TOP 25

(Listas com os 25 melhores perfumes de massa dentro de um tema específico, sem ordem de importância ou preferência entre eles. Para saber mais sobre determinado perfume, use a ferramenta de busca na parte inferior deste página.)

Top25PolvorososTOP 25 POLVOROSOS | Diferente dos atalcados, que remetem mais a cheiro de banho tomado com seus acordes de íris, violeta e lilás suavizados com um topo cítrico e uma base de madeiras leves e secas, os polvorosos (ou “empoeirados” em Portugal) são mais quentes, encorpados e adocicados. Geralmente enquadrados na família dos orientais florais, estamos falando de perfumes que mesclam ingredientes “fofos” como aldeídos, mimosa, chocolate, angélica, coco, heliotrópio, baunilha, ambrette, fava tonka, amêndoas e musks diversos para compor uma aura romântica e confortável, pendendo para o sensual. Quando ressaltados com notas de rosa e íris, os polvorosos lembram boudoirs ou camarins, devido ao seu intenso cheiro de maquiagem. Quando ricos em fava tonka e amêndoas, resultam em belos fougères orientais, feitos para homens ambivalentes. Quando contêm notas marcantes de frutas, se tornam sapecas e lúdicos. Um oldie but goodie foi Baghari de Robert Piguet, lançado em 1950 e reeditado em 2006. Era um perfume inovador para a época, por ser ao mesmo tempo doce e atalcado, escuro e picante, diferente das fragrâncias de Guerlain (conhecida por sua assinatura atalcada). Antes de o estilo ser retomado nos anos 90, duas fragrâncias se destacaram: Scent 79 Men (1981) e Azzaro 9 (1984), ambas praticamente esquecidas e perdidas no tempo. Em seguida, a perfumista russa Sophia Grojsman se tornou madrinha do gênero ao compor Trésor (1990), Lalique (1992), Volupté (1992), Yvresse (1993), Sun Moon Stars (1994) e Poême (1995). Seus perfumes eram a concretização do estilo feminino opulento, ligeiramente vulgar, hoje fora de moda. A perfumista ficou conhecida por ter adotado o musk policíclico galaxolide, sintetizado em 1965, porém até então somente utilizado em sabões e amaciantes de roupas. Tal componente foi fundalmental para “levantar” notas frutadas com traços de rosa e violeta. Alchimie (1990), Aimez-Moi (1996), Armani Lei (1998) e Hypnotic Poison (1998) são outras boas referências dos orientais florais de aspecto polvoroso introduzidos no mesmo período. No novo milênio, o tom amendoado apareceu com toda a força, a exemplo de Brit (2003), Crystal Noir (2004), Cinéma (2004), My Queen (2005), Kenzo Amour (2006), Maîtresse (2006), Azzaro Elixir (2006) e Dior Homme Intense (2007). Embora o estilo polvoroso frutado seja atualmente visto como old school, ele continua firme em composições gourmands como D&G pour Femme (2012), Mon Précieux Nectar (2012), L’Homme Idéal (2014) e Valentino Uomo (2014). Os polvorosos agradam mulheres românticas e homens metrossexuais, tendo em comum a busca pela sensação lânguida e envolvente característica desses perfumes.

Top25TabacoTOP 25 TABACO | Apesar de ser hoje vista como uma nota viril, o tabaco ironicamente surgiu na perfumaria num contexto muito particular. Depois do término da I Guerra Mundial, o movimento feminista surgia nos anos 20 em vários setores, e a perfumaria não foi exceção. Primeiro, a casa Caron lançou Tabac Blond em 1919, causando frisson por, de certa forma, dar apoio às mulheres que fumavam em público. Essas buscavam um perfume que pudessem harmonizar com o seu cigarro. Habanita de Molinard (1921), veio logo em seguida, reafirmando o movimento de liberação feminina. Depois deste momento específico na história, o tabaco só voltou à moda com Vetiver de Guerlain (1959) e Cabochard de Grès (1961), sendo o primeiro feito para homens sofisticados e ressaltado com vetiver, e o segundo feito para mulheres ousadas e ressaltado com couro. A nota tem um aroma encorpado, quente e adocicado com facetas de mel e malte, além de moléculas com aspecto sutilmente floral de rosa e violeta. Desta forma, o ingrediente forma uma interação muito agradável e eficiente com notas amadeiradas e ambaradas, dando um toque especial a orientais, fougères e chipres. De enorme versatilidade, o tabaco equilibra o sexy, o confortável e o refinado, podendo tanto agradar de playboys e machos alfas a executivos e intelectuais. Após mais um longo intervalo de quase quatro décadas, fragrâncias com o tema de tabaco retornaram no final dos anos 80 e início dos anos 90, consolidando-se como uma opção masculina. Se antes a nota poderia ser obtida apenas de forma econômica por meio de uma combinação de vetiver, feno e outras ervas, agora sintéticos como Tobacarol da IFF ampliavam as possibilidades com nuances de noz moscada e âmbar. São destaques dessa época Jazz (1988), Herrera Man (1991), Dolce & Gabbana pour Homme (1994), Havana (1994) e Dreamer (1996). Na virada do milênio, o gênero continuou firme, a exemplo de lançamentos como Mauboussin Homme (2003), Versace Man (2003), Code for Men (2004), Vera Wang for Men (2004), London for Men (2006), Michael (2006), Vintage (2006), Spicebomb (2006), Attitude (2007), Tom Ford for Men (2007), The One for Men (2008), A*Men Pure Havane (2008), Gucci by Gucci for Men (2008), Silver Scent Intense (2009), Avant Garde (2011) e CK One Shock for Men (2011). Mesmo tendo uma vibe tão viril, fragrâncias com nota marcante de tabaco podem cair bem para mulheres mais pragmáticas e seguras de si.

Top25TerrososTOP 25 TERROSOS | Depois da bergamota, talvez o patchouli seja o ingrediente mais importante da perfumaria. Além de seu óleo essencial ter uma qualidade incrível para misturas aromáticas, ele é complexo e multifacetado. Trata-se de uma folha com odor terroso, úmido, herbáceo, amadeirado e levemente canforado, funcionando bem como base, podendo contribuir enormemente para a fixação ou lasting do líquido fragrante. O patchouli tem uma das histórias mais interessantes, tendo sido descoberto como matéria-prima nas rotas de seda da China para a Europa. Na tentativa de afastar traças (a folha contém terpenos que funcionam como repelente natural), fornecedores do tecido cobriam-no com folhas de patchouli. Depois de semanas em trânsito, os carregamentos chegavam ao seu destino final com um cheiro marcante e sofisticado. Aos poucos, perfumistas foram identificando as propriedades aromáticas da folha, aplicando-o em suas criações. Nos anos 70, o movimento new age da Califórnia trouxe o patchouli de volta à moda, hoje muito associado ao hippie, ao menos em sua forma natural. Por outro lado, a versão do ingrediente que encontramos nas fragrâncias contemporâneas é praticamente livre de terpenos, o que minimiza o aspecto de Gelol, deixando a nota mais próxima do cacau. Em 1974, a casa Givenchy lançou Gentleman, até hoje a maior referência de perfume à base de patchouli com aura terrosa. Ao mesmo tempo viril e sofisticado, Gentleman tornou-se um ícone na perfumaria, de certa forma solitário em seu gênero. A erva só voltou a ser relevante à medida em que o musgo de carvalho se tornava restrito pela IFRA, passando a ser um substituto quase direto. O sucesso acidental da substituição foi tão grande na década de 2000 que o patchouli sofreu uma crise de oferta na época, tendo seu preço disparado. Foram grandes culpados pelo evento perfumes como Eau du Soir (1999), Miracle Homme (2001), Rochas Lui (2003), Prada Amber (2004), L’Instant de Guerlain pour Homme (2004), BLV Notte (2004), Narciso Rodriguez for Him (2005), Perles (2006), Black Orchid (2006), Palazzo (2007), Elle (2007), Covet (2007), Tom Ford Extreme (2007), Let It Rock (2007), Ice*Men (2009), Midnight Poison (2007), Gucci by Gucci pour Homme (2008), Ange ou Démon Tendre (2008), White Patchouli (2008), Ricci Ricci (2009), Terre Parfum (2009), Fancy Nights (2010) e Kokorico (2011), sem contar, é claro, toda enxurrada de gourmands que seguiu a trilha de Angel. Em 2011, a maison Dior lançou o seu clássico Miss Dior rebatizado com o nome de Miss Dior Originale, desta vez marcadamente terroso. Interessante notar que, dentre os perfumes citados, grande parte foi descontinuada, mostrando que o patchouli é praticamente uma nota de nicho, com um público muito específico. Para uma fragrância com tal ingrediente prosperar, ela precisa ser mais leve e delicada (para quem procura bem-estar) como os amadeirados aromáticos, doce e achocolatada (para quem busca acolhimento) ao estilo Thierry Mugler, ou floral e cremosa (para quem curte o lúdico) como os chipres modernos.

Top25SegundaPeleTOP 25 MACIOS | Em 1994, os dois lados do Atlântico trouxeram uma novidade: um perfume de aspecto aveludado e confortável beirando o funcional. Afinal, até então, ninguém tinha explorado a possibilidade de uma fragrância com cheiro de tecido. Pois bem, Donna Karan apresentou naquele ano seu Cashmere Mist, uma composição que trabalhava com competência o sintético cashmeran, antes usado apenas como traços em criações orientais potentes como LouLou de Cacharel. Esse químico aromático, juntamente a outros, formam o que é conhecido na perfumaria por musks brancos. É uma importante distinção, pois o efeito de pele pode ir tanto para o extremo limpo como para o extremo sujo (musk negro, mais a ver com o famoso almíscar do veado). Com Cashmere Mist, a designer americana propunha um conceito inédito, feito para quem buscavam uma “segunda pele”. Na Europa, Paco Rabanne lançava, com menos evidência, o seu XS, hoje praticamente esquecido devido a uma enxurrada de flankers que pouco têm a ver com a versão tradicional. Tal como Cashmere Mist, XS era um perfume inofensivo, feito para agradar gregos e troianos, principalmente homens mais práticos e que não curtem muito fragrância. Depois destes dois lançamentos, os anos 90 foram inundados por outros belos exemplares como CK Be (1996), Bvlgari pour Homme (1996), 212 (1997), Armani Lui (1998), Noa (1998), 212 Men (1999) e D&G By (1999). Com sucesso comprovado, o estilo macio seguiu com toda força na década de 2000 com Versace Woman (2000), Glow (2002), Fierce (2002), Essenza di Zegna (2003), Armani Mania (2004), Z di Zegna (2005), Prada Tendre (2006), He Wood (2007), Gucci pour Homme II (2007), Narciso Rodriguez for Her Musc (2007), DK Fuel for Men (2008) e Narciso Essence (2009). Aliás, o estilista de origem cubana elegeu a aura sedosa como sua assinatura, hoje bastante reconhecida como o “estilo Narciso de perfume”. Os últimos lançamentos de fragrâncias macias de boa qualidade são Body (2011), Ivoire (2012, o novo), Emblem (2014) e Living (2015). Perfumes com essa aura dificilmente são bem avaliados nos fóruns de perfumes, pois não possuem atributos comumente desejados como projeção e silagem, afinal não foram feitos para isso. Tais perfumes foram concebidos para homens e mulheres que curtem um cheiro mais rente, menos chamativo, que produzam um efeito mais tátil do que propriamente olfativo.

