Vintages (Pré-1970)

vintageA palavra “vintage” é derivada do francês e vem de vinho (“vin”). Assim, vintage tem uma conotação de aprimoramento por meio de maturação ou envelhecimento. O termo é hoje amplamente utilizado em todos os setores, especialmente na moda. Um vestido vintage não é uma cópia de um vestido antigo (isso seria “retrô), mas sim o modelo original preservado por décadas. Na perfumaria o conceito é bem semelhante ao do vinho: a fragrância foi envelhecida (20 anos ou mais), extensivamente macerada e se tornou bastante rara. No perfumês coloquial, usa-se muito o termo “vintage” como contraposição a uma versão reformulada, quando o correto seria chamá-la de pré-reformulação. Perfumes vintage são ricos em história e trazem consigo ingredientes atualmente restritos pela IFRA (Associação Internacional de Fragrâncias). São obras de arte conservadas para o prazer de poucos devido à sua raridade e alto custo. Com a internet, no entanto, o acesso a perfumes vintage aumentou exponencialmente por dois motivos: o surgimento das redes sociais (onde aficcionados trocam amostras) e dos sites que vendem frações (decants).

Nota: Os grandes ícones vintage Fougère Royale, Jicky, L’Heure Bleue, Quelques Fleurs, Chypre, Mitsouko, Habanita, Arpège, Joy, Tabu, Bandit, Vent Vert, Miss Dior e L’Air du Temps aparecem na página dos Icônicos. Marcas de cosméticos e nacionais igualmente têm sua página dedicada: Cosméticos e Nacionais.

(ordem cronológica por ano de lançamento)

L'Origan1. L’Origan (Coty, 1905). Coty foi revolucionário por não temer o uso de novos materiais recém-sintetizados e os empregou sem medo em suas composições. L’Origan levou metil ionona, heliotropina, vanilina, cumarina, civetone, vetiveryl e nitromusks para criar esse fabuloso efeito floral polvoroso e picante que serviu de inspiração para L’Heure Bleue e mais recentemente para Poison e LouLou. L’Origan abre com notas anísicas antes de explodir como uma nuvem inebriante e sensual.

LEffleur2. L’Effleur (Coty, 1907). Concebido como um buquê floral e divulgado com o slogan “A fragrância dos jardins dos sonhos, delicadamente acentuando o encanto das mulheres florais”, L’Effleur foi oferecido dentro de um frasco Baccarat assinado por René Lalique. Descontinuado em 1938, o perfume foi relançado pela Coty em 1990, ganhando uma injeção de aldeídos, além de notas mais refrescantes (cítricos, folhas verdes, lírio-do-vale), como pedia a moda da época. L’Effleur foi novamente retirado de mercado em 1996.

NarcisseNoir3. Narcisse Noir (Caron, 1911). Se narciso é uma flor de odor narcótico e doce, imagine um narciso negro. Ernest Daltroff, fundador da Caron, compôs este perfume para ser um floral animálico. No entanto, devido à alta carga de mel, sândalo, incenso, sândalo e almíscar na base, Narcisse Noir é comumente classificado como um oriental floral. A ideia era criar uma polaridade entre as notas mais leves (flor de laranjeira, rosa e jasmim) com as mais pesadas da base para enfatizar a personalidade do narciso.

NAimezQueMoi4. N’Aimez Que Moi (Caron, 1916). Criado durante o curso da I Guerra Mundial, N’Aimez Que Moi (ou “Ame Apenas a Mim”) foi um chipre floral estruturado em cima de uma rosa escura. Para dar um aspecto polvoroso e confortável, Ernest Daltroff enriqueceu a rainha das flores com notas de lilás, íris e violeta. Sua base ficava por conta de um acorde de cedro, vetiver, musgo de carvalho, âmbar, baunilha, almíscar e civet. Excelente harmonia entre o adocicado e o selvagem.

TabacBlond5. Tabac Blond (Caron, 1919). Inspirado nas mulheres rebeldes e liberadas que fumavam cigarro em público no início do século passado, Tabac Blond combina couro e tabaco com notas florais de cravo, íris e ylang-ylang e amadeiradas de vetiver, cedro e patchouli, além de baunilha e almíscar. Este é um perfume seco e esfumaçado que poderia ser masculino se não fosse pelas notas florais no centro da composição. Curiosamente o tabaco aqui é uma nota fantasia, ou seja, totalmente abstrata.

Emeraude6. Émeraude (Coty, 1921). Considerado por muitos como o precursor de Shalimar, Émeraude de Coty tem menos da sensualidade balsâmica e mais volúpia floral. O perfume abre limpo e agradável, revelando notas frutadas e especiadas. Depois Émeraude evolui para um aspecto atalcado e levemente mentolado, como uma mistura de maquiagem e caipirinha. O aroma anísico toma conta e se torna cremoso, quase funcional como um sabonete caro. É difícil compará-lo com Shalimar, pois Émeraude parece seguir o lado mais puritano.

Maja7. Maja (Myrurgia, 1921). Há cerca de um século, a marca de cosméticos espanhol Myrurgia inovava ao dar uma roupagem de luxo aos seus produtos, tornando-se pioneira em branding na perfumaria. Maja, sua fragrância assinatura, é um daqueles florais picantes à moda antiga, carregados de rosa e cravo. Enriquecendo tais notas, foram incluídos também lavanda e gerânio, para dar um efeito mais fresco, bem como patchouli e noz moscada, para deixar a fórmula mais picante. Depois de muitas reformulações, Maja ainda é vendido mundo afora, porém visto como perfume de vovó.

NuitNoel8. Nuit de Noël (Caron, 1922). Difícil de classificar, Nuit de Noël é um oriental floral construído sobre uma estrutura chipre – sua saída é cítrica e a base musgosa, porém há uma predominância das notas de baunilha e sândalo. O centro da composição é formado por rosa, jasmim e ylang-ylang, enquanto almíscar e íris conferem um tom polvoroso à base. O perfume deixa um rastro delicioso de marron-glacé que remete à noite de Natal (daí seu nome em francês). Apesar do coração floral, Nuit de Noël não é particularmente feminino e pode ser tranquilamente usado por homens.

CandideEffluve9. Candide Effluve (Guerlain, 1922). Este floral polvoroso de Guerlain foi reintroduzido como edição limitada em 2007, porém logo retirado de mercado. Praticamente impossível de achar, Candide Effluve (literalmente “perfume cândido”) consegue mesclar acordes orientais (benjoim, fava tonka, baunilha e labdanum) e vegetais (angélica, orris, heliotrópio e lilás) para produzir uma intoxicante nuvem de veludo doce. Notas de limão, jasmim e vetiver conferem brilho e sofisticação à fragrância.

CuirDeRussie10. Cuir de Russie (Chanel, 1924). Criado pelo perfumista Ernest Beaux para mulheres que não tivessem medo de fumar em público ou falar o que pensa, Cuir de Russie foi construído em cima da nota de bétula (também o conhecida como couro russo). Este é um dos perfumes referência do gênero couro, tendo explorado bem o sintético isobutilquinoleína para combinar os lados sofisticado e animálico do couro. Em meio a isso, o trio floral de rosa, jasmim e ylang-ylang se mantém protegido por toda a fumaça que Cuir de Russie exala.

