Nicho Vanguarda

AvantgardeUm interessante fenômeno ocorreu na década de 80: a democratização do perfume. A pressão vinha de dois lados: consumidores queriam ter acesso a esses artigos de luxo e estilistas queriam uma nova fonte de renda. Fragrâncias eram tão lucrativas que viraram cash cow dos designers, ajudados pelo advento das lojas de departamentos e do marketing de massa. O perfume se tornou uma semi-commodity, sem a qualidade e o glamour de antes. A reação a este fenônemo foi o surgimento lento e desordenado de casas comandadas por perfumistas independentes, livres para criar, sem briefing. O pioneiro foi Jean-François Laporte, que fundou L’Artisan Parfumeur em 1976 e Maître Parfumeur et Gantier em 1988. A visão de Laporte era eleger uma nota ou um acorde para depois fazer uma composição abstrata com um aspecto natural e nostálgico. Um novo insight para um mercado saturado de marketing.

Nota: Para perfumes lançados de 2015 em diante, consulte Lançamentos de Nicho.

(ordem cronológica por ano de lançamento)

Ambre1. Ambre (Réminiscence, 1970). Este esquecido perfume da Réminiscence trabalha a nota de âmbar com muitas especiarias e madeiras nobres. Na saída, Amber assusta com um aroma fortemente picante de cravo-da-índia com gerânio mentolado. Seu coração é constituído de patchouli, gaiaco, sândalo e cedro, suficientes para deixar as resinas reinando absolutas na base. Na secagem, o perfume se torna quente e polvoroso com benjoim, labdanum, baunilha, âmbar gris e almíscar.

Patchouli2. Patchouli (Réminiscence, 1970). Com um patchouli clássico e natural, Patchouli de Réminiscence reforça seu lado escuro com notas de bálsamo tolu, labdanum e vetiver, enquanto fava tonka, sândalo e baunilha enriquecem seu lado gourmand. Na evolução, nuances florais e especiadas dão mais personalidade ao perfume. Patchouli permanece com um estilo clássico e tradicional, com um quê de atalcado, bem ao estilo das antigas casas. Confortável e elegante.

Musc3. Musc (Réminiscence, 1970). Para interpretar a nota fantasia de almíscar, Réminiscence combina ingredientes secos e polvorosos, com um resultado nem tão claro e nem tão escuro. Com uma saída de flor de laranjeira, jasmim e ylang-ylang, Musc incorpora um suave acorde atalcado de íris, violeta e heliotrópio. Na evolução, uma base oriental e amendoada emerge, com notas de fava tonka, âmbar e musk. Musc é um confortável talco feito à moda antiga.

Musc4. Musc (Bruno Acampora, 1975). Diferente do conceito de musk moderno, esta fragrância de Bruno Acampora interpreta a nota de forma realística e provocante, longe da vibe de roupa lavada. A nota principal tem aqui um efeito tridimensional com aspecto mofado, canforado e atalcado como uma mistura de aromas de biblioteca, naftalina e pele de bebê. Uma base de cravo-da-índia, sândalo, patchouli e âmbar propicia um delicioso rastro cremoso e picante com fundo soapy.

Jasmin5. Jasmim (Bruno Acampora, 1978). Bruno Acampora captura o efêmero momento do jasmim desabrochando numa noite quente de verão. Jasmim tem uma concentração de extrato e chega a assustar na hora da aplicação. Minutos depois, o aroma se ameniza, mostrando um exuberante e denso acorde de jasmim, ylang-ylang e cravo-da-índia. A construção da fragrância maximiza o poder da flor, ao mesmo tempo em que a torna delicada, como uma brisa de sensualidade.

MureMusc6. Mûre et Musc (L’Artisan, 1978). Como o próprio nome diz, esta fragrância se baseia no acorde amora-musk. Mûre et Musc abre frutado, tendo como fundo notas cítricas (laranja e limão) e herbáceas (manjericão). O equilíbrio entre essas notas é notável, produzindo uma sensação agradável de frescor, sem cair no lugar comum. Notas sintéticas de aldeídos e almíscares ajudam a criar uma atmosfera polvorosa e luminosa ideal para o dia a dia. Existe também na versão “extrême” com mais amora e mais musk.

maxims7. Maxim’s de Paris (Maxim’s, 1984). Maxim’s de Paris é um restaurente histórico, fundado em 1893, famoso por seu estilo Art Noveau. O restaurante lançou sua fragrância assinatura em 1984, um poderoso chipre floral de nuances verdes e especiadas. A partir de um topo de melão, cassis, menta e jacinto, o perfume desabrochava um grande buquê de rosa, cravo, gerânio, jasmim, tuberosa, narciso, flor de laranjeira e mimosa. Tudo isso era “envelopado” por um acorde chipre de patchouli, musgo de carvalho, sândalo, labdanum, heliotrópio, âmbar, baunilha e musk.

AntoniasFlowers8. Antonia’s Flowers (Antonia’s Flowers, 1985). Fundada pela florista Antonia Bellanca, a casa americana apresentou sua primeira fragrância em 1985. Antonia’s Flowers é um enorme floral branco à base de gardênia, frésia, magnólia, jasmim e lírio-do-vale, com nuances cítricas, herbáceas e frutadas. Fresco e limpo, o perfume é um verdadeiro buquê luminoso e efervescente com aura primaveril. Um clássico da perfumaria de nicho.

Divine9. Divine (Divine, 1986). Rosa e tuberosa são as estrelas deste floral bomba. Na saída, Divine é espalhafatoso, remetendo a perfumes como Amarige e Carolina Herrera. Feminina até não poder mais, a composição desabrocha um coração floral picante e rico em patchouli. Nesse ponto já dá para perceber que se trata de uma fragrância de femme fatale, que pode seduzir até os menos vulneráveis. Divine deixa no ar um poderoso rastro floral e frutado, com fundo doce e cremoso de sândalo e baunilha.

MPG10. Ambre Précieux (Maître Parfumeur et Gantier, 1988). Uma das maiores referências de âmbar da perfumaria, Ambre Précieux se destaca por sua interpretação clássica do tema principal, com toda sua opulência e glória, doçura e polvorosidade. Rico e denso desde os primeiros instantes, o perfume se torna esfumaçado e picante com as notas de noz moscada, mirra e bálsamos peru e tolu na evolução. Ambre Précieux tem um delicioso dry-down com a ajuda de uma nota aconchegante de baunilha.

