trata-se de um floral frutado de nuances cítricas e amadeiradas. Abrindo com um acorde refrescante e suculento de cítricos, maçã verde e ameixa, Acqua Fiorentina percorre em seguida um caminho delicado composto por notas de pera e rosa. Sândalo e cedro finalizam esta agradável composição.

ginfizz81. Gin Fizz (Lubin, 2009). A antiga casa francesa descreve este perfume como “um chipre fresco e floral com notas de topo de limão sobre um aldeído e uma base almiscarada”. Segundo o site de Lubin, a fragrância foi primeiro criada em 1955 como um tributo ao Oscar recebido por Grace Kelly no filme “The Country Girl”. Gin Fizz abre efervescente com cítricos, aldeídos, gálbano e zimbro, desabrochando um buquê de rosa, íris, jasmim, lírio e flor de laranjeira sobre um fundo de musgo de carvalho, vetiver, benjoim e musk.

Aventus82. Aventus (Creed, 2010). Um dos mais recentes lançamentos de Creed, Aventus já é um fenômeno. Este chipre frutado masculino conquistou homens do mundo todo com seu aroma seco e revitalizante, casual e sofisticado. O perfume foi inspirado na trajetória dramática de Napoleão, com sua visão e força. Moderno, Aventus combina harmoniosamente notas de bergamota, maçã, abacaxi, groselha, rosa, jasmim, patchouli, bétula, musgo de carvalho, baunilha, âmbar gris e musk. À primeira cheirada, é um perfume comum, mas depois percebe-se a complexidade e o valor do seu minimalismo.

Itasca83. Itasca (Lubin, 2010). Itasca é um chipre amadeirado à base de vetiver, ervas finas e madeiras nobres, lançado como uma evolução de Le Vetiver de Lubin. O nome é inspirado no lago que dá origem ao rio Mississipi, cercado de florestas. Um acorde de vetiver, cedro, agulhas de pinho, fava tonka, incenso e âmbar forma a base da fragrância, que também conta com um topo cítrico-aromático e um centro quente-gelado de gerânio e especiarias. Um perfume masculino e sofisticado.

ColoniaEssenza84. Colonia Essenza (Acqua di Parma, 2010). “Essenza” aqui significa a essência da natureza. A colônia abre natural e vívida com notas de cítricos, ervas finas, petitgrain e néroli. Depois de uma saída fresca e herbácea, Colonia Essenza revela um coração floral de rosa, muguê e jasmim, com um leve toque especiado de cravo-da-índia. Apesar de um pouco soapy, o perfume não se torna feminino graças a uma base firme, seca e escura de patchouli, vetiver e musgo de carvalho. Um clássico.

Sartorial85. Sartorial (Penhaligon’s, 2010). Um dos últimos grandes sucessos de Penhaligon’s foi este complexo fougère oriental. Logo na saída, Sartorial se mostra intensamente sintético com notas ozônicas e aldeídicas, conferindo um aspecto metálico e aquático. Notas aromáticas de folha de violeta, néroli e lavanda acompanham um buquê de especiarias. Na evolução, o perfume revela um coração de mel e couro, partindo para uma vibe mais oriental com sua base intensamente resinosa. Sartorial exala um leve aroma floral, apenas o suficiente para mantê-lo elegante. Mais uma competente fragrância que mistura gêneros.

SpiceAndWood86. Spice and Wood (Creed, 2010). Pertencente à linha Royal Exclusives de Creed, com menos de 500 frascos produzidos, Spice and Wood foi “inspirado na história de amor entre Cleópatra e Marco Antonio, celebrando os tesouros da Europa e Oriente”. Com uma saída fresca e aromática de bergamota, limão siciliano e maçã, o perfume evolui para um acorde central de rosa, angélica, cravo-da-índia, pimenta preta, bétula e patchouli. A finalização fica a cargo de uma base de cedro, orris, musgo de carvalho e musk. O resultado é uma fragrância que consegue equilibrar muito bem o elegante e o sensual.

