TOP 25 de Nicho

(Listas com os 25 melhores perfumes de nicho dentro de um tema específico, sem ordem de importância ou preferência entre eles. Para saber mais sobre determinado perfume, use a ferramenta de busca na parte inferior deste página.)

Top25NichoOudTOP 25 OUD | Deixo como destaque o tema de oud (ou agarwood) por talvez ser a tendência de maior impacto nos últimos dez anos na perfumaria. Enquanto este é um ingrediente fragrante usado desde sempre no Oriente Médio, ele é relativamente uma novidade para o Ocidente. Os árabes têm um gosto particular por fragrâncias mais densas e potentes, o que exige matérias-primas como esta resina amadeirada especificamente produzida pelas árvores da família Aquillaria quando infectadas por fungos. O oud exala um odor de aspecto viscoso, defumado e narcótico que remete a remédio. Desta forma, é por vezes trabalhado com rosa, açafrão, tabaco e o sintético cashmeran para “amaciá-lo”, por vezes com couro, âmbar, especiarias e notas animálicas para enriquecê-lo. Provavelmente M7 (Yves Saint Laurent, 2002) tenha sido a primeira tentativa de introduzir o ingrediente em grande escala neste lado do planeta, mas não foi bem aceito pelo público de massa e acabou por ser descontinuado. A perfumaria de nicho, por outro lado, enxergou a oportunidade, abraçou a ideia e começou a produzir composições como Aoud (M. Micallef, 2003), Black Aoud (Montale, 2006), Cruel Intentions (Kilian, 2007), Noir de Noir (Tom Ford, 2007), Oud Wood (Tom Ford, 2007), Oud 27 (Le Labo, 2009), Midnight Oud (Juliette Has a Gun, 2009), Al Oudh (L’Artisan, 2009) e Pure Oud (Kilian, 2009). Várias das casas posteriormente lançaram múltiplas interpretações do tema com foco em incenso, âmbar, rosa, tabaco, couro ou almíscar, especialmente Montale (Red Aoud, Dark Aoud, White Aoud, Honey Aoud…), Kilian (Amber Aoud, Incense Aoud, Musk Aoud, Rose Aoud…) e M. Micallef (Aoud Gourmet, Vanille Aoud, Royal Rose Aoud, Night Aoud…). Em 2010, o oud já despontava como um novo favorito, motivando marcas de designers a revisitarem-no, principalmente com o objetivo de conquistar consumidores no Oriente Médio. No lado mais exclusivo, novas referências surgiram: Accord Oud (Byredo, 2010), Oud Royal (Armani, 2010), C (Clive Christian, 2010), Aoud (Roja, 2010), Emir (M. Micallef, 2010), Oudh Osmanthus (Mona di Orio, 2011), New York Oud (Bond No. 9, 2011), R’oud Elements (Kerosene, 2011), Royal Oud (Creed, 2011), Black Aoud (LM Parfums, 2012), Oud Impérial (Perris Monte Carlo, 2012), Oud (Maison Francis Kurkdjian, 2012), Colonia Intensa Oud (Acqua di Parma, 2012), Thirty Three (Ex Idolo, 2013), Wonderoud (Comme des Garçons, 2014) e Oud & Oud (Cartier, 2014). Da mesma forma que seus predecessores, com o sucesso de seus perfumes à base de oud, algumas casas de nicho introduziram em seguida variações, especialmente Roja Dove (Amber Aoud, Candy Aoud, Taif Aoud, Musk Aoud, Sweetie Aoud), Maison Francis Kurkdjian (Oud Cashmere Mood, Oud Satin Mood, Oud Silk Mood, Oud Velvet Mood) e Cartier (Oud & Rose, Oud & Santal, Oud & Musk, Oud Absolu, Oud Radieux). A tendência do oud pode ser encarada como a esperança da volta do luxo à perfumaria devido à sua opulência e exotismo.

Top25PicantesTOP 25 PICANTES | Até o lançamento de Opium feito pelo designer Yves Saint Laurent em 1977, dificilmente algum perfume poderia ser chamado de verdadeiramente picante, afinal especiarias eram usadas como notas coadjuvantes. Nem mesmo L’Air du Temps, introduzido em 1948 por Nina Ricci, teve o mesmo poder revolucionário de Opium, ficando apenas na categoria dos perfumes conceituais – aqueles que são inovadores mas que perdem sua força com o tempo. L’Air du Temps foi um floral spicy construído em torno da nota de cravo (flor, não botão), realçada com o uso de salicilato de benzila. O sintético conferia ao perfume uma aura unicamente tridimensional – o que hoje desapareceu devido ao banimento do químico aromático (potencial cancerígeno). Desta forma, a versão de L’Air du Temps atualmente vendida nas perfumarias carece do seu charme original, tornando-se uma fragrância “manca” e desfigurada. Por outro lado, mesmo reformulado, Opium ainda resguarda o seu poder bombástico resultante da combinação picante de mandarina, cravo, jasmim, patchouli, mirra, opoponax, âmbar e baunilha. Por conter uma estrutura monolítica com predominância de ingredientes pesados (o que é razoavelmente comum no gênero), Opium é um perfume que praticamente se desenvolve numa única fase – ou seja, tem o mesmo cheiro do começo ao fim. A ousadia de Yves Saint Laurent é até hoje considerada o primeiro “blockbuster” olfativo, resultante da coincidência de dois eventos: uma tremenda ação de marketing conduzida na época e o boom das lojas de departamentos. Seguiram o mesmo estilo as criações Oscar (1977) e Cinnabar (1978), introduzidas logo em seguida. A perfumaria de nicho ainda estava nascendo na época, mas já produzia grandes referência de composições picantes como o quinteto Sables (Annick Goutal, 1985), Eau Lente (Diptyque, 1986), New York (Nicolaï, 1989), Santal de Mysore (Serge Lutens, 1991) e Comme des Garçons (Comme des Garçons, 1995). O gênero foi abraçado pelas marcas independentes, se tornando uma constante, enquanto perfumes spicy de marcas comerciais não se sustentam por muito tempo no mercado e acabam sendo descontinuados. Ficam também como bons exemplos de nicho: Piper Nigrum (Lorenzo Villoresi, 1999), Arabie (Serge Lutens, 2000), Noir Épices (Frédéric Malle, 2000), Safran Troublant (L’Artisan, 2002), Endymion (Penhaligon’s, 2003), Poivre Samarcante (Hermès, 2004), Sushi Impériale (Bois 1920, 2005), L’Air du Désert Marocain (Tauer, 2005), Dzongkha (L’Artisan, 2006), Querelle (Parfumerie Générale, 2006), Rousse (Serge Lutens, 2007), Caravelle Epicée (Frapin, 2008), Aziyadé (Parfum d’Empire, 2008), Oriental Lounge (Different Company, 2009), Spice and Wood (Creed, 2010), D600 (Carner Barcelona, 2010), Memoir (Amouage, 2010), Trayee (Neela Vermeire, 2012), Interlude (Amouage, 2012) e Intoxicated (Kilian, 2014). Devido ao caráter altamente sensual do gênero, são usuários recorrentes de fragrâncias picantes homens e mulheres com personalidades de macho alfa e femme fatale, respectivamente.