MPG11. Route du Vetiver (Maître Parfumeur et Gantier, 1988). Desta vez a nota principal é trabalhada com uma fruta: cassis. Esse ingrediente é responsável por uma saída verde e medicinal que se atenua logo em seguida. O coração de vetiver emerge com todo seu aspecto bruto, “sujo” e terroso, balanceado com cassis e jasmim. Depois de uma fastidiosa evolução, o perfume chega a um aroma amadeirado de puro vetiver natural. Realmente esta fragrância é uma verdadeira “rota”.

MPG12. Racine (Maître Parfumeur et Gantier, 1988). Como o próprio nome diz, esta fragrância é feita com base numa raiz: o vetiver. Racine tem uma saída fresca e cítrica, com um fundo canforado e terroso. No coração, a nota de vetiver é bastante realística e natural, mesmo sendo amaciada por uma camada de musk e traços florais. O musgo de carvalho na base torna a composição um pouco datada, enquanto o sândalo confere elegância. Racine é para quem busca o ar das florestas.

MPG13. Santal Noble (Maître Parfumeur et Gantier, 1988). Feito em tributo ao sândalo, Santal Noble é um amadeirado especiado de traços balsâmicos e polvorosos. O perfume abre intoxicante com café, incenso e especiarias quentes, aos poucos revelando um centro amadeirado e doce de patchouli, sândalo e baunilha. A base ficar por conta de um acorde chipre de musgo de carvalho, vetiver, labdanum e musk.

MPG14. Eau des Îles (Maître Parfumeur et Gantier, 1988). Este oriental especiado vem com um efeito verde e esfumaçado. Na saída, Eau des Îles apresenta um acorde adstringente de gálbano (resina fortemente aromática), estragão e café. Minutos depois, o perfume caminha para um centro floral balsâmico de ylang-ylang, incenso e mirra. Eau des Îles conclui com um acorde chipre de musgo de carvalho, patchouli e labdanum.

MPG15. Parfum d’Habit (Maître Parfumeur et Gantier, 1988). Parfum d’Habit é um amadeirado aromático de traços especiados e florais. Inicialmente, o perfume libera um odor refrescante de bergamota, cassis e petitgrain. Em seguida, a composição traz à tona um centro de gerânio acompanhado de tons balsâmicos de incenso, âmbar e patchouli. O dry-down fica por conta de um acorde base de couro, sândalo, baunilha e musk.

maximsph16. Maxim’s pour Homme (Maxim’s, 1988). O par masculino do grande sucesso de Maxim’s é um chipre amadeirado de nuances florais e especiadas. Maxim’s pour Homme abre com um acorde de cítricos, sálvia, cravo e lavanda. Minutos depois, a composição segue um caminho floral picante de rosa, jasmim, e cravo-da-índia apoiado sobre uma base balsâmica de labdanum, musgo de carvalho, patchouli, couro, cedro, sândalo, baunilha e musk.

Comores17. Fleur des Comores (Maître Parfumeur et Gantier, 1988). Esta é uma fragrância da coleção L’Invitation au Voyage da casa, fazendo a interpretação de uma nota floral das Ilhas Comores. Fleur de Comores abre verde e tropical com cassis e maracujá, antes de revelar um acorde central de jasmim, ylang-ylang e flor de laranjeira. O perfume exala a suculência das frutas e exuberância das flores brancas sobre uma base de vetiver, âmbar, baunilha e musk. Fleur des Comores é um floral inovador, feminino e sensual.

NewYork18. New York (Nicolaï, 1989). Patricia de Nicolaï ganhou diversos prêmios por este perfume devido à sua inovação: como pode um oriental ser fresco? À primeira vista, New York lembra Boucheron pour Homme com sua saída efervescente de limão siciliano, bergamota e cravo-da-índia. Em seguida, o perfume evolui para um aspecto soapy com notas de lavanda, âmbar e baunilha. Nicolaï vai aos poucos se tornando quente, cremoso e picante, ainda exalando tons cítricos. É praticamente um Shalimar de calças, com toda sua classe e sensualidade.

Odalisque19. Odalisque (Nicolaï, 1989). Odalisque é um chipre floral com saída cítrico-frutada (laranja, bergamota e pêssego), evolução floral-herbácea (jasmim, muguê, gardênia e musgo de carvalho) e dry-down polvoroso (orris e musk). O resultado é um aroma floral verde, macio e brilhante, levemente musgoso e cítrico, em perfeito equilíbrio para não se tornar muito amargo ou escuro. Odalisque é uma fragrância mais para meditação do que ostentação, feita para ser apreciada intimamente.

FioriDiCapri20. Fiori di Capri (Carthusia, 1990). Segundo a lenda, este perfume foi originalmente criado em 1390, imediatamente após a Renascença. Oficialmente, Fiori di Capri foi lançado em 1990 com uma aura chipre clássica. Abrindo com um buquê de flores brancas e nuances cítricas, a composição se aprofunda num coração frutado, picante e melífluo com notas marcantes de ameixa, noz moscada e mel. Uma atmosfera balsâmica e polvorosa toma conta, produzindo um rastro quente e amadeirado. Fiori de Capri é indicado para mulheres que apreciam um chipre old school como Femme de Rochas e Mitsouko.

MPG21. Centaure (Maître Parfumeur et Gantier, 1991). Fãs de fougères verdes e crispy vão adorar esta fragrância. Sem enrolação, Centaure apresenta de cara um aroma herbáceo e gelado com notas de laranja, limão siciliano, petitgrain e menta. O coração da composição forma uma aura limpa e aromática graças a um acorde de lavanda, cassis, agulhas de pinho e néroli. Para trazer masculidade, Centaure conta com uma base viril e esfumaçada de tabaco, vetiver, musgo de carvalho e musk. Potente e duradouro.

RoseDeRosine22. La Rose de Rosine (Les Parfums de Rosine, 1991). La Rose de Rosine é uma rosa datada com cara de vovó. O perfume abre aldeídico e herbáceo com uma nota marcante de calêndula, evoluindo para um centro atalcado de rosa, jasmim, íris e violeta. A base de bálsamo peru, fava tonka e benjoim ajuda a criar um aspecto doce e ceroso de batom. La Rose de Rosine é a versão nicho do clássico L’Ombre Rose de Jean-Charles Brosseau. Um perfume para mulheres velhas e elegantes, no bom sentido.

mimosapourmoi23. Mimosa pour Moi (L’Artisan, 1992). Mimosa pour Moi é um floral verde de nuances ozônicas e polvorosas. Girando em torno da flor de acácia (também conhecida por mimosa), o perfume foca basicamente no aspecto verde, melífluo, indólico e atalcado dessa nota tão polarizante. A fragrância recebe um topo de folha de cassis e violeta, e recebe como base um manto de baunilha. Mandatório para fãs de mimosa.