JardinDAmalfi87. Jardin d’Amalfi (Creed, 2011). Celebrando 250 anos de história da casa, Creed lança este cítrico aromático dentro da coleção Royal Exclusives. Jardin d’Amalfi foi baseado nos belíssimos jardins da costa amalfitana. Para tanto, a composição recebe um topo efervescente de bergamota, tangerina, néroli e pimenta vermelha, um centro de maçã, rosa e cedro, e um fundo de vetiver, canela e musk. Enquanto as notas cítricas trazem vigor ao perfume, a combinação de néroli e rosa produz um efeito bonito e elegante, tornando-se o diferencial desta potente colônia. Perfeitamente compartilhável.

junipersling88. Juniper Sling (Penhaligon’s, 2011). Um dos mais recentes perfumes de Penhaligon’s é inspirado no famoso coquetel Juniper Sling à base de gin. Mantendo o DNA aromático da casa, o perfume abre com um topo adstringente de laranja, zimbro, canela e angélica. Na evolução, sentimos um coração sofisticado de couro e orris temperado com pimenta e cardamomo. Para finalizar, Juniper Sling recebe um toque boozy com cerejas açucaradas.

GelsominoNobile89. Gelsomino Nobile (Acqua di Parma, 2011). Depois de Magnolia Nobile e Iris Nobile, chegou a vez de trabalhar o jasmim. Na saída, a colônia apresenta notas de mandarina e pimenta rosa, logo exalando um coração de jasmim ressaltado por notas de flor de laranjeira e tuberosa. Para manter a composição limpa e intacta, a base é formada de cedro e musk. O resultado é limpo e confortável, com a mandarina proporcionando um tom adocicado às flores brancas. Gelsomino Nobile é um perfume floral intenso, indicado para divas.

RoyalOud90. Royal Oud (Creed, 2011). Com a tendência de fragrâncias à base de oud, Creed recebeu vários pedidos de seus clientes, que foram atendidos mantendo o estilo aromático da casa. Esta composição fougère oriental contrapõe o lado amadeirado de sândalo e oud com o lado aromático-especiado de cítricos, pimenta rosa, gálbano e angélica. Royal Oud faz uma interpretação diferente do oud se comparado às criações árabes, porém é uma boa proposta a quem conhece pouco esta matéria-prima.

Idole91. Idole (Lubin, 2011). Esta é a nova versão do clássico lançado em 1962. Lubin é inspirado em heroínas como Karen Blixen, Amelia Earhart e Mary Kingsley com seu espírito aventureiro e corajoso de viagens e descobertas. Balsâmico e picante, denso e potente, o perfume abre com um acorde cítrico-picante-boozy com notas de laranja amarga, alcarávia, açafrão e rum. Lubin, em seguida, evolui para uma aura escura e incensada de olíbano, ébano e folha de palmeira. Um acorde sândalo-couro-âmbar surpreende pela forma como segura a composição, além de adicionar uma deliciosa cremosidade. Recomendadíssimo àqueles que curtem fragrâncias à base de couro, incenso e especiarias.

MahonLeather92. Mahon Leather (Floris, 2011). Inspirado na ilha de Menorca e seu tradicional licor Calent, esta fragrância tem como foco o acorde couro-açafrão. Abrindo cítrico e floral (jasmim), a composição apresenta seu tema central na companhia de íris, para dar um caráter levemente powdery. A base fica por conta de vetiver, patchouli, sândalo, fava tonka, labdanum, âmbar e musk. O resultado é terroso e adocicado na medida certa, acima de tudo masculino e com uma elegância à moda antiga.

Akkad93. Akkad (Lubin, 2012). Seguindo a assinatura oriental da casa, Akkad é uma fragrância balsâmica e ambarada. O perfume tem uma saída intensamente doce e encorpada, com um leve toque de laranja. Akkad vai aos poucos revelando notas picantes e esfumaçadas de cardamomo, estoraque e olíbano. O acorde âmbar-baunilha brota da base, no limite da doçura, equilibrando todo o resto da composição. Menos lúdica e menos sensual que Idole, esta criação é mais quente e mais luxuosa.