Top25LúdicosTOP 25 LÚDICOS | É comumente aceito que Coco Mademoiselle de Chanel seja a referência dos chipres modernos. Segundo as más línguas, o perfume foi pouquíssimo trabalhado pela maison, feito para ser um simples flanker mais desenvolto do poderoso Coco, lançado em 1984. Ninguém, nem mesmo a Chanel, esperava pelo sucesso relâmpago de Coco Mademoiselle (2001). De repente, aquela combinação de mandarina, frutas lactônicas, flores suculentas, patchouli, fava tonka e um tiquinho de etil maltol virou a coqueluche do momento. O que poucos sabem é que o primeiro perfume da história a ter esse aspecto foi Visa de Robert Piguet, apresentado pelo designer em 1947, e depois reeditado em 2007, também com uma pequena dose de algodão doce. Outro caso bastante curioso foi o de Miss Dior Chérie, revisitado para se enquadrar no gosto contemporâneo, e que acabou sofrendo diversas reformulações para, finalmente, terminar com o nome de simplesmente “Miss Dior”, que nada tem a ver com o original de 1947 – hoje rebatizado com o nome de Miss Dior l’Original. O efeito “bubble gum” dessas criações é o que confere uma personalidade lúdica, que não é exatamente de menina, mas tampouco de matrona. Ao meu ver, não deveria receber o nome de chipre, que é um termo usado para composições com uma textura mais ardida e úmida, quase florestal, nada açucarada. É um tipo de fragrância que combina com mulheres que sabem usar o melhor de sua infantilidade e maturidade, como se com esse tipo de perfume pudessem comunicar “eu sou bem resolvida, portanto me dou o direito de usar um perfume docinho”. O chipre moderno foi, portanto, o último gênero a surgir na perfumaria, numa época em que tudo parecia já ter sido inventado. Tal estilo lúdico é predominantemente feminino, deixando poucas opções para os homens. Para esses, existem algumas boas opções que fazem uso de cítricos, patchouli e café para conferir uma aura semelhante, porém sem a delicadeza das flores. A estreia de Coco Mademoiselle trouxe uma enxurrada de lançamentos de perfumes lúdicos a partir de 2000 (em ordem cronológica): Rush, Présence d’une Femme, Chance, Allure Sensuelle, Badgley Mischka, Flowerbomb, Missoni, Fuel for Life Femme, CH, Zen (novo), Gucci by Gucci, Reb’l FleurValentina, Jimmy Choo, Miss Dior, Bottega Veneta e Carven Le Parfum. Para os homens, os destaques ficaram com L’Instant pour Homme Eau Extrême (muito conhecido pelo carinhoso apelido de LIDGE), Black XS, Inside for Men, Very Irrésistible for Men, A*Men Pure Coffee e Play Intense. Eis um estilo que agrada homens e mulheres emotivos e dinâmicos, que em seu melhor momento são charmosos sedutores e em seu pior momento são exímios manipuladores.

Top25IncensadosTOP 25 BALSÂMICOS | Desde que a maison Guerlain lançou sua maior obra-prima, Shalimar, em 1925, injetando uma dose “exagerada” e inédita de vanilina numa fórmula oriental, a nota de incenso (do latim incendere, “queimar”) em perfumes nunca mais foi a mesma. Sim, pois tal ingrediente existe há milhares de anos, tendo sido imortalizado pela história do nascimento de Jesus, em que o bebê ganhava de presente mirra e olíbano, as duas formas mais comuns de resinas vegetais que, quando queimadas, liberam o odor que conhecemos por incenso. Inclusive aí está a origem da palavra “perfume” (através da fumaça, em latim). O ingrediente em questão, quando usado em conjunto com madeiras nobres, acaba produzindo um efeito woody spicy, que não é o foco deste capítulo. A aura balsâmica está mais para um aspecto ao mesmo tempo viscoso, picante e defumado, equilibrando sofisticação e opulência – o que não é tão fácil de se conseguir. Shalimar, apesar de ter sido visto inicialmente como escandaloso, hoje é um belo exemplar de perfume chique e vulgar, provando que as duas coisas não são mutuamente exclusivas. Alguns anos depois, vieram Tabu (1932) e En Avion (1932), sendo o primeiro uma das fragrâncias mais infames do mundo e a segunda uma criação de Caron hoje praticamente esquecida. Na década de 50, Estée Lauder surpreendeu com a introdução de Youth Dew (1953), o qual acabou ganhando notoriedade quando a própria empresária acidentalmente espatifou um frasco no chão da loja, conquistando os narizes que caminhavam pelos arredores. Depois disso, somente nos anos 70 os balsâmicos retornaram à moda, puxados pelo blockbuster olfativo de Yves Saint Laurent, Opium, lançado em 1977 (embora Ciara de Revlon tenha sido lançado em 1973, com menos impacto). Enquanto a versão EDP está mais para o especiado, o EDT se enquadra melhor nesta seleção. Pegando carona, foram lançados em seguida Ungaro (1977), Poison (1985), Obsession (1985), Salvador Dalí (1985), LouLou (1987), Moschino (1987), Roma (1988), Passion (1988), Venezia (1992) e Van Cleef (1993). Mais recentemente, o gênero foi resgatado com muita competência por meio de Mauboussin (2000), Gucci pour Homme (2003), Visit (2003), Elixir de Merveilles (2006), Belle en Rykiel (2006), Eau des Baux (2006), Hypnôse Homme (2007), Midnight in Paris (2010), Play for Her Intense (2010), Coco Noir (2012) e Sahara Noir (2013). Este último merece destaque por sua ousadia – inicialmente concebido para fazer parte da linha exclusiva de Tom Ford, Private Blend, o designer resolveu arriscar, colocando a fragrância em sua linha mais comercial. Bravo!

Top25RomânticosTOP 25 ROMÂNTICOS | Esta seleção é dedicada às mulheres (e homens) delicadas. Ou seja, são perfumes florais de aura leve e fresca, praticamente inofensivos, que dificilmente incomodam alguém. Tais fragrâncias são ótimas sugestões para o uso diário no escritório, além de caírem muitíssimo bem para uma noiva na cerimônia de casamento. Por serem suaves e refrescantes, podem ser usadas por homens mais sensíveis, que sentem faltam de notas florais em seus perfumes aromáticos. Estamos falando de flores luminosas como lírio-do-vale, frésia, lótus, madressilva, violeta, gardênia, lilás, jacinto, gerânio, hibisco e até mesmo uma rosa mais verde. O estilo foi inaugurado em 1956 com o lançamento de Diorissimo, composto por Edmond Roudnitska. Antes mesmo da descoberta do sintético hedione (uma década depois), já havia disponível na paleta do perfumista o hidroxicitronelal, patenteado em 1908. Esse químico aromático, também conhecido por lyral ou lilial, era combinado com cítricos, flor de laranjeira e aldeído lênico (C11) para produzir o odor fantasia de uma flor cintilante como o lírio-do-vale, remetendo a um jardim numa manhã de primavera. Em seguida, a maison Hermès e o designer Yves Saint Laurent deram continuidade, introduzindo Calèche (1961) e Rive Gauche (1971), respectivamente. O gênero foi revivido pelo grande ícone de Cacharel, Anaïs Anaïs, apresentado no mesmo ano em que Azzaro pour Homme (1978), formando a dupla mais amada e odiada da perfumaria. Depois de um longo período sem grandes lançamentos, principalmente devido ao exagero dos anos 80, os florais delicados foram ressurgir somente na entrada da década de 90. Pegando carona na vibe puritana (leia-se da “consciência pesada”) da época, foram lançados Eternity (1988), Ça Sent Beau (1989) e Cabotine (1990). O estilo pegou firme mesmo na entrada do novo milênio a exemplo de Romance (1998), Truth (2000), Miracle (2000), Chic (2002), Forever and Ever (2002), Vera Wang (2002), Pure Poison (2004), London (2006), Versace pour Femme (2007), Ange ou Démon Le Secret (2009) e Chloé EDT (2009). Mais recentemente, as grifes parecem ter decidido continuar seu investimento nos perfumes românticos, introduzindo belas composições como Beauty (2010), Eaudemoiselle (2010), Baiser Volé (2011), Modern Muse (2013), Jour d’Hermès (2013), Miss Dior Blooming Bouquet (2014) e Miu Miu (2015). Como dito anteriormente, este é um estilo para moças sensíveis e delicadas, e não para as  vaidosas e envolventes. Estas não são boas opções para quem quer brilhar, seduzir e deixar rastro.

Top25MelífluosTOP 25 MELÍFLUOS | Até os anos 80, o cheiro de mel não era tanto abordado na perfumaria. Seja por ser doce demais para uma época pré-gourmand, seja por não existirem bons sintéticos para reproduzir o néctar das abelhas. O mais próximo a que se poderia chegar era a cera apiária (beeswax), no entanto este é um ingrediente de aspecto mais animálico e fenólico do que propriamente doce e viscoso como o mel. Com a invenção e patente do sintético Miel Oliffac pela IFF, a nota começou a ser abordada nos anos 80 e 90 em fragrâncias ousadas, viris e carnais como Kouros (1981), Giorgio for Men (1984), Lapidus pour Homme (1987), Talisman (1994), Animale Animale for Men (1994) e A*Men (1996). Nesses casos, o ingrediente era muitas vezes combinado com patchouli e uma dose mínima de civet, o que produzia o infame efeito de “xixi de gato”. Em seguida, surgiram as fragrâncias à base de mel mais delicadas e elegantes como Poison Tendre (1996), Boucheron Initial (2000) e L’Instant de Guerlain (2003), sendo as duas primeiras compostas por Jacques Cavallier e a última por Maurice Roucel. Tais perfumes abriram caminho para uma enxurrada de criações doces, femininas e afrodisíacas como Sicily (2003), The One (2006), Soir de Lune (2006), Armani Code (2006), Gucci by Gucci (2007), Sensuous (2008), Lady Million (2010), Bvlgari Man (2010), Aqua Allegoria Flora Nymphéa (2010), Elie Saab Le Parfum (2011), Fame (2012), Pure Honey (2012), Honey (2013) e Illicit (2015). A combinação de mel com patchouli se provou bem-sucedida, enquanto o tom animálico de civet praticamente despareceu do mapa. O tema melífluo tem ultimamente emplacado também na forma de flankers masculinos a exemplo de L’Aphrodisiaque (2013) e Euphoria Gold Men (2014) – o que acaba sendo uma boa solução já que a nota de mel é polarizante e tem o seu público limitado. Machos alfas e femmes fatales apreciam o estilo por poderem assim exercer o seu poder de sedução, assim como uma flor atrai agentes polinizadores. São, contudo, fragrâncias para serem usadas com parcimônia em ambientes de trabalho. Por outro lado, são uma excelente pedida para uma balada faça frio ou calor, caia neve ou chuva.