VieChateau24. Vie de Château (Nicolaï, 1992). Vie de Château é um chipre verde bem unissex por incluir notas de tabaco e couro. Um aroma realisticamente verde e seco de samambaia e grama é sentido no momento da aplicação. Aos poucos, Vie de Château vai se tornando esfumaçado devido às notas de vetiver, feno e musk. Na secagem, um terroso e denso musgo de carvalho se une à sobriedade e elegância do patchouli e do couro para completar esta incrível e bem-elaborada composição herbácea.funcionar.

voleurderoses25. Voleur de Roses (L’Artisan, 1993). O foco aqui é a rainha das flores. A rosa ganha uma roupagem chipre com um topo de ameixa e uma base de patchouli. O “Ladrão de Rosas” resulta num aroma escuro e misterioso pois amplia as facetas terrosa e canforada do patchouli em vez do estilo moderno achocolatado. Assim, Voleur de Roses pode ser herbáceo demais para alguns, ou realístico e perfeito para outros.

Sacrebleu26. Sacrebleu (Nicolaï, 1993). Mais uma original criação de Patricia de Nicolaï, Sacrebleu é um perfume difícil de classificar por ter várias facetas: floral, oriental, frutada, especiada, vanilla… A composição abre intensamente frutada, com predominância de frutas vermelhas. Em seguida, revela um intenso acorde tuberosa-cravo, cercado de canela. Na fase final, Sacrebleu revela-se doce e balsâmico com notas de olíbano, bálsamo de peru, patchouli, fava tonka e baunilha. Não se trata de um floral frutado para meninas, mas sim para mulheres maduras e experientes.

vanilleintense27. Vanille Intense (Nicolaï, 1993). Construído em torno da clássica nota de baunilha, Vanille Intense traz consigo traços cítricos, herbáceos e especiados. Na abertura, o perfume exala laranja e flor de laranjeira que trazem complexidade. Em seguida, a baunilha aparece na companhia picante de canela e immortelle. O dry-down fica a cargo de um acorde âmbar elegante e confortável.

Uomo28. Uomo (Lorenzo Villoresi, 1993). Este fougère aromático abre vibrante com um acorde cítrico-herbáceo com notas marcantes de petitgrain, louro e coentro. Mais adiante, um aroma canforado e defumado de patchouli com vetiver confere certa virilidade a esta composição folhosa, enquanto especiarias e ervas finas produzem uma aura selvagem. Nesse ponto, a nota de zimbro aparece para refrescar. Uma base rica em madeiras nobres conclui a fórmula com um indiscutível cheiro de homem poderoso e refinado.

PremierFiguier29. Premier Figuier (L’Artisan, 1994). Muito antes da moda de figo em perfumes, L’Artisan já lançava o seu fresco e suculento Premier Figuier. O perfume tem uma saída herbácea e cítrica de folha de figo e limão, evoluindo para um coração de gálbano, coco e amêndoas. A composição torna-se, então, lactônica e polvorosa, principalmente com a aparição da nota de sândalo e frutas secas. Sua construção foi feita para preservar o melhor dos ângulos fresco e cremoso da nota de figo. A versão “extrême” foi lançada dez anos depois com maior ênfase no cremoso acorde coco-amêndoas.

Sandalo30. Sandalo (Lorenzo Villoresi, 1995). Lorenzo Villoresi interpreta aqui a nota de sândalo com a ajuda de rosa, bálsamos e madeiras nobres. Na saída, a fragrância sofre uma explosão de notas de lavanda, néroli e rosa, com um fundo fougère. O sândalo logo aparece seco e limpo, junto a vetiver, preservando sua retaguarda floral e herbácea. Na secagem, uma base de patchouli, âmbar, opoponax e musk aquece a composição, que deixa um rastro polvoroso e balsâmico.

musk31. Musk (Lorenzo Villoresi, 1995). Adotando o gênero floral amadeirado musky, Musk de Lorenzo Villoresi é construído em torno da nota de rosa vermelha. O perfumista traz para a fórmula um topo adstringente de bergamota, cardamomo e gálbano, anunciando seu coração de rosa e gerânio. No dry-down, o perfume ganha um acorde base de sândalo, musgo de carvalho, pau-rosa, baunilha e, é claro, almíscar sintético.

patchouli32. Patchouli (Lorenzo Villoresi, 1995). Para interpretar a nota clássica de patchouli, Lorenzo Villoresi recorreu ao gênero oriental amadeirado e à nota de lavanda, em particular. Depois da saída com os dois componentes principais, o perfume evolui para uma base seca e amadeirada de sândalo, vetiver, cedro, musgo de carvalho, benjoim e almíscar sintético. Uma realística rendição do tema.

aquadisale33. Acqua di Sale (Profumum, 1996). Este é um dos perfumes mais polarizantes da casa italiana, afinal ele é de fato salgado. Para tanto, Acqua di Sale gira em torno da nota de algas marinhas (cujo óleo essencial é caríssimo), com um topo herbáceo de murta e uma base amadeirada de cedro. Mais marinho que isso impossível.

DrôleDeRose34. Drôle de Rose (L’Artisan, 1996). Drôle de Rosa é um floral verde que dá à rosa uma roupagem aquosa, polvorosa e levemente doce. Romântico e idealista, o perfume abre com um acorde cintilante de anis e flor de laranjeira, anunciando um centro atalcado de rosa, íris e violeta (acorde clássico do batom). Drôle de Rose evolui para um dry-down macio e adocicado com notas de amêndoas, mel e camurça. Mais uma bela criação de Olivia Giacobetti.

Rem35. Rem (Réminiscence, 1996). Fugindo um pouco de seus frascos quadrados e padronizados, a casa francesa apresenta este inusitado floral marinho com uma base oriental. Rem tem uma saída aquosa e soapy de algas marinhas, jasmim, rosa e lilás, anunciando um acorde central picante e canforado de fenacho (usado para fazer curry) e patchouli. A evolução conduz o perfume a um dry-down amendoado e doce de fava tonka, baunilha e musk. Cheiro realístico de oceano.

mechantloup36. Méchant Loup (L’Artisan, 1997). O “Lobo Mau” é um amadeirado especiado de traços amendoados e melífluos. A partir de um topo de avelãs, mel e alcaçuz, o perfume adentra um acorde central seco e amadeirado de cedro e sândalo. No dry-down, Méchant Loup se torna balsâmico e gourmand graças a um acorde base de mirra e chocolate ao leite.

