Serge Lutens

SergeLutensNo reino encantado da perfumaria, existem duas rainhas: a tradicional chamada Guerlain, com suas criações belas e redondas, e a malvada chamada Serge Lutens, com suas extravagâncias e ousadias. Nascido em Lille, Serge Lutens é um verdadeiro artista com carreira em moda, perfumaria, fotografia e cinema. Lutens começou como cabeleireiro, em seguida se interessando por cosméticos e fotografia. Nos anos 60, mudou-se para Paris, trabalhando como maquiador na Vogue. A marca japonesa de cosméticos Shiseido o contratou na década de 80, inicialmente para trabalhar na sua identidade visual, porém acabou o apoiando na confecção dos perfumes icônicos Nombre Noir e Feminité du Bois. Em 1992, Lutens decidiu abrir sua própria casa, contratando o renomado e talentoso perfumista Christopher Sheldrake para colocar em prática suas excêntricas ideias olfativas. A casa é hoje uma das maiores referências da perfumaria, certamente a maior no mercado de nicho, com obras-primas em todos os gêneros. A linha se divide em “export” (frascos achatados com distribuição moderada) e “non-export” (frascos em forma de sino com distribuição restrita). Reza a lenda que o critério para a divisão entre uma e outra linha é simplesmente a demanda. A diferença de preço é considerável, já que se pode encontrar um “export” por 60 dólares na Amazon, enquanto o “non-export” sai por 300 dólares.

(ordem cronológica por ano de lançamento)

BoisViolette1. Bois de Violette (Serge Lutens, 1992). Lançado logo no início da marca, junto a Feminité du Bois, Bois de Violette não é um perfume totalmente floral, apesar do nome. Rico em patchouli, a fragrância tem um tom de chocolate amargo muito bem balanceado com a nota de folha e flor de violeta. O resultado é polvoroso e ozônico, levemente metálico, com um fundo amadeirado e seco de cedro. É necessário um grande perfumista para fazer um perfume tão simples

BoisEtFruits2. Bois et Fruits (Serge Lutens, 1992). Frutado e amadeirado, este perfume é uma combinação de notas lactônicas de ameixa, pêssego, damasco e figo firmada sobre um acorde de cedro e musk. Delicada e macia como Bois de Violette, a composição parte de um topo de frutas secas e finaliza com um aroma crispy e denso de madeira de cedro. Uma das fragrâncias mais suaves de Serge Lutens, Bois et Fruits infelizmente dura pouco na pele.

BoisOriental3. Bois Oriental (Serge Lutens, 1992). Recomendado para quem gosta do aroma seco, farelento e adocicado da nota de cedro, Bois Oriental é um oriental amadeirado dedicado a essa madeira nobre. Linear e potente, o perfume tem um topo frutado de ameixa e pêssego, um centro atalcado de rosa, violeta e especiarias (cardamomo, canela, cravo-da-índia) e uma base cremosa e doce de cedro, baunilha e musk. O resultado é um sofisticado aroma polvoroso, boozy e picante.

BoisEtMusc4. Bois et Musc (Serge Lutens, 1992). Seguindo a mesma estrutura e notas de Feminité du Bois, este perfume ressalta o acorde polvoroso de rosa, violeta e musk, diminuindo seu aspecto xaroposo. Assim, Bois et Musc abre com um acorde de frutas suculentas e canela, em seguida revelando um centro seco e macio de cedro, gengibre e flores atalcadas. Na secagem, o perfume recebe notas adocicadas de benjoim, sândalo e baunilha, além de uma boa dose de musk. Bois et Musc é essencialmente o aroma luxuoso de marcenaria em formato perfume.

RoseDeNuit5. Rose de Nuit (Serge Lutens, 1993). Rose de Nuit faz um retrato olfativo old school da rosa com notas polvorosas e animálicas. Na saída, a composição apresenta um acorde suculento de ameixa, pêssego e damasco, evoluindo para um buquê elegante e feminino de rosa turca e jasmim. Uma ou duas horas depois, Rose de Nuit aquece e libera um odor doce e viscoso de cera de abelha, sândalo, âmbar e musk. Com um aspecto meio entre geleia de frutas e sabonete de rosas, o perfume deixa para trás um aroma retrô e animálico que muitos podem considerar cheiro de mulher velha.