Top25AquososTOP 25 AQUOSOS | Em 1988, New West de Aramis inaugurou o gênero aquático fazendo uso da molécula calone patenteada pela Pfizer em 1974, porém até então ainda não aplicada em fragrâncias. No entanto, aqui estamos falando não dos perfumes de aspecto marinho, mas sim daqueles que são mais frutados, geralmente com notas marcantes de melão, pepino ou melancia. Lançados em paralelo aos marinhos, os aquosos inundaram os anos 90 com seu aroma refrescante, translúcido e levemente adocicado, quase funcional como um xampu. São bons exemplos deste estilo as criações Kenzo pour Homme (1991), L’Eau d’Issey (1992), Escape for Men (1993), Eden (1994), L’Eau d’Issey pour Homme (1994), Acqua di Giò for Women (1995), Insensé Ultramarine (1995) e Cool Water for Women (1996). A tendência dos aquosos foi revisitada na década de 2000, desta vez com composições mais complexas e menos funcionais, especialmente com uso de especiarias, como em Chic for Men (2003), Polo Blue (2003), Be Delicious (2004), Paris Hilton for Men (2005), Into the Blue (2006), Voyage (2006), CK One Summer (2006), Funny (2007), Blue Seduction (2007), Missoni Acqua (2007), Eau de Star (2007) e L’Impératrice (2009). Claramente mais de domínio das marcas americanas e asiáticas, os aquosos continuam bem aceitos, inclusive no Brasil devido ao clima quente. Os últimos lançamentos relevantes foram Eternity Aqua for Women (2012), Island Fantasy (2013), Roberto Cavalli Acqua (2013), Eau de Lacoste L.12.12. Noir (2013), CK One Red (2014), Cedar Essence (2014) e Ralph Fresh (2015). Como a nota de melancia, pepino ou melão são versáteis, os perfumes aqui relacionados são ora classificados como aromáticos ou florais aquáticos, ora até como florais frutados e amadeirados aromáticos. De toda forma, o aspecto translúcido é sempre muito marcante. Gostam desse estilo homens e mulheres sensíveis e delicados que estão atrás de fragrâncias leves apenas para conferir um leve aroma agradável na pele, sem chamar muita atenção. Os aquosos são feitos acima de tudo para trazer conforto e bem-estar.

Top25ArdidosTOP 25 ARDIDOS | Sabe aquele perfume que consegue ser ao mesmo tempo efervescente, selvagem e elegante? Estamos falando de um chipre clássico, que é bem diferente de como o gênero é hoje interpretado. Enquanto o chipre moderno está mais para um cheiro de chiclete com base de patchouli, ou seja, mais doce, cremoso e “meigo”, o chipre clássico é o perfume da madame mais conservadora ou old school. Sempre me vem à cabeça o arquétipo da madre superiora, aquela mulher altiva, ética e comedida que sabe apontar exatamente a diferença entre o certo e o errado. Sendo um gênero pouquíssimo abordado no universo masculino (os exemplos recentes que mais chegam próximo são Déclaration de Cartier e Terre d’Hermès, ambos de Jean-Claude Ellena), as boas referências dos ardidos são fatalmente femininas. E são também características dos anos 70 – nem tanto dos anos 80, que colocaram mais foco nos aldeídos e notas florais. O chipre clássico privilegia o contraste entre o aspecto efervescente-spicy da bergamota e o tom herbáceo-balsâmico do acorde musgo-labdanum, sendo realçado por sintéticos como aldeído C11 e animálicos como civet ou castoreum. Por isso mesmo são os perfumes das madres superioras – de tão corretas não precisam tanto da flor para chamar atenção a si. O primeiro grande exemplo foi Mitsouko de Guerlain, que em 1919 trazia a interpretação olfativa da virilha feminina, em grande estilo é claro, com uma faceta suculenta de ameixa. Ao final da II Guerra Mundial, surgiram Femme de Rochas (1943), Miss Dior (1947) e Le Dix de Balenciaga (1947). Depois de um hiato de treze anos, Rochas retomou o estilo com Madame Rochas (1960). Os chipres clássicos só vieram mesmo com tudo na entrada da década de 70, dominando praticamente durante todo o período, com perfumes como Norell (1968), Chamade (1969), Farouche (1973), Charlie (1973), Halston Classic (1975), Mystère (1978), Magie Noire (1978), Valentino (1978) e Ivoire (1979). Já nos anos 80, os ardidos receberam doses de aldeídos para se tornarem mais luminosos e bombásticos, a exemplo de Diva (1983), Ysatis (1984), Trussardi (1984), Anne Klein 2 (1985), Fendi (1985), Byzance (1987), Animale (1987), Knowing (1988), Rumba (1989) e L’Arte de Gucci (1991). O tardio 24 Faubourg foi o canto do cisne introduzido pela maison Hermès, fazendo a transição entre o tradicional e o contemporâneo. Tais fragrâncias ardidas acabaram saindo de moda seja pela restrição ao uso do musgo de carvalho, seja por terem sido exploradas à exaustão nos anos 70 e 80. Não é um gênero que parece ter previsão de retornar tão cedo, embora fãs do estilo possam contar com inúmeros clássicos que permanecem ativos nos portfólios das marcas citadas. Por não serem tão florais, os chipres tradicionais são compartilháveis e indicados para homens que não tenham preconceito.

Top25VanillaTOP 25 VANILLA | A baunilha é uma espécie de vagem (daí seu nome) extraída das orquídeas do gênero Vanilla oriundas do México. Esta especiaria doce se popularizou, juntamente com o café e o chocolate, no desenrolar do século XVI com a conquista das Américas pelos espanhóis. Depois de múltiplas tentativas de se replantar a planta fora de seu habitat natural, apenas em 1841 ela conseguiu ser cultivada e florescer em Madagascar. Isso só ocorreu quando um menino de 12 anos, Édmond Albius, escravo de franceses, descobriu que a baunilha poderia ser polinizada a mão. Mesmo assim, o seu óleo essencial (ou absoluto) é de difícil extração, com baixíssimo rendimento, perdendo em custo apenas pelo açafrão no mundo das especiarias. Sua síntese, em 1877, possibilitou uma revolução tanto na culinária como na perfumaria, expandindo enormemente as possibilidades de criação. Embora muito parecida em odor, a vanilina é mais “açucarada”, perdendo o aspecto ligeiramente defumado do produto in natura. Com suas facetas ao mesmo tempo intoxicante, confortável e sexy, a baunilha se tornou uma das notas mais usadas em fragrâncias, especialmente pelo fato de ter um cheiro universal que remete ao leite materno, passando uma sensação de acolhimento. Além disso, trata-se de um componente fundamental para o acorde âmbar (juntamente com labdanum, estoraque e benjoim). É uma das matérias-primas mais versáteis da perfumaria, usada tanto como protagonista como nota de fundo. Esta seleção é dedicada à segunda opção. O quarteto de ícones históricos é formado por Jicky (1889), Shalimar (1925), Pour un Homme (1934) e Habit Rouge (1965). Não é por acaso que três das criações citadas sejam de Guerlain, uma casa cuja assinatura ou DNA é um acorde à base de ervas finas, flores atalcadas e baunilha. Depois de quase três décadas sem lançamentos carregados na nota, surgiram Casmir (1992), Minotaure (1992), Opium pour Homme (1995), Boss Bottled (1998), Pi (1998), Black (1998), Allure EDP (1999), Allure pour Homme (1999) e Addict (2002). Ao mesmo tempo, o gênero gourmand, não abordado aqui, caminhava em paralelo, encabeçado por Angel de Thierry Mugler. O foco na baunilha com aspecto mais balsâmico, em vez do etil maltol (algodão doce), produz uma aura mais madura com um aspecto mais encorpado. O estilo se manteve firme nos últimos dez anos com composições sedutoras e intoxicantes a exemplo de 212 Sexy (2004), Gaultier2 (2005), Lalique Le Parfum (2005), Ange ou Démon (2006), Fahrenheit 32 (2007), Black XS for Her (2007), Allure Homme Édition Blanche (2008) e CH Men (2009). Os últimos lançamentos que trabalham com competência a vibe vanilla são J’Adore l’Or (2010), Loverdose (2011), Manifesto (2012) e (2013). São fãs do estilo tanto pessoas extrovertidas (que usam perfume para seduzir) quanto introvertidas (que priorizam o conforto pessoal).

Top25NarcóticosTOP 25 NARCÓTICOS | Até o lançamento de Opium feito pelo designer Yves Saint Laurent em 1977, dificilmente algum perfume poderia ser chamado de narcótico, afinal especiarias eram usadas como notas coadjuvantes. Nem mesmo L’Air du Temps, introduzido em 1948 por Nina Ricci, teve o mesmo poder revolucionário de Opium, ficando apenas na categoria dos perfumes conceituais – aqueles que são inovadores mas que perdem sua força com o tempo. L’Air du Temps foi um floral spicy construído em torno da nota de cravo (flor, não botão), realçada com o uso de salicilato de benzila. O sintético conferia ao perfume uma aura unicamente tridimensional – o que hoje desapareceu devido ao banimento do químico aromático (potencial cancerígeno). Desta forma, a versão de L’Air du Temps atualmente vendida nas perfumarias carece do seu charme original, tornando-se uma fragrância “manca” e desfigurada. Por outro lado, mesmo reformulado, Opium ainda resguarda o seu poder bombástico resultante da combinação picante de mandarina, cravo, jasmim, patchouli, mirra, opoponax, âmbar e baunilha. Por conter uma estrutura monolítica com predominância de ingredientes pesados (o que é razoavelmente comum no gênero), Opium é um perfume que praticamente se desenvolve numa única fase – ou seja, tem o mesmo cheiro do começo ao fim. A ousadia de Yves Saint Laurent é até hoje considerada o primeiro “blockbuster” olfativo, resultante da coincidência de dois eventos: uma tremenda ação de marketing conduzida na época e o boom das lojas de departamentos – que colocaram no mesmo lugar quiosques de grifes de perfumes – nos Estados Unidos, França e Inglaterra. Seguiram o mesmo estilo as criações Oscar (1977) e Cinnabar (1978), introduzidas logo em seguida. As fragrâncias pungentes só voltaram à moda nos anos 90 com composições mais balanceadas com notas cítricas, florais e amadeiradas a exemplo de Parfum Sacré (1991), Asja (1992), Oh La La (1993), Dolce Vita (1994), Xeryus Rouge (1995), Jungle l’Éléphant (1996), Boudoir (1998), Theorema (1998) e Jaïpur Homme (1998). Outras boas referências continuaram emergindo nos anos seguintes, porém desta vez com uma aura mais adocicada: Hot Couture (2000), Nu (2001), Presence (2002), Black Cashmere (2002), Omnia (2003), Kingdom (2003), London for Men (2006), L de Lolita (2006) e L’Homme (2006). De toda forma, torna-se evidente que perfumes picantes não se sustentam por muito tempo no mercado e acabam sendo descontinuados, a não ser que tenham um investimento de propaganda persistente por trás. Mais recentemente, têm feito bastante sucesso de críticas e vendas criações como 1 Million (2008), Si Lolita (2009), Potion (2011) e Spicebomb (2012), todas seguindo uma proposta boêmia e sedutora. Devido ao caráter altamente sensual do gênero, são usuários recorrentes de fragrâncias picantes homens e mulheres com personalidades de macho alfa e femme fatale, respectivamente.