Top25PatchouliTOP 25 PATCHOULI | Depois da bergamota, talvez o patchouli seja o ingrediente mais importante da perfumaria. Além de seu óleo essencial ter uma qualidade incrível para misturas aromáticas, ele é complexo e multifacetado. Trata-se de uma folha com odor terroso, úmido, herbáceo, amadeirado e levemente canforado, funcionando bem como base, podendo contribuir enormemente para a fixação ou lasting do líquido fragrante. O patchouli tem uma das histórias mais interessantes, tendo sido descoberto como matéria-prima nas rotas de seda da China para a Europa. Na tentativa de afastar traças (a folha contém terpenos que funcionam como repelente natural), fornecedores do tecido cobriam-no com folhas de patchouli. Depois de semanas em trânsito, os carregamentos chegavam ao seu destino final com um cheiro marcante e sofisticado. Aos poucos, perfumistas foram identificando as propriedades aromáticas da folha, aplicando-o em suas criações. Nos anos 70, o movimento new age da Califórnia trouxe o patchouli de volta à moda, hoje muito associado ao hippie, ao menos em sua forma natural. Por outro lado, a versão do ingrediente que encontramos nas fragrâncias contemporâneas é praticamente livre de terpenos, o que minimiza o aspecto de Gelol, deixando a nota mais próxima do cacau. Em 1974, a casa Givenchy lançou Gentleman, até hoje a maior referência de perfume comercial à base de patchouli com aura terrosa. Ao mesmo tempo viril e sofisticado, Gentleman tornou-se um ícone na perfumaria, de certa forma solitário em seu gênero. A erva só voltou a ser relevante à medida em que o musgo de carvalho se tornava restrito pela IFRA, passando a ser um substituto quase direto. O sucesso acidental da substituição foi tão grande na década de 2000 que o patchouli sofreu uma crise de oferta na época, tendo seu preço disparado. Enquanto a perfumaria de massa passou a usar o ingrediente no papel de coadjuvante para compor acordes cremosos e achocolatados nos chipres modernos ou orientais gourmands, a perfumaria de nicho seguiu um caminho mais natural, fazendo uma interpretação mais realística da erva, colocando-a como protagonista da composição (os poucos que designers que tentaram fazer isso acabaram tendo que descontinuar seus perfumes por falta de demanda). Melhores patchoulis de nicho: Patchouli (Réminiscence, 1970), Patchouli Antique (Les Néréides, 1985), Patchouly (Etro, 1989), Patchouli (Molinard, 1993), Patchouli (Lorenzo Villoresi, 1996), Noir Patchouli (Histoires de Parfums, 2001), Patchouli Patch (L’Artisan, 2002), Patchouli (Santa Maria Novella, 2002), Patchouli Leaves (Montale, 2004), Patchouly (Profumum, 2004), Intrigant Patchouli (Parfumerie Générale, 2005), Bornéo 1834 (Serge Lutens, 2005), Real Patchouly (Bois 1920, 2005), Patchouli (M. Micallef, 2006), Patchouli 24 (Le Labo, 2006), Patchouli (Mazzolari, 2006), Patchouli Noir (Il Profvmo, 2007), Coromandel (Chanel, 2008), Patchouli Nobile (Nobile 1942, 2009), Psychédélique (Jovoy, 2011), Patchouli Impérial (Dior, 2011), Patchouli Bohème (LM Parfums, 2011), Classic Patchouli (Von Eudersdorff, 2011), Mistral Patchouli (Atelier Cologne, 2013) e Patchouli Absolu (Tom Ford, 2014).

Top25EsfumaçadosTOP 25 INCENSO | Esta seleção é dedicada ao ingrediente mais antigo da perfumaria: o incenso (do latim incendere, “queimar”). Sim, pois ele existe há milhares de anos, tendo sido imortalizado pela história do nascimento de Jesus, em que o bebê ganhava de presente mirra e olíbano (frankincense), as duas formas mais comuns de resinas vegetais que, quando queimadas, liberam o odor que conhecemos por incenso. Inclusive aí está a origem da palavra “perfume” (através da fumaça, em latim). Desde que a maison Guerlain lançou sua maior obra-prima, Shalimar, em 1925, injetando uma dose “exagerada” e inédita de vanilina numa fórmula oriental, a nota de incenso ganhou uma nova possibilidade – ser doce e cremosa, envolvente e sensual, pendendo para o ambarado. Por outro lado, o ingrediente em questão, quando usado em conjunto com certas madeiras nobres e especiarias quentes (além de sintéticos), acaba produzindo um efeito secopicante e defumado, equilibrando sofisticação e opulência – o foco desta seleção. Além do uso de olíbano, mirra e elemi, o efeito incensado pode ser criado (ou reforçado) com noz moscada, pimenta preta, cedro, sândalo e vetiver – este último é um tipo de capim originário da Indonésia (mais “sujo”) ou Haiti (mais floral). Usa-se muito os sintéticos vertofix e Iso E Super, além de musks, para criar uma ilusão de fumaça volumosa projetada pelo perfume, como se fosse uma aura em torno da pessoa que o esteja usando. É um estilo injustamente dedicado aos homens, embora seja bastante compartilhável e apreciado por muitas mulheres, especialmente as mais pragmáticas e assertivas. Na perfumaria de nicho, as primeiras criações importantes com o tema de incenso foram o trio L’Eau Trois (Diptyque, 1975), Incense (Norma Kamali, 1985) e Messe de Minuit (Etro, 1994). Na entrada do novo milênio, o tema ganhou força, sendo trabalhado por três casas em especial: Comme des Garçons, L’Artisan e Amouage. Ficam também como referências Aqaba Classic (Aqaba, 1998), Passage d’Enfer (L’Artisan, 1999), Avignon (Comme des Garçons, 2002), Timbuktu (L’Artisan, 2004), Oliban (Keiko Mecheri, 2004), Comme des Garçons 2 Man (Comme des Garçons, 2004), Rien (État Libre d’Orange, 2006), Cardinal (Heeley, 2006), Encens Flamboyant (Annick Goutal, 2007), Incense Extrême (Tauer, 2007), Olibanum (Profumum, 2007), Black Tourmaline (Olivier Durbano, 2007), Jubilation (Amouage, 2008), Sideris (Maria Candida Gentile, 2009), Epic (Amouage, 2009), Fille en Aiguilles (Serge Lutens, 2009), Black Afgano (Nasomatto, 2009), Full Incense (Montale, 2010), La Liturgie des Heures (Jovoy, 2011), Akkad (Lubin, 2012), Black (Comme des Garçons, 2013), Copal Azur (Aedes de Venustas, 2014).