AmbreSultan6. Ambre Sultan (Serge Lutens, 1993). Uma das maiores referências de âmbar, Ambre Sultan é um oriental que consegue balancear muito bem suas notas de resinas e ervas finas do começo ao fim. A fragrância tem uma saída herbácea e medicinal de louro, mirto, angélica e orégano, passando para um coração quente e esfumaçado de incenso, mirra, benjoim e âmbar. O dry-down é uma atração à parte, conferindo o melhor das madeiras, plantas e resinas com um rastro imponente e sofisticado.

UnLys7. Un Lys (Serge Lutens, 1994). Este raro e inexplorado floral verde de Serge Lutens é construído em torno da nota fantasia de lírio, cujo aroma é impossível de ser extraído da natureza. Un Lys é linear e minimalista, ao mesmo tempo em que explora a potência da nota principal com suas facetas cítricas, herbáceas e indólicas, sem fazer restrições. No dry-down, um eficiente acorde de baunilha e musk preserva a integridade do aroma, deixando para trás um rastro aveludado e reconfortante.

IrisSilverMist8. Iris Silver Mist (Serge Lutens, 1994). Iris Silver Mist busca retratar a nota de orris, levando na fórmula a caríssima manteiga de íris extraída da raiz da flor. Essa nota não é atalcada como a íris sintética, mas sim vegetal, terrosa e polvorosa. O perfume tem uma saída medicinal e alcoólica, já mostrando uma íris de fundo. Mais adiante, a nota principal emerge, fundida com gálbano, vetiver, cravo-da-índia e incenso – sua personalidade está completa. Uma base de benjoim, cedro, sândalo e musk garante a performance. Iris Silver Mist é uma íris para connoisseurs.

BoisSepia9. Un Bois Sépia (Serge Lutens, 1994). Un Bois Sépia é um oriental amadeirado seco, quente e folhoso. O perfume se desenvolve praticamente em uma única fase, com notas de frutas secas, flores brancas, madeiras nobres, patchouli, cipreste, vetiver e opoponax. É uma das fragrâncias menos conhecidas de Serge Lutens, provavelmente por não representar o estilo marcadamente barroco da casa.

LaMyrrhe10. La Myrrhe (Serge Lutens, 1995). A resina de mirra tem aqui o seu aspecto doce e frutado ressaltado por notas de mandarina, amêndoas, mel e baunilha, enquanto seu lado balsâmico e esfumaçado é reforçado com notas de pimenta, labdanum, sândalo e musk. Flor de lótus e jasmim conferem um toque de delicadeza. La Myrrhe abre leve e aromático, para depois seguir um caminho quente, resinoso e aveludado. Uma base oriental doce e densa conclui a composição.

FleursDOranger11. Fleurs d’Oranger (Serge Lutens, 1995). Christopher Sheldrake explora o complexo odor cítrico, indólico e especiado da flor de laranjeira. O perfume abre de imediato com o mais natural e realístico aroma do ingrediente principal, ressaltado com o frescor de frutas cítricas e beleza de flores como rosa, tuberosa, jasmim e hibisco. Na evolução, a composição ganha tons quentes com notas de cominho e noz moscada. Embora a flor de laranjeira tenha curta participação, dando lugar às flores mais poderosas, Fleurs d’Oranger ainda assim vale a pena.

EncensLavande12. Encens et Lavande (Serge Lutens, 1996). Com uma composição simples e minimalista, Christopher Sheldrake aposta na simbiose terapêutica e contemplativa do acorde lavanda-incenso. Encens et Lavande tem um caráter solene e litúrgico, lânguido e melancólico, como o aroma de uma cerimônia de batismo, mas serve também para usar antes de dormir. Apesar de ser um bom perfume, Encens et Lavande tem um preço muito alto considerando o custo dos ingredientes utilizados.

CuirMauresque13. Cuir Mauresque (Serge Lutens, 1996). Uma das fragrâncias referência de couro, Cuir Mauresque faz uma interpretação balsâmica e especiada, com toques animálicos. Na saída, o perfume revela um delicioso acorde cominho-flor de laranjeira com traços picantes e indólicos. Na evolução, um buquê de especiarias aparece junto a notas defumadas de estoraque e incenso. Uma densa base de oud, âmbar, couro, civet e almíscar conclui a composição com estilo.