MySin11. My Sin (Lanvin, 1924). Nascido para ser libertino, My Sin é um floral animálico de grandes proporções. O odor indólico das flores brancas (jasmim, lírio-do-vale e ylang-ylang) é emparelhado com o odor balsâmico das resinas (estoraque, tolu e baunilha). Acrescentam-se a tudo isso notas picantes (sálvia e cravo) e animálicas (civet e almíscar). My Sin é uma fragrância no cio, sem medo de ser feliz. Na atualidade seria impossível vender um perfume assim, não só pelas restrições de ingredientes mas porque ninguém é tão ousado assim.

Acasiosa12. Acaciosa (Caron, 1924). Apesar do seu nome, Acaciosa não tem como tema a flor de acácia (mimosa). Trata-se de um floral indólico com notas de cítricos, abacaxi, flor de laranjeira, jasmim, ylang-ylang, rosa, sândalo, baunilha e âmbar gris. Intenso e exuberante, Acaciosa é o perfume da diva, equilibrando o brilho das flores e a obscuridade das resinas. Infelizmente, a composição é hoje somente disponível na forma de um caríssimo extrato.

QueSaisJe13. Que Sais-Je? (Patou, 1925). Que Sais-Je? foi um precoce chipre frutado criado pelo gênio Henri Alméras. Construído em torno da nota de pêssego, o perfume enriquece a estrutura chipre clássica com mel e nozes. O charme da composição está na harmonia entre a doçura frutada, melíflua e amendoada e um acorde de base mais escuro devido a notas amadeiradas, balsâmicas e animálicas. Que Sais-Je? foi relançado com nova formulação em 2014, perdendo grande parte do seu aspecto original musgoso e ardido.

AmourAmour14. Amour Amour (Patou, 1925). Enquanto Que Sais-Je? se inspirou nas mulheres morenas, Amour Amour foi criado para as loiras. Girando em torno do acorde jasmim-rosa-violeta, o perfume traz a doçura do morango, banana, amêndoas e mel, além de um topo cítrico e nuances florais de cravo, íris, narciso e ylang-ylang. Amour Amour deixa para trás um rastro levemente animálico, porém apenas na dose suficiente para tornar a composição mais natural.

Gardénia15. Gardénia (Chanel, 1925). Esta fragrância tem importância histórica por ter sido a primeira tentativa bem-sucedida de se criar um acorde fantasia que sintetiza a luminosidade e frescor de uma flor branca cujo odor natural não pode ser extraído. Tal façanha foi obra do perfumista Ernest Beaux por meio do uso de sintéticos disponíveis na época, além de absolutos florais. No caso, o aroma de gardênia foi obtido através de uma combinação de flor de laranjeira, jasmim e tuberosa, aqui sustentado por uma base de vetiver, patchouli, sândalo e almíscar. O perfume hoje faz parte da coleção Les Exclusifs de Chanel.

Crepe16. Crêpe de Chine (Millot, 1925). Tomando como base a estrutura abstrata chipre, Crêpe de Chine apresenta um buquê de jasmim, ylang-ylang e lilás – uma combinação incomum. O resultado é uma fragrância bela e feminina, porém formal e sofisticada. Sua saída aldeídica e cítrica é refrescante, e seu corpo chipre se harmoniza perfeitamente com as notas mais delicadas verdes e florais. Crêpe de Chine atrai atenção pela sua incrível delicadeza de flores bem escolhidas, mas intimida pela sua espinha dorsal firme e ereta.

LeNúmeroCinq17. Le Numéro Cinq (Molyneux, 1925). Seja por respeito ou medo de ser processado pela Chanel, grifes de perfumes hoje em dia não usam mais “cinco” ou “5”, pulando o número na sequência. Le Número Cinq de Molyneux é um dos unicórnios da perfumaria, quase impossível de encontrar. O perfume abre fortemente aldeídico, cítrico e anísico, com um acorde central de flores inebriantes e frutas suculentas como ylang-ylang e ameixa. A base doce e polvorosa é formada por uma combinação opulenta de orris, âmbar, benjoim, patchouli, sândalo e baunilha. Bem mais escuro que o Chanel.

BoisDesIles18. Bois des Îles (Chanel, 1926). Um perfume andrógino, Bois des Îles foi construído sobre uma base de madeiras escuras. O perfume abre fresco e radiante com aldeídos, bergamota, néroli e pêssego. Bois des Îles tem um coração floral de íris, rosa, ylang-ylang e jasmim, que ganha virilidade com a adição de coentro, vetiver, cumarina e sândalo. O resultado é uma fragrância troncuda e picante, com nuances doces e delicadas, mas acima de tudo com sofistiação. Bois des Îles hoje se encontra reformulado na coleção Les Exclusifs.

Aimant19. L’Aimant (Coty, 1927). L’Aimant é um suntuoso floral aldeídico com uma base oriental quente e picante. Com uma saída de aldeídos, bergamota, néroli e pêssego, o perfume segue uma rota floral de orquídea, rosa, gerânio, ylang-ylang e jasmim. Passado o efeito de laquê inicial, L’Aimant se transforma num aroma lactônico e amanteigado, equilibrando o néctar de flores e frutas com a cremosidade e pungência de madeiras e bálsamos. Polvoroso e marcante.

Bellodgia20. Bellodgia (Caron, 1927). O lendário perfumista Ernest Daltroff fez da nota de cravo o tema deste oriental floral, tornando-o uma das maiores referências da flor na perfumaria. Com uma boa dose de bergamota para amenizar a saída repleta de eugenol, Bellodgia evolui para seu centro picante de cravo, jasmim, rosa e violeta, antes de apresentar uma base de patchouli, musgo de carvalho, sândalo, baunilha e musk. Quente, macio e soapy, Bellodgia segue um estilo hoje fora de moda.

SoirdeParis21. Soir de Paris (Bourjois, 1928). Com intenções de conquistar o mercado americano, a famosa marca de cosméticos Bourjois encomendou ao perfumista Ernest Beaux uma fragrância que tivesse a classe do Chanel N°5, porém mais “palatável” para o público americano. Assim, Soir de Paris foi lançado nos Estados Unidos com o nome de Evening in Paris e se tornou um best-seller instantâneo. Dois fatos ajudaram no sucesso: um marketing focado nos símbolos de Paris e uma fragrância bem feita e fácil de agradar.

Zibeline22. Zibeline (Weil, 1928). Este floral aldeídico é uma composição superpolvorosa de flores (íris, rosa, jasmim, muguê, ylang-ylang, gardênia), especiarias (coentro e estragão), resinas (âmbar e fava tonka) e madeiras nobres (sândalo e vetiver). O resultado final é um perfume sofisticado e maduro com uma vibe bem datada, especialmente por conta da alta dose de almíscar e civet na base.

Liu23. Liu (Guerlain, 1929). Lançado no ano da Grande Depressão, Liu é um floral verde aldeídico que irradia toda a suntuosidade das flores. Aqui as notas de íris, rosa e jasmim têm menos um aroma animálico e orgânico, e mais um aroma gracioso e brilhante graças a uma cabeça aromática e uma base amadeirada bem leves e secas. Como todo perfume da Guerlain, Liu deixa um rastro levemente doce e atalcado no ar.