AmbraAurea37. Ambra Aurea (Profumum, 1998). Para reproduzir o odor de âmbar gris, Profumum reuniu notas de labdanum, mirra, incenso, baunilha, madeiras nobres e civet. Tudo é posto em perfeito equilíbrio para produzir o complexo aroma macio, animálico, salgado, picante, amadeirado e defumado do âmbar gris natural. As notas mais secas e escuras servem para balancear as mais doces e cremosas, resultando num perfume denso, intenso e multifacetado. É o cheiro da riqueza.

Dzing38. Dzing (L’Artisan, 1999)Couro e caramelo – quem diria que essa combinação daria certo? Denso e escuro, Dzing abre com um aroma intoxicante de couro com um tom esfumaçado (incenso e almíscar) e doce (caramelo e fava tonka), quase animálico. Tudo é trabalhado tão bem que esses aromas aparentemente incompatíveis se fundem em perfeito equilíbrio. Dzing consegue ser elegante e sensual ao mesmo tempo, provando que ser gourmand não necessariamente significa ser vulgar. Na secagem, o perfume invoca um ar nostálgico e ao mesmo tempo futurista. Único.

ChassePapillons39. La Chasse aux Papillons (L’Artisan, 1999). “A Caça às Borboletas” é um megafloral feito com notas de tília, flor de laranjeira, muguê, jasmim e tuberosa. Com uma discreta saída cítrica e uma base transparente, La Chasse au Papillons consegue abstrair a mais pura beleza das flores, equilibrando bem suas facetas doce e animálica. Um maravilhoso buquê branco em formato perfume feito para mulheres autoconfiantes.

passagedenfer40. Passage d’Enfer (L’Artisan, 1999). Na forma de um oriental amadeirado, “Passagem para o Inferno” (o nome de uma rua em Paris) mistura incenso e flores brancas. A perfumista Olivia Giacobetti utiliza seu talento para produzir um aspecto esfumaçado e brilhante ao mesmo tempo, combinando lírio, cedro e incenso. Uma fragrância minimalista, de curta longevidade, mas maravilhosa enquanto dura.

TiempePassate41. Tiempe Passate (Antonia’s Flowers, 1999). Tiempe Passate é um floral à base de rosa e laranja, fresco e romântico, bem ao estilo de Eaudemoiselle de Givenchy. Com uma otimista saída de tangerina e ervas finas, a composição refresca e conforta. Na sequência, Tiempe Passate exibe uma rosa vermelha e andrógina, suportada por uma base âmbar e musky. Uma fragrância clássica e discreta, nada datada, com um equilíbrio ideal entre beleza e sofisticação.

PiperNigrum42. Piper Nigrum (Lorenzo Villoresi, 1999). Como é habitual em perfumes de Lorenzo Villoresi, Piper Nigrum abre como uma bomba de especiarias, como pimenta preta (como diz o nome), cominho, canela e cravo-da-índia. Em seguida, notas frescas de cítricos, agrião, menta e anis surgem para formar a polaridade frio-quente. Durante a evolução, uma base quente e incensada de resinas e bálsamos toma conta do perfume. O resultado é um aroma medicinal e canforado de Vick Vaporub.

IoCapri43. Io Capri (Carthusia, 2000). Mantendo seu estilo aromático italiano, a casa oferece esta fragrância como tributo ao general da ilha de Capri, Tibério. Io Capri é construído em torno do suculento acorde chá-figo, tendo como topo uma combinação herbácea e gelada de laranja, toranja, menta, anis e eucalipto. O coração verde e lactônico é ressaltado com flores frescas e capim-limão. Para manter o aspecto mediterrâneo, a base recebe notas de algas marinhas e folha de tabaco.

TeaForTwo44. Tea for Two (L’Artisan, 2000). O que combina com chá? Mel, gengibre e açúcar. A perfumista Olivia Giacobetti enriqueceu essa receita básica com notas de couro, tabaco, canela, anis e baunilha para criar uma fragrância calmante e revitalizante. Depois de uma saída cítrica e anísica, Tea for Two mostra um coração picante, melífluo e herbáceo até atingir um dry-down elegante de tabaco, baunilha e couro, distanciando-se de um potencial aspecto funcional.

TeinteDeNeige45. Teinte de Neige (Lorenzo Villoresi, 2000). Misturando sintéticos como aldeídos, floralozone, cashmeran, ambroxan, etil maltol e musks diversos, Lorenzo Villoresi propõe um retrato olfativo da neve. Teinte de Neige é construído em torno da rosa, agregando notas de jasmim, íris, violeta, heliotrópio e ylang-yang para criar um efeito limpo e atalcado. Uma base polvorosa é obtida com fava tonka e almíscar. O resultado é uma sensação de estar dentro de uma luxuosa banheira cheia de bolhas de sabão.

dilmun46. Dilmun (Lorenzo Villoresi, 2000). Com um frasco translúcido (diferente do típico azul marinho) e um líquido alaranjado, Dilmum já mostra que é um cítrico aromático. Depois de uma saída luminosa de cítricos, flor de laranjeira, notas verdes, rosa e jasmim, a composição adentra uma nuvem de petitgrain, louro, néroli, incenso e opoponax. Para finalizar, Dilmum faz emergir um acorde base de cedro, sândalo, elemi e baunilha.

Yerbamate47. Yerbamate (Lorenzo Villoresi, 2001). Uma das criações mais conhecidas de Lorenzo Villorezi é este perfume verde e especiado feito à base de cítricos, folhas, ervas, raízes, líquens e resinas vegetais. Sem fazer restrições, o perfumista italiano une um acorde herbáceo (grama, mate, chá, menta, estragão, feno, gálbano e lavanda) a um acorde amadeirado (patchouli, vetiver, pau-rosa, labdanum e musgo de carvalho). Cítricos e especiarias quentes dão uma roupagem vibrante e pungente à composição. Chá esfumaçado.

poussierederoses48. Poussière de Rose (Les Parfums de Rosine, 2001). “Poeira de Rosa” é um complexo floral frutado de traços balsâmicos e especiados. A fragrância é construída em torno de uma rosa incensada que ganha o acompanhamento de chá verde e canela no coração. Como cabeça, Poussière de Rose ganha um acorde suculento de ameixa, damasco e ylang-ylang, e como base um acorde oriental de cedro, sândalo, opoponax, benjoim, âmbar e musk.

amberextreme49. Ambre Extrême (L’Artisan, 2001). Também conhecido por L’Eau d’Ambre Extrême, este perfume é um oriental especiado de traços polvorosos e animálicos. Uma composição do mestre-perfumista Jean-Claude Ellena, Ambre Extrême praticamente se desenvolve em uma só fase numa combinação de especiarias quentes, âmbar e baunilha. Esta nota propicia uma leve atalcada no dry-down, que recebe toques mínimos de civet para dar sensualidade.