Top25SuculentosTOP 25 SUCULENTOS | Notas frutadas em perfumes podem não ser novidade, pois há um século aldeídos são usados para conferir um aspecto lactônico de pêssego, coco ou ameixa às notas florais. A novidade são, de fato, perfumes com cheiro marcadamente frutado como um xampu ou chiclete, beirando o funcional. Estamos falando aqui daquela aura tropical, com seu aspecto adocicado, energizante e sedutor, tendendo ao lúdico. Não estão aqui consideradas as fragrâncias de traços mais frescos de maçã ou melancia (Be Delicious ou Kenzo pour Homme), bem como as mais maduras e encorpadas (Coco Mademoiselle ou La Panthère), as mais boêmias com cheiro de frutas secas e uísque (A*Men Pure Malt ou Michael for Men) ou as mais polvorosas com sua vibe de maquiagem (Trésor ou C’Est La Vie). Esta seleção é dedicada às criações olfativas com aroma de polpa de frutas, sejam vermelhas (amora, cereja, morango, framboesa, romã), tropicais (manga, abacaxi, maracujá, goiaba, mamão) ou lactônicas (damasco, ameixa, pêssego, figo, coco). Apesar de o gênero ser bastante contemporâneo, é importante recordar que Nirmala de Molinard, já introduzia em 1955 o aroma inédito de frutas tropicais dentro de um contexto oriental. À época, esse perfume repercutiu por seu exotismo, porém sem grande sucesso comercial. Três décadas depois, a marca de cosméticos Prescriptives introduziu Calyx (1987) – uma fragrância inusitada que trazia uma atmosfera ao mesmo tempo refrescante e tropical. Em seguida vieram outros coquetéis de frutas como Fantasme (1992), Red Jeans (1994) e Burberry Women (1995). Quem recebeu o título de pioneiro no gênero foi, contudo, J’Adore (1999), que aproveitou a entrada no novo milênio para trazer a esperança de uma grande novidade na perfumaria. A ruptura causada por Dior foi acompanhada de muitos outros perfumes na década seguinte, enfatizando diferentes aspectos. No lado tropical, podem ser citados Marc Jacobs Men (figo), Nightflight (abacaxi), Dune pour Homme (figo), Un Jardin sur Le Nil (manga), 7:15 am in Bali (maracujá), John Varvatos (figo), Polo Black (manga), Juicy Couture (maracujá), Versace pour Femme (goiaba) e Legend (abacaxi). Fizeram bom uso de frutas vermelhas Gucci Eau de Parfum II (amora), Individuel (framboesa), Euphoria (romã), Insolence (framboesa), Hanae Mori (morango), Délices (cereja) e Fuel for Life Homme (framboesa). O estilo continua a ser abordado com uma certa consistência, a exemplo dos lançamentos Hugo Red (abacaxi), Kenzo Night (manga) e Azzaro Club Men (mamão). Ironicamente, as notas que fundaram o gênero – pêssego, ameixa e coco – estão em desuso. Curtem os perfumes suculentos pessoas amorosas, emotivas e impulsivas, tanto homens como mulheres. Trata-se de um gênero muito apreciado no Brasil, bem acima da média do consumo mundial de perfumes frutados. Marcas locais, inclusive, consideram os frutados uma família olfativa separada das demais.

Top25FlorestaisTOP 25 FLORESTAIS | Quando o perfumista François Coty decidiu combinar o efeito refrescante e adstringente da bergamota à sofisticação encorpada do labdanum e à umidade ardida do musgo de carvalho, mal sabia que estava criando uma das tendências mais persistentes na perfumaria. O lançamento de Chypre, em 1917, deu origem a um gênero de criações de ar florestal, reproduzindo a mistura dos odores da terra e da vegetação. Somente muito tempo depois é que o estilo foi enriquecido com flores – inicialmente a ideia era algo mais seco e naturalístico, equilibrando elegância e bem-estar. O gênero chipre amadeirado (que inclui couro) sofreu muito nas últimas décadas devido à restrição do uso de líquens e bétula nas formulações, componentes fundamentais para reproduzir a aura de floresta. Ambos ingredientes foram rotulados como cancerígenos pela IFRA (agência reguladora internacional). Grandes marcas como Guerlain investiram na produção do seu próprio sintético equivalente, mas o grosso da perfumaria teve que se contentar com a molécula evernyl (musgo de carvalho) ou isobutilquinoleína (bétula), igualmente sujeitas a restrições. Na tentativa de substituir o líquen por um acorde de vetiver e patchouli, o estilo acabou se desvirtuando ao longo do tempo. Os perfumes com atmosfera verdadeiramente florestais hoje vendidos em lojas são poucos, em sua maioria reformulados e descaracterizados. O termo “chipre” também foi desvirtuado, sendo hoje em dia associado ao público feminino e às fragrâncias adocicadas. No entanto, o primeiro chipre de grande impacto surgiu no mercado justamente para senhores discretos e refinados. Pour Monsieur de Chanel foi criado por Henri Robert em 1955, exalando um aroma com equilíbrio incrível entre o cítrico, herbáceo e resinoso. Nos anos 60 e 70 foram introduzidas outras excelentes referências como Pour Monsieur (1955), Cravache (1963), Y (1964), Fidji (1966), Aramis (1966), Climat (1967), Givenchy III (1970), Aromatics Elixir (1971), Coriandre (1973), Eau de Campagne (1974), Cristalle (1974), Polo (1978), Coriandre (1979) e Macassar (1980). Embora os chipres femininos tenham caído em desuso nos anos 80, os florestais foram bastante populares nas prateleiras masculinas entre 1985 e 1995, a exemplo de Lauder for Men (1985), Derby (1985), Bel Ami (1986), Versace l’Homme (1986), Ferré for Men (1986), Iquitos (1987), Esencia pour Homme (1988) e Tsar (1989), Polo Crest (1991), Safari for Men (1992), Elements (1994) e Rocabar (1998). São apreciadores do estilo florestal homens e mulheres perfeccionistas, organizados e eficientes que buscam uma harmonia entre a sofisticação das madeiras ou resinas e o conforto das folhas verdes ou frutas cítricas. Um gênero pra lá de nostálgico e que hoje sofre com a escassez de alternativas. O jeito é garimpar vintages no eBay.

Top25RosáceosTOP 25 ROSÁCEOS | Esta seleção tem como destaque a rainha das flores – a rosa. Uma das notas mais complexas e heterogêneas da perfumaria, tal flor tinha, no ano 1900, apenas oito componentes identificados. Nos anos 50 e 60, o número subiu para vinte e cinquenta, respectivamente. Hoje, são conhecidos cerca de 500 moléculas que produzem o que nós conhecemos como o odor de rosa. Em sua forma in natura, a flor pode variar muito de aspecto olfativo, dependendo da espécie (existem 17 variantes). Um das mais comuns, a Centifolia ou Rosa de Maio, originária de Grasse (França), exala um aroma mais fresco e verde, com facetas de feno, chá e mel. Já a Damascena ou Rosa de Damasco, cultivada na Turquia e Bulgária, é mais encorpada e lactônica (fica ótima com notas de ameixa, cumarina e baunilha). A primeira é mais usada na composição de florais frescos ou buquês, enquanto a segunda é perfeita para os orientais florais. Devido à sua delicadeza e dificuldade de extração, é necessário certa de uma tonelada de pétalas para se obter um quilo de absoluto de rosa. Portanto, perfumistas acabam recorrendo a uma combinação de sintéticos como aldeído C11, citronelol, linalol, geraniol, nerol e ionona para compor a fantasia. A nota de rosa é um dos melhores exemplos de como sintéticos podem até melhorar um aroma natural, muito mais agradável de usar na pele, além de transmitir um certo romantismo e elegância. Ao contrário da crença popular, não existem muitos perfumes centrados na nota de rosa. O mais comum é que ela entre na fórmula como coadjuvante e, mesmo quando protagonista, é uma versão sintética que destoa do odor da rosa que cheiramos no jardim. Atualmente, a nota de rosa mais comum na perfumaria comercial é aquela que tem uma faceta frutada de lichia e traços musky – a rosa clássica usada em ícones como Nahéma, Paris, Nombre Noir, Cabaret, Ombre Rose, Joy e Tocade entrou em desuso. Ou seja, o que a nova geração entende por cheiro de rosa quase nada tem em a ver com o que sua mãe ou avó reconhecem como o aroma da flor. Exemplos de fragrâncias femininas incríveis que fazem uso moderno do estilo rosáceo são: Very Irrésistible, Ma Dame, Idylle, Trésor Midnight Rose, Agent Provocateur, Madness, Rose Essentielle, Kenzo Flower, Stella, Narciso Rodriguez for Her, Chloé (novo) e Kelly Calèche. Há também boas opções para o público masculino, embora em menor quantidade, como Déclaration d’un Soir, Brit for Men, EgoïsteUngaro III, Acteur, 900Van Cleef & Arpels pour Homme e Comme une Évidence. Embora a nota de rosa tenha saído de moda nos perfumes masculinos nos anos 80, há indícios de que ela esteja se tornando a nova tendência unissex, depois dos cítricos e gourmands. Homens refinados e sensíveis poderão, finalmente, contar com fragrâncias à altura da sua personalidade.

Top25ColôniasTOP 25 CÍTRICOS | Este foi o primeiro gênero da perfumaria, e por um motivo simples: frutas cítricas, ervas finas, folhas verdes, líquens e rizomas (como o vetiver) têm óleos essenciais de mais fácil extração (especialmente no caso dos primeiros, por prensagem), com grande aproveitamento na produção de colônias. Importante não confundir colônia com eau de cologne, que se refere à concentração inferior a 5% – nem toda colônia é eau de cologne, assim como nem toda eau de cologne é colônia. Os primeiros espécimes desta família olfativa surgiram entre o final do século XVIII e o final do século XIX com 4711 Original Cologne (1792), Jean Marie Farina (1806), Eau de Cologne Impérial (1860) e Eau de Cologne du Coq (1894). Já no século XX, o gênero passou a oferecer fragrâncias mais elaboradas como Colonia Russa de Santa Maria Novella (1901), Colonia de Acqua di Parma (1916) e Eau de Cologne de Chanel (1924). Uma nova onda de perfumes cítricos mais potentes surgiu nos anos 50, 60 e 70 com Eau Fraîche de Dior (1953), Monsieur de Givenchy (1959), Eau Sauvage (1966), Ô de Lancôme (1969), Eau de Rochas (1970), YSL pour Homme (1971), Eau de Guerlain (1974), Eau d’Orange Verte (1979) e Eau de Givenchy (1980). O gênero fez uma pausa na década de 80, quando uma busca frenética pelas bombas olfativas tomou conta do mercado. A única exceção foi o excelente clássico moderno Armani pour Homme (1984). Os anos 90 abriam trazendo de volta o estilo colônia com Monsieur Balmain (1990) e Boucheron Homme (1991). O perfumista Jean-Claude Ellena inovou ao criar, em 1992, Eau Parfumée au Thé Vert – uma fragrância que lançava a inédita nota fantasia de chá verde e fresco por meio da combinação dos sintéticos hedione (faceta limpa e brilhante do jasmim) e ionona (faceta aquosa e metálica da violeta). Nos anos seguintes, os cítricos voltaram a todo vapor a exemplo de Chrome, Eau de Cartier, Un Jardin en Méditerranée, Versace pour HommeEscale à Portofino, Happy, Versace Man Eau FraîcheEau de Pamplemousse Rose, VersenseAqua Allegoria PampleluneEau de Sisley 3, Lalique White Yuzu Man. O lançamento de Versace Man Eau Fraîche em 2006 trouxe a febre dos flankers frescos, que permanece até hoje e que são identificados com os sufixos “eau fraîche”, “fresh”, “fraîcheur”, “l’eau” e “cologne”. Por comporem um estilo simples e quase funcional (feitos para refrescar), os cítricos ou colônias dificilmente são inovadores e marcantes. Também pecam no quesito silagem (embora tenham excelente projeção nas primeiras duas horas da aplicação) e longevidade (são caracterizados justamente por notas mais voláteis). Quando se inova, faz-se adicionando uma nota de chá, verbena ou algum cítrico exótico (como yuzu), ou até mesmo notas florais leves como néroli (com o cuidado de não desvirtuar a fragrância). São apreciadores do gênero homens e mulheres práticos, dinâmicos e assertivos.