MomentSuprême24. Moment Suprême (Patou, 1929). Moment Suprême é um fougère oriental feito para mulheres. Com um topo de bergamota, limão, mandarina, néroli, gerânio e lavanda, a composição evolui para um coração floral e picante de jasmim, ylang-ylang, narciso, íris, lilás, rosa e cravo-da-índia. Em vez de fava tonka, Henri Alméras preferiu compor a base da fragrância utilizando musgo de carvalho, sândalo, baunilha, mel, âmbar e civet, dando um acabamento mais encorpado e menos polvoroso. O resultado é imponente e audacioso.

JeReviens25. Je Reviens (Worth, 1932). Uma das grandes referências de floral aldeídico, sua saída é tão forte que assusta. Mas logo sentimos um aroma de flores (rosa, jasmim, ylang-ylang, jacinto, narciso e íris) e de cravo-da-índia. A nota de musgo de carvalho na base amadeirada é bem evidente, o que ajuda a criar um ar vintage. Curiosamente, Je Reviens (“eu voltarei” em francês) ficou famoso porque durante a Segunda Guerra Mundial era dado de presente pelos soldados americanos às suas amantes europeias.

WorthPH26. Worth pour Homme (Worth, 1932). Um fougère clássico, Worth pour Homme é rico em notas herbáceas e traços animálicos. O perfume abre potente em estilo old school com um acorde de cítricos, petitgrain, alecrim, noz moscada, canela e lavanda. Worth pour Homme logo evolui para um centro de gerânio, cravo, agulhas de pinho e pau rosa, anunciando um fundo sofisticado de cedro, vetiver, couro, musgo de carvalho, fava tonka, âmbar e musk. Elegante e confortável, foi relançado em 1980.

JungleGardenia27. Jungle Gardenia (Tuvaché, 1933). Feito numa época em que os perfumes eram figurativos, Jungle Gardenia é lançado com um anúncio protagonizado por uma amazona. A fragrância propõe notas verdes e marcantes como folha de violeta, estragão e sálvia, porém com um inebriante acorde de flores brancas, especialmente gardênia. Com a ajuda de uma nota de laranja suculenta e ylang-ylang, ela produz uma atmosfera tropical, sustentada por uma sexy base oriental. Na época de seu lançamento, Jungle Gardenia era promovido como o perfume mais exótico do mundo. E quem poderia discordar?

VolDeNuit28. Vol de Nuit (Guerlain, 1933). Inspirado no romance Voo Noturno (1931) de Saint-Exupéry sobre voos postais para a América do Sul, este é um dos perfumes mais icônicos da casa Guerlain. A versão EDT é especiada e musgosa como o interior de uma gruta e aos poucos vai mostrando seu ângulo florestal com notas amadeiradas. Já o parfum projeta mais e, além das notas presentes no EDT, é rico em gálbano e íris, tornando-o mais saponáceo. O design do famoso frasco lembra um resplendor.

FleursRocaille29. Fleurs de Rocaille (Caron, 1933). Este é um daqueles perfumes florais picantes, recomendado às mulheres que gostam de extravasar. Logo na saída, o perfume libera um aroma de rosa, jasmim e lilás em meio a aldeídos e notas verdes, evoluindo para notas narcóticas de cravo, muguê e ylang-ylang. O resultado final é um efeito soapy cremoso e sensual. Fleurs de Rocaille aquece ainda mais e, na secagem, mostra um lado amadeirado terroso por conta das notas de sândalo, musgo de carvalho e musk. Impossível passar despercebido.

SousLeVent30. Sous le Vent (Guerlain, 1933). Sous le Vent é classificado como chipre floral feminino, porém parece mais um aromático especiado masculino. A fragrância abre com notas cítricas potentes acompanhadas de lavanda, verbena, sálvia e estragão. Depois de alguns instantes, um lado floral picante emerge com notas de íris, jasmim, ylang-ylang e cravo. O melhor momento fica por conta da base de musgo de carvalho, almíscar e civet. Sous le Vent lembra um pouco de Pour Monsieur, porém mais “sujinho”.

SecretVénus31. Secret de Vénus (Weil, 1933). Promovido originalmente como uma fragrância para ser usada com casaco de pele, já podemos esperar do que se trata. Secret de Vénus abre luminoso e pungente com aldeídos, bergamota, limão, coentro e estragão, anunciando um buquê central de rosa, jasmim, muguê, ylang-ylang e gardênia. Para aumentar ainda mais o potencial bombástico da composição, uma base é formada por mel, orris, vetiver, fava tonka, âmbar, sândalo e almíscar. Datado e incrível.

Rumeur32. Rumeur (Lanvin, 1934). A versão atual vendida em lojas é uma reencarnação irreconhecível do original. Rumeur é um chipre frutado lançado entre Mitsouko e Femme de Rochas. Assim, sua construção se baseia no acorde chipre clássico e leva especiarias, baunilha, tabaco e a molécula gamma undecalactone (que imita o odor frutado de ameixa e pêssego). Nota-se também um odor indólico de flores brancas e animálico de civet com couro. O resultado é narcótico e licoroso, em outras palavras, uma fragrância impossível de passar despercebida.

Dunhill33. Dunhill for Men (Dunhill, 1934). Esta complexa fragrância masculina abre com uma combinação de limão, gerânio e lavanda, porém logo revela um lado levemente polvoroso de íris e rosa. Notas de especiarias (noz moscada e cravo) despertam e levam a composição para um base de madeiras nobres, musgo de carvalho, fava tonka e couro. Dunhill for Men é um perfume viril e “classudo” na medida certa.

PourUneFemme34. Pour une Femme (Caron, 1934). Sem qualquer relação com o ícone masculino Pour un Homme de Caron, Pour une Femme é um chipre clássico que tem como centro um acorde de rosa e incenso. O perfume abre com um acorde refrescante de laranja, mandarina e flor de laranjeira, antes de se tornar intensamente floral e esfumaçado. Tudo isso é sustentado por uma competente base balsâmica de vetiver, sândalo, âmbar e musk. Pour une Femme foi relançado em 2001 com nova formulação.

RoyalSecret35. Royal Secret (Germaine Monteil, 1935). A designer francesa mudou-se para Nova York nos anos 30 e lá fundou sua boutique de roupas. Sua primeira fragrância foi lançada logo em seguida na forma de um chipre clássico com nuances verdes e atalcadas. Com uma saída de bergamota, limão, gálbano e lavanda, Royal Secret caminha para um buquê floral de gerânio, rosa, violeta, muguê e flor de laranjeira. Na base, um acorde de vetiver, patchouli, sândalo, labdanum e baunilha traz a textura perfeita para preservar a faceta mais aromática do perfume.