Top25NichoCítricosTOP 25 CÍTRICOS | Este foi o primeiro gênero da perfumaria, e por um motivo simples: frutas cítricas, ervas finas, folhas verdes, líquens e rizomas (como o vetiver) têm óleos essenciais de mais fácil extração (especialmente no caso dos primeiros, por prensagem), com grande aproveitamento na produção de colônias. Importante não confundir colônia com eau de cologne, que se refere à concentração inferior a 5% – nem toda colônia é eau de cologne, assim como nem toda eau de cologne é colônia. Os primeiros espécimes desta família olfativa surgiram entre o final do século XVIII e o final do século XIX com 4711 Original Cologne (1792), Jean Marie Farina (Roger & Gallet, 1806), Eau de Cologne Impérial (Guerlain, 1860) e Eau de Cologne du Coq (Guerlain, 1894). Já no século XX, o gênero passou a oferecer fragrâncias mais elaboradas como Colonia Russa (Santa Maria Novella, 1901), Blenheim Bouquet (Penhaligon’s, 1902), Acqua di Parma Colonia (1916) e Chanel Eau de Cologne (1924) – todas atualmente pertencentes à perfumaria de nicho. A síntese do hedione (molécula responsável pelo odor mais fresco e luminoso do jasmim) em 1962 ampliou enormemente a potência das fragrâncias cítricas. Por comporem um estilo simples e quase funcional (feitos para refrescar), os cítricos ou colônias dificilmente são inovadores e marcantes. Também pecam no quesito silagem (embora tenham excelente projeção nas primeiras duas horas da aplicação) e longevidade (são caracterizados justamente por notas mais voláteis). Quando se inova, faz-se adicionando uma nota de chá, verbena ou algum cítrico exótico (como yuzu), ou até mesmo notas florais leves como néroli (com o cuidado de não desvirtuar a fragrância). Com o mercado da perfumaria de nicho nascendo no final dos anos 70, Annick Goutal liderou o estilo com sua criação Eau d’Hadrien, lançada em 1981 e hoje uma grande referência. Especializando-se em composições mais leves e delicadas, a casa lançou posteriormente Eau du Sud (1996), também aclamada pelo público. Seguindo a tendência puritana que vigorou nos anos 90, as tradicionais marcas inglesas Penhaligon’s, Jo Malone e Clive Christian apresentaram os excelentes Castile (1998), Lime Basil & Mandarin (1999) e 1872 for Men (2001), respectivamente. Na década seguinte, o gênero se consolidou e passou a ser aceito a preço premium. Completam o ranking dos melhores cítricos disponíveis na perfumaria de nicho: Bigarade Concentrée (Frédéric Malle, 2002), Bergamote (Different Company, 2003), Colonia Assoluta (Acqua di Parma, 2003), Eau de New York (Bond No. 9, 2004), Fleurs de Bois (Miller Harris, 2009), Nio (Xerjoff, 2009), Orange Sanguine (Atelier Cologne, 2010), Cologne Royale (Dior, 2010), Neroli Portofino (Tom Ford, 2011), Jardin d’Amalfi (Creed, 2011), XJ 1861 (Xerjoff, 2011), Aqua Universalis Forte (Maison Francis Kurkdjian, 2011), Azémour les Orangers (Parfum d’Empire, 2011), Bergamote 22 (Le Labo, 2012), Neroli (Roja, 2012), Bergamot (Roja, 2012) e Mandarino di Amalfi (Tom Ford, 2014). Por comporem um estilo simples e quase funcional (feitos para refrescar), os cítricos ou colônias dificilmente são inovadores e marcantes. Também pecam no quesito silagem (embora tenham excelente projeção nas primeiras duas horas da aplicação) e longevidade (são caracterizados justamente por notas mais voláteis). Quando se inova, faz-se adicionando uma nota de chá, verbena ou algum cítrico exótico (como yuzu), ou até mesmo notas florais leves como néroli (com o cuidado de não desvirtuar a fragrância). São apreciadores do gênero homens e mulheres práticos, dinâmicos e assertivos.

Top25NichoTabacoTOP 25 TABACO | Apesar de ser hoje vista como uma nota viril, o tabaco ironicamente surgiu na perfumaria num contexto muito particular. Depois do término da I Guerra Mundial, o movimento feminista surgia nos anos 20 em vários setores, e a perfumaria não foi exceção. Primeiro, a casa Caron lançou Tabac Blond em 1919, causando frisson por, de certa forma, dar apoio às mulheres que fumavam em público. Essas buscavam um perfume que pudessem harmonizar com o seu cigarro. Habanita de Molinard (1921), veio logo em seguida, reafirmando o movimento de liberação feminina. Depois deste momento específico na história, o tabaco só voltou à moda com Vetiver de Guerlain (1959) e Cabochard de Grès (1961), sendo o primeiro feito para homens sofisticados e ressaltado com vetiver, e o segundo feito para mulheres ousadas e ressaltado com couro. A nota tem um aroma encorpado, quente e adocicado com facetas de mel e malte, além de moléculas com aspecto sutilmente floral de rosa e violeta. Desta forma, o ingrediente forma uma interação muito agradável e eficiente com notas amadeiradas e ambaradas, dando um toque especial a orientais, fougères e chipres. De enorme versatilidade, o tabaco equilibra o sexy, o confortável e o refinado, podendo tanto agradar de playboys e machos alfas a executivos e intelectuais. Mesmo tendo uma vibe tão viril, fragrâncias com nota marcante de tabaco podem cair bem para mulheres mais pragmáticas e seguras de si. Após mais um longo intervalo de quase quatro décadas, fragrâncias com o tema de tabaco retornaram no final dos anos 80 e início dos anos 90, consolidando-se como uma opção masculina. Se antes a nota poderia ser obtida apenas de forma econômica por meio de uma combinação de vetiver, feno e outras ervas, agora sintéticos como Tobacarol da IFF ampliavam as possibilidades com nuances de noz moscada e âmbar. A perfumaria de nicho não ficou para trás. Referências de bons tabacos aromáticos: Acqua di Cuba (Santa Maria Novella, 1998), Feuilles de Tabac (Miller Harris, 2000), Tabarome (Creed, 2000), Tea for Two (L’Artisan, 2000), Fougère Bengale (Parfum d’Empire, 2007), Hindu Grass (Nasomatto, 2007), Pohadka (Ys-Uzac, 2011) e Journey (Amouage, 2014). Tabacos melífluos: Fumérie Turque (Serge Lutens, 2003), Chergui (Serge Lutens, 2005), Back to Black (Kilian, 2009), Volutes (Diptyque, 2012), Tabac Rouge (Phaedon, 2013) e Kiste (Slumberhouse, 2015). Tabacos vanilla: Tobacco Vanille (Tom Ford, 2007), Tabacco (Odori, 2008), Tabaco Toscano (Santa Maria Novella, 2008), Herod (Parfums de Marly, 2012) e Vanilla Flash (Tauer, 2015). Tabacos boozy: Jeke (Slumberhouse, 2008), Bell’Antonio (Hilde Soliani, 2008), Havana Vanille (L’Artisan, 2009), Bois d’Ascèse (Naomi Goodsir, 2012) e Tobacco Oud (Tom Ford, 2013). Tabacos florais: Jasmin et Cigarette (État Libre d’Orange, 2006) e Wardasina (Sospiro, 2012).

Top25NichoChipresTOP 25 CHIPRES | Sabe aquele perfume que consegue ser ao mesmo tempo efervescente, selvagem e elegante? Estamos falando de um chipre clássico, que é bem diferente de como o gênero é hoje interpretado. Enquanto o chipre moderno está mais para um cheiro de chiclete com base de patchouli, ou seja, mais doce, cremoso e “meigo”, o chipre clássico é o perfume da madame mais conservadora ou old school. Sempre me vem à cabeça o arquétipo da madre superiora, aquela mulher altiva, ética e comedida que sabe apontar exatamente a diferença entre o certo e o errado. Sendo um gênero pouquíssimo abordado no universo masculino (os exemplos recentes da perfumaria comercial que mais chegam próximo são Déclaration de Cartier e Terre d’Hermès, ambos de Jean-Claude Ellena), as boas referências dos chipres são fatalmente femininas. E são também características dos anos 70 – nem tanto dos anos 80, que colocaram mais foco nos aldeídos e notas florais. O chipre clássico privilegia o contraste entre o aspecto efervescente-spicy da bergamota e o tom herbáceo-balsâmico do acorde musgo-labdanum, sendo realçado por sintéticos como aldeído C11 e animálicos como civet ou castoreum. Por isso mesmo são os perfumes das madres superioras – de tão corretas não precisam tanto da flor para chamar atenção a si. Tais fragrâncias acabaram saindo de moda seja pela restrição ao uso do musgo de carvalho, seja por terem sido exploradas à exaustão nos anos 70 e 80. No entanto, o gênero possui um público cativo de homens e mulheres sofisticados e de bom gosto que acabam recorrendo à perfumaria de nicho para encontrar preciosidades chipres. Primeiro vieram os clássicos históricos Hasu-no-Hana (Grossmith, 1888), Acqua di Parma Profumo (Acqua di Parma, 1930), Sycomore (Chanel, 1930) e Melograno (Santa Maria Novella, 1965). Numa segunda fase, casas de vanguarda trouxeram Eau de Monsieur (Annick Goutal, 1980), Palais Jamais (Etro, 1989), Fiori di Capri (Carthusia, 1990) e Vie de Château (Nicolaï, 1992). Fiualmente, no novo milênio, o gênero emplacou de vez na perfumaria de nicho com inúmeras referências: Comme des Garçons 3 (Comme des Garçons, 2002), Ormonde Woman/Man (Ormonde Jayne, 2002/2004), Isfarkand (Ormonde Jayne, 2005), Iskander (Parfum d’Empire, 2006), Lonestar Memories (Tauer, 2006), Le Temps d’une Fête (Nicolaï, 2007), Unspoken (Roja, 2007), Arabian Wood (Tom  Ford, 2009), Grand Néroli (Atelier Cologne, 2010), Escentric 03 (Escentric Molecules, 2010), 34 Boulevard Saint Germain (Diptyque, 2011), Azemour les Orangers (Parfum d’Empire, 2011), Fetish (Roja, 2012), Mito (Vero Profumo, 2012), Chypre Palatin (MDCI, 2012), Chyprissime (Thierry Mugler, 2014) e Chypre 21 (Heeley, 2015). Casas de nicho com um número significativo de criações chipres tendem a ter uma estética retrô, ainda que elegante. Como elas dificilmente classificam suas obras em masculino ou feminino, o público formado por homens tem nesse canal mais chance de se apaixonar pelo estilo.