Top25AtalcadosTOP 25 ATALCADOS | O termo “atalcado” dá bastante margem para mal-entendidos, pois é muitas vezes tido como a tradução literal de “powdery”. Na verdade, “powdery” seria o equivalente ao português “polvoroso” (ou “empoado” em Portugal). O polvoroso é mais amplo, podendo compreender não somente os perfumes com cheiro de talco ou maquiagem, como também aqueles à base de lavanda, amêndoas, baunilha, fava tonka e musk, onde se predomina uma textura “fofa”. Aqui vou me ater aos perfumes com notas predominantes de íris, violeta e/ou lilás, que passam um cheiro de banho tomado, podendo ser tanto secos quanto adocicados. Na linguagem técnica do perfumista, o estilo atalcado seria aquele que combina uma riqueza de iononas e ironas – moléculas que, em abundância, caracterizam o aroma das flores citadas. Como a manteiga de íris – também conhecida por orris – é a matéria-prima mais cara da perfumaria, usa-se comumente um blend de iononas e ironas sintéticas, que chega razoavelmente perto do natural. As iononas estão mais para um efeito aquoso, doce e metálico como nos sprays de cabelo, enquanto as ironas estão mais para um efeito seco, aerado e macio como do talco propriamente dito. No entanto, somente a combinação das duas é que produz o autêntico caráter atalcado. Apesar de serem tecnicamente florais, tais notas muitas vezes são consideradas verdes devido ao seu caráter vegetal e unissex. Portanto, são excelentes para a composição de florais greens. A síntese de iononas levou ao lançamento do ícone Violetta di Parma em 1898, trazendo a febre do atalcado. Em 1906, a casa Guerlain lançou a maior referência de cheiro de banho tomado da história, Après l’Ondée (literalmente “depois da chuva”), enriquecido com notas de anis e heliotrópio. Alguns anos depois, a maison lançou L’Heure Bleue (“a hora azul”), uma versão mais encorpada do anterior e menos refrescante. Nascia aí o gênero mais romântico da perfumaria, cultuado por pessoas criativas e originais, especialmente artistas e intelectuais. Os atalcados femininos de maior destaque são, em ordem de lançamento: Bvlgari pour Femme (1994), Hiris (1999), Ferré EDP (2005), Omnia Améthyste (2006), Infusion d’Iris (2007), Insolence EDP (2008), Féerie (2008), John Galliano (2008), Fleur Defendue (2008), Love Chloé (2010), Shalimar Parfum Initial (2011), Violet Blonde (2011), N°19 Poudré (2011) e Dahlia Noir (2011). O estilo pegou firme também nos masculinos, como em Lalique pour Homme (1997), Arpège pour Homme (2005), Bvlgari pour Homme Soir (2006), Dior Homme Intense (2007), Infusion d’Homme (2008), He Wood Rocky Mountain (2009), Eau d’Ikar (2011), Tom Ford Noir (2012) e Armani Eau de Nuit (2013). Um estilo perfeitamente compartilhável, onde a rotulação de gênero deve ser totalmente ignorada. É o que mais representa o jeito francês de ser, com toda sua languidez, misteriosidade e joie de vivre.

Top25FougèresTOP 25 FOUGÈRES | Ao pé da letra, o termo fougère significa “samambaia” em francês. Motivo? Perfumes que combinam bergamota, lavanda, cumarina e musgo de carvalho exalam um cheiro ao mesmo tempo fresco e amendoado como o da planta. Tudo começou em 1882, quando a legendária casa Houbigant criou Fougère Royale – uma fragrância aromática que levava o novíssimo sintético cumarina. A cumarina é um componente da fava tonka responsável pelo odor amendoado, como marzipã. A grande sacada de Houbigant foi aplicar o sintético para realçar a faceta cremosa da lavanda, enquanto as notas de bergamota e musgo de carvalho enfatizavam sua faceta verde. Eis a melhor definição do gênero fougère – o contraste entre o folhoso gelado e o amendoado quente. Poucos anos depois, em 1889, a maison Guerlain lançou Jicky, um fougère que fazia uso da recém-sintetizada vanilina, criando assim o primeiro exemplar de fougère oriental. Agora o lado doce e quente predominava ligeiramente sobre o leve e refrescante. O gênero se popularizou rapidamente, concorrendo diretamente com as colônias, levando ao surgimento de outras referências como English Lavender de Atkinsons (1910), English Lavender de Yardley (1913), Caron pour un Homme (1934), Agua Lavanda de Antonio Puig (1940) e Moustache de Rochas (1948). Ora com uma dose extra de baunilha, ora com a adição de especiarias, o gênero fougère havia até então se consolidado como essencialmente viril e funcional (feito com o propósito de trazer conforto). Essa noção mudou apenas com a introdução de Brut de Fabergé em 1964 – o primeiro perfume masculino divulgado com um apelo cosmético, usando um slogan que incentivava homens a usarem-no para conquistar as mulheres. Essa importante ruptura no mercado abriu caminho para perfumes mais concentrados e potentes lançados nos anos 70 e 80 a exemplo de Paco Rabanne pour Homme, Loewe pour Homme, Azzaro pour Homme, Dunhill Edition, Tuscany per Uomo, Boss Number One, Drakkar Noir, Third Man, Gucci Nobile, Pour Monsieur Concentrée e 1881 Men. Na década de 90, o perfumista armênio Francis Kurkdjian (na época com apenas 24 anos) surpreendeu o mundo com Le Mâle, encomendado pelo designer Jean-Paul Gaultier. Le Mâle trazia, além seu icônico frasco homoerótico, um novo standard de fougère oriental, ampliando ainda mais o contraste da lavanda – de um lado, o acorde limpo de bergamota, menta, cardamomo, artemísia e flor de laranjeira; de outro, um acorde sexy de canela, fava tonka, cominho, baunilha, âmbar e madeiras nobres. Em seguida, vieram D&G pour Homme, By Man, Blue Jeans, AntidoteHypnôse Homme. Os fougères acabaram perdendo força nos últimos anos, exceto pelo lançamento de flankers. Quem aprecia o gênero são homens tranquilos e desencanados, que buscam acima de tudo conforto e bem-estar. A não ser, é claro, no caso dos fougères orientais mais potentes, que são os companheiros inseparáveis dos machos alfas. Graças à influência da lavanda na cultura brasileira, o gênero é também bastante apreciado pelas mulheres.

Top25AmbaradosTOP 25 AMBARADOS | Até a síntese da vanilina em 1877, a perfumaria estava limitada aos gêneros cítrico, fougère, chipre e floral. A extração do óleo essencial da fava de baunilha era possível, porém difícil e cara, acessível para poucos e impraticável para a perfumaria como um todo. Depois da descoberta da heliotropina e cumarina, a baunilha sintética firmou com as outras duas um trio poderoso para compor uma fragrância opulenta, dando origem ao gênero oriental. Muitos críticos especializados dizem que Shalimar de Guerlain, lançado em 1925, foi nada mais do que uma versão de Jicky (primeiro fougère oriental do mundo, da mesma casa) “anabolizada” com baunilha, o que faz muito sentido. Shalimar incorporava a nova fantasia do âmbar – um acorde de benjoim, estoraque, labdanum e vanilina – para emular o odor das resinas vegetais de árvores fossilizadas encontradas ao longo de orlas marítimas depois de uma tempestade. Tais cristais de cor marrom e textura envernizada exalavam um cheiro quente e encorpado, num misto de madeira e mel, com traços terrosos e polvorosos, balanceando o doce e o salgado. O acorde âmbar pode variar muito de acordo com o gosto de cada perfumista, mas é convenção supor que seja algo entre o viscoso e o amadeirado, às vezes enriquecido com patchouli, olíbano (incenso) e couro. Shalimar causou furor em seu lançamento, pois trazia uma ideia totalmente nova, principalmente com sua aura misteriosa e sensual, nunca antes vista como uma possibilidade. Não era tão somente um novo cheiro no mercado, mas sim um mundo cheio de oportunidades inexploradas. Por muitas décadas, a obra-prima de Guerlain reinou absoluta no gênero oriental. Somente nos anos 70 é que o estilo ambarado foi retomado com perfumes como Lagerfeld Classic (1978), Must (1981), Coco (1984), Obsession for Men (1987), Roma (1988) e Sublime (1992). O gênero ficou de lado durante toda a década de 90, que focou nos transparentes ou gourmands. Os ambarados retornaram à ativa com Cristobal pour Homme, M7, Trouble, Youth Dew Amber Nude, Alien Essence Absolue, Magnetism for MenBaldessarini Ambré, Midnight Poison, Let It Rock e Midnight in Paris. Mesmo assim, a maior parte desses foi descontinuada. Mais recentemente, o tema âmbar virou tendência para flankers, a exemplo de Euphoria for Men Intense, Prada Ambrée, Sensuous Noir, Prada Amber Intense, L’Ambre des MerveillesRoberto Cavalli EDP, Miss Dior Le Parfum Narciso Rodriguez Amber Musc. Os ambarados são os queridinhos de homens e mulheres hedonistas que gostam de aplicar um perfume para seduzir, usando-os especialmente à noite. Não se trata de perfumes feitos para o escritório, então acabam perdendo pontos no quesito versatilidade. Femmes fatales e machos alfas formam a grande massa do público fã deste estilo.

TOP25EsfumaçadosTOP 25 ESFUMAÇADOS | Quando avaliamos um perfume pela sua lista de notas, às vezes é fácil se perder nela e deixar de enxergar a sua “aura”. A aura é o aspecto transmitido pelo cheiro, podendo ser composto por matérias-primas à primeira vista diferentes entre si e não tão evidentes. No caso do estilo esfumaçado, notas como vetiver, noz moscada e cedro são frequentemente listadas. Em outros casos, o fabricante lista incenso, olíbano ou mirra. Mas o perfume construído à base de incenso é mais balsâmico e defumado, ou seja, mais encorpado, tendendo mais ao doce ou picante. Aqui falaremos tipicamente de uma composição classificada como amadeirada especiada. Esta seleção prioriza aqueles perfumes que são crispy – exalam um cheiro amargo, seco e áspero como o de uma raiz, porém com uma certa leveza e sofisticação (já o incenso tradicional segue uma atmosfera mais sexy e envolvente, ou até mesmo litúrgica). O ingrediente de melhor custo-benefício para criar um perfume esfumaçado é o vetiver – um tipo de capim originário da Indonésia (mais “sujo”) ou Haiti (mais floral) cujo rizoma libera um óleo essencial de excelente qualidade, tanto para silagem quanto lasting. Como o vetiver já tem em si um aspecto smoky, que remete a cinzas de cigarro e vodca, perfumistas gostam de trabalhá-lo com noz moscada e outras especiarias para que o ingrediente tenha maior complexidade. Usa-se muito os sintéticos vertofix e Iso E Super, além de musks, para criar uma ilusão de fumaça. Foram pioneiros no uso do vetiver Carven (1957), Givenchy (1957) e Guerlain (1961), com suas respectivas fragrâncias que levavam o nome da matéria-prima principal. Por quase 50 anos, o vetiver foi extensamente usado na base de perfumes, porém não mais como protagonista, salvo a rara exceção Cacharel pour Homme (1981). Os esfumaçados voltaram mesmo à moda quando Jungle Homme (1998), Rush for Men (2000), Eau de Vetyver (2001), Kenzo Air (2003), Visit for Men (2003), Tumulte pour Homme (2004), Encre Noire (2006) e Terre (2006) deram um toque crispy e sofisticado à entrada do novo milênio. Nos últimos anos, o retorno do vetiver foi reforçado com fragrâncias como Grey Vetiver, La Nuit de l’Homme, Adventure, Man Loewe 7. O ingrediente também tem sido responsável pela introdução de diversos flankers mais contemporâneos como Infusion de Vétiver, Eau Sauvage Parfum, Bel Ami Vétiver, Guerlain Homme Eau Boisée, Gentlemen OnlyL’Eau d’Issey pour Homme Intense, Acqua di Gio Profumo, Tom Ford Extreme e Aqva Amara. É um estilo injustamente dedicado aos homens, embora seja bastante compartilhável e apreciado por muitas mulheres, especialmente as mais pragmáticas e assertivas. Fica como menção honrosa a obra-prima Sycomore, criada em 1930 por Ernest Beaux para a Chanel (hoje na linha Les Exclusifs), feita para o público feminino.