SantalMysore14. Santal de Mysore (Serge Lutens, 1997). O sândalo de Mysore, originário da Índia, é a variedade de melhor qualidade da madeira, porém hoje com comercialização bastante restrita devido ao risco de extinção. Com um odor mais delicado e cremoso que os outros tipos de sândalo, esta matéria-prima é trabalhada por Serge Lutens basicamente com notas de alcarávia, benjoim e estoraque. Sua saída é cremosa e picante, com nuances de anis. Aos poucos o perfume vai tomando corpo, até projetar sua base amadeirada e balsâmica, arredondando a composição por completo. Amantes de sândalo não podem perder.

MuscsKoublaiKhan15. Muscs Koublaï Khan (Serge Lutens, 1998). Ousadíssimo e único, Muscs Koublaï Khan faz uma interpretação animálica da nota de almíscar. A ideia aqui é unir polos extremos para ressaltar o lado bom de cada um. O perfume abre fétido, com um agressivo e fecal civet apoiado por alcarávia, labdanum e musk. Em seguida, um aroma doce e sofisticado de rosa, patchouli e baunilha emerge, tornando a fragrância mais interessante e complexa. Muscs Koublaï Khan mostra que o encontro entre a bela e a fera, entre o yin e o yang, entre o orgânico e o sintético, pode produzir surpresas agradáveis e memoráveis.

TubereuseCriminelle16. Tubéreuse Criminelle (Serge Lutens, 1999). Ultrajante e agressivo, este perfume mostra o lado selvagem da tuberosa. Tubéreuse Criminelle abre com um assustador cheiro de naftalina, mentolado e emborrachado ao extremo. Se você conseguir suportar a saída, a nota principal finalmente desabrocha e se torna mais bela e elegante com notas de jasmim e especiarias. A base de estoraque e almíscar propicia um rastro balsâmico e animálico. Perfeito para mulheres que curtem perfumes à base de tuberosa como Amarige, Poison, Giorgio, Carolina Herrera e Fracas.

RahatLoukoum17. Rahät Loukhoum (Serge Lutens, 1998). Inspirado na famosa delícia turca (turkish delight), Rahät Loukoum consegue imitar toda a essência doce, amendoada e licorosa da guloseima. Este original gourmand reúne notas de rosa, amêndoas, mel, cereja e baunilha, além de uma base de resinas e musk. A rosa no acorde central acrescenta graça à fragrância, evitando que ela não se torne muito doce e enjoativa. Rahät Loukoum é intoxicante e deixa um rastro doce e polvoroso por onde passa.

DouceAmère18. Douce Amère (Serge Lutens, 2000). Herbáceo e agridoce, Douce Amère é um inusitado floral vanilla. Com uma vibrante saída quente-fria de artemísia, canela e anis, a fragrância desabrocha um inebriante buquê de jasmim, lírio-do-vale e tiaré. Mais adiante, um acorde polvoroso de chocolate, baunilha, cedro e musk emerge, deixando para trás uma nuvem atalcada e intoxicante.

Arabie19. Arabie (Serge Lutens, 2000). Serge Lutens adora uma polêmica e, desta vez, ele apostou na combinação de um acorde especiado quente e outro doce melado. Funcionando basicamente como um bloco monolítico, Arabie de um lado agrega notas picantes como noz moscada, alcarávia e cravo-da-índia; de outro, notas doces como frutas secas, figo, benjoim e fava tonka. Arabie resulta numa bomba quente e picante ponta para explodir. Muitos dizem sentir cheiro de tempero de miojo com tâmaras maduras – e gostam disso. Sem dúvida uma obra-prima; usável ou não é outra questão.

ÀLaNuit20. À la Nuit (Serge Lutens, 2000). À la Nuit é um intoxicante oriental floral à base de jasmim e mel. Abrindo com uma nota boozy de romã, a composição segue com um potente odor indólico de flores brancas, recortadas de notas verdes e picantes. No dry-down, À la Nuit incorpora uma base cremosa e viscosa de mel, benjoim, cravo-da-índia e musk. Um belo tributo à beleza e sensualidade noturnas.