SaffranTroublant

50. Safran Troublant (L’Artisan, 2002). Com uma composição exótica e única, Safran Troublant reúne notas de rosa, açafrão e marshmallow. Na saída, a nota de açafrão é intensa e realista, em seguida dando lugar a um aroma mais cremoso com rosa, sândalo e baunilha. Tudo é muito discreto e minimalista, podendo ora parecer cremoso e gourmand, ora floral e picante. Safran Troublant fica na intersecção entre o romântico e o sensual, entre o ingênuo e o provocador.

PatchouliPatch51. Patchouli Patch (L’Artisan, 2002). L’Artisan oferece uma interpretação leve e macia do patchouli, menos canforada e mais arejada. A partir de um topo picante de anis e cominho, a composição adentra um acorde delicado de osmanthus e íris, recortado de musk. O acabamento fica por conta de uma base terrosa e farelenta de cedro, vetiver e patchouli. O resultado é um aroma translúcido e relaxante, natural e realístico.

LHommedeCoeur52. L’Homme de Coeur (Divine, 2002). L’Homme de Coeur é um floral amadeirado masculino construído ao redor de íris e vetiver. A combinação, junto a notas de zimbro e angélica, propicia um aroma atalcado e terroso, com aspecto limpo e fresco, levemente doce. Uma base de musk e âmbar gris ajuda a manter a vibe macia e polvorosa do perfume. Embora o nome sugira uma composição mais quente (“O Homem de Coração”), L’Homme de Coeur está muito mais para suavidade e delicadeza.

ZestedeRose53. Un Zeste de Rose (Les Parfums de Rosine, 2002). A palavra “zeste” pode ser entendida como casca (de fruta cítrica) ou entusiasmo, e este perfume comporta ambos significados. Alegre e efervescente, Un Zeste de Rose tem a nota de rosa interpretada de forma fresca com limão siciliano, chá e jasmim. Depois de uma saída cítrica e doce, a composição mostra um agradável e delicado acorde rosa-chá. Para manter o aspecto lúdico, uma base de âmbar e musk se revela na secagem.

AcquaZucchero54. Acqua e Zucchero (Profumum, 2002). Um tributo à flor de laranjeira, Acqua e Zucchero recebe notas de frutas silvestres e baunilha para criar um aroma gourmand de dar água na boca. A nota de flor de laranjeira estabelece uma simbiose com a baunilha, sem que possam ser sentidas separadamente. Notas frutadas na medida certa trazem graça, evitando que a fragrância se torne enjoativa. Linear e minimalista, Acqua e Zucchero consegue encantar tanto pelo olfato quanto pelo paladar.

AriaDiCapri55. Aria di Capri (Carthusia, 2003). Desta vez com uma proposta aldeídica e feminina, Carthusia oferece um floral pungente e carnal. Transmitindo um ar imponente de senhora elegante, Aria di Capri abre com um buquê atalcado e picante de acácia, rosa, gerânio e jasmim. Um acorde aromático de bergamota, toranja, petitgrain e louro traz um aspecto verde e natural, enquanto a base de musk ajuda a prolongar a aura luminosa e inebriante do perfume.

BoisFarine56. Bois Farine (L’Artisan, 2003). Sim, é isso mesmo: este é um perfume farináceo. Jean-Claude Ellena o compôs depois de conhecer uma árvore inusitada na floresta da Ilha de Reunião, localizada no oceano Índico. O perfumista transpôs seu aroma polvoroso e lactônico para Bois Farine, criando uma fragrância única e original. Íris, sândalo, benjoim, cedro e musk formam a estrutura básica deste floral almiscarado. Romântico e melancólico.

FioreDAmbra57. Fiori d’Ambra (Profumum, 2004). Este oriental especiado trabalha notas de âmbar, incenso, ópio e especiarias para criar uma atmosfera translúcida e narcótica. Especiarias como cravo-da-índia, pimenta e cardamomo abrem a composição com nuances de chá. Fiori d’Ambra evolui para um coração floral de ópio, antes de concluir com uma base atalcada e incensada de âmbar e baunilha. O perfume deixa um rastro floral e doce, exótico e intrigante. Perfeitamente compartilhável.

Timbuktu58. Timbuktu (L’Artisan, 2004). Para compor esta fragrância, o perfumista Bertrand Duchaufour se inspirou em uma viagem à antiga cidade africana de Timbuktu em Mali. Timbuktu captura o temperamento africano através da acidez verde da manga e do calor esfumaçado do olíbano, vetiver e papyrus. Na base, patchouli, benjoim e mirra conferem um clima místico e luxuoso, mantendo a composição seca e defumada, sem se tornar doce ou picante. Obra-prima de L’Artisan.

RosaFlamenca59. Rosa Flamenca (Les Parfums de Rosine, 2004). A rosa é aqui trabalhada com o frescor e o brilho de cítricos e flores brancas. Canforada no início, a fragrância evolui para um aroma de néroli, flor de laranjeira, madressilva e jasmim, com a nota de rosa a todo vapor. O coração da composição é enriquecido com folha de figo, que lhe confere um tom herbáceo e ainda mais fresco. Uma base macia e cremosa de sândalo e musk conclui o perfume, sem torná-lo doce ou menos rosáceo.

FolieRose60. Une Folie de Rose (Les Parfums de Rosine, 2004). Une Folie en Rose é a reencarnação da rosa usada pelas mulheres elegantes meio século atrás. O perfume abre com o cheiro de um casaco luxuoso que ficou guardado por meses no fundo do guarda-roupa, macerando os resquícios de uma fragrância de rosa. O efeito datado é produzido por uma combinação de aldeídos, coentro, ylang-ylang, musgo de carvalho, patchouli e benjoim. O ingrediente central também tem um aspecto mais natural e terroso, bem distante do que se encontra hoje em dia.

carthusiauomo61. Carthusia Uomo (Carthusia, 2004). Carthusia Uomo é um amadeirado aromático de nuances florais e especiadas. Com um topo de bergamota, limão, frésia e notas verdes, o perfume segue com o DNA herbáceo da casa. Em seguida, Carthusia Uomo revela um centro floral luminoso de gerânio, jasmim e lírio-do-vale acompanhados de cedro e patchouli. A fragrância conta com um acorde base de musgo de carvalho, sândalo, âmbar e musk.