Top25MentoladosTOP 25 GELADINHOS | Nada melhor do que um perfume à base de hortelã ou menta para os dias mais tórridos. E por que as opções são tão limitadas? Porque essa é uma das notas mais difíceis de serem trabalhadas. Existe sempre o risco de a fragrância se tornar funcional, e ninguém gosta de sair por aí exalando a pasta de dente. Entre mais de 30 espécies identificadas no planeta, estamos falando aqui do que os americanos conhecem por spearmint – a nossa menta, usada como tempero – e peppermint – o nosso hortelã, usado como aromatizante de balas e produtos de higiene pessoal. A primeira é mais leve e refrescante, enquanto o segundo é mais forte e ardido. Perfumistas combinam sintéticos como mentol e ingredientes naturais como gerânio, lavanda, louro, zimbro e eucalipto para criar uma impressão sharp de frescor, mais intensa e potente do que lavanda ou frutas cítricas, a ponto de realmente criar uma atmosfera de frescor e energização. A primeira fragrância que chamou atenção com uma nota marcante de menta foi Cool Water de Davidoff, lançada em 1988. Cinco anos depois, Jacques Polge compôs o flanker Platinum Egoïste para a maison Chanel, nada tendo em comum com o Egoïste tradicional. Com o tempo, a versão original foi quase totalmente esquecida, enquanto Platinum Egoïste se tornou um clássico moderno e um dos maiores best-sellers da perfumaria. Ambos os casos sofreram certa resistência no início, pois menta ainda não era uma nota muito explorada na época. Nos anos seguintes, adotaram o mesmo estilo perfumes como HugoL’Eau par KenzoLanvin HommeLive JazzPasha Menthe FraîcheL’AnarchisteRive Gauche pour Homme e Aqua Allegoria Herba Fresca. Importante salientar que não se trata de fragrâncias classicamente fougères, com vibe de barbearia. Estão mais para o aromático e confortável, e menos para o cremoso e marcante. Não foram feitas para durar mais do que seis horas na pele. Depois de uma pausa de dez anos, os geladinhos voltaram – dessa vez com propostas para mulheres também – como Guerlain HommeAcqua di GioiaVerdonAllure Homme Sport ExtrêmeEscale à ParatiRoadsterA*Men Pure EnergyCode SportFlorabotanicaLe Beau MâleErosL’Eau d’Issey pour Homme Sport Mint, Boss Limited, Aqva Toniq, Eau de Cartier Vétiver Bleu e Legend Special Edition. O estilo faz sucesso com o público de usuários mais calmos e tranquilos e que curtem borrifar um perfume para maximizar o seu próprio bem-estar, acima de tudo.

Top25IndólicosTOP 25 FLORAIS BRANCOS | A natureza é tão perfeita que reservou o odor mais belo e potente para as flores brancas (e amarelas), que não chamam tanta atenção quanto uma lavanda, gerânio, rosa, cravo, íris, violeta ou lilás. Enquanto estas atraem agentes polinizadores (pássaros e insetos) durante o dia por meio da sua aparência vistosa, estas flores atuam mais à noite (morcegos e outros tipos de insetos). Para compensar a falta de coloração, flores como tuberosa, gardênia, jasmim, ylang-ylang, lírio-do-vale e flor de laranjeira exalam um odor mais forte e carnal, que pode ser genericamente ilustrado como o cheiro da dama da noite. A molécula que confere o aroma narcótico, suculento (tropical) e animálico dessas flores é o indol e, por isso, fragrâncias com predominância dessas notas são chamadas de indólicas. Enquanto o jasmim e tuberosa têm odor mais potente, o lírio-do-vale, gardênia e flor de laranjeira são mais suaves. Apesar de muitos homens curtirem o estilo, ele acaba sendo praticamente exclusivo ao público feminino, pois está muito associado à vaidade, e a perfumaria masculina ainda sofre do estigma de ser mais funcional do que cosmética. Quem usa um perfume à base de flores brancas e amarelas têm ciência de que estão usando um perfume para causar, o que já é mais difícil de ser admitido por um homem. Criações intensas, principalmente à base de tuberosa (a flor de aroma mais lascivo), são frequentemente vistas como datadas ou promíscuas (“perfumes de puta”), por serem femininas ao extremo. Os primeiros indólicos marcantes foram Arpège (1927) de Lanvin e Fleurs de Rocaille (1933) de Caron, cujos absolutos de ylang-ylang e jasmim foram “turbinados” com aldeídos. Em seguida veio Fracas (1948) de Robert Piguet, até hoje considerado referência de tuberosa. Depois de um longo hiato, os indólicos voltaram à moda nos anos 80, época marcada por excessos em toda a parte. Perfumes como Boucheron, Carolina Herrera, Jardins de Bagatelle, Gabriella Sabatini, Poison, Giorgio, Joop Femme, Chloé (original), Organza, Panthère, Ysatis, Samsara, Amarige e Classique foram o pesadelo dos maîtres – fregueses reclamavam que o forte cheiro atrapalhava a degustação da comida. Alguns restaurantes colocavam avisos na recepção como se faz hoje em relação a celulares. O gênero acabou se apagando nos anos 90, voltando apenas na entrada do novo milênio com Fragile, Mon Jasmin NoirAlien, Private Collection Tuberose Gardenia, Infusion de Tubéreuse, Lolavie, Badgley Mischka Fleurs de Nuit e Truth or Dare. Pessoas que gostam das fragrâncias indólicas são vaidosas, mas também corretas, eficientes e camaleoas. Gostam de tudo no lugar certo e fazem várias coisas ao mesmo tempo. O estilo é bastante eficiente no quesito silagem (projeção), o que acaba sendo também seu maior defeito – exagere nas borrifadas e você acabará afastando as pessoas.

TOP25SalinosTOP 25 SALINOS | No passado, o mais perto que se poderia chegar de um odor salino era um chipre clássico como Mitsouko de Guerlain (1919), onde a fusão de bergamota, labdanum, musgo de carvalho e civet propiciava um aspecto de pele suada. No entanto, nesta seleção falaremos de outro tipo de odor, aquele que tenta emular o cheiro do âmbar gris (cachalote) ou almíscar (veado). Tanto o primeiro quanto o segundo, hoje quase impossíveis de encontrar, quando aplicados em doses mínimas numa mistura aromática, podem propiciar um aroma como a pele de um bebê recém-nascido, num equilíbrio perfeito entre o doce e o salgado, entre o macio e o cremoso, entre o limpo e sujo. Ou seja, é um odor associado à vida, com todo seu contraste e naturalidade. Pegando a onda puritana dos anos 90, alguns designers tentaram explorar o estilo, puxando um pouco para o marítimo, num misto de algas marinhas com protetor solar, como em Laguna, Acqua di Gio, Dune e Aqva de Bvlgari. Tais fragrâncias conseguiam reproduzir aquele odor da pele bronzeada na praia depois do banho. Na década seguinte, a atriz Sarah Jessica Parker decidiu se dedicar à confecção de seu primeiro perfume, Lovely, em parceria com a Coty. Durante dois anos, Parker participou pessoalmente de diversas reuniões na casa de fragrâncias e estava determinada a lançar uma fragrância que trouxesse a sensação limpa e aveludada, com um leve toque salino. Tal fragrância tinha como ideia principal fazer uma transição harmoniosa entre o líquido e a pele do usuário. Mal sabia ela que estava criando uma nova tendência, evidente somente nos últimos anos. Composições como Eau de Merveilles, Glamour, Coral Flower e Ambre Gris, seguiram o estilo, balanceando notas florais com musk para chegarem próximas ao cheiro de pele de bebê. Uma nova onda de perfumes salinos começou a partir do lançamento do controverso Womanity de Thierry Mugler em 2010, que explorava ainda mais a ideia, só que adicionando notas especiadas e lactônicas. Fragrâncias como Joop Splash, 212 Vip Men, Seductive, L’Homem Parfum Intense, Invictus, Luna Rossa e Spicebomb Eau Fraîche fizeram a alegria de homens charmosos e das mulheres seduzidas por eles. Finalmente, os últimos anos têm sido marcados pela ideia original de Lovely, ou seja, um floral musky com traços de âmbar gris. O sintético ambroxan (ou ambrox) passou a ser um dos queridinhos da perfumaria e longe de ser barato. São bons exemplos da nova tendência: Reveal, Mon Éxclusif, Eros FemmeAqva Divina, Very Irrésistible Édition Croisière, Island, Olympéa e Light Blue Swimming in Lipari. Os perfumes salinos são apreciados por quem curte um cheiro de pele limpa, com aspecto de natural de suór, sem que pareça funcional como um hidratante. Os próximos anos dirão se o estilo pegou.

Top25BoozyTOP 25 BOOZY | O aspecto boêmio de bebida começou a ser trabalhado em paralelo ao surgimento do gênero gourmand no início dos anos 90. Se por um lado o açucarado à algodão doce traz à tona nossa fantasia mais infantil, o boozy desperta o bon vivant que vive dentro de nós. De repente, notas de bebidas quentes como rum, conhaque e uísque passaram a enriquecer nossos perfumes, em especial os orientais florais e amadeirados especiados. Seja qual for o motivo, o estilo até então não havia sido explorado em profundidade, e não por falta de acesso a ingredientes. O termo “licoroso” é às vezes utilizado, porém não específico o suficiente, pois inclui também os frutados xaroposos ao estilo Lancôme, que são bem diferentes. Os primeiros boozy de destaque surgiram em 1993 – TocadeEscada pour Homme e Yvresse (este último com a curiosidade de ter sido lançado com o nome “Champagne”, sendo obrigado e mudar devido a novas normas da OMC relacionadas ao termo geográfico). Neles, a combinação de rosa, canela e benjoim trouxe um efeito quente, romântico e intoxicante como o de um licor. Dentro deste estilo, as notas mais abordadas são conhaque e uísque, ambas com um odor frutado que remete a barris de carvalho macerados com álcool vínico, excelente para dar um efeito vibrante a um amadeirado ou chipre. Além do nosso ícone nacional, Malbec (o perfume nacional mais bem-sucedido da história), temos também Angel Liqueur de Parfum, Michael for Men, Queen Latifah, Badgley Mischka, Southern Blend e o fenomenal flanker A*Men Pure Malt. Outra nota boozy que se tornou bastante popular nos últimos anos é o rum com seu aspecto aromático, doce e suculento que equilibra bem o fresco e o açucarado, como em Joop Homme Wild212 VIPFahrenheit Parfum, Classique EDPGuerlain Homme Intense, Vince CamutoBlack XS Potion, Alien Liqueur de ParfumBentley for Men Intense, Velvet Orchid e Bvlgari Man in Black. Existem ainda aqueles perfumes com acorde marcante de benjoim, pêssego e canela, que resulta num aroma amendoado e frutado lactônico bem próximo do Amaretto. A nota geralmente não aparece listada pelo fabricante, provavelmente por questões legais (marca registrada), mas há bons exemplos como os já descontinuados Organza Indécence, Le Baiser du Dragon e Gloria, além de Truth or Dare Naked. Notas boozy tendem a aparecer apenas em flankers, e normalmente estão mais associadas à boemia, como se tivessem sido feitas para a noite, mais para um encontro sensual do que qualquer outra coisa. Não é um gênero que combina muito com escritório e dificilmente é a fragrância assinatura de alguém. Pode se tornar muito enjoativo se usado com frequência.