FrenchCanCan36. French Cancan (Caron, 1936). Concebido como uma estratégia de marketing para entrar no mercado americano, French Cancan era promovido como o retrato olfativo da cidade de Paris. Assim, sua composição abre com um aroma alegre e romântico de violeta, lilás e jasmim, anunciando um centro denso de flor de laranjeira, lírio-do-vale, rosa, íris e patchouli. French Cancan conclui com um acorde chipre de musgo de carvalho, sândalo e labdanum. O perfume está hoje disponível apenas na concentração de extrato.

CanoeForMen37. Canoe for Men (Dana, 1936). Criado pelo perfumista gênio Jean Carles, este é um fougère aromático com topo de limão siciliano, sálvia e lavanda, centro de gerânio, cravo, patchouli e cedro, e fundo de musgo de carvalho, heliotrópio, fava tonka, baunilha e musk. Aqui o conceito fougère se concretiza na contraposição entre o fresco-herbáceo e o quente-balsâmico, tornando-se uma fragrância elegante e versátil. A versão reformulada de 1996 carece da riqueza e complexidade do original Canoe for Men de 1936.

Vacances38. Vacances (Patou, 1936). Vacances é um arejado e otimista floral verde que reúne notas de gálbano, jacinto, espinheiro-alvar, mimosa, lilás, heliotrópio e musk. Sem ter um aspecto marcadamente amendoado, o perfume produz uma atmosfera floral de primavera, seca e refrescante, ainda que levemente melífluo e powdery. A versão reformulada introduzida em 2014 mantém basicamente a essência da composição.

Audace39. Audace (Rochas, 1936). O perfumista Marcel Rochas criou em 1936 este distinto chipre verde. A partir de um topo herbáceo de bergamota, gálbano, agulhas de pinho e zimbro, Audace desabrocha um buquê floral de cravo, rosa, violeta, íris e jasmim. No dry-down, uma base de musgo de carvalho, patchouli e labdanum conclui a composição com uma textura seca e elegante. O aspecto pinhoso de Audace pode assustar algumas mulheres.

Vega40. Vega (Guerlain, 1936). Floral aldeídico criado por Jacques Guerlain e em homenagem à estrela mais brilhante da constelação Lira, Vega inicialmente parece uma imitação de Chanel N°5. Na evolução, o odor aldeídico se ameniza, abrindo caminho para um buquê de cravo, rosa, íris, jasmim e ylang-ylang. Tudo isso é sustentado por uma base de sândalo, âmbar e baunilha. As más línguas dizem que foi retirado de mercado pela Guerlain por lembrar muito do DNA da Chanel.

Indiscret41. Indiscret (Lucien Lelong, 1936). Um clássico de Jean Carles, Indiscret foi feito para o estilista Lucien Lelong. O perfume tinha uma nota marcante de cravo-da-índia em meio a uma composição floral, amadeirada e polvorosa. Indiscret contava com um coração floral de ylang-ylang, jasmim, rosa e cravo, suportado por uma base de incenso, musk e madeiras nobres. Que mulher usaria este perfume? A mesma que usaria Tabu e Shocking. Indiscret foi lançado numa época em que um perfume também tinha o papel de passar uma mensagem.

Shocking42. Shocking (Elsa Schiaparelli, 1937). Teria este perfume sido uma inspiração para Classique de Jean-Paul Gaultier? Se não pelo conteúdo, certamente pelo frasco. O nome da fragrância se deve à cor (rosa shock) que era marca registrada da designer italiana Elsa Schiaparelli. Shocking é um chipre floral mais suave do que seu nome insinua. O aroma mais premente da composição é o de rosa com mel, inicialmente camuflado por notas aldeídicas e cítricas. E como todo perfume que se prezava da época, contém civet na base.

Tigress43. Tigress (Fabergé, 1938). É isso mesmo, o nome do perfume é “tigreza”. E sua propaganda fazia a seguinte pergunta: “você é selvagem o suficiente para usá-lo?”. Tigress de Fabergé (a mesma de Brut) é um chipre floral repleto de aldeídos e outras notas atalcadas, distanciando-se amplamente do que hoje se consideraria uma fragrância de mulher selvagem. A composição também revela especiarias e resinas, além de musk. Em outras palavras, Tigress é um perfume atalcado e picante bastante original apesar de seu nome.

Colony44. Colony (Patou, 1938). Colony é inspirado na África colonizada pelos franceses. A composição é rica em notas de abacaxi maduro, além de notas florais quentes como cravo e ylang-ylang. Feito para ser exótico, o perfume exibe inicialmente um aroma tropical doce e suculento, para depois culminar na base de musgo de carvalho, opoponax, couro e almíscar. Deixando um rastro escuro e misterioso, Colony cumpre com sua promessa, além de mostrar excelente desempenho na pele.

Aphrodisia45. Aphrodisia (Fabergé, 1938). Seguindo o estilo chipre floral clássico, Fabergé oferece uma composição de tons florestais e selvagens. Depois de uma curta abertura fresca de aldeídos e cítricos, Aphrodisia desabrocha um acorde central feminino e exuberante de rosa, cravo, jasmim e ylang-ylang com nuances de mel. A base fica a cargo de musgo de carvalho, vetiver, âmbar gris, civet e musk. A combinação de facetas frutada, picante, floral e animálica certamente cumpre com a missão de entregar uma fragrância sensual e libidinosa.

Chantilly46. Chantilly (Houbigant, 1941). Este clássico de Houbigant ainda é vendido, porém sob uma versão totalmente desfigurada. Originalmente, Chantily era um desses florais opulentos, carregados de especiarias e enriquecido com couro. Na saída, a composição era efervescente e adocicada devido ao acorde inicial de cítricos e frutas, passando em seguida para seu buquê de flores inebriantes. Na retaguarda, uma base encorpada de musgo de carvalho, sândalo, incenso, couro, baunilha, fava tonka, benjoim e almíscar conferiam um luxo beirando ao vulgar.

MuguetDeBois47. Muguet des Bois (Coty, 1941). Lançado no meio da II Guerra Mundial por Coty, Muguet des Bois foi criado pelo perfumista Henri Robert numa época em que a nota fantasia de lírio-do-vale ainda estava sendo explorada. O químico aromático hidroxicitronelal, sintetizado em 1908, já era utilizado na perfumaria, porém hedione só viria para dar mais força aos florais verdes em 1962. Coty conseguiu fazer uma bela interpretação do muguê por meio do uso de aldeídos e néroli, dando toques atalcados de rosa e lilás. A versão atualmente disponível tem aspecto sintético, irreconhecível.

RoyalBain48. Royal Bain (Caron, 1941). Royal Bain é uma proposta floral oriental de Caron que explora as faceta polvorosa e confortável numa fragrância. Abrindo com um sopro atalcado de lilás, a composição aos poucos se aquece com a ajuda de um acorde de incenso, benjoim e opoponax. No dry-down, Royal Bain revela um fundo cremoso e adocicado de cedro, sândalo, âmbar, baunilha e musk. Como o nome sugere, o perfume tem cheiro de banho luxuoso. Indispensável aos fãs da nota de lilás.