jourdefete62. Jour de Fête (L’Artisan, 2004). “Dia de Festa” é um oriental especiado de nuances amendoadas e florais. Como um salão de festas com cheiro de bolo, Jour de Fête abre com notas de trigo e amêndoas. Aos poucos, o perfume desabrocha seu buquê de íris, formando uma nuvem de talco em volta de si. O toque final na base fica por conta de um manto de baunilha. Vai na linha que Bois Farine, da mesma casa.

patchouly63. Patchouly (Profumum, 2004). Nada daquele patchouli moderno que mais parece cacau. Patchouly de Profumum traz aquele cheiro dos hippies dos anos 70 com todo seu aspecto terroso e canforado. A composição traz também notas de sândalo, âmbar e incenso, tornando-se ao mesmo tempo encorpada e esfumaçada. Mandatório para admiradores de um patchouli realístico.

alba64. Alba (Profumum, 2004). Alba (ou “Branca” no italiano) é uma composição amendoada e polvorosa que mais parece um talco de luxo. Para tanto, o perfume traz um topo de amêndoas e avelãs, um coração de íris e heliotrópio, e um fundo de sândalo e âmbar. O resultado é um perfume extremamente romântico e nostálgico, ideal para apreciadores dos polvorosos.

bahiana65. Bahiana (Maître Parfumeur et Gantier, 2005). Sim, esta fragrância foi inspirada na Bahia! Com um frasco com plumas coloridas e um líquido igualmente alegre, Maître Parfumeur et Gantier fez uma homenagem ao nosso país. Trata-se de um floral de traços cítricos e tropicais. Bahiana abre com laranja, limão e mandarina, anunciando um coração de rosa, abeto e gaiaco. Na secagem, um fundo de coco, âmbar e musk aparece para a finalização.

RoseDHomme66. Rose d’Homme (Les Parfums de Rosine, 2005). Les Parfums de Rosine introduz uma fragrância à base de rosa feita especialmente para homens. Notas de lavanda, vetiver, patchouli e couro são eleitas para adicionar virilidade à composição. Rose d’Homme abre com uma rosa cítrica, que vai aos poucos se adoçando com baunilha, até desaparecer. No dry-down, o aroma predominante é polvoroso e defumado por conta da base amadeirada escura. Rose d’Homme é um perfume para homens maduros e seguros de si.

LHommeSage67. L’Homme Sage (Divine, 2005). A pequena casa Divine apresenta um inovador chipre amadeirado com tons esfumaçados e picantes. Na saída, L’Homme Sage (“o homem sábio”) é frutado e picante com notas de mandarina, lichia, cardamomo e açafrão. Essa escolha de notas é perfeita para a transição ao acorde central de immortelle, musgo de carvalho e agulhas de pinho. Nesse ponto, o perfume é fortemente herbáceo, terroso e canforado, com um fundo adocicado. A base de gaiaco, incenso, patchouli e âmbar confere uma secagem harmoniosa, exalando um rastro defumado e sofisticado.

L'Infante68. L’Infante (Divine, 2005). Como qualquer composição olfativa que misture hera, cassis e ylang-ylang, é esperado que L’Infante seja um perfume de amor ou ódio. Na saída, um acorde de aspecto químico e narcótico é amenizado com notas suaves de jasmim e peônia, firmadas sobre uma base de fava tonka, âmbar, baunilha e musk. Feminino, elegante e cheio de classe, L’Infante proporciona, aos poucos, uma atmosfera de talco doce e refrescante, jovial como insinua seu nome.

LInspiratrice69. L’Inspiratrice (Divine, 2006). Divine apresenta um chipre moderno à base de rosa e patchouli. L’Inspiratrice começa como um floral dos anos 80, aldeídico e inebriante com notas de rosa, peônia e ylang-ylang. Aos poucos, a base seca, doce e terrosa de vetiver, patchouli, baunilha e musk vai quebrando o intoxicante efeito polvoroso inicial. De uma saída boozy e suculenta, L’Inspiratrice finaliza quase como um oriental floral, quente e opulento, feito para a mulher fatal.

FouDAbsinthe70. Fou d’Absinthe (L’Artisan, 2006). Concebido por Olivia Giacobetti, Fou d’Absinthe é feito essencialmente com notas herbáceas, sejam elas picantes ou canforadas. Embora o estilo seja fora de moda, a fragrância parece uma poção de bruxa com seu conteúdo de cardamomo, artemísia, cravo-da-índia, agulhas de pinho, cassis, angélica, cannabis, patchouli e incenso. Fou d’Absinthe é uma explosão quente e terpênica com atmosfera de floresta repleta de pinheiros. Somente para os corajosos.

Dzongkha71. Dzongkha (L’Artisan, 2006). Este amadeirado especiado se vale de vetiver, orris, incenso e especiarias para compor uma atmosfera seca, picante e esfumaçada típica de rituais em templos religiosos. Notas de íris e peônia trazem personalidade e beleza à fragrância. A combinação de vetiver, papyrus e incenso confere misticismo, enquanto uma nota de couro contrabalanceia o acorde floral e feminino. Dzongkha é uma prova de que unir acordes masculinos e femininos pode ter um resultado melhor do que a soma de suas partes.

Alamut72. Alamut (Lorenzo Villoresi, 2006). Adotando um estilo retrô, Lorenzo Villoresi oferece um ousado chipre picante e animálico feito para homens e mulheres. O perfumista une um acorde de rainha formado por aldeídos, rosa, ylang-ylang, flores brancas e narciso a um acorde viril de especiarias, patchouli, couro, âmbar e almíscar. Alamut é um daqueles perfumes que mudam completamente na evolução, no caso passando de um floral oriental para um chipre clássico.

Maharadjah73. Maharadjah (Nicolaï, 2006). Um inusitado oriental floral masculino, Maharadjah traz a opulência e sensualidade das Arábias para o mundo ocidental. O perfume abre pungente com um acorde quente-gelado de menta, coentro, canela e cravo-da-índia, anunciando o centro igualmente bipolar de lavanda e cravo. A base de sândalo, patchouli e baunilha ressalta os tons verdes e picantes da composição. Maharadjah é rico e poderoso como seu próprio nome sugere.

DulcisInFundo74. Dulcis in Fundo (Profumum, 2006). Tangerina, damasco e baunilha são combinados para construir este viciante oriental vanilla. Na abertura, Dulcis in Fundo é cítrico e doce, intensificando-se rapidamente devido à base doce e resinosa. O perfume se torna licoroso como Grand Marnier com um aroma cremoso e natural de baunilha. Graças às notas cítricas, a fragrância não fica nauseante como um pirulito de caramelo e pode ser usada em qualquer ocasião sem que façam cara feia.