Top25OrvalhadosTOP 25 ORVALHADOS | Sabe aquele cheiro que emana de um jardim ao amanhecer num dia de primavera? Ele geralmente é resultante de uma combinação de notas verdes e florais frescas realçadas com cítricos e apoiadas sobre uma base de musgo de carvalho, vetiver e musk. O primeiro indício do gênero surgiu em 1925 com a original criação de Ernest Beaux para a maison Chanel, Gardénia. À época com acesso limitado a sintéticos, o perfumista conseguiu pela primeira vez oferecer a interpretação de uma nota floral branca de grande pureza, subtraindo todo o aspecto carnal e animálico do indol característico das flores brancas como a popular dama da noite. Em 1947, Pierre Balmain lançou Vent Vert, que aprimorou o gênero floral verde com a adição de gálbano (odor vegetal e amargo como o de um talo de alface), propiciando um efeito mais seco e adstringente. Num terceiro momento, a casa Guerlain lançou o seu magnífico (e hoje impossível de encontrar) Vetiver pour Elle, que incorpora notas de bergamota, flor de laranjeira, lírio-do-vale e madressilva. No entanto, o estilo orvalhado só decolou mesmo no final dos anos 60 quando a molécula sintética hedione passou a ser utilizada no icônico Eau Sauvage de Dior para ampliar o seu aspecto cítrico. Hedione é a parte mais luminosa e fresca do jasmim, que tem outras facetas como a frutada e a animálica. Com o uso desse sintético, tornou-se possível a composição de fragrâncias com um efeito ao mesmo tempo aquoso e vibrante, como Calandre (1969). O sucesso de Eau Sauvage e sua subsequente adoção pelo público feminino, levou a Dior a lançar em 1972 uma versão mais floral, Diorella, mostrando um equilíbrio incrível entre o seco e arejado de floresta e a graça e brilho das flores aquáticas. Do outro lado do oceano, a americana Estée Lauder lançava o seu Private Collection – fragrância pessoal da empresária, somente lançada ao público em 1973. Depois de um hiato de duas décadas, o estilo dewy voltou com tudo nos anos 90 com a onda dos puritanos. Perfumes como Parfum d’Été, EnvyTommy Girl, Marc Jacobs, Beyond Paradise, A Scent, Pure DKNY e Ô de Lancôme l’Orangerie fizeram a alegria dos consumidores americanos e japoneses. O estilo acabou ficando associado à nota fantasia de gardênia, resultante da combinação do absoluto de flor de laranjeira e hedione, além de outros sintéticos. Mais recentemente, a tendência do gênero tem sido limitada a flankers de best-sellers como Infusion Fleur d’Oranger, Flora by Gucci Eau Fraîche, Yellow Diamond, Mon Jasmin Noir L’Eau Exquise, Baiser Volé EDT, La Petite Robe Noire Eau FraîcheL’Eau de Carven, Jour d’Hermès Gardénia e Elie Saab Le Parfum L’Eau Couture. Os últimos lançamentos Daisy, Mod NoirDolce e Jardin du Monsieur Li indicam que os orvalhados devam retornar à moda nos próximos anos. Apesar de estarem concentrados nas prateleiras dos femininos, estes são perfumes absolutamente compartilháveis e ótimas sugestões para homens mais sensíveis que busquem originalidade e inovação.

Top25SujinhosTOP 25 SUJINHOS  | Nota-se imediatamente a diferença de tonalidade na colagem das fotos dos “limpinhos” versus os “sujinhos”. De um extremo ao outro, do mais puro e cristalino para o mais selvagem e pesado, saímos da Ásia e Estados Unidos e vamos em direção ao Oriente Médio e Europa. Nestes últimos, o perfume é visto como um acessório que realça o odor natural da pele, em vez de mascará-lo. Europeus, árabes e persas desde sempre usaram um perfume como parte de si mesmos, cujo aroma precisasse ser composto para fazer uma boa transição entre o líquido aplicado externamente e o odor salino, oleoso e levemente picante da nossa pele. Para tanto, os perfumes “sujinhos” levavam uma boa dose de notas animálicas como civet, hyrax e castoreum, numa tentativa de imitar o cheiro potente e multifacetado do raro e caríssimo âmbar gris (praticamente extinto). Tais notas são realçadas com aldeídos, especiarias e nitromusks (estes hoje banidos). Cria-se, assim, um efeito bombástico e marcante, passando uma impressão opulenta e subversiva. Os ditos “sujinhos” não devem ser confundidos com os chipres bombas ou balsâmicos vanilla dos anos 80 – neles as notas “ardidas” são coadjuvantes e não protagonistas como nas fragrâncias aqui selecionadas. Esta lista prioriza os orientais especiados e os amadeirados à base de couro (por muito tempo considerado um gênero olfativo independente). Depois que a tendência puritana vinda da Califórnia pegou firme na década de 90, este estilo saiu de moda, perdendo demanda e, portanto, causando a descontinuação de quase todos do gênero. Os que ficaram acabaram sendo reformulados, agora sem o poder de fixação dos nitromusks, sem falar na restrição dos extratos naturais animálicos. Foram pioneiros no estilo: My Sin (1924), Knize Ten (1924), Djedi (1927), Zibeline (1928) e Tabu (1932), causando frisson por onde espalhavam sua silagem. Uma segunda onda veio nos anos 50 e 60 com Intimate (1955), Bal à Versailles (1962), Monsieur Lanvin (1964) e Azurée (1969). Finalmente, a terceira onda dos “sujinhos” abarcou toda a década de 70 e 80 com perfumes como First (1976), Yatagan (1978), Jules (1980), Patou pour Homme (1980), Portos (1980), Kouros (1981), Antaeus (1981), Balahé (1983), Paloma Picasso (1984), Obsession (1985), Teatro Alla Scala (1985), La Nuit (1985), Lapidus pour Homme (1987), Furyo (1988) e Ungaro II (1992). Fica como menção honrosa o excelente e corajoso Muscs Koublaï Khan, lançado por Serge Lutens em 1998 no mercado de nicho, sendo responsável por uma nova tentativa bem-sucedida de reanimar o estilo. Na perfumaria mais comercial, o laboratório Kiehl’s abraçou a ideia, introduzindo em 2004 o seu realístico e potente Original Musk, um perfume que remete ao almíscar escuro, típico da perfumaria árabe.

Top25LimpinhosTOP 25 LIMPINHOS | Este é o estilo de perfume favorito dos asiáticos. Enquanto os europeus (principalmente os franceses) usam um perfume para valorizar o odor da pele e os americanos para mascará-lo completamente, os asiáticos gostam de um leve toque de limpeza, quase como uma textura macia, mas não marcante o suficiente para ser detectado como perfume, portanto com silagem mínima. Esses perfumes transparentes e soapy são da mais pura delicadeza, focados no bem-estar, especialmente na primeira hora da aplicação. São feitos para pessoas muito sensíveis. O efeito de limpeza vem do aldeído C11, popularizado com o seu uso exagerado no Chanel N°5, mas aqui usado com bastante moderação. O aldeído C11 não diluído remete ao cheiro químico e adstringente de tinturaria. Porém, quanto usado em doses mínimas, pode imediatamente transformar uma base alcoólica em uma fragrância de aroma limpo e polvoroso. Tal sintético funciona como um animálico em termos de potência – uma gota a mais pode estragar a fórmula – e como nota de saída em termos de peso molecular, conseguindo realçar o odor das flores e fundir-se harmoniosamente com almíscares sintéticos usados como base para fixação. Se tradicionalmente o público deste estilo era basicamente formado por chineses, japoneses e coreanos, a overdose dos anos 80, com seus florais bombas, amadeirados oleosos e chipres ardidos, incentivou as marcas americanas a investirem no aspecto puritano e cristalino, simbolizando um recomeço depois da ressaca. Estée Lauder, Calvin Klein, Donna Karan, Michael Kors, Ralph Lauren e Narciso Rodriguez lançaram nas últimas duas décadas criações como Pleasures, CK One, Cashmere Mist, Michael Kors, Polo Sport e Narciso for Her, fazendo bom uso de aldeídos e musks brancos. Designers europeus como Dolce & Gabbana, Thierry Mugler, Chloé, Lacoste, Bvlgari, Chanel, Lalique, Burberry, Lanvin, Hugo Boss, Guerlain e Dior seguiram a tendência, apresentando suas fragrâncias Light Blue, Mugler Cologne, See by ChloéLacoste Femme, Eau Parfumée au Thé Blanc, Allure Homme SportFleur de CristalBeat, L’Homme Idéal Cologne Boss Bottled Sport. Outros resolveram revisitar seus ícones e clássicos modernos, editando-os para uma versão clean, como Je Reviens EDT, Pure White LinenCalèche Eau Délicate, Zen for Men, Éclat d’ArpègeN°5 Eau Première, Dior Homme Cologne Omnia Crystalline. Por último, marcas de cosméticos voltadas para o bem-estar, como Biotherm (destaque para Eau Pure), acabaram adotando o gênero como estratégia principal. Por terem um estilo muito particular, longe de serem pop, estes 25 perfumes tendem a ter avaliações ruins nos sites especializados (Fragrantica, Basenotes e Parfumo), o que é esperado, já que um usuário médio tende a buscar grande silagem. Entretanto, quem gosta dos “limpinhos” não os troca por nada.