Réplique49. Réplique (Raphael, 1944). Concebido numa época em que praticamente tudo era permitido na composição de um perfume, Réplique é um potente chipre clássico rico em aldeídos, musgo de carvalho e almíscar natural. Depois de uma saída refrescante, a composição revela seus absolutos de jasmim e ylang-ylang com traços herbáceos. Na evolução, incenso e coentro equilibram a doçura da base formada por mel, fava tonka, heliotrópio, patchouli, âmbar gris e musk. O resultado é um talco luxuoso que equilibra o fresco e o quente, doce e o amargo, o belo e o selvagem.

Woodhue50. Woodhue (Fabergé, 1944). Quente e amadeirado, Woodhue foi um floral muito popular nos anos 50 e 60. Com um topo refrescante de bergamota, mandarina e laranja, o perfume logo apresenta seu delicado centro de jasmim. Um acorde de cedro, sândalo e baunilha completa e dá textura a esta composição alegre e otimista. Perfeito equilíbrio entre conforto e elegância.

Captura de tela 2016-02-09 12.51.5951. White Shoulders (Evyan, 1945). A empresa de cosméticos Evyan lançou um único perfume em sua história, este floral aldeídico que contrapõe o verde refrescante e o doce animálico. Trabalhando intensamente nos contrastes, a composição leva um topo de bergamota, néroli, pêssego, gálbano e aldeídos, antes de revelar um centro de flores brancas, atalcadas e picantes. Um acorde potente e encorpado de líquens, resinas, madeiras e civet conclui a fragrância com um toque selvagem e opulento. Mais um exemplo de um perfume hoje desfigurado.

Antilope52. Antilope (Weil, 1945). Mais um perfume com um nome exótico. Quem hoje em dia compraria algo com o nome de animal selvagem? O nome, porém, engana. Antilope não é uma fragrância animálica repleta de civet, almíscar e coentro. Pelo contrário, Antilope é fresco e seco, baseado em notas de cedro, vetiver e couro com um topo cítrico e herbáceo. Apesar de notas tão viris, o perfume não chega a ser masculino devido a uma boa dose de aldeídos e um buquê floral no centro da composição.

MaGriffe53. Ma Griffe (Carven, 1946). Criado por Jean Carles, um dos fundadores da perfumaria moderna, Ma Griffe é um floral aldeídico feroz. Um dos segredos da força e originalidade desta composição é a nota de canela em meio a um buquê floral de gardênia, jasmim, ylang-ylang e rosa. Sua abertura de aldeídos, gálbano e sálvia não é menos audaciosa. O resultado é tão perigosamente marcante que foi durante muito tempo considerado perfume de prostituta. Curiosamente, Jean Carles havia se tornado anósmico quando compôs Ma Griffe.

LHeureAttendue54. L’Heure Attendue (Patou, 1946). Ao pé da letra “a hora esperada”, este perfume foi lançado em 1946 em comemoração à libertação da Paris ocupada pelos nazistas. Trata-se de um chipre floral de aura cremosa e acolhedora. L’Heure Attendue abre efervescente com um acorde de aldeídos, cítricos e néroli, anunciando um centro floral adocicado de pêssego, rosa, jasmim e ylang-ylang. Por fim, uma base balsâmica de sândalo, patchouli, opoponax e âmbar confere uma secagem encorpada e duradoura. A versão de 2014 é um pouco mais leve e menos potente.

CoeurJoie55. Coeur Joie (Nina Ricci, 1946). Composto por Germaine Cellier para a designer Nina Ricci, este perfume é praticamente um talco de luxo. Coeur Joie (“dia de lazer”) é uma combinação de notas refrescantes e polvorosas como bergamota, flor de laranjeira, jacinto, gardênia, rosa, íris e violeta. Para preservar sua atmosfera seca e arejada, a fragrância leva uma suave base de madeiras nobres. Infelizmente, Coeur de Joie é hoje praticamente impossível de encontrar.

Farnesiana56. Farnesiana (Caron, 1947). Construído em torno do tema de mimosa (acácia), Farnesiana reúne notas que realçam as facetas herbácea, melíflua, amendoada e indólica dessa flor de odor complexo e multifacetado. Assim, a composição abre com bergamota, feno e cassis, aos poucos exalando seu acorde central de mimosa, violeta, lírio-do-vale e jasmim. Sua cremosidade e doçura são estabelecidas por uma base oriental de heliotrópio, sândalo, baunilha, opoponax e musk.

LeDix57. Le Dix (Balenciaga, 1947). Imagine o Chanel N°5 com aroma de violeta. Le Dix é uma fragrânca floral aldeídica com aspecto atalcado e saponáceo, ou seja, datado para as jovens de hoje. O perfume fez sucesso particularmente num momento em que os lançamentos eram “duros” demais, à base de couro ou chipres. Le Dix trouxe de volta o aroma que as mamães usaram, aquele cheiro acolhedor de violeta. Para enfatizar o efeito nostálgico, a fórmula levou também baunilha – e nitromusks para aumentar seu efeito de conforto.

IrisGris58. Iris Gris (Jacques Fath, 1947). A ideia central de Iris Gris é unir a nota de íris a pêssego, tornando-a limpa e lactônica. A combinação é essencialmente incomum, mas funciona. A raiz de íris (orris) é rica em iononas, que produzem uma atmosfera mais romântica e melancólica. Já a nota de pêssego (construída com base na molécula sintética undecalactone) traz um aspecto mais lúdico e otimista. Para enfatizar essa dupla, notas de jasmim, lírio-do-vale e heliotrópio são agregadas à composição. E evidentemente, muito almíscar.

Visa59. Visa (Robert Piguet, 1947). Este perfume foi completamente reformulado em 2007, perdendo sua característica animálica e intensamente doce. A versão nova tem um irresistível aroma de bubble gum, possivelmente resultante da combinação de pêssego e benjoim. Mas Visa não é um perfume gourmand – é uma composição suave e harmoniosa de frutas, resinas e madeiras com um fundo bem discreto de rosa. Visa é uma grata surpresa e bastante compartilhável.

Moustache60. Moustache (Rochas, 1948). Emblemático exemplo de aromático fougère, Moustache se baseia na receita convencional, porém acrescenta mel e verbena. Essa combinação resulta num interessante contraste entre o frescor do limão, verbena e gerânio com a doçura do mel, baunilha e fava tonka. Para deixar a fórmula ainda mais complexa, Moustache leva notas florais de rosa e jasmim, além de uma camada animálica de couro e almíscar. Entre tantos movimentos de aquisição de grifes, Rochas infelizmente sumiu do mercado.

Fracas61. Fracas (Robert Piguet, 1948). Fragrância assinatura de Madonna e também inspiração para a composição de seu perfume Truth or Dare, esta obra-prima de Robert Piguet continua atualíssima e apreciada por mulheres poderosas que buscam um floral-bomba. A nota que dá personalidade a esta criação é a tuberosa, que ofusca todas as demais e exala um odor plástico e intenso. A combinação das notas de íris, osmanthus, rosa e pêssego ajuda a dar um aspecto de bubble gum. Intimidante e fantástico.

FleetingMoment62. Fleeting Moment (Balenciaga, 1949). Também conhecido como La Fuite des Heures (“a fuga das horas”), este é um perfume aldeídico e soapy com um belo toque herbáceo e especiado. Com notas principais de tomilho, anis, íris, jasmim, couro e âmbar gris, Fleeting Moment busca imitar a natureza com todas as suas imperfeições. É um perfume único e original, infelizmente hoje em dia quase impossível de encontrar.