Top25NichoAnimálicosTOP 25 ANIMÁLICOS | De um extremo ao outro, do mais puro e cristalino para o mais selvagem e pesado, saímos da Ásia e Estados Unidos e vamos em direção ao Oriente Médio e Europa. Nestes últimos, o perfume é visto como um acessório que realça o odor natural da pele, em vez de mascará-lo. Europeus, árabes e persas desde sempre usaram um perfume como parte de si mesmos, cujo aroma precisasse ser composto para fazer uma boa transição entre o líquido aplicado externamente e o odor salino, oleoso e levemente picante da nossa pele. Para tanto, alguns perfumes levavam uma boa dose de notas animálicas como civet, hyrax e castoreum, numa tentativa de imitar o cheiro potente e multifacetado do raro e caríssimo âmbar gris (praticamente extinto). Tais notas são realçadas com aldeídos, especiarias e nitromusks (estes hoje banidos). Cria-se, assim, um efeito bombástico e marcante, passando uma impressão opulenta e subversiva. Os ditos animálicos não devem ser confundidos com os chipres bombas ou balsâmicos vanilla dos anos 80 – neles as notas “ardidas” são coadjuvantes e não protagonistas como nas fragrâncias aqui selecionadas. Esta lista prioriza os orientais especiados e os amadeirados à base de couro (por muito tempo considerado um gênero olfativo independente). Depois que a tendência puritana vinda da Califórnia pegou firme na década de 90, este estilo saiu de moda, perdendo demanda e, portanto, causando a descontinuação de quase todos do gênero. Os que ficaram acabaram sendo reformulados, agora sem o poder de fixação dos nitromusks, sem falar na restrição dos extratos naturais animálicos. Contudo, a perfumaria de nicho encontrou aí uma oportunidade de resgatar o gênero para alegria dos connoisseurs. Quem deu a largada foi o polêmico (e maravilhoso) Muscs Koublaï Khan (Serge Lutens, 1998), acompanhado do ousado Gold Man (Amouage, 1998) – ambos trazendo uma overdose de almíscar e civet. A partir daí, a perfumaria de nicho não parou mais de investir no estilo abandonado pelos designers. Também podem ser citados como bons exemplos: Grezzo d’Eleganza (La Via del Profumo, 1999), Musc Ravageur (Frédéric Malle, 2000), H.O.T. Always (Bond No. 9, 2003), Labdanum 18 (Le Labo, 2006), Maharanih (Nicolaï, 2006), Duro (Nasomatto, 2007), Aoud Cuir d’Arabie (Montale, 2008), Oud 27 (Le Labo, 2009), Cuir (Mona di Orio, 2010), Absolue pour le Soir (Maison Francis Kurkdjian, 2010), Diaghilev (Roja 2010), M (Puredistance, 2010), Leather Oud (Dior, 2010), Kinski (Kinski, 2011), Petroleum (Histoires de Parfums, 2011), Beloved Woman (Amouage, 2012), Fetish (Roja, 2012), Sova (Slumberhouse, 2012), Montecristo (Masque, 2013), Maai (Bogue, 2014), Beaver (Zoologist, 2014), Opus IX (Amouage, 2015) e Salome (Papillon, 2015). Ficam como menções honrosas as obras-primas do couro animálico Peau d’Espagne (Santa Maria Novella, 1901), Knize Ten (Knize, 1924) e Cuir de Russie (Chanel, 1925).

Top25NichoAromáticosTOP 25 AROMÁTICOS | Chá, menta, algas marinhas, feno, tequila, cassis, petitgrain, cenoura, agulhas de pinho, gerânio, ervas finas, lavanda, mate, pepino, gálbano, absinto, vodca, folha de figo, ruibarbo, grama cortada, néroli… Todas essas notas têm em comum a capacidade de transmitir com seu odor uma sensação de conforto, podendo variar de relaxamento a energização, de frescor a transparência, do campo à praia. Diferente dos gêneros floral e oriental, que apelam para a beleza e a sensualidade, a proposta do gênero aromático (que emprestou seu nome da culinária) é mais funcional no sentido de ter um propósito, onde cada ingrediente tem sua utilidade. A limitação de um perfume aromático é justamente sua própria vantagem: a leveza. Enquanto as notas citadas costumam formar o topo de composições florais e orientais, nos aromáticos elas constituem o seu próprio centro. Para garantir o desempenho de uma fragrância tão leve, madeiras, raízes, musks e outros sintéticos cumprem com o papel de prover textura sem interferir no cheiro do perfume. Os aromáticos estão bem próximos dos cítricos (classificados por muitos na mesma categoria) por passar uma sensação de frescor, porém são mais verdes e menos frutados, mais secos e menos efervescentes. Também passam perto do gênero fougère, no entanto sem a base amendoada de fava tonka – ou seja, sem o contraste do quente e gelado. Algumas casas de nicho decidiram desde cedo investir no gênero, tornando-o seu DNA, tais como Creed, Heeley, Carthusia, Xerjoff e Diptyque. Outras eventualmente oferecem criações verdes e refrescantes para enriquecer a diversidade de seus portifólios. Grandes referências de aromáticos na perfumaria de nicho: Karma (Lush, 1995), Millésime Impérial (Creed, 1995), Philosykos (Diptyque, 1996), Io (Carthusia, 2000), 1828 (Histoires de Parfums, 2001), Bleecker Street (Bond No. 9), Fou d’Absinthe (L’Artisan, 2006), Fico di Amalfi (Acqua di Parma, 2006), Menthe Fraîche (Heeley, 2006), Absinth (Nasomatto, 2007), Sel Marin (Heeley, 2008), Hindu Grass (Nasomatto, 2008), Geranium pour Monsieur (Frédéric Malle, 2009), L’Humaniste (Frapin, 2009), Kobe (Xerjoff, 2009), Untitled (Maison Margiela, 2010), Aventus (Creed, 2010), Ninféo Mio (Annick Goutal, 2010), Jardin du Poète (Eau d’Italie, 2011), Amazingreen (Comme des Garçons, 2012), Aleksandr (Arquiste, 2012), Aedes de Venustas (Aedes de Venustas, 2012), Soft Lawn (Imaginary Authors, 2012), Shelter Island (Bond No. 9, 2014) e Imperial Tea (Kilian, 2014). O gênero aromático faz sucesso com o público de usuários mais calmos e tranquilos que estão atrás de fragrâncias leves apenas para conferir um leve aroma agradável na pele, sem chamar muita atenção. Isto é, homens e mulheres que curtem borrifar um perfume para maximizar o seu próprio bem-estar, acima de tudo.