SaMajesté21. Sa Majesté la Rose (Serge Lutens, 2000). Com uma rendição verde, picante e melíflua, Sa Majesté la Rose apresenta a rainha das flores envolta num acorde narcótico de mel e cravo-da-índia, e apoiada sobre uma base seca e refinada de gaiaco e musk. A composição é harmoniosa, esbanjando toda majestade da rosa, sem torná-la vulgar e enjoativa. Sa Majesté la Rose é um lindo buquê de rosas que deixa para trás um rastro quente e sedutor, feminino ao extremo.

Chergui22. Chergui (Serge Lutens, 2001). O maior best-seller de Serge Lutens tem uma vibe de tabaco com seu lado seco ressaltado pela nota de feno e o lado docinho ressaltado pela nota de mel. O aroma de feno é, no início, verde e terroso, e depois brilhantemente trabalhado com incenso e orris. Chergui se aquece com o acorde rosa-mel, desembocando numa base de sândalo, âmbar e musk. O perfume deixa um rastro de tabaco com múltiplas nuances: rosácea, melíflua, polvorosa e ambarada. Chergui é uma composição romântica e sofisticada.

DaturaNoir23. Datura Noir (Serge Lutens, 2001). Para reproduzir o aroma natural da datura, uma flor halucinógena, Christopher Sheldrake utilizou notas lactônicas, polvorosas e incensadas. Com um topo de mandarina, flor de limoeiro, damasco e osmanthus, Datura Noir adentra um acorde cremoso e atalcado de coco, amêndoas, heliotrópio e tuberosa. Na secagem, o perfume criar uma atmosfera esfumaçada e sensual de mirra, fava tonka e musk. Tropical e intoxicante.

SantalBlanc24. Santal Blanc (Serge Lutens, 2001). Esta é uma interpretação da nota de sândalo com toques de cedro e musk. O perfume abre adstringente e esfumaçado com um topo de pimenta rosa e canela. Na evolução, Santal Blanc se faz mais polvoroso com um centro de íris e jasmim, além de uma base de baunilha e almíscares sintéticos. Um agradável talco amadeirado e semigourmand.

VétiverOriental25. Vétiver Oriental (Serge Lutens, 2002). Desta vez focando no vetiver, Serge Lutens introduz uma composição oriental com traços de chocolate amargo. A faceta herbácea do ingrediente principal é trabalhada com bergamota, néroli, musgo de carvalho e ervas finas, enquanto seu lado amadeirado é ressaltado com um acorde de gaiaco, labdanum e sândalo. Para trazer graça e leveza, Vétiver Oriental incorpora uma delicada nota de íris, finalizando com um rastro esfumaçado e semigourmand de cacau e âmbar.

ClairDeMusc26. Clair de Musc (Serge Lutens, 2003). Clair de Musc é um delicado floral musky com notas de bergamota, néroli, íris e almíscar sintético. O perfume abre com cheiro de laquê, aldeídico e polvoroso, porém logo se transforma num agradável aroma macio e confortável de um talco luxuoso. Minimalista ao extremo, Clair de Musc é um musk bonito, limpo e transparente, distanciando-se da mediocridade da maioria das fragrâncias que segue esse tema.

FumerieTurque27. Fumérie Turque (Serge Lutens, 2003). Esta poderosa fragrância à base de tabaco explora suas duas polaridades: uma seca e escura de notas herbáceas e balsâmicas, outra doce e brilhante de notas melífluas e ambaradas. A primeira é reforçada com couro e patchouli e a segunda com rosa e groselha. Fumérie Turque abre com um aroma picante de tabaco, aos poucos revelando um acorde de camomila, zimbro e patchouli e outro floral-frutado. Na secagem, fava tonka, mel, estoraque, baunilha e couro deixam um rastro doce e consistente, menos para esfumaçado e mais para aveludado.