Korrigan94. Korrigan (Lubin, 2012). Classificado como oriental baunilha, Korrigan é uma composição de aspecto licoroso, musky e de couro. Logo na abertura, a fragrância surpreende com um aroma gourmand de caramelo, uísque, conhaque e açafrão. Korrigan segue sendo doce, porém nunca enjoativo. Uma base de couro, oud e muito musk adicionam opulência e conforto ao perfume. O truque aqui foi estabelecer um equilíbrio entre a vibe de vela queimando e a de bala toffee – missão cumprida.

ColoniaOud95. Colonia Intensa Oud (Acqua di Parma, 2012). A histórica receita de água de colônia da tradicional Acqua Di Parma é aqui enriquecida com óleo essencial de oud, além de coentro, amyris e couro. Colonia Intensa Oud não oferece a atmosfera de opulência normalmente esperada de uma fragrância à base de oud, porém é uma excelente alternativa para quem aprecia a ideia de unir o calmante e revigorante aspecto da colônia ao preciosismo e mistério do ingrediente árabe.

IrisPrima96. Iris Prima (Penhaligon’s, 2013). Como é de se esperar, a tradicional casa inglesa preparou uma rendição natural e realística da nota de íris. Iris Prima abre com um aroma de íris e couro, como uma bolsa feminina carregando maquiagem. Inicialmente mais cítrica e luminosa, com notas de bergamota, pimenta rosa e jasmim, a composição evolui para uma atmosfera atalcada e cremosa graças à base de vetiver, sândalo, benjoim, âmbar e baunilha. Iris Prima é uma íris polida e marcante.

Vaara97. Vaara (Penhaligon’s, 2013). Seguindo o caminho oriental floral, Bertrand Duchaufour reúne notas florais e especiadas. Vaara tem uma potente saída de coentro, açafrão e marmelo, antes de mostrar um exuberante coração de rosa, peônia, íris, magnólia e frésia. A base semi-gourmand de mel, benjoim, fava tonka e sândalo fecha a fórmula com um aspecto amendoado e xaroposo. A proeza do perfumista está em obter uma harmonia entre notas tão macias e delicadas e outras mais marcantes e vulgares.

Levantium98. Levantium (Penhaligon’s, 2014). Levantium é um perfume à base de rosa, açafrão e oud, enriquecido com ervas finas, frutas suculentas, flores inebriantes, especiarias quentes, madeiras escuras e resinas defumadas. A composição consegue balancear sua diversidade olfativa com primazia, caminhando harmoniosamente do verde e herbáceo para o amadeirado e balsâmico. O oud é denso, quente e encorpado, acima de tudo “classudo”.

ColoniaLeather99. Colonia Leather (Acqua di Parma, 2014). A proposta aqui foi introduzir a nota de couro à colônia tradicional para conferir luxo e sensualidade. Colonia Intensa Leather é uma rica e esfumaçada composição que reúne notas de limão, laranja, petitgrain, rosa, cedro, gaiaco e couro. Na saída, a fragrância tem aroma cítrico doce, levemente frutado. Um aspecto aveludado de camurça surge depois de alguns minutos, no final se tornando mais carnal e escuro.

GineproDiSardegna100. Ginepro di Sardegna (Acqua di Parma, 2014). Inspirado na Sardênia e sua costa azul cristalina, esta fragrância de Acqua di Parma é construída em torno da nota de zimbro (componente principal do gin). Além dela, a composição abre com uma combinação picante de bergamota, pimenta e noz moscada, antes de seguir com um acorde herbáceo de cipreste e sálvia. Ginepro di Sardegna finaliza com um simples mas competente fundo de cedro.

Veja também: Nicho Conceitual e Nicho Vanguarda

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