Top25NichoVanillaTOP 25 VANILLA | A baunilha é uma espécie de vagem (daí seu nome) extraída das orquídeas do gênero Vanilla oriundas do México. Esta especiaria doce se popularizou, juntamente com o café e o chocolate, no desenrolar do século XVI com a conquista das Américas pelos espanhóis. Depois de múltiplas tentativas de se replantar a planta fora de seu habitat natural, apenas em 1841 ela conseguiu ser cultivada e florescer em Madagascar. Isso só ocorreu quando um menino de 12 anos, Édmond Albius, escravo de franceses, descobriu que a baunilha poderia ser polinizada a mão. Mesmo assim, o seu óleo essencial (ou absoluto) é de difícil extração, com baixíssimo rendimento, perdendo em custo apenas pelo açafrão no mundo das especiarias. Sua síntese, em 1877, possibilitou uma revolução tanto na culinária como na perfumaria, expandindo enormemente as possibilidades de criação. Embora muito parecida em odor, a vanilina é mais “açucarada”, perdendo o aspecto ligeiramente defumado do produto in natura. Com suas facetas ao mesmo tempo intoxicante, confortável e sexy, a baunilha se tornou uma das notas mais usadas em fragrâncias, especialmente pelo fato de ter um cheiro universal que remete ao leite materno, passando uma sensação de acolhimento. Além disso, trata-se de um componente fundamental para o acorde âmbar (juntamente com labdanum, estoraque e benjoim). É uma das matérias-primas mais versáteis da perfumaria, usada tanto como protagonista como nota de fundo. Esta seleção é dedicada à segunda opção. O trio de ícones históricos é formado por Jicky (1889), Shalimar (1925) e Habit Rouge (1965). Não é por acaso que todas sejam criações sejam de Guerlain, uma casa cuja assinatura ou DNA é um acorde à base de ervas finas, flores atalcadas e baunilha. Já na perfumaria de nicho, três perfumes se destacaram na vanguarda: Vanilia (L’Artisan, 1978), Oppoponax (Les Néréides, 1985) e Vanille Intense (Nicolaï, 1993). Ao mesmo tempo, o gênero gourmand, não abordado aqui, caminhava em paralelo na perfumaria de massa, encabeçado por Angel de Thierry Mugler. O foco na baunilha com aspecto mais balsâmico, em vez do etil maltol (algodão doce), produz uma aura mais madura com um aspecto mais encorpado. O estilo se manteve firme nos anos seguintes com composições sedutoras e intoxicantes a exemplo de Un Bois Vanille (Serge Lutens, 2003), Vanille Exquise (Annick Goutal, 2004), Vanille Sauvage de Madagascar (La Maison de la Vanille, 2005), Tihota (Indult, 2006), Dulcis in Fundo (Profumum, 2006), Tobacco Vanille (Tom Ford, 2007), Spirituese Double Vanille (Guerlain, 2007), Felanilla (Parfumerie Générale, 2008), Success Is a Job (Bond No. 9, 2009), Vanillary (Lush, 2009), Orchidée Vanille (Van Cleef & Arpels, 2009), Vanille Absolument (L’Artisan, 2009), Eau Duelle (Diptyque, 2010), Vanille Extrême (Comptoir Sud Pacifique, 2010), Vanille Insensée (Atelier Cologne, 2011), Vanille (Mona di Orio, 2011), Vanilla Marble (Agonist, 2011), Vaniglia del Madagascar (Farmacia SS. Annunziata, 2011), Memoirs of a Trespasser (Imaginary Authors, 2012), 7 Billion Hearts (CB I Hate Perfume, 2012), Raghba (Lattafa, 2014) e Vanilla Flash (Tauer, 2015). São fãs do estilo tanto pessoas extrovertidas (que usam perfume para seduzir) quanto introvertidas (que priorizam o conforto pessoal).

Top25NichoRosaTOP 25 ROSA | Esta seleção tem como destaque a rainha das flores – a rosa. Uma das notas mais complexas e heterogêneas da perfumaria, tal flor tinha, no ano 1900, apenas oito componentes identificados. Nos anos 50 e 60, o número subiu para vinte e cinquenta, respectivamente. Hoje, são conhecidos cerca de 500 moléculas que produzem o que nós conhecemos como o odor de rosa. Em sua forma in natura, a flor pode variar muito de aspecto olfativo, dependendo da espécie (existem 17 variantes). Um das mais comuns, a Centifolia ou Rosa de Maio, originária de Grasse (França), exala um aroma mais fresco e verde, com facetas de feno, chá e mel. Já a Damascena ou Rosa de Damasco, cultivada na Turquia e Bulgária, é mais encorpada e lactônica (fica ótima com notas de ameixa, cumarina e baunilha). A primeira é mais usada na composição de florais frescos ou buquês, enquanto a segunda é perfeita para os orientais florais. Devido à sua delicadeza e dificuldade de extração, é necessário certa de uma tonelada de pétalas para se obter um quilo de absoluto de rosa. Portanto, perfumistas acabam recorrendo a uma combinação de sintéticos como aldeído C11, citronelol, linalol, geraniol, nerol e ionona para compor a fantasia. A nota de rosa é um dos melhores exemplos de como sintéticos podem até melhorar um aroma natural, muito mais agradável de usar na pele, além de transmitir um certo romantismo e elegância. Ao contrário da crença popular, não existem muitos perfumes centrados na nota de rosa. O mais comum é que ela entre na fórmula como coadjuvante e, mesmo quando protagonista, é uma versão sintética que destoa do odor da rosa que cheiramos no jardim. Atualmente, a nota de rosa mais comum na perfumaria comercial é aquela que tem uma faceta frutada de lichia e traços musky – a rosa clássica usada em ícones como Fleurs de Bulgarie (Creed, 1845), Hamman Bouquet (Penhaligon’s, 1872) e La Rose de Rosine (Les Parfums de Rosine, 1912) entrou em desuso. Ou seja, o que a nova geração entende por cheiro de rosa quase nada tem em a ver com o que sua mãe ou avó reconhecem como o aroma da flor. Por outro lado, a perfumaria de nicho viu na década de 90 a oportunidade de revisitar a nota de rosa de forma mais autêntica e realística, a exemplo de Rose de Nuit (Serge Lutens, 1993), Voleur de Roses (L’Artisan, 2003) e Drôle de Rose (L’Artisan, 1996). A partir daí, a nota retornou à moda e passou a ser um dos temas mais explorados: Red Roses (Jo Malone, 2001), Une Rose (Frédéric Malle, 2003), Rose Ikebana (Hermès, 2004), Rose Barbare (Guerlain, 2005), Paestum Rose (Eau d’Italie, 2006), Rose 31 (Le Labo, 2006), Lady Vengeance (Juliette Has a Gun, 2006), Lyric (Amouage, 2008), Une Rose Chyprée (Tauer, 2009) e Lumière Noire (Maison Francis Kurkdjian, 2009). Tais criações conseguiram trazer a rosa de volta ao público masculino, tornando-se a nova tendência unissex, depois dos cítricos e gourmands. Homens refinados e sensíveis podem, finalmente, contar com fragrâncias à altura da sua personalidade. Outras excelentes opções mais recentes são Portrait of a Lady (Frédéric Malle, 2010), Attar de Roses (Keiko Mecheri, 2010), Rose d’Arabie (Armani, 2010), Café Rose (Tom Ford, 2012), Rose Anonyme (Atelier Cologne, 2012), Oud Ispahan (Dior, 2012), Wardasina (Sospiro, 2012), La Fille de Berlin (Serge Lutens, 2013) e Une Rose de Kandahar (Tauer, 2013). Em 2014, novas casas de nicho surgiram com total foco na rosa, como Dear Rose de Chantal Roos e Aerin Lauder (neta de Estée Lauder).