BoisVanille28. Un Bois Vanille (Serge Lutens, 2003). Tomando como base a nota de baunilha, este perfume explora o aroma de pâtisserie com notas de alcaçuz, café, amêndoas, mel, benjoim, coco e sândalo. Un Bois Vanille começa e termina basicamente com o mesmo aroma – uma baunilha complexa e brilhantemente reforçada com ingredientes frequentemente encontrados em sua companhia. O resultado é picante e cremoso, porém macio e confortável, nada enjoativo.

DaimBlond29. Daim Blond (Serge Lutens, 2004). Com o tema de camurça branca, Daim Blond é um original chipre floral com notas de cardamomo, damasco, íris, heliotrópio, couro e musk. O perfume se desenvolve com um aspecto semigourmand, remetendo ao ambiente de confeitaria. A nota de íris confere um efeito seco e vegetal, harmonizando-se brilhantemente com os acordes frutados e amendoados. Minimalista e surpreendente.

Chêne30. Chêne (Serge Lutens, 2004). O desafio da restrição do uso de extrato natural de musgo de carvalho é mais um motivo para amar esta fragrância. Chêne (“carvalho” em francês) faz uma rendição do tema central com traços picante (cominho e alcaçuz), herbáceo (immortelle e tomilho), boozy (rum e cera de abelha), esfumaçado (bétula) e amendoado (fava tonka). A nota de carvalho é, portanto, retratada de forma complexa, deixando um rastro denso e revigorante no ar. Não tem igual.

FleursCitronnier31. Fleurs de Citronnier (Serge Lutens, 2004). Depois de sua criação dedicada à flor de laranjeira, Christopher Sheldrake resolve fazer o mesmo com a flor de limoeiro. Como um sopro fresco e revigorante, Fleurs de Citronnier abre com notas cítrico-florais de néroli, petitgrain e flor de limoeiro. Em seguida, a um acorde polvoroso de madeiras leves e secas emerge com nuances picantes de mel e noz moscada. Para concluir com aspecto sedoso e confortável, Fleurs de Citronnier recorre a uma base de orris, baunilha e musk.

MielDeBois32. Miel de Bois (Serge Lutens, 2005). Miel de Bois é uma das mais controversas criações de Serge Lutens por retratar a nota de mel de forma natural e realística, com traços animálicos. Inicialmente, o perfume tem um forte odor fétido e metálico de xixi de gato. Com um pouco de paciência, a nota de cera de abelha se acomoda e passa a interagir com um acorde atalcado de íris e musk, firmando-se sobre uma base seca e defumada de carvalho, gaiaco e ébano. O resultado final é um pó de madeira adocicado e floral como um talco luxuoso que ainda não existe no mercado.

Borneo183433. Borneo 1834 (Serge Lutens, 2005). Esta é uma das mais belas rendições do aroma de cacau natural da floresta. A nota é produzida com um patchouli da melhor qualidade. Seu lado terroso e esfumaçado é acentuado com notas vegetais e picantes de gálbano e cardamomo, enquanto notas de flores brancas conferem brilho e delicadeza. A base seca e firme de labdanum prolonga o efeito denso, agridoce e aveludado da composição. Borneo 1834 é um perfume exótico e refinado.

Cèdre34. Cèdre (Serge Lutens, 2005). Cedro é normalmente uma nota não muito interessante, mais usada para trazer uma textura seca e macia à fragrância. No entanto, o perfumista Christopher Sheldrake assume o desafio de transformá-la num instigante oriental amadeirado com notas marcantes de tuberosa, canela e âmbar. O resultado é um cedro escuro e “sujo”, como se tivesse sido extraído diretamente da fonte. Os acordes florais e orientais trazem brilho e graça.

ChypreRouge35. Chypre Rouge (Serge Lutens, 2006). Este “difícil” chipre frutado com ênfase em mel e agulhas de pinho propõe um choque entre o doce-viscoso e o gelado-canforado. Chypre Rouge abre de imediato com um odor verde e terpênico de pinho, rapidamente evoluindo para um aroma ceroso e salino de fava de mel, com um fundo delicado de jasmim. A base de musgo de carvalho, patchouli, âmbar, baunilha e musk ajuda a arredondar esta composição simultaneamente florestal e gourmand.