TOP25InfantisTOP 25 INFANTIS | Quando o designer francês Thierry Mugler decidiu transformar sua alegria de infância – o algodão doce – num perfume, mal sabia ele que estava criando um gênero inteiramente novo na perfumaria. A ideia aparentemente absurda no início foi criticada e ridicularizada. O que Mugler fez com Angel não foi simplesmente oferecer ao público a possibilidade de sair exalando a cheiro de bala, mas sim a possibilidade de entrar em contato com o nosso lado mais infantil. E um bom perfume infantil não é fácil de criar. Não é fácil pois a tendência é que ele tenha aspecto funcional como de xampu frutado ou “comestível” como de sobremesa, portanto sem cara de perfume. No caso de Angel, o segredo foi injetar na base da composição um patchouli concentrado a 30% (o normal é 10%), tornando-o assexuado e ambivalente. O contraste entre o frutado-doce-lúdico e o amadeirado-seco-dark é o segredo da complexidade dessa fragrância icônica. É importante ressaltar que perfumes como Angel não foram feitos para crianças, mas sim para nós adultos aceitarmos e curtirmos o nosso lado mais ingênuo, piegas, despretensioso. Perfumes nesta categoria têm em comum o aspecto quase literal, com pouca complexidade, geralmente funcionando como um bloco – mesmo cheiro do começo ao fim. A criança que existe dentro de nós não busca nem valoriza a complexidade dos outros gêneros. Ela vai atrás da gostosura, do aroma que remete ao acolhimento de nossos pais que nos mimavam com doces. Depois do lançamento de Angel em 1992 e alguns anos de resistência, a tendência gourmand foi aos poucos tomando força e acompanhada de composições um pouco mais trabalhadas como Lolita Lempicka, que acrescentou alcaçuz e vetiver para dar uma balanceada. Os infantis pegaram de vez quando algumas casas adotaram o estilo como sua assinatura, a exemplo de Escada (Cherry in the Air, Born in Paradise) e Victoria’s Secrets (Bombshell, Coconut Passion), além de marcas de celebridades (Fantasy, Rebelle, Killer Queen). Nem mesmo a poderosa rainha da perfumaria, Guerlain, resistiu à moda “infantil”. Com a contratação do perfumista suíço Thierry Wasser, a maison deixou um pouco de lado a famosa assinatura da casa (guerlinade) para lançar perfumes xaroposos como La Petite Robe Noire e My Insolence. Outros designers seguiram a onda: Juicy Couture (Viva La Juicy), Carolina Herrera (CH), Dior (Miss Dior Chérie), Cacharel (Amor Amor), Lancôme (Hypnôse, La Vie Est Belle), Dolce & Gabbana (D&G pour Femme, novo), Viktor & Rolf (Bonbon), Nina Ricci (Nina, novo), Chopard (Wish), Yves Saint Laurent (Baby Doll), Prada (Candy), Aquolina (Pink Sugar) e Cartier (Délices). Os perfumes infantis têm seu público muito bem definido e fiel, inclusive composto por homens sensíveis que saíram do armário para abraçar a sua meiguice.

Top25GarçonneTOP 25 À LA GARÇONNE | Há quase um século, logo após o término da I Guerra Mundial, surgia em Paris uma nova tendência – mulheres incorporando elementos masculinos em sua aparência, desde o corte de cabelo ao traje completo. Essa moda recebeu o nome de “À la Garçonne” (ou “à moda de um menino”), marcada nos anos 20 pelo corte de cabelo curto da atriz Louise Brooks. Contudo, a maior propagadora do estilo foi Coco Chanel, que incentivou a emancipação das mulheres com a difusão de calças, tailleurs e outras peças que possibilitassem um movimento mais solto e uma silhueta mais reta. A perfumaria foi altamente influenciada pelo movimento, principalmente ao trazer notas mais secas às fragrâncias femininas, como tabaco, couro, ervas finas e madeiras nobres. Tais notas comporiam um aspecto totalmente novo e andrógino, deixando um pouco de lado a beleza delicada das flores e a doçura da baunilha para impor uma aura mais sólida e encorpada, antes exclusiva dos perfumes masculinos. Assim como as fragrâncias masculinas metrossexuais, perfumes à la garçonne são raros e muitas vezes descontinuados por falta de procura pelo público feminino. Entre os mais antigos estão os chipres amadeirados Tabac Blond (1919), Habanita (1921), Cuir de Russie (1924), Sycomore (1929), Scandal (1931) e Vol de Nuit (1933), que causaram um verdadeiro escândalo no mundo entre guerras. Mulheres que exalassem tais fragrâncias estariam, na verdade, manifestando abertamente seu feminismo, ao mesmo tempo em que ousavam fumar um cigarro em público, harmonizando assim os odores. Com o término da II Guerra Mundial, o gênero perseverou com criações como Bandit (1944), Eau d’Hermès (1951), Jolie Madame (1953) e Cabochard (1959) – o foco movia-se do tabaco/vetiver para o couro/bétula. Num terceiro momento, a perfumaria se massificou e o estilo foi revitalizado com aldeídos, especiarias e líquens, mantendo sua atmosfera seca e crispy como Miss Balmain (1967), Norell (1968), Aliage (1972), 1000 (1972), Magie Noire (1978), Silences (1978) e Parfum de Peau (1986). Na virada dos anos 90, as notas amadeiradas de vetiver, patchouli, sândalo e cedro emergiram nas prateleiras femininas acompanhadas de especiarias como Safari (1990), Feminité du Bois (1992), Chaos (1996), Theorema (1998), Nu (2001), Perles (2006) e Cuir de Lancôme (2007). Depois de um intervalo de quase uma década sem qualquer perfume de destaque com a estética à la garçonne, o designer tunisiano Azzedine Alaïa lançou em 2015 a sua inovadora assinatura Alaïa – um floral polvoroso à base de couro e musk. Todas estas 25 opções são excelentes dicas a serem exploradas pelo público masculino que não segue rótulos e tem cabeça aberta.

TOP25MetrossexuaisTOP 25 METROSSEXUAIS | A classificação de gênero na perfumaria é um assunto que dá pano pra manga. Fazendo uma seleção dos 25 melhores perfumes masculinos ricos em feminilidade, cheguei à conclusão que todos eles têm em comum 3 aspectos: (1) contêm notas florais, muitas vezes nem sequer listadas pela grife para “não assustar”, (2) pertencem a grifes com fama de serem mais ousadas e vanguardistas, e (3) vendem pouco e/ou são logo descontinuados. As fragrâncias metrossexuais atendem a um grupo específico de homens que têm em comum 3 características: (1) são bem-resolvidos emocionalmente, sem a necessidade de seguir rótulos ou padrões, (2) têm ousadia e interesse pelo diferente, inovador e provocante, e (3) conhecem mais de perfume que a média da população de homens, independente da sua orientação sexual. Dentre estas 25 incríveis fragrâncias, existem aquelas mais secas e atalcadas à base de rosa, íris, violeta e/ou musk (ou polvorosas, como diria um profissional do ramo) – Zino, Kenzo Power, Narciso Rodriguez for Him, Voyage d’Hermès, Dior Homme, Egoïste, Hommage à l’Homme, Moschino Uomo e Aramis 900. Essas fragrâncias remetem ao romântico, com seu aspecto “fofo”, acolhedor e lânguido. Há também os perfumes masculinos ricos em lavanda, gerânio, heliotrópio e flores brancas (às vezes realçadas com aldeídos), chamados de fougères orientais apenas por falta de melhor termo – Dreamer, Photo, Balenciaga pour Homme, Dune pour Homme, Salvador Dalí pour Homme, Équipage e Joop Homme. Tais fragrâncias conferem uma atmosfera mais limpa e bonita (ou soapy, no linguajar mais técnico), com uma vibe de barbearia chique, remetendo ao asseio viril e refinado. Contamos também com uma terceira categoria de perfumes metrossexuais que puxa mais para o doce, uma espécie de oriental floral para homens – Habit Rouge, Lolita Lempicka Au Masculin, Rochas Man e Minotaure. Eles têm uma aura mais hedonista e boêmia, como se dissessem “sou tão macho que me dou o luxo”, fazendo bom proveito de sua autoindulgência. Finalmente, para os mais ousados entre todos os metrossexuais, existem algumas raras porém espetaculares fragrâncias feitas à base de flores brancas como flor de laranjeira, jasmim, e lírio-do-vale – Fleur du Mâle, Devin, InsenséBeyond Paradise for Men. São perfumes verdadeiramente delicados e que mostram certa fragilidade. Contudo, o mais único de todos, na minha opinião, é Fahrenheit: um perfume que navega por todas as famílias olfativas sem dar explicação. Sua beleza, originalidade e qualidade bastam. Mas isso tudo é o que está sendo vendido (ou já foi vendido) na seção masculina da perfumaria. Para quem curte o estilo metrossexual, basta começar a meter o nariz no outro lado da loja e acabar com o preconceito e a limitação de um rótulo.

Veja também: TOP 25 de Nicho

37 pensamentos sobre “TOP 25

  1. Desses perfumes que destacas, me identifico mais com o estilo “limpinhos” mas confesso que quero muito conhecer perfumes mais “encorpados”!

  2. Incrível a explanação a cerca dos estilos e criações! Esse texto me fez pensar pela primeira vez na similaridade entre a criação de um perfume e um desfile de moda, onde sabemos o que será usado na próxima estação a partir das criações apresentadas. Parabéns pelo belo trabalho e pela dedicação em nos apresentar essa viagem pelas criações perfumisticas.

  3. Parabéns pelo texto, eu adorei saber de detalhes que nos levam inclusive a pensar sobre como nos identificamos com uma fragrância, o que pode ser um traço de personalidade, pois embora eu arrisque outros perfumes, um não sai do posto de meu predileto: Lovely.
    “equilíbrio perfeito entre o doce e o salgado, entre o macio e o cremoso, entre o limpo e sujo. Ou seja, é um odor associado à vida, com todo seu contraste e naturalidade”

  4. Olá Daniel, como vai?!
    Que artigo heim!!! De forma geral do essencial ao importante… Fantástico!!! Parabéns!
    Consegui entender bem minhas preferências. E não só de agora, buscando na memória desde a época que eu não lia sobre perfumes, apenas ia lá cheirar e comprar o que gostasse.
    Gostaria de te perguntar sobre alguns perfumes. Em que categorias se encaixariam o D&G Light Blue (masc), o Versace Pour Homme, o Dior Homme Sport 2012, o D&G The One e o Midnight in Paris?
    Agradeço desde já se for possível responder!
    Abraço, Henrique!

    • Legal, que bom que curtiu, Henrique! Ainda não terminei os rankings.
      D&G Light Blue (masc) / Versace Pour Homme / Dior Homme Sport 2012 = cítricos
      D&G The One for Men = tabaco (ainda não fiz)
      Midnight in Paris = polvoroso (ainda não fiz)

      • Depois que enviei o comentário que vi o Midnight in Paris ali na seção de ambarados. Alguns perfumes podem andar em várias categorias dessas que você descreve né?
        Eu imaginei que o Light Blue por exemplo fosse aquoso e salino. E o The One for Men ambarado.
        De qualquer maneira, obrigado pela resposta.
        Percebi que meus preferidos estão nos Atalcados, Boozy, Salinos, Gelados e Ambarados.
        É engraçado como vc mesmo diz, a diferença entre os Boozy e os Suculentos. Enquanto os Boozy eu adoro, os Suculentos foram os responsáveis pelo meu ódio inicial por perfumes doces. Depois de muito tempo fui vendo que o problema não era o doce e sim como a fragrância era construída, pois muitos boozy e ambarados são doces e gosto bastante, mas os suculentos continuam intragáveis por aqui. hahaha
        Abraço, ansioso pelos próximos rankings!

  5. Daniel me dê dicas de perfumes com cheirinho de de bebê??? o meu preferido é o Prada infusion d iris edt! =)

    Adoro teu trabalho!
    Beijos

    • O melhor é Dior Homme. Mesmo sendo masculino, ele tem lavanda, o que deixa ainda mais gostoso. Prove também Arpège pour Homme, Valentino Uomo, Geir Ness e Kenzo Power 😉

  6. Estou amando os posts! Me identifiquei com os ‘macios’. Conhece o Hypnôse Senses? Foi descontinuado, mas adoro ele. Gostaria da saber em qual/quais grupo se encaixa.

  7. Impecável. Deliciosamente didático e informativo. Amei as categorias que você propôs, apenas senti falta do famigerado Hypnotic Poison Eau De Toilette. Haha ❤

  8. Sabe o que mais admiro em seu post?? A sua criatividade em classificar as fragrâncias em grupos de “os mais 25 (tops)” e com uma palavra que os define de forma certeira. Você é TOP!!! Obrigada pelas postagens. Abraço carinhoso.

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