Top25NichoBoozyTOP 25 BOOZY | Os primeiros bons exemplos de perfumes com estilo boozy foram Le Dandy (D’Orsay, 1925) e Established Cognac (Krigler, 1966), muito tempo antes de o gênero ter pegado carona com a tendência gourmand dos anos 90 na perfumaria de massa. O termo “licoroso” é às vezes utilizado, porém não específico o suficiente, pois inclui também os frutados xaroposos ao estilo Lancôme. Se por um lado o açucarado à algodão doce traz à tona nossa fantasia mais infantil, o boozy desperta o bon vivant que vive dentro de nós. De repente, notas de bebidas quentes como rum, conhaque e uísque passaram a enriquecer nossos perfumes, em especial os orientais florais e amadeirados especiados. As notas mais abordadas são conhaque e uísque, ambas com um odor frutado que remete a barris de carvalho macerados com álcool vínico, excelente para dar um efeito vibrante a um amadeirado ou chipre. Outra nota boozy que se tornou bastante popular nos últimos anos é o rum com seu aspecto aromático, doce e suculento que equilibra bem o fresco e o açucarado. A seleção não inclui composições com notas de bebidas como gin, tequila e vodca, pois estas tendem a fazer o papel coadjuvante de fragrâncias mais frescas e luminosas, assim como a nota de vinho é geralmente usada para realçar um acorde de rosa. Aqui falamos especificamente de perfumes quentes e opulentos. A perfumaria de nicho demorou uma década a mais para apresentar suas criações boozy, como Chêne (Serge Lutens, 2004), Idole (Lubin, 2005), Cèdre (Serge Lutens, 2005), Bois d’Ombrie (Eau d’Italie, 2006), Aqaba for Men (Aqaba, 2006), Straight to Heaven (Kilian, 2007), Virgin Island Water (Creed, 2007), Champaca Absolute (Tom Ford, 2009) e Uden (Xerjoff, 2010). Seja qual for o motivo, o estilo até então não havia sido explorado em profundidade, e não por falta de acesso a ingredientes. A partir de 2010, houve um boom de referências boozy: 1270 (Frapin, 2010), Speakeasy (Frapin, 2012), Bois d’Ascèse (Naomi Goodsir, 2012), Enchanted Forest (The Vagabond Prince, 2012), Londinum (Molton Brown, 2012), Korrigan (Lubin, 2012), Le Jeux Sont Faits (Jovoy, 2012), Hedonist (Victoria Minya, 2013), Enigma pour Homme (Roja, 2013), Sensei (Piotr Czarnecki, 2013), Coven (Andrea Maack, 2013), El Born (Carner Barcelona, 2014), Tralala (Penhaligon’s, 2014) e Laudano Nero (Tiziana Terenzi, 2014). Notas boozy normalmente estão mais associadas à boemia, como se tivessem sido feitas para a noite, mais para um encontro sensual do que qualquer outra coisa. Não é um gênero que combina muito com escritório e dificilmente é a fragrância assinatura de alguém. Pode se tornar muito enjoativo se usado com frequência.

Top25NichoFougèresTOP 25 FOUGÈRES | Ao pé da letra, o termo fougère significa “samambaia” em francês. Motivo? Perfumes que combinam bergamota, lavanda, cumarina e musgo de carvalho exalam um cheiro ao mesmo tempo fresco e amendoado como o da planta. Tudo começou em 1882, quando a legendária casa Houbigant criou Fougère Royale – uma fragrância aromática que levava o novíssimo sintético cumarina. A cumarina é um componente da fava tonka responsável pelo odor amendoado, como marzipã. A grande sacada de Houbigant foi aplicar o sintético para realçar a faceta cremosa da lavanda, enquanto as notas de bergamota e musgo de carvalho enfatizavam sua faceta verde. Eis a melhor definição do gênero fougère – o contraste entre o folhoso gelado e o amendoado quente. O gênero se popularizou rapidamente, concorrendo diretamente com as colônias, levando ao surgimento de referências na perfumaria de nicho como Fieno (Santa Maria Novella, 1886), English Fern (Penhaligon’s, 1890), Phul-Nana (Grossmith, 1891), English Lavender (Atkinsons, 1910), Chevalier d’Orsay (D’Orsay, 1911) e 1920 Extreme (Bois 1920, 1920). Ora com uma dose extra de baunilha, ora com a adição de especiarias, o gênero fougère havia até então se consolidado como essencialmente viril e funcional (feito com o propósito de trazer conforto). Essa noção mudou apenas com a introdução de Brut de Fabergé em 1964 – o primeiro perfume masculino divulgado com um apelo cosmético, usando um slogan que incentivava homens a usarem-no para conquistar as mulheres. Essa importante ruptura no mercado abriu caminho para perfumes mais concentrados e potentes lançados nos anos 70 e 80 na perfumaria de massa. O segmento de nicho acompanhou a tendência, porém com o delay de uma década. Bons exemplos de fougères mais exclusivos foram Eau de Lavande (Annick Goutal, 1981), Or Black (Pascal Morabito, 1982), Uomo (Lorenzo Villoresi, 1993), Knize Forest (Knize, 1993), Oxford & Cambridge (Czech & Speake, 1994), Amber & Lavender (Jo Malone, 1995) e Encens et Lavande (Serge Lutens, 1996). Os fougères acabaram perdendo força na entrada do novo milênio, deixando poucas boas referências: 1725 (Histoires de Parfums, 2001), Eau Noire (Dior, 2004), Brin de Réglisse (Hermès, 2004), Invasion Barbare (MDCI, 2005), Frank Los Angeles 2 (Frank Los Angeles, 2005), Gris Clair (Serge Lutens, 2006), A Taste of Heaven (Kilian, 2007), Fougère Bengale (Parfum d’Empire, 2007), Sartorial (Penhaligon’s, 2010), Pegasus (Parfums de Marly, 2011) e Danger pour Homme (Roja, 2011). Em 2016, a maison Chanel surpreendeu com o lançamento de Boy, um fougère unissex. Quem aprecia o gênero são homens tranquilos e desencanados, que buscam acima de tudo conforto e bem-estar. A não ser, é claro, no caso dos fougères orientais mais potentes, que são os companheiros inseparáveis dos machos alfas. Graças à influência da lavanda na cultura brasileira, o gênero é também bastante apreciado pelas mulheres.

Top25NichoAmbaradosTOP 25 AMBARADOS | Até a síntese da vanilina em 1877, a perfumaria estava limitada aos gêneros cítrico, fougère, chipre e floral. A extração do óleo essencial da fava de baunilha era possível, porém difícil e cara, acessível para poucos e impraticável para a perfumaria como um todo. Depois da descoberta da heliotropina e cumarina, a baunilha sintética firmou com as outras duas um trio poderoso para compor uma fragrância opulenta, dando origem ao gênero oriental. Muitos críticos especializados dizem que Shalimar de Guerlain, lançado em 1925, foi nada mais do que uma versão de Jicky (primeiro fougère oriental do mundo, da mesma casa) “anabolizada” com baunilha, o que faz muito sentido. Shalimar incorporava a nova fantasia do âmbar – um acorde de benjoim, estoraque, labdanum e vanilina – para emular o odor das resinas vegetais de árvores fossilizadas encontradas ao longo de orlas marítimas depois de uma tempestade. Tais cristais de cor marrom e textura envernizada exalavam um cheiro quente e encorpado, num misto de madeira e mel, com traços terrosos e polvorosos, balanceando o doce e o salgado. O acorde âmbar pode variar muito de acordo com o gosto de cada perfumista, mas é convenção supor que seja algo entre o viscoso e o amadeirado, às vezes enriquecido com patchouli, olíbano (incenso) e couro. Shalimar causou furor em seu lançamento, pois trazia uma ideia totalmente nova, principalmente com sua aura misteriosa e sensual, nunca antes vista como uma possibilidade. Não era tão somente um novo cheiro no mercado, mas sim um mundo cheio de oportunidades inexploradas. Por muitas décadas, a obra-prima de Guerlain reinou absoluta no gênero oriental. Somente nos anos 70 é que o estilo ambarado foi retomado tanto na perfumaria de massa como de nicho. Depois dos lançamentos de Ambre (Réminiscence, 1970), Anné Pliska (1987) e Ambre Précieux (Maître Parfumeur et Gantier, 1988), a perfumaria se aqueceu novamente na entrada do novo milênio e acabou produzindo as três maiores referência de âmbar no segmento de nicho: Ambre Sultan (Serge Lutens, 2000), Ambre 114 (Histoires de Parfums, 2001) e Ambre Russe (Parfum d’Empire, 2003). Entram também no pool dos melhores ambarados: Fiori d’Ambra (Profumum, 2004), Blue Amber (Montale, 2006), Amber Absolute (Tom Ford, 2007), L’Ombre Fauve (Parfumerie Générale, 2007), Ambre Fétiche (Annick Goutal, 2007), Ambra di Luna (Ramón Monegal, 2009), Ambre Nuit (Dior, 2009), Ambre Orient (Armani, 2010), Ambra Mediterranea (Profumi del Forte, 2009), Alambar (Laboratorio Olfattivo, 2010), Ambre (Mona di Orio, 2010), Amber Oud (Kilian, 2011), New York Amber (Bond No. 9, 2011), Ambra Nera (Farmacia SS. Annunziata, 2011), Opus VI (Amouage, 2012), Amber (Roja Dove, 2014), Ô Hira (Stéphane Humbert Lucas 777, 2014), Ambre Impérial (Van Cleef & Arpels, 2015) e Amber Flash (Tauer, 2015). Os ambarados são os queridinhos de homens e mulheres hedonistas que gostam de aplicar um perfume para seduzir, usando-os especialmente à noite. Não se trata de perfumes feitos para o escritório, então acabam perdendo pontos no quesito versatilidade. Femmes fatales e machos alfas formam a grande massa do público fã deste estilo.