GrisClair36. Gris Clair (Serge Lutens, 2006). Com uma rara abordagem fougère oriental, Serge Lutens apresenta esta criação à base de lavanda, íris, fava tonka, incenso, âmbar e madeiras nobres. Escuro e misterioso, o perfume revela um aroma denso e linear de lavanda, equilibrando a nota com acordes polvorosos e esfumaçados. Gris Clair deixa para trás um rastro de lenha queimada na floresta com nuances atalcadas e adocicadas.

Sarrasins37. Sarrasins (Serge Lutens, 2007). Controverso e polarizante, Sarrasins é uma composição feita em torno do jasmim – não aquele jasmim luminoso e delicado, mas um jasmim mais natural, orgânico. Ou seja, animálico e pesado. Enquanto a maioria das fragrâncias à base dessa flor usa sintéticos já destituídos dos odores desagradáveis, esta justamente os amplifica. O perfume abre aldeídico e exuberante, antes de tomar uma rota picante e escura de cravo e almíscar. Exagerado e pretensioso, Sarrasins foi concebido para rainhas.

Louve38. Louve (Serge Lutens, 2007). Louve (“loba” em francês) é um oriental vanilla repleto de notas frutadas e amendoadas. A partir de um topo de frutas secas e amêndoas amargas, a composição evolui para um buquê atalcado de jasmim e rosa, antes de concluir com uma base doce e encorpada de âmbar, resinas doces, baunilha e musk. Louve resulta num aroma de marzipã de cereja, feminino como o próprio nome insinua, acima de tudo gostoso de cheirar, daqueles de querer lamber os pulsos.

Rousse39. Rousse (Serge Lutens, 2007). Rousse lembra daquela bala dura e redonda de canela que dura para sempre na boca se você conseguir aguentar os primeiros cinco minutos. Com uma saída cítrica de mandarina, a fragrância ganha em seguida um acorde quente e especiado de canela e cravo-da-índia. Para aumentar ainda mais seu poder envolvente e sedutor, a composição tem uma conclusão oriental com notas de âmbar, resinas doces, cedro e musk. Assim como a velha bala de canela, Rousse é para poucos.

ElAttarine40. El Attarine (Serge Lutens, 2008). Inspirada pelo sol, um elemento antigo e sempre em renovação, esta fragrância foi feita em homenagem à história perfumística entre Serge Lutens e o Marrocos. Praticamente se desenvolvendo em uma única fase, El Attarine (“o perfumado” em árabe) é um grande acorde de damasco, immortelle, mel, cominho, sândalo, incenso e almíscar, produzindo uma atmosfera tórrida de traços herbáceos, melífluos e animálicos. O perfume deixa um rastro de macho suado por onde passa.

FiveOClock41. Five O’Clock au Gingembre (Serge Lutens, 2008). Inspirado na tradição inglesa do chá às cinco, Five O’Clock au Gingembre é um oriental refrescante que toma gengibre, chá e mel como notas principais. Abrindo com um aroma fresco e picante, a composição logo assume um caráter mais doce de chá com mel. A base de patchouli e âmbar produz, junto com o gengibre, um aroma que remete a biscoitos. Diferente dos demais Serge Lutens, este é um perfume mais suave e meditativo.

SergeNoire42. Serge Noire (Serge Lutens, 2008). Serge Noire é um verdadeiro tributo de Christophe Sheldrake ao incenso. Linear e perseverante, o perfume exala um acorde defumado e opulento de mirra, olíbano, canela, cravo-da-índia, patchouli, ébano e âmbar, com nuances canforadas. O tema gótico e soturno se concretiza graças ao equilíbrio perfeito entre resinas e especiarias quentes, sem deixar que a composição se torne funcional e medíocre.

NuitCellophane43. Nuit de Cellophane (Serge Lutens, 2009). Este é um floral branco de nuances melífluas e frutadas. Nuit de Cellophane abre com folhas verdes e frutas suculentas (mandarina, pêssego, damasco), aos poucos adentrando um inebriante centro de jasmim, cravo e osmanthus com toques de mel e amêndoas. A composição encerra com um acorde base de madeiras nobres e almíscares sintéticos. Um perfume simultaneamente opulento e sofisticado que pode ser usado tanto de dia quanto de noite (ao contrário do que o nome sugere).