Diorama63. Diorama (Dior, 1949). Criado por Edmond Roudnitska, Diorama é um chipre clássico que mescla notas florais e frutadas sobre uma base seca e animálica. Repetindo o mesmo tema de Femme de Rochas, o perfumista torna esta composição mais floral, embora mantenha a mesma vibe picante, especialmente com o acorde ameixa-cominho. Diorama deixa um rastro ardido e opulento de civet, castoreum, couro e almíscar.

Baghari64. Baghari (Robert Piguet, 1950). Reformulado em 2006, Baghari felizmente perdeu pouco de seus atributos originais. Na saída, a fragrância tem tons cítricos de bergamota e néroli. Depois Baghari se torna levemente doce e polvoroso, tendo em seu centro notas florais de rosa, íris, violeta e jasmim. Os aldeídos aqui não geram o típico efeito de tinturaria, mas conferem um tom mais escuro de casca de laranja incensada. Além de baunilha, a base leva vetiver, âmbar e almíscar.

FilleDEve65. Fille d’Eve (Nina Ricci, 1952). Esta rara fragrância de Nina Ricci é um floral animálico. Fille d’Eve abre fresco e luminoso com notas cítricas e herbáceas, logo abrindo caminho para um coração de notas florais brancas bem femininas. Na secagem, o aspecto delicado das flores é abafado por um odor de cabelo sujo e oleoso devido às notas de castoreum e civet na base.

MuguetDeBonheur66. Muguet du Bonheur (Caron, 1952). Concebido antes da síntese do hedione (portanto com limitada nitidez), este soliflor dedicado à nota fantasia do lírio-do-vale hoje perdeu o seu encanto. Muguet du Bonheur tem uma saída fresca e brilhante de bergamota, néroli, flor de laranjeira e muguê, anunciando um delicado centro floral de magnólia, lilás, rosa e jasmim. A aura seca e verde da composição é preservada graças à sua base de sândalo, heliotrópio e almíscar.

Detchema67. Detchema (Revillon, 1953). Excêntrico e potente, este perfume foi feito para verdadeiras divas (era um dos favoritos de Maria Callas) e também é usado por Mia Farrow em “O Bebê de Rosemary”. Detchema contém dezenas de notas brigando entre si, desde as mais florais e frescas às mais defumadas e animálicas. Aldeídos se confrontam com um couro químico, enquanto flores disputam a atenção com bálsamos. Detchema é dramático e inesquecível, indicado para homens e mulheres seguros de si.

JolieMadame68. Jolie Madame (Balmain, 1953). Este é um chipre clássico apoiado sobre o mesmo acorde depois adotado em Fahrenheit – couro e folha de violeta. A saída é herbácea e especiada com notas de folha de violeta, bergamota, néroli, petitgrain, artemísia, cravo-da-índia e coentro. Para transmitir feminilidade, seu centro é feito de flores brancas, íris, lilás e narciso. Na base, Jolie Madame mostra seu porte e sua força com couro, tabaco, madeiras nobres, coco, almíscar e civet, deixando um rastro emborrachado característico no ar.

WindSong69. Wind Song (Prince Matchabelli, 1953). Wind Song é praticamente um buquê floral temperado com especiarias quentes em formato de perfume. O perfume abre com um topo de cítricos, néroli, estragão e coentro, evolui para um centro de rosa, cravo, ylang-ylang, jasmim e íris, finalizando com uma base de pau rosa, sândalo, cedro, vetiver, benjoim, âmbar e musk. O resultado é doce, picante e atalcado. Wind Song é elegante e sofisticado, porém mais apropriado para o inverno.

Fath70. Fath de Fath (Jacques Fath, 1953). Anos depois do lançamento do icônico e raríssimo Iris Gris, o designer apresenta este complexo oriental com facetas de cítricos, flores, frutas e resinas. Com uma saída herbácea e frutada de folhas verdes, cítricos, pêssego, ameixa, cassis e pera, Fath de Fath transita para um enorme buquê de flor de laranjeira, muguê, jasmim, tuberosa, heliotrópio e rosa. O aspecto polvoroso da fragrância aos poucos vai se aquecendo graças a uma base de sensual de patchouli, cedro, benjoim, fava tonka, âmbar, baunilha e musk. Incrivelmente balanceado dada a diversidade de notas.

Poivre71. Poivre (Caron, 1954). Esta ousada composição de Caron, como o próprio nome diz, foi criada em torno da nota de pimenta, aqui realçada com outras especiarias como pimenta malagueta e cravo-da-índia. Sem notas de saídas frescas, o perfume mergulha diretamente num aroma quente e picante. As notas florais, especialmente de tuberosa, contrabalanceiam a pungência. Na secagem, notas de sândalo, baunilha e opoponax produzem um rastro polvoroso e confortável.

Ambush72. Ambush (Dana, 1955). Com uma estrutura de bergamota, lavanda, cumarina e musgo de carvalho, Ambush de Dana seria praticamente um fougère não fossem as notas marcantes de jasmim, heliotrópio e orquídea em seu centro. A combinação remete a perfumes retrôs ou “de vovó” por ser tão denso e atalcado. Ambush é um perfume romântico, com um pé no melancólico.

Quadrille73. Quadrille (Balenciaga, 1955). Praticamente esquecido no tempo, este perfume de Balenciaga foi um potente chipre frutado de nuances picantes, úmidas e esfumaçadas. Com uma saída de bergamota, ameixa e pêssego, Quadrille seguia com um centro de jasmim, cardamomo e cravo-da-índia. Na evolução, o acorde âmbar na base se fazia mais evidente. O acabamento final ficava por conta de uma camada polvorosa de almíscar. Um perfume escuro e misterioso.

Nirmala74. Nirmala (Molinard, 1955). Lançada há décadas, esta fragrância está completamente afinada com a tendência moderna dos frutados. Nirmala exala uma aura tropical com a ajuda das notas de manga e maracujá, que interagem em perfeito equilíbrio com a baunilha, nota que aqui funciona como um suporte para a construção luminosa e fresca do perfume. Existem boatos de que Nirmala era o perfume favorito da mãe de Thierry Mugler e que acabou influenciando o estilista na criação de seu icônico Angel. Uma pena que a estética datada deste perfume possa desinteressar as mais jovens.

PinoSilvestre75. Pino Silvestre Original (Pino Silvestre, 1955). Concebido numa época em que perfumes eram figurativos (tentavam imitar um odor da natureza e recebiam um nome quase literal), Pino Silvestre é um aromático fougère com notas herbáceas agressivas, predominantemente de agulhas de pinho. O aroma terpênico da planta é realçado com bergamota, limão siciliano, gerânio, lavanda, ervas finas e especiarias quentes. Apesar de ter sido sucesso no passado e conquistado uma legião de fãs, Pino Silvestre hoje tem aspecto datado, para alguns remetendo a banheiro de rodoviária.