Top25NichoIrisTOP 25 ATALCADOS | O termo “atalcado” dá bastante margem para mal-entendidos, pois é muitas vezes tido como a tradução literal de “powdery”. Na verdade, “powdery” seria o equivalente ao português “polvoroso” (ou “empoado” em Portugal). O polvoroso é mais amplo, podendo compreender não somente os perfumes com cheiro de talco ou maquiagem, como também aqueles à base de lavanda, amêndoas, baunilha, fava tonka e musk, onde se predomina uma textura “fofa”. Aqui vou me ater aos perfumes com notas predominantes de íris, violeta e/ou lilás, que passam um cheiro de banho tomado, podendo ser tanto secos quanto adocicados. Na linguagem técnica do perfumista, o estilo atalcado seria aquele que combina uma riqueza de iononas e ironas – moléculas que, em abundância, caracterizam o aroma das flores citadas. Como a manteiga de íris – também conhecida por orris – é a matéria-prima mais cara da perfumaria, usa-se comumente um blend de iononas e ironas sintéticas, que chega razoavelmente perto do natural. As iononas estão mais para um efeito aquoso, doce e metálico como nos sprays de cabelo, enquanto as ironas estão mais para um efeito seco, aerado e macio do talco propriamente dito. No entanto, somente a combinação das duas é que produz o autêntico caráter atalcado. Apesar de serem tecnicamente florais, tais notas muitas vezes são consideradas verdes devido ao seu caráter vegetal e unissex. Portanto, são excelentes para a composição de florais greens. A síntese de iononas levou ao lançamento do ícone Violetta di Parma em 1898, trazendo a febre do atalcado. Em 1906, a casa Guerlain lançou a maior referência de cheiro de banho tomado da história, Après l’Ondée (literalmente “depois da chuva”), enriquecido com notas de anis e heliotrópio. Alguns anos depois, a maison lançou L’Heure Bleue (“a hora azul”), uma versão mais encorpada do anterior e menos refrescante. Nascia aí o gênero mais romântico da perfumaria, cultuado por pessoas criativas e originais, especialmente artistas e intelectuais. Dentro da perfumaria de nicho, encontramos estas referências: Green Irish Tweed (Creed, 1985), Iris Silver Mist (Serge Lutens, 1994), Bois d’Iris (Different Company, 2000), Iris Poudre (Frédéric Malle, 2000), L’Homme de Coeur (Divine, 2002), L’Eau d’Hiver (Frédéric Malle, 2003), Bois d’Argent (Dior, 2004), Iris Nobile (Acqua di Parma, 2004), Iris 39 (Le Labo, 2006), Iris de Nuit (Heeley, 2006), Iris Oriental (Parfumerie Générale, 2006), 31 Rue Cambon (Chanel, 2007), 28 La Pausa (Chanel, 2007), Escentric 02 (Escentric Molecules, 2008), Irisss (Xerjoff, 2008), Bois d’Iris (Van Cleef & Arpels, 2009), Calamity J (Juliette Has a Gun, 2009), Iris Ukiyoé (Hermès, 2010), Impossible Iris (Ramón Monegal, 2010), 1889 (Histoires de Parfums, 2010), Iris Prima (Penhaligon’s, 2013), Iris Nazarena (Aedes de Venustas, 2013), Khôl de Bahreïn (Stéphane Humbert Lucas 777, 2013), Iris Cendré (Naomi Goodsir, 2015) e Lipstick On (Maison Margiela, 2015). Um estilo perfeitamente compartilhável, onde a rotulação de gênero deve ser totalmente ignorada. É o que mais representa o jeito francês de ser, com toda sua languidez, misteriosidade e joie de vivre.

Top25NichoGourmandsTOP 25 GOURMANDS | Quando o designer francês Thierry Mugler decidiu transformar sua alegria de infância – o algodão doce – num perfume, mal sabia ele que estava criando um gênero inteiramente novo na perfumaria. A ideia aparentemente absurda no início foi criticada e ridicularizada. O que Mugler fez com Angel não foi simplesmente oferecer ao público a possibilidade de sair exalando a cheiro de bala, mas sim a possibilidade de entrar em contato com o nosso lado mais infantil. E um bom perfume infantil não é fácil de criar. Não é fácil pois a tendência é que ele tenha aspecto funcional como de xampu frutado ou “comestível” como de sobremesa, portanto sem cara de perfume. No caso de Angel, o segredo foi injetar na base da composição um patchouli concentrado a 30% (o normal é 10%), tornando-o assexuado e ambivalente. O contraste entre o frutado-doce-lúdico e o amadeirado-seco-dark é o segredo da complexidade dessa fragrância icônica. É importante ressaltar que perfumes como Angel não foram feitos para crianças, mas sim para nós adultos aceitarmos e curtirmos o nosso lado mais ingênuo, piegas, despretensioso. Perfumes nesta categoria têm em comum o aspecto quase literal, com pouca complexidade, geralmente funcionando como um bloco – mesmo cheiro do começo ao fim. Porém, aí está a diferença entre a perfumaria comercial e a perfumaria de nicho. As marcas mais exclusivas pegaram carona na nova tendência e passaram logo em seguida a oferecer composições com ingredientes de melhor qualidade e construções mais multifacetadas. Importante enfatizar que não basta a fórmula conter notas de baunilha, frutas e bebidas (mesmo em grande peso) para um perfume ser considerado gourmand – é necessário que ele remeta diretamente a um aspecto de guloseimas, que nos faça salivar. A francesa Comptoir Sud Pacifique saiu na frente com Amour de Cacao em 1993, especializando-se depois em fragrâncias doces. Com a aceitação do público, as casas de nicho começaram a “brincar” com a ideia de incorporar aromas de sobremesa como caramelo, bolo, pudim, merengue e chocolate em suas criações. O resultado é uma lista de deliciosos (literalmente) perfumes: Loukhoum (Keiko Mecheri, 1998), Rahät Loukhoum (Serge Lutens, 1998), New Haarlem (Bond No. 9, 2003), Ambre Narguilé (Hermès, 2004), Aomassaï (Parfumerie Générale, 2006), Dulcis in Fundo (Profumum, 2006), Iris Ganache (Guerlain, 2007), Chocolate Greedy (Montale, 2007), Love (Kilian, 2007), Aoud Gourmet (M. Micallef, 2008), Sweet Oriental Dream (Montale, 2008), Gourmand Coquin (Guerlain, 2008), Dolcelisir (L’Erbolario, 2010), Xocoatl (Fueguia, 2010), Lira (Xerjoff, 2011), Jeux de Peau (Serge Lutens, 2011), Pardon (Nasomatto, 2011), Anima Dulcis (Arquiste, 2012), Espresso Royale (Sebastiane, 2012), Fusion Sacrée (Majda Bekkali, 2012), Aoud Café (Mancera, 2013), Unknown Pleasures (Kerosene, 2013), Fève Délicieuse (Dior, 2015) e Néa (Jul et Mad, 2015).