FilleAiguiles44. Fille en Aiguilles (Serge Lutens, 2009). Fille en Aiguilles é um oriental amadeirado com ênfase no odor terpênico das agulhas de pinho. Abrindo com um aroma rico e grandioso de notas canforadas e balsâmicas, a composição confere uma aura mística e esfumaçada ao seu redor. Mais à frente, notas de especiarias e frutas secas se misturam a um incenso sendo queimado. O vetiver na base garante a solidez e potencial aromático da fragrância. Um dos perfumes mais masculinos de Serge Lutens.

FourreauNoir45. Fourreau Noir (Serge Lutens, 2009). Boozy e intoxicante, Fourreau Noir reúne notas de lavanda, amêndoas, fava tonka e musk para reproduzir o cheiro de Paris no inverno com seus cafés e pâtisseries que exalam o aroma de croissants, macarons e tortas gourmands. A harmonia do acorde amendoado com a baunilha é magnífica, trazendo complexidade a uma fragrância que poderia facilmente cair no batido.

FeminitéDuBois46. Feminité Du Bois (Serge Lutens, 2009). Depois de sua saída da Shiseido, Serge Lutens manteve os direitos deste ícone da perfumaria (o primeiro amadeirado feminino), relançando-o 27 anos depois sob sua marca própria. A nova versão de Feminité du Bois é praticamente idêntica à original, com um topo suculento de ameixa, pêssego, mel e especiarias quentes, um centro atalcado de rosa, violeta, flor de laranjeira e ylang-ylang, e uma base seca e cremosa de cedro, sândalo, benjoim, baunilha e musk.

Boxeuses47. Boxeuses (Serge Lutens, 2010). Boxeuses (ou “boxeadoras” em francês) é um chipre couro com notas marcantes de alcaçuz, íris e ameixa. Depois de Daim Blond e Cuir Mauresque, o perfumista Christopher Sheldrake retorna ao tema de couro, desta vez com uma roupagem frutada e esfumaçada como uma mistura de Bois et Fruits e Fumérie Turque. Durante a evolução, um acorde anisado de íris emerge, transformando o perfume num sofisticado talco com vibe retrô.

BasDeSoie48. Bas de Soie (Serge Lutens, 2010). Este é um floral verde e delicado com nuances picantes e amadeiradas. Saindo de um topo herbáceo e adstringente de gálbano e jacinto, Bas de Soie mergulha num acorde polvoroso de íris, especiarias e musk. Bas de Soie é um perfume gélido e seco, meio gótico e lânguido. Indicado para pessoas sensíveis, delicadas e introspectivas.

VitriolDOeillet49. Vitriol d’Oeillet (Serge Lutens, 2011). Serge Lutens apresenta esta fragrância à base de uma nota meio fora de moda e não muito popular: a flor de cravo. Com um topo de pimenta rosa e pimentão vermelho, Vitriol d’Oeillet adentra um acorde central de cravo, lírio-do-vale e ylang-ylang, recortado por uma combinação pungente de noz moscada, cravo-da-índia e pimenta preta. Recomendado aos amantes desta flor tão pouco explorada na perfumaria moderna.

DeProfundis50. De Profundis (Serge Lutens, 2011). Em homenagem a Oscar Wilde e sua última obra “Das Profundezas”, Serge Lutens apresenta uma criação escura e melancólica. Uma aura funérea é produzida com um acorde de crisântemo e incenso, enquanto violeta e madeira de ameixeira inspiram nostalgia. A base de tintura de solo completa a atmosfera de cemitério. Com isso, Lutens oferece uma inovadora proposta de fragrância para introversão e contemplação.

UneVoixNoire51. Une Voix Noire (Serge Lutens, 2012). Inspirado na cantora Billie Holiday e sua marca registrada de gardênia presa a uma de suas orelhas, Une Voix Noire (“Uma Voz Negra”) é uma interpretação narcótica e animálica da flor. Essencialmente feminino e noturno, o perfume recorre ao poder intoxicante do indol presente em abundância nas flores brancas, enriquecendo-o com frutas secas, rum e incenso. Une Voix Noire sai do metálico e químico para atingir seu melhor tom com uma aura floral quente e sedutora.