Interdit76. L’Interdit (Givenchy, 1957). Este perfume tem um significado especial porque foi feito para Audrey Hepburn, tornando-se assim o primeiro endossado por uma celebridade. Diferente da versão atual, mais floral-frutada e moderna, o vintage é um elegante floral aldeídico com nuances frutadas de bergamota, pêssego e morango. No coração da composição está um coeso buquê de rosa, jasmim, ylang-ylang, violeta, narciso, íris e cravo. A base de sândalo, vetiver, âmbar, fava tonka e almíscar ajuda a produzir uma silagem atalcada.

LeDe77. Le De (Givenchy, 1957). Este clássico floral musky de Givenchy foi relançado em 2007 dentro da coleção Les Parfums Mythiques. O perfume abre herbáceo e picante com notas de estragão e coentro, seguindo para um coração floral dominado por cravo e violeta. Nesse ponto, Le De se torna atalcado e sensual. Sua base é sólida em madeiras nobres, além de musgo de carvalho, âmbar e almíscar. Le De é uma fragrância nostálgica e romântica.

Vetyver78. Vetyver (Givenchy, 1959). Na década de 50 praticamente três fragrâncias à base de vetiver surgiram ao mesmo tempo: a de Carven, de Guerlain e de Givenchy. Esta última é a menos conhecida por ter sido descontinuada, mas relançada dentro da coleção Les Parfums Mythiques em 2007. Este perfume é uma das mais naturais interpretações do rizoma, aqui valorizado com notas de bergamota e coentro. Vetyver deixa um rastro seco, fresco e terroso que remete à atmosfera de uma floresta.

MonsieurGivenchy79. Monsieur (Givenchy, 1959). Não confundir este perfume com Givenchy Gentleman (completamente diferente, mais focado em patchouli). Primeira fragrância masculina da casa Givenchy, Monsieur é um aromático complexo que incorpora bergamota, limão, mandarina, verbena, petitgrain, lavanda, manjericão, cravo, sândalo, canela, almíscar e civet. Às vezes comparado com Eau Sauvage, difere-se deste por evoluir para um rastro mais quente e cremoso ao invés de herbáceo e seco, à moda de Eau de Guerlain.

Cabochard80. Cabochard (Grès, 1959). Um perfume amadeirado e aromático com notas marcantes de couro e tabaco para mulheres? Assim Cabochard se colocou quando foi lançado no distante fim dos anos 1950. Em homenagem à geniosa Madame Grès (“cabochard” significa teimoso em francês), a fragrância segue a linha dos já famosos chipres de couro como Bandit, Tabac Blonde e Cuir de Russie, porém se apresenta mais leve e confortável. Notas florais são sentidas no pano de fundo, trazendo um pouco de feminilidade ao perfume.

Tabac81. Tabac Original (Mäurer & Wirtz, 1959). Uma das mais importantes contribuições da Alemanha para a perfumaria, Tabac Original é uma composição amadeirada aromática. Na saída, a fragrância exala um aroma efervescente e picante de bergamota, limão, petitgrain, néroli e pimenta. No coração, notas de lavanda, camomila, gerânio e musgo de carvalho. O tema central de tabaco é produzido pela combinação de vetiver, sândalo, âmbar e musk.

MadameRochas82. Madame (Rochas, 1960). Relançado em 1989, Madame Rochas é um floral aldeídico. Na saída, a fragrância aparece herbácea com tons terroso e musgoso, transformando-se num verde brilhante aos poucos. No coração, um gigante buquê floral ultrafeminino se revela com flores brancas e polvorosas. A elegância e a maturidade do perfume são garantidas por uma base de madeiras nobres, fava tonka e musk. Madame Rochas é um grande perfume à moda antiga com ângulos musgoso, saponáceo e atalcado na proporção certa.

Futur83. Futur (Robert Piguet, 1960). Esta rara fragrância de Robert Piguet evolui de uma energizante saída cítrica e floral para uma voluptuosa secagem picante e animálica, com um coração de flor de laranjeira, jasmim e ylang-ylang. A base com notas de vetiver, incenso e couro deixa um rastro fresco, amargo e esfumaçado. Seria essa a ideia de futuro como insinua o nome do perfume?

Capricci84. Capricci (Nina Ricci, 1960). Esta fragrância esquecida de Nina Ricci foi um chipre floral construído em torno de uma rosa campestre. De aura muito natural e agreste, o perfume é de certa forma um precursor de Aromatics Elixir, reunindo um buquê heterogêneo de flores como rosa, gerânio, jasmim, ylang-ylang, tuberosa, gardênia, hibisco, íris e narciso. Tudo isso era brilhantemente apoiado sobre uma base de chipre enriquecida com benjoim e almíscar. Soapy e herbáceo na medida certa, no melhor estilo francês.

Vetiver85. Vétiver (Guerlain, 1961). Uma das maiores referências de fragrâncias à base de vetiver, este clássico da casa Guerlain foi extensamente reformulado. A beleza deste perfume está em sua simplicidade: aparentemente uma simples abstração do vetiver, ele trabalha com contrastes para tornar a composição mais interessante. As nuances do ingrediente principal são ressaltadas com toranja, alcaçuz, jasmim, noz moscada e tabaco. Na abertura Vétiver assusta, mas logo sua agressividade se atenua e encanta.

Caleche86. Calèche (Hermès, 1961). Calèche é o nome dado às carruagens conversíveis e também ao capuz usado por mulheres no século XVIII. Frequentemente comparado ao Chanel Nº5‎, Calèche tem um ar mais contemporâneo. Trata-se de um buquê floral chipre com uma nota marcante de musgo de carvalho. Os aldeídos produzem um efeito saponáceo e cremoso que acompanha toda a evolução do perfume. Calèche é estiloso, sisudo e elegante, transmitindo com bastante competência o DNA da casa Hermès.

ChantDAromes87. Chant d’Arômes (Guerlain, 1962). Com nuances chipres, este esquecido perfume da Guerlain é um delicado floral de múltiplas fases. Logo na saída, Chant d’Arômes invoca uma aura primaveril com flores desabrochando no jardim – madressilva, gardênia, jasmim e ylang-ylang ressaltadas por aldeídos e cítricos. Gradualmente, a fragrância vai revelando um lado mais denso de cravo-da-índia, vetiver, sândalo, incenso, benjoim e baunilha. Mesmo assim, Chant d’Arômes permanece suave e macio, levemente doce, sem perder a graça.

Versailles88. Bal à Versailles (Jean Desprez, 1962). Supostamente feito com mais de 300 componentes, Bal à Versailles vai de um toque doce e fresco a um esfumaçado odor animálico. Entre suas notas listadas estão jasmim, rosa, sândalo, patchouli, almíscar, âmbar e civet, embora os aromas de néroli e couro também fiquem evidentes. Por mais que as notas florais produzam um efeito saponáceo, o aspecto dominante do perfume está mais para um estábulo com cavalos, selas, feno e, naturalmente, fezes. Era o perfume favorito de Michael Jackson.