Top25NichoCouroTOP 25 COURO | Uma curiosidade sobre o couro é que justamente esse material deu início à perfumaria ocidental no sul da França. A cidade de Grasse era no século XVIII o polo europeu do curtume, uma atividade que requeria perfumação devido ao mau cheiro do produto natural. Luvas, sapatos e acessórios precisavam ser limpos com um líquido fragrante que os tornasse não apenas usáveis como agradáveis. Assim, perfumistas foram se aglomerando na área, dando início à toda reputação que a França detém até hoje como referência da perfumaria mundial. Ironicamente, as coisas acabaram se invertendo e o couro é que foi para o perfume na forma de uma nota fantasia. Antes de surgirem os sintéticos, com odor mais próximo do original, costumava-se usar o óleo essencial de bétula – uma variedade de árvore também conhecida como “couro russo”. Ingredientes de origem animal como civet e castoreum ajudavam a dar um tom mais realístico, um tanto oleoso. Aos poucos, com o avanço das técnicas de síntese em laboratório, a tal nota fantasia passou a contar com mais possibilidades além das facetas defumadas e animálicas, podendo ser mais limpas e macias, remetendo às vezes ao cheiro de camurça. As composições pioneiras no gênero foram Peau d’Espagne (Santa Maria Novella, 1901), Knize Ten (Knize, 1924) e Cuir de Russie (Chanel, 1925) – todas exibindo um aspecto mais “queimado” e greasy, hoje fora de moda, embora oferecido eventualmente no mercado de nicho. Por muito tempo, couro era considerada uma família olfativa à parte devido ao seu caráter específico. Com o passar dos anos, perfumes à base de couro começaram a se diversificar, incorporando acordes aromáticos, florais, frutados, orientais e até gourmands. Devido à sua versatilidade, esta nota de base é frequentemente combinada com açafrão, violeta, rosa, incenso, âmbar, patchouli, oud e musk, conferindo grande harmonia. Outros exemplos recomendados no mercado de nicho são: Cuir Mauresque (Serge Lutens, 1996), 1740 (Histoires de Parfums, 2000), Cuir Beluga (Guerlain, 2005), Cuir Ottoman (Parfum d’Empire, 2006), Tom of Finland (État Libre d’Orange, 2007), 17/17 Homme (Xerjoff, 2007), Cuir Pleine Fleur (Heeley, 2008), Baudelaire (Byredo, 2009), Aoud Leather (Montale, 2009), M (Puredistance, 2010), Cuir (Mona di Orio, 2010), Traversée du Bosphore (L’Artisan, 2010), Golden Boy (Dueto, 2011), Chambre Noire (Olfactive Studio, 2011), Cuirs (Carner Barcelona, 2011), Alexandr (Arquiste, 2012), Cuir Velours (Naomi Goodsir, 2012), Gold Leather (Atelier Cologne, 2013), Cuir Garamante (MDCI, 2013), Cuir d’Ange (Hermès, 2014), Cuir Cannage (Dior, 2014) e Colonia Leather (Acqua di Parma, 2014). O aroma de couro está diretamente associado a elegância e sofisticação por ser um produto caro e utilizado em artigos de luxo, desde peças de vestuário e movelaria a selas de cavalos e bancos de automóveis. Apesar das diversas tentativas de trazer o estilo para as criações femininas, ele ainda é considerado predominantemente masculino.

Top25NichoFloraisBrancosTOP 25 FLORAIS BRANCOS | A natureza é tão perfeita que reservou o odor mais belo e potente para as flores brancas (e amarelas), que não chamam tanta atenção quanto uma lavanda, gerânio, rosa, cravo, íris, violeta ou lilás. Enquanto estas atraem agentes polinizadores (pássaros e insetos) durante o dia por meio da sua aparência vistosa, estas flores atuam mais à noite (morcegos e outros tipos de insetos). Para compensar a falta de coloração, flores como tuberosa, gardênia, jasmim, ylang-ylang, lírio-do-vale e flor de laranjeira exalam um odor mais forte e carnal, que pode ser genericamente ilustrado como o cheiro da dama da noite. A molécula que confere o aroma narcótico, suculento (tropical) e animálico dessas flores é o indol e, por isso, fragrâncias com predominância dessas notas são chamadas de indólicas. Enquanto o jasmim e tuberosa têm odor mais potente, o lírio-do-vale, gardênia e flor de laranjeira são mais suaves. Apesar de muitos homens curtirem o estilo, ele acaba sendo praticamente exclusivo ao público feminino, pois está muito associado à vaidade, e a perfumaria masculina ainda sofre do estigma de ser mais funcional do que cosmética. Quem usa um perfume à base de flores brancas (e amarelas) têm ciência de que estão usando um perfume para causar, o que já é mais difícil de ser admitido por um homem. Criações intensas, principalmente à base de tuberosa (a flor de aroma mais lascivo), são frequentemente vistas como datadas ou promíscuas (“perfumes de puta”), por serem femininas ao extremo. O marco histórico foi a introdução de Gardénia pela maison Chanel em 1925 (relançado dentro da coleção Les Exclusifs em 2007) – pela primeira vez o acorde fantasia de um floral branco era reproduzido de forma convincente graças ao talento do perfumista Ernest Beaux. As fragrâncias indólicas voltaram à moda nos anos 80 e o então novíssimo mercado da perfumaria de nicho seguiu a tendência, como mostraram Or Noir (Pascal Morabito, 1981), Divine (Divine, 1986) e Fleur des Comores (Maître Parfumeur et Gantier, 1988). Outras grandes referências de nicho são: Tubéreuse Criminelle (Serge Lutens, 1999), Bolt of Lightning (JAR, 2001), Carnal Flower (Frédéric Malle, 2005), Ellenisia (Penhaligon’s, 2005), Jasmin de Nuit (Different Company, 2005), Promesse de l’Aube (MDCI, 2006), Jasmin et Cigarette (État Libre d’Orange, 2006), Mayotte (Guerlain, 2006), Gardénia (Isabey, 2006), Scandal (Roja, 2007), Beyond Love (Kilian, 2007), Narcotic Venus (Nasomatto, 2007), Tiare (Ormonde Jayne, 2009), APOM pour Femme (Maison Francis Kurkdjian, 2009), Manoumalia (LesNez, 2009), New Look 1947 (Dior, 2010), Vamp à NY (Honoré des Prés, 2010), Tubéreuse Animale (Histoires de Parfums, 2010), Capriccio (Sospiro, 2011), Moon Bloom (Hiram Green, 2013) e Flowerhead (Byredo, 2014). Pessoas que gostam das fragrâncias indólicas são vaidosas, mas também corretas, eficientes e camaleoas. Gostam de tudo no lugar certo e fazem várias coisas ao mesmo tempo. O estilo é bastante eficiente no quesito silagem (projeção), o que acaba sendo também seu maior defeito – exagere nas borrifadas e você acabará afastando as pessoas.

Veja também: TOP 25 de Massa

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