SantalMajuscule52. Santal Majuscule (Serge Lutens, 2012). Para interpretar a nota de sândalo, Serge Lutens escolheu cacau e rosa damascona. Denso e opulento, Santal Majuscule revela um sândalo romântico e melancólico devido à combinação de rosa e violeta. O acorde floral lhe confere luminosidade e conforto, contrabalanceando uma base balsâmica e amadeirada. Diferente de perfumes mais modernos, Santal Majuscule trabalha o sândalo de forma mais seca e masculina, bem à moda antiga.

FilleDeBerlin53. La Fille de Berlin (Serge Lutens, 2013). Elegendo a rosa como nota principal, La Fille de Berlin a trabalha de forma licorosa e apimentada. Na saída, a fragrância exala um aroma de sabonete de rosas com tons de groselha e pimenta preta. O aspecto soapy vai se atenuando à medida em que a picância aumenta. Uma nota atalcada de violeta se revela, dando ainda mais personalidade e conforto à composição. Linear e minimalista, La Fille de Berlin investe na profundidade da nota de rosa.

LaViergeDeFer54. La Vierge de Fer (Serge Lutens, 2013). Diferente de tudo já lançado pela maison, La Vierge de Fer (“a donzela de ferro”) é um floral construído em torno da nota fantasia de lírio e vestido com uma roupagem metálica. Com uma saída de pera, maçã verde e aldeídos, o perfume remete imediatamente a xampu, o que pode causar repugância a muitos. Na evolução, um acorde de sândalo e incenso emerge e limita o aspecto funcional da composição. O resultado é um floral limpo e gelado.

LOrpheline55. L’Orpheline (Serge Lutens, 2014). Construído ao redor da nota de incenso, L’Orpheline elege um caminho minimalista e baseado em madeiras e musks. A crítica a este perfume não tem sido muito favorável, visto que o nome Serge Lutens implica automaticamente na expectativa de uma criação ousada e inovadora. Por outro lado, L’Orpheline tem agradado aqueles que repudiam fragrâncias incensadas muito intensas, preferindo uma alternativa mais suave e discreta.

Incendiaire56. L’Incendiaire (Serge Lutens, 2014). Inaugurando a coleção Section d’Or de Serge Lutens, L’Incendiaire é um oriental doce e quente. Regado a couro, oud e resinas, o perfume parece pegar fogo quando aplicado, porém, logo se ameniza com um lado floral adocicado de cravo (flor) e frutas secas. No dry-down, L’Incendiaire se mostra denso e esfumaçado com uma combinação de caramelo, incenso, bétula, âmbar e musk.

Cannibale57. Cannibale (Serge Lutens, 2015). Inspirado nos vinagres florais da França do século XVIII, Cannibale é um oriental balsâmico que remete a algo de comer, porém não doce – o adjetivo correto seria “umami”. Com uma saída aldeídica, a composição abarca em seguida notas de rosa e tuberosa com nuances defumadas de patchouli, incenso e couro, além de um toque animálico no dry-down. Cannibale certamente remete aos perfumes carnais de um século atrás.

LaRéligieuse58. La Réligieuse (Serge Lutens, 2015). O perfumista-chefe da casa Serge Lutens é mais famoso por seu talento em criações amadeiradas e orientais. La Réligieuse é uma tentativa de trabalhar um buquê floral de forma litúrgica, ou seja, com incenso. O resultado acaba sendo um acorde jasmim-mimosa de traços indólicos e esfumaçados, porém simples demais para o que se propõe a fragrância. Apesar da nota animálica discreta na base, La Réligieuse não é nada opulento, tornando-se mais um floral suave e mediano.

BaptêmeFeu59. Baptême du Feu (Serge Lutens, 2016). “Batismo do Fogo” é um oriental floral de aspecto semigourmand. Com uma saída suculenta e refrescante de tangerina e osmanthus, o perfume segue para um coração floral atalcado (rosa, íris, violeta) acompanhado de uma nota fantasia de biscoito de gengibre. A base de madeiras nobres e castoreum contrabalanceia a doçura desta inusitada composição.

Veja também: Nicho de Luxo e Guerlain

2 pensamentos sobre “Serge Lutens

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