Confetto75. Confetto (Profumum, 2006). Baunilha e amêndoas formam a espinha dorsal deste oriental vanilla. Adolicado e polvoroso, Confetto abre com um topo de anis e conclui com um acorde de âmbar e musk. O resultado é um aroma açucarado e amendoado de confeitaria (como sugere o nome), remetendo a macarons. Indicado somente para quem gosta dos atalcados doces.

Olibanum76. Olibanum (Profumum, 2007). Para compor sua fragrância à base de incenso, Profumum trabalhou o acorde olíbano-mirra com notas de flor de laranjeira e sândalo. Na saída, o perfume tem aspecto quente e medicinal de mirra que, em seguida, é atenuado por uma flor de laranjeira cítrica e floral. O olíbano aparece mais à frente, como a celebração de uma missa e toda sua aura contemplativa. No dry-down, uma nota cremosa de sândalo se mistura à fumaça, conferindo conforto e maciez.

LeTempsduneFete77. Le Temps d’une Fête (Nicolaï, 2007). Este chipre verde de Patricia de Nicolaï tem uma saída floral e herbácea com notas de gálbano e musgo de carvalho. Na evolução, um acorde jasmim-narciso forma uma personalidade feminina e delicada, com um fundo seco e amadeirado. A base da composição tem um aspecto chipre com tons balsâmico e terroso. Tudo em Le Temps d’une Fête é minimalista e refinado, feito para ser elegante sem fazer esforço.

NumeroUno78. Numero Uno (Carthusia, 2007). Balsâmico e herbáceo, Numero Uno é um chipre masculino levemente floral e atalcado. A fragrância valoriza o aspecto canforado e terroso do patchouli com notas de eucalipto e vetiver, enquanto o aroma encorpado e sensual do labdanum é enriquecido com notas de mirra e almíscar. Um toque de picância é conferido pelas notas de artemísia e tomilho. Um acorde cítrico ameniza a composição, ao passo que ylang-ylang e violeta trazem graça, sem perder masculinidade.

rosekashmirie79. Rose Kashmirie (Les Parfums de Rosine, 2007). A tradicional casa francesa traz uma interpretação oriental da rosa, inspirada na Índia. Rose Kashmirie abre com um acorde de bergamota, açafrão e coentro, anunciando um buquê de rosas vermelhas acompanhadas de peônias e mirra. Na secagem, um acorde balsâmico emerge com notas de vetiver, sândalo, âmbar, benjoim, nagarmotha e baunilha.

rosepraline80. Rose Praline (Les Parfums de Rosine, 2008). Sem poder resistir à tentação de fazer uma fragrância gourmand, Les Parfums de Rosine traz enfim o tema do chocolate. Para tanto, Rose Praline abre refrescante com bergamota e cardamomo, adentrando em seguida um acorde de rosa, gerânio, chá verde e chocolate. Na finalização, um fundo de sândalo, âmbar, cacau e musk aparece para dar mais corpo e doçura à composição.

vanitas81. Vanitas (Profumum, 2008). Segundo o site de Profumum, “Vanitas (“Vaidade”) é o perfume de uma mulher que está constantemente querendo ser o centro das atenções, uma mulher cuja aparência é irresistível assim como seu cheiro combinado com o calor de um pôr do sol”. Assim, Vanitas é um oriental vanilla que reúne um topo flor de laranjeira, um centro de sândalo, e um fundo de mirra e baunilha.

havanavanille82. Havana Vanille (L’Artisan, 2009). Também conhecido por Vanille Absolument, este perfume é um oriental vanilla de nuances especiadas e amadeiradas. Claramente uma homenagem à capital de Cuba, a composição gira em torno de um acorde tabaco-baunilha. Para enriquecê-lo, Havana Vanille traz um topo de frutas secas, rum e alcaçuz, um coração de immortelle, cravo-da-índia e narciso, e uma base de madeiras nobres, resinas, couro e fava tonka.

Noir83. Noir (Réminiscence, 2009). A tradicional casa francesa apresenta um oriental amadeirado à base de incenso. Com um saída adstringente de bergamota, gálbano, coentro, eucalipto e elemi, Noir segue com um coração floral amadeirado de rosa, violeta, patchouli e sândalo. Para fazer jus ao seu nome, o perfume incorpora uma base escura e balsâmica de olíbano, labdanum, opoponax, baunilha e almíscar. Noir pode ser resumido como um potente incenso herbáceo, masculino e sofisticado.

TraverseeBosphore84. Traversée du Bosphore (L’Artisan, 2010). Traversée du Bosphore é uma complexa composição floral frutada com nuances de couro, tabaco, especiarias e torrone. O perfume abre com um doce aroma de maçã, romã, íris e rosa, logo seguindo um caminho picante de açafrão e camurça. Na secagem, notas de torrone, açúcar, pistache e musk formam uma atmosfera doce e polvorosa, beirando ao gourmand. Notas de couro e tabaco exalam masculinidade, enquanto o acorde floral-frutado transmite feminilidade.

AlOudh85. Al Oudh (L’Artisan, 2010). Esta excelente fragrância à base de oud de L’Artisan não teve seu reconhecimento merecido. Saindo do lugar comum, Bertrand Duchaufour trabalhou o tema principal com um contraste entre o doce-melífluo (tâmaras, amêndoas, mel) o seco-picante (especiarias, bálsamos, madeiras), além de pitadas de notas florais e animálicas. Desta forma, Al Oudh realmente não é para todos.

coeurdevetiversacre86. Coeur de Vetiver Sacré (L’Artisan, 2010). O “Coração do Vetiver Sagrado” é um amadeirado especiado de traços verdes e especiados. Feito para ser esfumaçado e doce, o perfume abre com bergamota, laranja, chá preto, pimenta, gengibre, coentro, açafrão e frutas secas. Na evolução, Coeur de Vetiver Sacré desabrocha um buquê de osmanthus, rosa e íris cercado de incenso e estragão. Tudo isso é “amarrado” por uma base de vetiver, sândalo, cedro, gaiaco, âmbar, tonka, labdanum, castoreum e musk.

NuitDeTubéreuse87. Nuit de Tubéreuse (L’Artisan, 2010). A homenagem de L’Artisan à flor de odor mais potente do mundo é este floral picante repleto de especiarias e com traços tropicais. Nuit de Tubereuse interpreta a nota de tuberosa com uma faceta tropical (pimenta rosa, néroli, manga, ylang-ylang) e outra polvorosa (angélica, baunilha, musk). A base formada por especiarias, sândalo, pau-rosa, benjoim e estoraque garante a coesão e desempenho da fragrância.