Fête89. Fête (Molyneux, 1962). Como o próprio nome diz (“festa” em francês), esse perfume foi criado para aventuras. Fête tem uma abertura frutada picante de pêssego, ameixa e cominho, evolui para um centro atalcado de lilás, íris, jasmim e ylang-ylang e conclui com uma base de sândalo, benjoim, baunilha, musgo de carvalho e couro. O resultado é uma composição original chipre frutada e animálica diferente mas incrivelmente sexy e chic – uma novidade para a época. Definitivamente um perfume para festas.

Diorling90. Diorling (Dior, 1963). Construído com notas marcantes de aldeídos, musgo de carvalho e couro, Diorling é um chipre à moda antiga com poderosa saída de bergamota e jacinto. Mais adiante, o perfume desabrocha um buquê de rosa, lírio-do-vale, jasmim e íris. No dry-down, Diorling mostra seu lado florestal e úmido, que encobre o coração feminino e atalcado. Uma composição feita para senhoras elegantes e refinadas.

Y91. Y (Yves Saint Laurent, 1964). Ofuscado pelas fragrâncias pomposas no portfólio de Yves Saint Laurent, Y é simples do nome ao conteúdo. Trata-se de um chipre verde refrescante e limpo com um aspecto natural. Nada datada apesar de suas muitas décadas, a fragrância reúne notas herbáceas e terrosas como íris, gálbano, musgo de carvalho, patchouli e vetiver, transmitindo um ar de floresta úmida. Como pano de fundo, um buquê fresco de rosa, jasmim, ylang-ylang e jacinto confere graça à composição.

Signoricci92. Signoricci (Nina Ricci, 1965). Um dos mais belos aromáticos já feitos, este é um perfume atemporal que mescla casualidade com sofisticação. Signoricci basicamente é uma composição cítrica (limão, bergamota e mandarina) e verde (gálbano, petitgrain e muguê). Se por um lado as notas de cravo, musgo de carvalho e civet conferem uma aura data, sua base de madeiras secas (sândalo, vetiver e cedro) equilibra bem toda a fragrância. Atualmente Nina Ricci não explora o universo da perfumaria masculina.

Vivara93. Vivara (Emilio Pucci, 1965). Vivara é um chipre clássico florestal e picante. Na saída, a fragrância apresenta um odor fresco e cintilante de aldeídos, bergamota, pêssego, folhas verdes e gálbano. Mais à frente, um acorde central de rosa, ylang-ylang, jasmim e muguê é temperado com especiarias quentes. Preservando sua atmosfera herbácea e vibrante, Vivara conclui com notas terrosas e esfumaçadas de sândalo, labdanum, musgo de carvalho, couro e incenso.

Imprévu94. Imprévu (Coty, 1965). Com o sugestivo nome de “imprevisto” em francês, Imprévu foi um intenso e feminino chipre couro. Abrindo com aldeídos, laranja amarga e bergamota, a composição segue com seu centro floral temperado com cravo-da-índia. No dry-down, um fundo de musgo de carvalho, couro e madeiras nobres produz uma aura madura e sofisticada. Infelizmente, a reformulação tirou o impacto do musgo de carvalho, hoje bastante restrito na perfumaria.

Fidji95. Fidji (Guy Laroche, 1966). Inspirado na ilha homônima do oceano Pacífico, Fidji foi composto para invocar uma atmosfera exótica. Para tanto, o perfume reúne flores diversas como íris, jasmim, rosa, ylang-ylang e cravo e as tempera com notas cítricas e verdes. A base fica por conta de vetiver, sândalo, musgo de carvalho e almíscar. O efeito conferido pela fórmula é tropical e bucólico, passando de um verde efervescente inicial para um floral cremoso e macio. A versão atual e reformulada não passa nem perto da original.

MissBalmain96. Miss Balmain (Balmain, 1967). Datado e andrógino, Miss Balmain é um complexo chipre couro na linha de Bandit. Este perfume foi concebido numa época imediatamente anterior à Revolução Feminista, defendendo aqui a imagem de uma mulher que veste couro, monta a cavalo e comanda uma empresa. Ao contrário do que o nome indica, Miss Balmain é bruto e forte, com aspecto terroso e fenólico, ligeiramente floral. Na época em que foi lançado, a fragrância foi considerada refinada e glamourosa. Hoje é difícil imaginar alguém que se arrisque.

CapucciPH97. Capucci pour Homme (Robert Capucci, 1967). Bem ao estilo chipre amadeirado de Armani pour Homme, esta fragrância clássica tem uma potente saída de aromática de cítricos, louro, manjericão e anis. Como um bom masculino tradicional, Capucci investe no poder das flores com um acorde central de lavanda, néroli, cíclame e jasmim, apoiado sobre um fundo chipre terroso e amargo devido às notas de patchouli, musgo de carvalho e tabaco. Na base, âmbar, incenso e musk conferem uma aura quente e sofisticada.

AguaBrava98. Agua Brava (Antonio Puig, 1968). Antes de Polo, veio Agua Brava e seu trio de limão, agulhas de pinho e musgo de carvalho. Sua proposta nitidamente era invocar o aspecto mais viril da natureza, portanto apostando nos seus representados mais ácidos e terpênicos. Agua Brava, como o próprio nome insinua, é uma fragrância agressiva, uma daquelas que talvez servissem mais de inspiração para outras que viessem em seguida, atenuadas. A Puig atualmente deixou de lado sua linha para se tornar um dos maiores conglomerados da perfumaria.

MuskAlyssaAshley99. Musk (Alyssa Ashley, 1969). Esta é a fragrância mais conhecida de Alyssa Ashley, tendo sido promovida como progressista e andrógina no final dos anos 60. Quente e sensual, Musk gira em torno do tema de almíscar sintético, aqui enriquecido com notas de bergamota, gerânio, rosa, jasmim, ylang-ylang, íris, musgo de carvalho e fava tonka. Depois da proibição dos nitromusks, Musk foi reformulado e ganhou um aspecto suave e cremoso, remetendo a um sabonete hidratado.

Chamade100. Chamade (Guerlain, 1969). Este magnífico oriental floral foi inspirado no romance La Chamade – chamade era a rápida batida de tambor usada como toque de recolher – para ilustrar a taquicardia de um apaixonado. O perfume tem uma saída verde e pesada de jacinto, cassis, gálbano e cravo-da-índia. O centro de Chamade consiste de um buquê floral com notas de rosa, jasmim, lilás, ylang-ylang e muguê. A secagem, carregada de bálsamos e almíscar, é cremosa e sensual.

Próximo: Anos 70

12 pensamentos sobre “Vintages (Pré-1970)

  1. Pingback: 50 Perfumes Vintage, por Ego in Vitro |

  2. Uma volta no tempo….quantas recordações…..me lembro ainda criança os vidros de perfume de minha mãe….Sai a ela amo perfume!!Ma Griffe(amo) Bandit,Diorella (tenho hoje)Dioressence,Fracas(maravilhoso)Calèche e tantos outros!Post maravilhoso!Parabéns!!!

  3. Maravilhoso ! Adorei conhecer a história de cada um ! É possível encontrar essas maravilhas p comprar ? Shocking ♡

  4. Adorei a descrição das fragrâncias! Gostaria de conhecer essas versões do Zen e do Diorella. O Shocking e o Jolie Madame me deixaram bastante curiosa. A Jerry Hall tb usa o Fracas!

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