Eccelso88. Eccelso (Profumum, 2011). Saindo um pouco do estilo predominantemente oriental de Profumum, Eccelso é um amadeirado aromático com saída de bergamota e noz moscada, centro de magnólia e sândalo, e base de patchouli, couro e musk. A fragrância abre com um sopro esfumaçado e cítrico, para em seguida esquentar e começar a exalar tons especiados e balsâmicos. No dry-down, um aspecto defumado e polvoroso se forma, deixando um rastro confortável e refinado.

BattitoDAli89. Battito d’Ali (Profumum, 2011). Traduzindo literalmente do italiano para o português, o nome do perfume significa “palpitação”. Battito d’Ali é um oriental vanilla que reúne notas de flor de laranjeira, coco, mirra, baunilha e cacau para produzir um aroma floral doce e cremoso. Como coco é uma nota polarizante, Battito d’Ali é mais indicado para quem já curte fragrâncias como Hypnotic Poison de Dior e Crystal Noir de Versace.

Arso90. Arso (Profumum, 2011). Do italiano “queimado”, Arso trabalha a nota defumada de couro com nuances herbáceas e balsâmicas. Na saída, a fragrância tem odor terpênico devido à nota de agulhas de pinho, mas logo se acende como uma fogueira no mato, revelando notas de resinas, cravo-da-índia, incenso e couro. O resultado é um aroma canforado e defumado com traços anísicos e picantes. Arso tem uma personalidade bastante masculina, tranquila e confiante.

dolceacqua91. Dolce Acqua (Profumum, 2011). “Água Doce” é um floral frutado gourmand de nuances amendoadas e lactônicas. Desenvolvendo-se na pele em praticamente uma única fase, o perfume é uma combinação de heliotrópio, coco, amêndoas e fava tonka. A heliotropina usada na fórmula acaba predominando na composição, resultando num aroma que fortemente remete a marzipã.

CuirFétiche92. Cuir Fétiche (Maître Parfumeur et Gantier, 2011). Uma das mais recentes criações da tradicional casa Maître Parfumeur et Gantier é este chipre floral de traços cítricos e animálicos. Dedicado ao público feminino, Cuir Fétiche trabalha a nota de couro com um topo de cítricos e gerânio, centro de rosa, jasmim, tuberosa, ylang-ylang e íris, e base couro, patchouli, madeiras nobres, âmbar, baunilha e musk. O acorde central propicia um efeito sensual e intoxicante, enquanto o dry-down deixa um rastro macio e adocicado.

vanille93. Vanille (Réminiscence, 2012). Vanille é um oriental vanilla de traços amadeirados e polvorosos. O perfume abre leve e fresco com bergamota e osmanthus, anunciando um centro de jasmim e heliotrópio. Embora sempre presente, a baunilha aparece com tudo mesmo na secagem, acompanhada de notas de heliotrópio, patchouli, fava tonka, benjoim, chocolate ao leite e musk.

oud94. Oud (Réminiscence, 2012). Segundo o site da marca: “Harmonioso e perfeito para ambos os sexos, Réminiscence Oud oferece aromas quentes e confortáveis suportando o ritmo oriental. A fragrância se equilibra entre pimenta rosa, açafrão e cardamomo, propiciando uma dinâmica de calor e notas agradáveis de âmbar e patchouli achocolatado. A nova composição é enriquecida com o charme de uma rosa enriquecida por um oud intenso e castoreum”. Sem mais.

Sballo95. Sballo (Bruno Acampora, 2012). Um acorde floral fresco de rosa, gerânio, violeta e flor de laranjeira. Um acorde oriental amadeirado de sálvia, feno, vetiver, patchouli, sândalo, resinas e musk. Assim montou Bruno Acampora um floral oriental bonito e sensual. Sballo funciona bem devido à combinação de notas frescas e luminosas com notas quentes e terrosas, como uma femme fatale passeando pelo bosque, em busca de sua próxima vítima.

Seville96. Séville à l’Aube (L’Artisan, 2012). O perfumista Bertrand Duchaufour se inspirou na cidade espanhola de Sevilha para compor esta fragrância oriental floral. Com uma saída vibrante de petitgrain, lavanda, flor de laranjeira e cera de abelha, Séville à l’Aube é, de repente, inundado por um aroma denso e mineral de olíbano, benjoim e tabaco. Depois de uma fase quente e esfumaçada, o perfume tem uma secagem doce e balsâmica, preservando seu aroma cremoso de laranja.

Caligna97. Caligna (L’Artisan, 2013). Uma das mais recentes criações de L’Artisan é este delicado aromático frutado construído em torno do figo. Com uma saída verde e refrescante de figo, sálvia e petitgrain, Caligna (“cortejar” do antigo provençal) revela um buquê de rosa, violeta e jasmim com toques vegetais de lentisco. Nesse ponto macio e atalcado, o perfume segue um caminho florestal com um acorde agulhas de pinho, musgo de carvalho e musk.

sorriso98. Sorriso (Profumum, 2013). Esse é um perfume recomendadíssimo para quem busca uma criação olfativa feita em torno da nota de chocolate como Xocoatl de Fueguia ou Chocolovers de Aquolina ou Chocolate Greedy de Montale. Depois de uma saída de laranja amarga, Sorriso parte com tudo para seu corpo de chocolate e baunilha apoiado sobre um fundo de madeiras nobres.

CuirCubaIntense99. Cuir Cuba Intense (Nicolaï, 2014). Como o próprio nome insinua, Cuir Cuba Intense é uma potente fragrância feita em torno das notas de couro e tabaco. Na saída, um efervescente acorde de limão, alcaçuz e menta dá um toque aromático e refrescante, anunciando um delicado centro floral (magnólia, gerânio e lavanda) e especiado (coentro e cominho). A nota de magnólia é forte o suficiente para sobreviver à sólida base de cedro, patchouli, couro, tabaco, feno e civet. Perfeitamente compartilhável.

Ballerina1100. Ballerina No. 1 (Les Parfums de Rosine, 2014). Ballerina é um tipo pequeno e delicado de rosa, aqui interpretada na forma de um floral frutado bastante contemporâneo. Ballerina No. 1 abre com um acorde suculento de bergamota, pêssego, morango, pera e framboesa, antes de apresentar seu coração floral atalcado de pêonia, rosa e violeta. A finalização fica por conta de uma base lactônica de sândalo, baunilha e musk. Apesar de comum, Ballerina No. 1 se destaca pelo excelente desempenho na pele.

Veja também: Nicho Histórico e Nicho Conceitual

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